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terça-feira, 9 de abril de 2019

Feira de Ciências de Mafra


À espera da última impressão 3D do evento. Nunca cansa, ver aquele olhar curioso.


Nos dias 5 e 6 de abril, estivemos presentes na Feira de Ciências de Mafra. Os nossos alunos dinamizaram o espaço do clube de robótica, mostrando o que desenvolvem como elementos do clube.




Durante dois dias, desdobraram-se a mostrar, demonstrar, dinamizar e fazer. Estes alunos são excelentes nisto, mostram que aprenderam muito mais do que imaginamos, dando-lhes o espaço e o tempo para explorar tecnologias.


Cuidado. Roedores e robots pode não ser uma boa combinação.

O melhor momento do evento? Para mim, foi logo pela manhã, quando chegam ao espaço os alunos do clube de robótica e eu lhes começo a dar orientações. Mandam-me calar e dizem stor, nós já combinámos tudo na viagem, quem é que vai fazer o quê, fique descansado. E... quer uma bolachinha?. Um deles está a aprender a ser um excelente cozinheiro.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Incode 2030



No dia 12 de dezembro estivemos presentes no Centro de Congressos de Lisboa no âmbito da 2.ª Conferência do Fórum Permanente das Competências Digitais da iniciativa Incode 2030. Em paralelo à conferência, empresas, instituições e escolas mostravam o trabalho que desenvolvem nos domínios da promoção de competências digitais. Fomos um dos clubes de robótica que aceitou o convite para mostrar os seus projetos.


Como sempre, o melhor destes momentos é a reação dos nossos alunos. Neste evento, dois já são veteranos do clube, e a aposta foi em alunos novos, para ver o que outros fazem e trazer essas ideias para a nossa escola. Não lhes é dado qualquer treino de desempenho ou instruções específicas. Tudo o que lhes pedimos é que sempre que alguém os questione, que falam do que sentem e gostam de fazer no clube.


Enchem-nos sempre o coração. Entusiásticos, dinâmicos, a mostrar que sabem mais do que aquilo que lhes é ensinado, essencialmente a mostrar o gosto que têm nestas atividades, em dispor de um espaço e tempo para fazer algo de diferente, no sentimento de companheirismo entre o grupo. O ponto alto foi quando conversaram com o ministro da educação, mas isso não é o mais importante. Não é a validação de figuras tradicionalmente vistas como importantes que procuramos, mas sim o sorriso no rosto destes alunos.

Uma excelente surpresa foi receber a visita de uma das encarregadas de educação destes alunos, que não conhecíamos, e nos agradeceu o proporcionar ao filho o espaço do clube, estimulando-o a aprender com tecnologia. É bom saber que onde realmente interessa, nos alunos e seus pais, o que fazemos é valorizado.


Este tipo de eventos tem uma relativa importância. Inserida no âmbito do Incode 2030, a mostra de projetos de escola e clubes de robótica faz parecer que o trabalho desenvolvido por estes alunos e docente. No nosso lado, não sentimos qualquer efeito de uma iniciativa lançada no ano passado, cheia de boas intenções. O arranque do projeto deu-se sem apoios, bem antes de conseguir iniciar a impressão 3D. O prémio Inclusão e Literacia Digital deu-nos as verbas necessárias para avançar neste domínio. No evento, tivemos oportunidade de trocar umas palavras com uma das responsáveis por este prémio, entretanto extinto, que observou o fantástico que foi o germinar desta pequena semente, o impacto que está a ter, muito acima do que seria expectável. O salto para o espaço Maker na biblioteca, com mais impressoras 3D, mobiliário e tablets, foi possibilitado por verbas da Rede de Bibliotecas Escolares, com auxílio da Associação de Pais e Direção do Agrupamento. Não nos sentimos beneficiados no âmbito do prometido pelo Incode 2030. Apenas, talvez, na extensão de TIC do 5º ao 9º ano, mas o reduzido tempo da disciplina dificulta muito o desenvolvimento de aprendizagens (há colegas a fazer trabalho heróico, com um número de alunos incomportável). E enquanto se discutem os desafios do digital, a infraestrutura digital nas escolas já ultrapassou os limites da obsolescência, sem que se anteveja qualquer forma de renovação sustentável.


Se, por um lado, sentimos ser nosso dever representar o Agrupamento e dar aos nossos alunos a oportunidade de brilhar, por outro não somos desprovidos de sentido crítico. Lutamos diariamente com a degradação de condições, e neste tipo de momentos, sente-se que a valorização ao trabalho desenvolvido serve apenas para assegurar entretenimento para os participantes.

Apesar destas cada vez mais incontornáveis reticências, no final do dia regressámos de coração cheio com o desempenho dos nossos alunos. Cada um é uma história, tem as suas motivações e gostos. Juntos, formam um grupo admirável, do qual nos sentimos orgulhosos por poder ter a oportunidade de lhes dar faísca para novas aprendizagens.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Encontro Aprendizagens Essenciais em TIC



No passado sábado, 10 de novembro, estivemos presentes no encontro de professores de TIC no âmbito do encerramento do MOOC Aprendizagens Essenciais em TIC. Este encontro decorreu em simultâneo por várias cidades do país. Estivemos presentes na sessão de Lisboa.





Como parte do encontro, foi lançado um desafio aos clubes de robótica para estarem presentes, a partilhar a sua experiência e projetos. Como não podia deixar de ser, mostrámos o que estamos a fazer em TIC e no LCD_AEVP com impressão 3D. Só deixámos a impressora em casa. O dia estava chuvoso e não queremos arriscar danificar uma das nossas máquinas de impressão.


Ficámos ainda responsáveis por dinamizar um workshop de introdução ao 3D, em parte como finalização de um MOOC que também contou com sessões sobre esta tecnologia, e também como primeiro workshop do projeto 3Digital,

Os formandos foram surpreendidos quando lhes dissemos que a sessão não iria decorrer no computador. Ao longo de duas horas, trabalharam na introdução à modelação 3D com dispositivos móveis, utilizando o 3DC.io e o Onshape. Esta vertente de modelação 3D em dispositivos móveis tem vários objetivos: explorar tecnologias móveis em contextos educativos como ferramentas de criação de conteúdos, utilizar estratégias BYOD para colmatar o forte desequilíbrio em TIC do rácio de computadores disponíveis para os alunos, e combater a demonização do telemóvel nas mãos dos jovens.

Ainda durante o encontro, foram oficialmente lançados os projetos 3Digital e ArdRobotic. Ficámos a saber que o 3Digital conta com cerca de cem professores inscritos, e agora, avançamos para formação que lhes possibilite desafiar os seus alunos a criar em 3D.

terça-feira, 17 de julho de 2018

TIC em 3D @ Sci-Fi Lx 2018


Quantas pessoas são precisas para um bom workshop? Se calhar, basta uma. Foi isso o que aconteceu este ano no festival Sci-Fi Lx 2018, que decorreu no pavilhão central do Instituto Superior Técnico nos dias 14 e 15 de julho. O público era pouco, mas muito interessado, e melhor do que uma cansativa sessão expositiva foi poder ter uma boa e tranquila conversa, que se prolongou para lá do tempo previsto para o workshop. Até deu para a participante poder criar o seu primeiro modelo 3D e imprimi-lo. Entretanto, quem passava ia entrando, espreitando e colocando perguntas. Confesso que estava mesmo a precisar de um momento tranquilo para finalizar o ano letivo das TIC em 3D.


Claro que levei o meu Anprino Arthur, para ver se o metia à solta pelos corredores do Técnico.


Não é frustrante ter tido poucos participantes no workshop, reparei que este ano foi comum aos restantes previstos. Uma participante sei que faltou por não ter acordado a horas. Descobri isso ao passar pela banca da Leo Couture e conhecer uma cosplayer, que queria estar na minha sessão de introdução à impressão 3D, mas não chegou a tempo. Queria saber como usar o 3D para criar props para cosplay (ok, eu explico: props são adereços para fatos; cosplay é a criação manual de fatos elaborados por fãs que encarnam as suas personagens favoritas). Bem, percebendo que o que ela necessitava era descobrir como modelar em 3D, nada que duas cadeiras, um tablet e o 3DC.io não resolvessem. E seguiu mais um mini-workshop.

É mesmo este o objetivo do Sci-Fi Lx. Ser um ponto de encontro de fãs, onde nos podemos juntar, trocar ideias, partilhar projetos e discutir o nosso grande gosto pelas diversas vertentes da Ficção Científica e Fantástico.

O sítio onde me sinto bem



A escola para mim é o sítio onde me sinto bem, onde eu aprendo, observou a Sr.ª Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, rematando que a resposta ao como as escolas podem aproveitar a cultura dos fablabs se encontra na partilha de experiências potenciada pelos fablabs. O XII Fablab Bootcamp terminou com esta intervenção, antecedida das palavras de apoio da representante da Embaixada dos Estados Unidos e da Exm.ª Vice-Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras. Estamos sem palavras, emocionados. O XII Fablab Bootcamp, que foi um momento de partilha, aprendizagem, e ponto de encontro makers com professores, correu acima de todas as nossas expetativas. No final, vimos os sorrisos dos participantes, e ouvimos as suas palavras de encorajamento.


Nos dias 13 e 14 de julho vesti a camisola do Lab Aberto e colaborámos no XII Fablab Bootcamp, que foi organizado pela nossa equipa. Foi um projeto ambicioso, que não esperávamos vir a ser tão bem sucedido. Há meses atrás, quando acelerávamos a preparação do evento, tudo parecia difícil, quase inatingível. Conseguiríamos ter forma de trazer cá os convidados estrangeiros, que vieram partilhar experiências avançadas de fablabs na educação? Seríamos bem sucedidos na criação de uma ação de formação para professores sobre esta temática, entre a reflexão sobre cultura maker e sessões de introdução a tecnologias? Conseguiríamos convencer os makers a estar presentes num evento que, sendo tradicionalmente virado para eles, também se abria ao público da educação? O sorriso no rosto de todos, participantes, organizadores, voluntários, parceiros, na sessão de encerramento, mostrou-nos que sim.


Fiquei responsável por dinamizar um workshop de introdução à impressão 3D para professores, em conjunto com Paulo Cabrita, nosso colega na equipa multi-disciplinar do Lab Aberto. Fomos ambiciosos, e arriscámos uma sessão sobre tecnologias móveis, 3D e impressão 3D na educação. Graças à facilidade de uso do 3DC.io, conseguimos em poucos minutos que os participantes criassem modelos 3D, que depois foram utilizados para demonstrar os restantes passos do processo de impressão: questões sobre STL, validação, impressão.


A sessão também incluiu demonstrações de Sketchup Free, Tinkercad e Onshape. Pessoalmente, como formador, pensei que exagerei no conteúdo, que na ânsia de dar aos participantes um panorama geral do mundo da impressão 3D, os sobrecarreguei de informação. Estes, quando falaram comigo após a sessão, manifestaram a visão oposta. E quando partilham nas redes sociais o que já estão a fazer com 3D no telemóvel, e ideias para desenvolver com os seus alunos, percebemos que de facto, deixámos a nossa marca, que entusiasmámos os participantes e os desafiámos a criar.


Entre os muitos workshops disponíveis neste Bootcamp, a ANPRI dinamizou um sobre o Robot Anprino. É, para mim, um orgulho muito especial ter este projeto a participar nas iniciativas do Lab Aberto.


De todos os restantes workshops de um grande evento, destaco este: o Como Construir uma Escola a Partir de um FabLab. Contou com Liz Whitewolf, coordenadora do fabab da universidade de Carnegie Mellon, Miquel Carreras, do Liceu Politecnic de Barcelona, Francisco Mendes, da Beeverycreative e Sunset Hackathon, Tauan Bernardo, do OPO Lab, professores, coordenadores de fablabs, elementos da ERTE-DGE e... a coordenadora das bibliotecas da nossa escola, que saiu de lá cheia de ideias para levarmos o projeto Fab@rts ainda mais longe. Deste workshop saiu  um conjunto de ideias sobre o potencial da cultura maker na educação que, esperamos, se torne um ponto de partida para as escolas e entidades da tutela aproveitarem as valências dos fablabs. Há, à partida, um ponto comum: a estrutura e metodologias dos espaços Maker enquadram-se nos domínios do conceito Future Classroom.

O primeiro passo está dado. O encontro terminou com professores motivados, com vontade de levar esta cultura, e as tecnologias que experimentaram, para a sala de aula. É hoje um lugar comum dizer que as escolas têm de preparar os alunos para profissões que não só não existem hoje, como sequer as podemos antever. A cultura maker, o espírito de inovação, projeto e partilha que caracteriza os Fablabs são uma das respostas possíveis à questão de como preparar as crianças e jovens para esse futuro de desenvolvimento rápido que antevemos, mas não conseguimos definir.

domingo, 8 de julho de 2018

Sci-Fi Lx 2018: Workshop Impressão 3D


É já uma tradição TIC em 3D, finalizar o ano letivo com a presença no festival Sci-Fi Lx. Este ano, o workshop de Impressão 3D está marcado para dia 15, às 14:00. Ponto de encontro obrigatório dos fãs de ficção científica, fantástico, banda desenhada e cultura japonesa, o Sci-Fi Lx decorre no pavilhão central do Instituto Superior Técnico nos dias 14 e 15 de julho, e tem um extenso programa de workshops, palestras e exposições.

Podem inscrever-se aqui: Workshop Impressão 3D. A inscrição tem um custo simbólico, que reverte totalmente a favor da organização do Sci-Fi Lx e equivale a uma rifa.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Encerramento Probótica


Dia 4 de julho estivemos no evento de encerramento do Probótica 2018, a partilhar experiências sobre impressão 3D e clubes de robótica.



Este evento, balanço final da iniciativa da ERTE-DGE que apoia e incentiva a dinamização de experiências de programação e robótica no ensino básico, decorreu no espaço da Escola Secundária de Vergílio Ferreira, em Lisboa.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

We're All Stories


No evento final Probótica 2018, desafiaram-nos a participar numa conversa sobre clubes de robótica, partilhando a nossa experiência. Correu em modo de improviso, mas alinhavei as ideias gerais neste texto. A imagem a que faço referência não a publico aqui, respeitando a política de privacidade de dados do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro, mostra o núcleo do clube a trabalhar nos seus projetos num intervalo entre aulas.

Esta é, para mim, a melhor imagem do clube de robótica do AE Venda do Pinheiro. São alguns dos alunos, completamente fora de horas, a frequentar o espaço do clube durante os intervalos. Este nível inesperado de autonomia e reforço de interações sociais foi, este ano, das experiências mais enriquecedoras de dinamizar um clube de robótica.

Tenho sempre a sensação que somos um clube algo atípico. Logo a começar pelo espaço onde trabalhamos. As atividades decorrem no Centro de Recursos, durante o seu funcionamento normal. Deveríamos ser um clube de robótica e programação, mas modelamos e derretemos filamento termoplástico, com os robots e os drones um pouco esquecidos. Salve-se a programação, que isto desde que os alunos aprenderam a fazer Pixel Art a programar a matriz de leds do SenseHat para Raspberry Pi, tem sido uma loucura visual. Mas não participamos em desafios Scratch ou Apps for Good.

Ainda. Lá chegaremos, espero. Porque antes de tudo o resto, temos de criar na nossa escola uma cultura de criatividade tecnológica. Esse foi o nosso verdadeiro desafio neste ano, o segundo ano formal do clube.

Não temos uma sala para nós. São as agruras de trabalhar numa escola sobrelotada. Mas queremos trabalhar na Biblioteca Escolar, há uma lógica por detrás disso. A professora bibliotecária do Agrupamento foi uma das vítimas colaterais da nossa incursão na criatividade digital. Tornou-se ainda mais fanática por impressão 3D, programação e robótica do que eu, por estranho que isso pareça. A faísca está a pegar, penso, quando nos vemos obrigados a fazer engenharia financeira comprar caixas de robots para as bibliotecas dos estabelecimentos do primeiro ciclo.

Trabalhamos 3D e programação com tablets, para colmatar as falhas na acessibilidade a computadores e porque creio que temos de apostar na computação móvel. Em contextos mais formais, o poder computacional do computador tradicional, desktop ou portátil, é sempre o mais adequado, mas a portabilidade e capacidade dos dispositivos móveis está em expansão constante. No nicho específico do 3D, já é possível trabalhar em CAD a nível semi-profissional com um simples tablet android. Há que aproveitar o menor custo desta tecnologia, e tirar partido daquele dispositivo computacional que todos, nós e os alunos, têm no bolso.

Desenvolver atividades de clube de robótica na biblioteca não acontece só por questões de espaço. Montámos um pequeno espaço Maker no Centro de Recursos, onde os nossos alunos podem estar a desenvolver competências com o nosso arsenal digital. Os nossos alunos fazem serviço como monitores 3D e de tecnologias, estando disponíveis fora das horas do clube para ajudar os restantes utentes do Centro de Recursos a descobrir as tecnologias com que trabalham. Durante as sessões, o que fazem é visível para todos, despertando a curiosidade e tornando a tecnologia algo de acessível. A outro nível, aquele que a professora bibliotecária não cessa de me recordar, é um tipo de projeto que experimenta novas literacias no espaço da biblioteca.

Temos sido afortunados, contamos com dois computadores mais recentes do que os quase defuntos PTE, um Raspberry Pi (das melhores aquisições que fiz), impressora 3D, tablets, kits littlebits e robots de três tipos. Um espaço tornado possível pelo investimento dos prémios de Mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Não resisto a sorrir, ao recordar o ar de contentamento da nossa bibliotecária e sua coordenadora concelhia a escolher os móveis e decoração deste espaço. Eu mantive-me saudavelmente afastado das visitas ao Ikea, alegando que tinha de resolver problemas técnicos. Mas adorei o sorriso dos nossos alunos quando chegaram e viram o espaço composto. Especialmente quando descobriram os puffs.

Não somos um clube muito formal. Quando candidatos esperançosos perguntam como é que podem fazer parte, a regra é aparecerem nas horas do clube. Quando puderem, quando quiserem. Sem obrigações. Alguns vão e vêem, muitos ficam. Nunca sei ao certo quantos alunos frequentam o clube, mas sei que tenho um núcleo de vinte alunos que frequentam regularmente as sessões e usam o espaço nos seus tempos livres. Os mais novos são acolhidos e guiados pelos veteranos. São um grupo heterogéneo, do quinto ao nono ano, que nos acompanha nos eventos em que participamos.

Quem pertence a este clube, fá-lo porque quer mesmo. Porque se sente bem e aprende a desenvolver as suas ideias. Mas suspeito que o estar entre pares, a fazer amizades, é uma das principais razões desta constância.

Há que saber contornar as dificuldades organizacionais de uma escola que otimiza os horários dos alunos. Funcionamos à hora de almoço, para permitir a um grande número de alunos estar connosco. O tempo do clube rivaliza com outros interesses, e por vezes sobrepõe-se a horas de apoio pedagógico.

A informalidade do clube e o seu espaço de trabalho são também problemáticos. Nem sempre é fácil desenolver projetos sustentados neste tipo de condições. Melhorar esse aspeto é o grande objetivo do próximo ano. Neste, criámos um núcleo e uma cultura. Agora temos de a fazer crescer.

Gosto de chamar ao grupo os Misfits. Um grupo de crianças com interesses e dinâmicas diversas, que encontra no espaço Maker da biblioteca um ponto de encontro entre iguais. Onde tem à disposição diferentes maneiras de se exprimir com tecnologia, entre 3D printing, kits de eletrónica, robots, drones ou programação. Cada um tem a sua cena, e vai aprofundando ao seu ritmo e interesse. Mais do que encarrileirar numa direção, preferimos disponibilizar e orientar. Dar a faísca, tentar criar condições. Eles, estes fantásticos e fantásticas Misfits, fazem o resto. E se acham que é mau apelidá-los de Misfits, reparem: onde é que estes meninos gostam de passar os seus intervalos?

We're all stories in the end, just make it a good one, como diz o Doctor Who. Nós, professores, gostamos das histórias que as recordações dos nossos alunos. Poderia contar a daquele aluno problemático, ao nível de saúde mental, cuja diretora de turma o retirou dos apoios educativos para frequentar o nosso espaço. Ao fim de umas sessões sem participar em nada, disse-lhe que não estava a resultar e saiu do grupo. Algumas semanas depois vem ter connosco, e pede-me "professor, pode-me ensinar a fazer porta-chaves em 3D?" Não só se integrou no grupo, como se tornou dos mais ativos.

Falando em apoios educativos, recordo uma conversa azeda que tive com a diretora de turma de um outro aluno, que queria que eu metesse na ordem num aluno que estava a faltar aos apoios para frequentar o clube. Não gostou muito da minha opinião de que provavelmente estaria a desenvolver trabalho mais útil enquanto membro do clube do que nos apoios, e muito menos quando lhe expliquei que o espírito do clube é informal. Mas fiz o reparo ao aluno. Semanas depois, regressou. Quando lhe perguntei se estava a faltar a aulas de apoio, disse-me "não, estudei, esforcei-me, melhorei as notas e deixei de precisar de ir a estas aulas". É o meu gestor de impressão 3D.

As últimas semanas do clube, este ano, foram marcadas por dois problemas gravosos. Foram relatados por um dos alunos, que sendo mais velho se sentia responsável pelos colegas. Estava preocupado, com ar de realmente apoquentado, enquanto me relatava situações problemáticas. Disse-me que um aluno que tinha saído do clube por comportamentos inadequados entrava à socapa na biblioteca da escola e usava a impressora 3D para imprimir objetos seus. Fiquei sem saber se ficava chateado ou contente. Se por um lado este aluno estava a usar o espaço indevidamente, por outro, mostrou-se capaz de o fazer em autonomia.

O outro acontecimento gravoso envolveu puro empreendedorismo. "Sabe, o XXX está a aceitar dinheiro para imprimir coisas. Ele faz e imprime para os outros, disse-me o meu preocupado aluno. Novamente, fiquei indeciso. Deveria ficar irritado ou contente? Falei com o jovem empreendedor e parece que para o ano temos uma solução para ajudar a adquirir filamento.

Quando deixei uma impressora 3D ao abandono nas mãos dos alunos, não era bem estes os resultados que esperava. Afastar-me e deixar os alunos tomar conta da máquina foi algo que tive de me forçar a fazer. Só intervi em caso de entupimento grave, ou troubleshooting quando eles não conseguiam resolver os problemas por si sós. A princípio temi o pior. Temi alunos hospitalizados com queimaduras graves do extrusor ou uma máquina bastante cara irremediavelmente irreparável. O ano terminou com a máquina em excelentes condições, um grupo de alunos em auto-aprendizagem acelerada, e muitas bobines de filamento vazias.

Sou professor, e por isso metodologias muito livres causam-me alguma relutância. O instinto de guiar e orientar é muito forte. Entre a falta de foco na programação e robótica e o informalismo das sessões, ficava com o sentimento de que os alunos não estavam a aprender e desenvolver as suas competências da melhor forma. Um anacronismo, bem sei, da parte de quem sempre sublinhu aos alunos que as sessões do clube não eram aulas. Tive a prova que de facto aprenderam e desenvolveram ideias na última semana de aulas. Uma equipa da Beeverycreative esteve connosco a filmar um case study sobre impressão 3D na educação, com depoimentos dos alunos. Quando estes me perguntaram o que teriam que dizer nas entrevistas, disse-lhes que falassem do que sentiam. Não os treinei com declarações feitas. E quando falaram, frente à câmara, caiu-me o queixo e encheu-se o coração. Mesmo os mais novatos mostraram que aprenderam muito mais do o que eu imaginava.

Podemos não ser grande coisa a programar e mexer em robots. 3D é a nossa principal área de intervenção, muito por minha culpa. Mas ao longo deste ano um grupo crescente de jovens entusiasmados teve oportunidade de desenvolver livremente as suas capacidades nestas áreas, partilhou experiências com os colegas e descobriu o que se pode fazer em eventos. Mais importante do que isso, criaram laços fortes de cumplicidade que ultrapassaram idades, turmas e anos de escolaridade. Este lado humano, das relações que se criam, sinto que é o mais enriquecedor da experiência de dinamizar um clube de robótica.

E também ajuda passar pelos corredores da escola com um qualquer artefato tecnológico e ouvir os alunos a comentar "lá vai o stor de robótica fazer coisas fixes". É uma curiosa evolução, para quem começou por ser professor de artes.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Lab Aberto na Feira de S. Pedro


Na sexta-feira, 28 de junho, foi dia de ajudar o Lab Aberto a divulgar as suas atividades, bem como o fablab bootcamp, no espaço Torres Inov-e na Feira de S. Pedro. Ao longo dos próximos dias, a equipa do Lab Aberto irá continuar a dinamizar atividades neste espaço. O principal objetivo foi o de divulgar quer o Lab Aberto quer o que se faz com impressão 3D a todos os visitantes da Feira.


A Blocks do Lab Aberto... e as peças impressas pelas Beethefirst e Beeinschool da nossa escola. Fomos surpreendidos por uma intensa chuva, e optámos por deixar as nossas impressoras em segurança.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Agenda TIC em 3D


O mês de julho promete ser intenso, neste nosso projeto. Deixamos aqui a lista de eventos em que estaremos presentes, dinamizando workshops. Ressalvamos que, apesar dos compromissos assumidos, as probabilidades de conseguirmos estar presentes nos eventos que decorrem durante a semana são menores a cada dia que passa. Efeitos colaterais da greve às avaliações.

Dia 29, entre as 21:00 e as 23:00, vamos estar presentes na Feira de S. Pedro, Torres Vedras, a ajudar o fablab LabAberto.


Dia 6 de julho, workshop Fab@rts, partilhando as dinâmicas de impressão 3D e bibliotecas escolares no encontro Da Arte de Ler - Rede de Bibliotecas do Concelho de Alcobaça.





Nos dias 9 e 10 de julho, os desafios passam pela cidade de Guimarães, com participação no V Encontro Internacional Casa das Ciências, com dinamização de dois workshops e participação em painel de discussão sobre a ilusão da imagem.




De 12 a 15 de julho 2018, organizado pelo Lab Aberto no espaço do LAB CENTER, em Torres Vedras, vai decorrer o XII BOOTCAMP FAB LAB, evento que reúne a comunidade de fablabs nacional. Colaboramos na organização e estamos responsáveis pelo workshop de introdução à impressão 3D. Este ano, para além das partilhas de experiências da comunidade de utilizadores, o BootCamp contará com uma forte vertente pedagógica. Com o tema "Como Criar uma Escola a partir de um FabLab", desafiamos professores de todos os níveis de ensino a participar numa ação de formação creditada com workshops de introdução a impressão 3D, robótica, programação e outras tecnologias, bem como partilhar experiências com Liz Whitewoolf, diretora do FabLab do Carnegie Science Center, Pittsburgh, e Miquel Carreras, coordenador do FAB LAB do Liceu Politecnic de Barcelona. Este evento é organizado pelo Associação LAB ABERTO FAB LAB, com apoio da Câmara Municipal de Torres Vedras, Embaixada dos Estados Unidos da América, ISCTE-IUL, Instituto Politécnico de Leiria e Centro de Formação de Escolas de Torres Vedras e Lourinhã, ANPRI, Associação Nacional de FAB LABs, bem como escolas, fablabs e empresas.



Finalmente... está a tornar-se tradição, finalizar o ano letivo de atividades TIC em 3D com participação no Festival Sci-Fi Lx. Este ano não estaremos nos dois dias, sobrepõe-se ao Boot Camp, mas dia 15 lá estaremos, a levar todos os interessados a descobrir a modelação e impressão 3D.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Workshop de Impressão 3D no SCi-Fi Lx 2018


No dia 15 de julho, como é já tradição, vamos estar no festival Sci-Fi Lx 2018, participando com uma sessão sobre impressão 3D. O Sci-Fi Lx decorre nos dias 14 e 15 de julho, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Feira Pedagógica do Barreiro


Dia 31 de maio estivemos presentes no espaço Sala de Aula do Futuro da ANPRI, criada como demonstração no âmbito da Feira Pedagógica do Barreiro. Juntámos uma das nossas impressoras 3D à da ANPRI, para mostrar as valências desta tecnologia nos domínios da educação.


Boa parte das tecnologias em evidência na Sala, especialmente as de programação e robótica, são tecnologias criativas, mas a ligação da impressão 3D à plasticidade e ao desenho são por excelência sinónimo de criação.


Procurar objetos grandes, poucos, mas com impacto visual. Entre o Thingiverse e as criações dos nossos alunos.


A Feira Pedagógica conta com um espaço de exposição de trabalhos dos alunos das escolas do concelho do Barreiro, e ao visitar descobrimos estes projetos fantásticos, que trazem para a tridimensionalidade as obras pictóricas. Fonte de inspiração!


Tem o seu quê de cantina band de Star Wars...


... mas foi o concurso de dança robótica com Anprinos. Sim, estava um robot anprino dentro do que parecia ser um boneco de peluche cheio de vivacidade!

domingo, 20 de maio de 2018

Criatix: Raiz da Criatividade


Dia 19 estivemos presentes no Criatix: Raiz da Criatividade. Organizado pela CAF da Escola Básica de S. Vicente, em Telheiras, oferece aos visitantes um conjunto diversificado de atividades, workshops e projetos para visitar. O público está restrito aos alunos e encarregados de educação da escola, mais por informação do que por restrição de acessos. O resultado é um evento divertido mas calmo, bom contraponto para fins de semana intensos no Festival Nacional de Robótica e E-Tech Portugal. 


Estivemos presentes como TIC em 3D, representando as atividades desenvolvidas no domínio da impressão 3D em TIC, clube de robótica  e projetos interdisciplinares.


Estávamos bem acompanhados pelas girls in ICT da ANPRI, a partilhar o espaço com os kits FischerTechnic da Ludicenter, os robots da Ardozia e a escola de programação Happy Code.


Confronto de anprinos? Dois Arthurs, o nosso (o que tem mais estilo, se nos permitirem o convencimento) e um dos da ANPRI, às voltas na pista de robots.


Eu queria fazer uma letra chinesa, diz-me uma das pequenas alunas do projeto Vicentix. Como fazer, e imprimir em pouco tempo? Graças ao 3DC.io, foi só desenhar a letra à vista e enviar para a nossa impressora. A recompensa? O brilho nos olhos de uma criança.


Sendo um evento tranquilo, dá pra usar o tempo mais livre noutras coisas. Como continuar a aprender a desenhar no Onshape. É desenhando que se aprende a dominar a ferramenta, e quanto mais experimentamos, mais próximos nos sentimos de desenvolver estratégias para ensinar a modelar em 3D com esta ferramenta.

Projetos como o Criatix merecem todo o nosso apoio. É, nas palavras do responsável, um ambiente boa onda. Pode não ter o impacto de eventos institucionais, mas se queremos ajudar a dinamizar a mudança educativa, temos de olhar para todos os públicos. Momentos de partilha intimista e relaxada são tão importantes como as grandes ações de divulgação. Se para o ano o Criatix se repetir, e nos voltarem a desafiar, a nossa resposta é, obviamente, contem connosco.