Espaço dos projetos TIC em 3D, Fab@rts - O 3D nas mãos da Educação!, Laboratório de Criatividade Digital - Clube de Robótica AEVP e outros projetos digitais desenvolvidos no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro.
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terça-feira, 10 de outubro de 2017
ESA Autumn Teachers Workshop
Passámos o final da semana passada a ter uma experiência extraordinária: participar num dos workshops bi-anuais promovidos pelo departamento de educação da Agência Espacial Europeia. Decorreu na cidade holandesa de Leiden, durante quatro dias muito intensos, entre sessões de trabalho prático, palestras de especialistas, partilhas informais e uma visita ao ESTEC, o núcleo de pesquisa da ESA sediado em Noordwijk. Este evento reuniu cerca de cinquenta professores vindos dos vários países da União Europeia ou associados à Agência Espacial, escolhidos entre cerca de duzentas candidaturas vindas de toda a europa. Portugal esteve representado com a participação de cinco docentes. Pelo que nos disseram, fomos um dos países que mais candidaturas enviou, obrigando a um enorme cuidado na seleção dos participantes. Uma informação que eleva a fasquia sobre a nossa presença neste evento.
O encontro decorreu nos espaços do Hilton Garden Hill, nos arredores da cidade de Leiden, onde os participantes ficaram hospedados. Em três dias de sessões de trabalhos intensivas, foram explorados elementos do currículo Learning with Space desenvolvido pelos vários gabinetes de trabalho que compõem a ESA Education. Este conjunto de atividades, muito abrangente, procura estimular a aprendizagem científica com experiências práticas e divertidas, utilizando a exploração espacial como ponto de partida.
Todos os docentes receberam um livro de atividades, com projetos práticos para experimentar em sala de aula, e um kit Learning with Space, com materiais e componentes pensados para desenvolver um conjunto de experiências que tocam nos campos da física e da química. Com uma prenda especial: cada kit traz um cubo de alumínio 6061, uma liga metálica utilizada na construção de naves espaciais. Apenas um, porque como nos explicaram, mais do que isso tornaria proibitivo o custo do kit. Imaginem o quão espantoso é poder pegar num cubo de metal e dizer aos alunos bem, isto é o material de que os satélites são feitos.
As sessões de trabalho foram entrecortadas por palestras feitas por especialistas da ESA, que nos vieram falar dos sistemas de lançamento (os foguetões, traduzindo para os não iniciados nestas coisas), ciência dos materiais (a palestra que, para nós, foi a mais interessante, por ter tocado na linha da frente do desenvolvimento de materiais com impressão 3D), satélites e astronáutica. Estas complementavam o lado prático das atividades, expandido os conhecimentos dos participantes.
E que tal um pouco de espectrografia low cost com CD-Roms e uma câmara escura construída em papel? Este é um dos muitos exemplos de atividades desenvolvidas com estes kits educacionais. Apesar de intensos e numerosos, são uma amostra do que se pode fazer, um foco que teve como lema, nas palavras de Shamira Hartevelt, coordenadora deste programa, don't do ten things in a rush, focus on a few, do two, but do it well. É, diga-se, um bom princípio orientador para workshops.
Devo dizer que, apesar de ter adorado participar neste evento, não sou talvez o tipo de professor mais adequado para o frequentar. Estas atividades estão pensadas para docentes nas áreas das ciências, e são excelentes para desenvolver a cultura científica. No meu caso, como professor com um pé nas artes e outro na informática, não há uma aplicabilidade direta das atividades que experimentei e as minhas práticas em sala de aula. Não há, sequer, correspondência de matérias, tirando a exceção da experiência com programação em Python num Raspberry Pi, a que para mim foi a mais interessante de todas as experiências dos workshops. Outras, como as atividades com o kit Teaching with Space ou a construção de foguetões, permitem expandir a gama de atividades do clube de robótica.
Apesar desta falta de linearidade na aplicabilidade do que aprendi neste evento, senti todas as sessões como muito úteis. Ser professor, hoje, obriga a sair dos limites das área disciplinares de origem e perceber um pouco do que se passa nas restantes. A educação contemporânea, pensando numa preparação mais eficaz das crianças para os desafios de um futuro próximo dominado pela automação, robótica, algoritmia e uma economia em que o elemento fundamental é o conhecimento obriga-nos a pensar de forma multidisciplinar. É aqui que a diversidade de experiências e o afastamento das minhas áreas de trabalho no que toca aos conteúdos deste workshop é uma mais valia. Permite-me, por exemplo, perceber melhor como estruturar projectos interdisciplinares que cruzem TIC e ciências, quer no interesse específico da impressão 3D quer noutras ideias de trabalho em projecto. As partilhas deste Teachers Workshop são uma enorme mais valia para todos os participantes, independentemente da área a que pertençam.
No final dos workshops, dois professores portugueses muito exaustos e recompensados. Eu e Marco Neves, docente de informática no Agrupamento de Escolas da Batalha, com quem já desenvolvemos sessões de introdução à impressão 3D.
Não é todos os dias que se pode conhecer um astronauta. E, com um pouco de paciência, poderia ter ficado a conhecer quase todos os astronautas da ESA que não estão correntemente em missão. Na foto, Jean-Jacques Favier, que voou diversas missões nos Space Shuttles da NASA.
E, muito mais fantástico para quem trabalha em domínios onde o estímulo à diversidade de género é fundamental, conhecer Claudie Haignaré, veterana de missões Soyuz e dos primeiros tempos da Estação Espacial Internacional, primeira francesa no espaço e primeira europeia na ISS.
O momento mais absolutamente fantástico destes dias foi a visita ao ESTEC, centro de desenvolvimento tecnológico da ESA. Coincidiu com o seu dia aberto, única altura do ano em que todos os interessados o podem visitar. Como parte do programa de workshops da ESA, provavelmente poderíamos ter visitado a ESTEC em qualquer altura, mas no dia aberto pudemos explorar sem limitações os espaços do centro. A desvantagem foram as multidões que enchiam os espaços. Parece-nos estranho, vivendo num país onde se os eventos culturais e científicos atraem público que dificilmente qualificaríamos como enchente, ver filas enormes de pessoas à espera para um autógrafo de um astronauta. Fiquei com a sensação que lá, a cultura científica e a paixão pelo espaço, não são domínio de minorias mas uma paixão popular.
Os diferentes espaços do ESTEC estavam acessíveis aos visitantes (com restrições de segurança). Nos corredores, investigadores mostravam e explicavam os projetos de investigação em satélites, astronáutica ou materiais a todos os visitantes. Fiz paragem obrigatória na zona dos especialistas em impressão 3D, e o que lá vi e aprendi, fica para um post específico. Mas tive uma boa surpresa. Imaginem que os investigadores, habituados às máquinas mais avançadas, escolheram uma impressora da BEEVERYCREATIVE para mostrar impressoras 3D FFF. É impossível não sentir uma pontinha de orgulho.
Fisicamente, o impositivo vão do edifício de testes impressiona.
A maior surpresa do ESTEC é o Erasmus Centre, a zona de competência da exploração espacial. Zona que apoia as missões da ESA, onde são desenvolvidas experiências de robótica ou microgravidade, entre outras. O espaço onde há maquetes em escala real, e réplicas, de alguns dos ativos sob controle da ESA.
A família de lançadores da ESA, com destaque para o Ariane 5. O proton russo explica-se com a parceria com a Rússia no lançamento de astronautas para a ISS.
A maquete em escala 1:10 da Estação Espacial Internacional domina um espaço que conta com réplicas do Mars Lander, cápsulas Soyuz, maquetes das ATV e outras naves ou satélites construídos e lançados pela ESA.
Também em evidência, as réplicas dos rovers marcianos.
Noutra zona da ESTEC estava um pavilhão dedicado à indústria astronáutica holandesa, que reunia empresas ligadas à área e entusiastas, como este clube de construção de foguetões.
A 501st Legion, Dutch Outpost marcou presença na ESTEC. Aqui, estes stormtroopers guardam o astronauta alemão Ernst Messerschmid.
Mais alguns detalhes do Erasmus Centre, com o pára-quedas do Mars Lander, detalhe da ISS, e pormenor de um rover lunar autónomo.
O grande destaque estava na réplica do módulo Columbus da ISS, o primeiro módulo construído pela ESA. Estas réplicas e maquetes não são decorativas, são instrumentos de trabalho das equipas de acompanhamento de missão e cientistas que testam em terra as operações a desenvolver no espaço. Quer em órbita, quer na poeira marciana, o espaço é uma zona onde não há margem para erros.
Fim de missão, com três dos portugueses fisicamente cansados mas mentalmente enriquecidos, e com as malas tão pesadas com materiais recolhidos que tivemos de fazer alguma engenharia para não despertar atenções indevidas na companhia aérea, prontos para o voo de regresso em Schiphol. Uma aventura de aprendizagem intensa, que abre portas e dá ideias para novos projetos TIC em 3D/Fab@rts.
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Citações
Extractos de um longo e intrigante ensaio sobre robótica, estética e artes. Primeiro, da importância de tentar ir mais além do simples uso de tecnologias digitais:
"Estoy simultaneamente sorprendido e inquieto por el curso que ha tornado la investigacion cientifica y tecnológica. Historicamente las artes vigilaban las fronteras de la cultura. Me temo que, en este nuestro mundo dominado por la tecnologia, han dejado de hacerlo. Historicamente, las artes alertaban ante los procesos en marcha, analizaban las consecuencias ocultas e inda-gaban en futuros alternativos. Cuando el centro de la imagination cultural se ha desplazado halo los laboratorios tecnologicos, las artes no han enten-dido ci desafio. Es un grave error entenderla investigation tan solo Como indagacion puntual, tecnica, especializada. La historia reciente ha demostrado que los resultados de la investigation han transformado la vida abierto nuevas perspectivas en cuestiones filosóficas fundamentales, como, por ejemplo) en clue consiste la condition humana o cual es la naturaleza del mundo. Limitarse a usar los nuevos gadgets para crear nuevos media es quedarse corto (Wilson, 2006: online)."Em seguida, um apontamento sobre os estados de fluxo que caracterizam a sociedade contemporânea, esta ideia de estabilidade na instabilidade, que assenta bem nas reflexões sobre a necessidade de ensinar os alunos de hoje competências de resiliência, aprendizagem contínua e flexibilidade para os ajudar a navegar um futuro repleto de, como diz a frase comum nestes discursos, "desafios e problemáticas hoje ainda por imaginar":
"Las tecnologias no se pueden reducir a la tecnica, y el discurso de la tecnica no sirve para las tecnologias, pero todavia no tenemos otro, y probablemente no lo volveremos a tener. Para algunos, nos encontramos en una epoca de transicion, pero la idea de pasar de un periodo de "inestabilidad" a un periodo de estabilidad se muestra, en si misma, heredera de un pensamiento clasico. La "estabilidad", hoy en dia, se desarrolla en un constante estado de inestabilidad. El pensamiento utópico del regreso a un estado ideal permanente, invariable e inalterable ya no se puede defender."Ricardo Iglesias García (2016). Arte y Robótica: La Tecnología como Experimentacíon Estética. Madrid: Casimiro Libros
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Impressão 3D na Educação @Funchal
Os desafios às TIC em 3D/Fab@rts levaram-nos esta semana à Região Autónoma da Madeira, para participar no II Encontro de Professores de Informática da RAM, representando o Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro, e partilhar as nossas experiências no domínio da modelação e impressão 3D com professores de informática, educação visual e tecnológica e educação tecnológica.
O encontro de Professores de Informática decorreu na EB/S Dr. Ângelo Augusto da Silva, Funchal. Apesar de estarmos lá presentes em demonstração, na zona de mostra de projetos, com uma impressora BEETHEFIRST gentilmente cedida pela BEEVERYCREATIVE para este evento, perdemos boa parte do encontro, que decorreu na manhã de dia 2. O motivo foi bom: fomos convidados pelo Dr. Rui Branco, coordenador do Gabinete de Modernização das Tecnologias Educativas da Secretaria Regional de Educação/DRE Madeira, a visitar o seu espaço.
Ficámos a conhecer este espaço dedicado à impressão 3D, robótica e programação, onde são concebidos recursos pedagógicos digitais e testados materiais posteriormente disseminados pelas escolas da região. O modelo de trabalho é centralizado. No que toca à impressão 3D, que estão a iniciar com equipamentos Flashforge e XYZ, o seu projeto envolve colocar impressoras nas escolas centrais de cada concelho da região, onde os docentes das restantes escolas poderão imprimir os projetos dos seus alunos. Vimos alguns resultados de projetos de introdução desta tecnologia em contexto pedagógico, essencialmente lithopanes, meshmixes e modelação simples em Tinkercad. Pareceram-nos incipientes mas muito prometedores, testes em projeto que, de forma iterativa, darão progressiva experiência aos elementos do Gabinete para levarem longe a sua vertente de atuação.
Nós por aqui temos preferência por abordagens menos centralizadas, numa vertente grass roots, partilhando o nosso conhecimento para que os professores se sintam com vontade de arriscar e levar esta tecnologia para a sua prática pedagógica. No entanto, abordagens centralizadas também são uma forma pertinente de actuação, até porque permitem garantir acesso a um número mais elevado de equipamentos. Os projetos mais independentes têm sempre de lutar para adquirir equipamentos. Falámos um pouco com o responsável pelo projeto de Impressão 3D deste organismo, e ficámos bem impressionados com o dinamismo e capacidade técnica, bem como pela sua abordagem de projetos pontuais, adequados a necessidades expressas pelos grupos de professores e alunos com que tem trabalhado.
Mesmo assim, ainda tivemos oportunidade de ouvir as comunicações de Fernanda Ledesma, presidente da ANPRI, que falou das mudanças em curso na área disciplinar de TIC, reestruturando o seu currículo, e da necessidade de actualizar a oferta formativa específica para docentes que os capacite a preparar os seus alunos para responder às necessidades técnicas do mercado. Em seguida, Emanuel Garcês falou das vertentes do Projeto Cap3r, de introdução de robótica e impressão 3D nas escolas da RAM. As condições para inovação sustentada, ultrapassando paradigmas clássicos e respondendo a um futuro cujos desafios já sentimos hoje, estão a ser criadas quer a nível nacional quer regional. A um nível mais pessoal, ficamos sempre felizes sempre que mencionam o potencial do projeto de robótica educativa Anprino, a introdução de modelação 3D como parte do currículo da disciplina de TIC, e vemos o crescimento de projetos de impressão 3D na escola.
Em exposição na sala do encontro estavam cerca de vinte e sete projetos de inovação educacional das escolas da RAM. Havia um pouco de tudo, com projetos de backoffice e gestão documental (podem parecer menos importantes do que os pedagógicos, mas tudo o que facilite o trabalho documental do professor liberta-lhe tempo para a parte pedagógica), gestão de informação, segurança na Internet, Internet of Things e Impressão 3D. Na foto, um dos que considerámos mais interessantes: aproveitando a estrutura de jogo de um boardgame, um jogo de tabuleiro sobre as lendas e história da Região Autónoma da Madeira, com design de cartas, tabuleiro de jogo e peças impressas em 3D. Um de muitos projetos interessantes de inovação pedagógica com recurso às tecnologias que pudemos descobrir nesta mostra.
Solicitaram-nos que fizéssemos parte do júri de avaliação dos projetos divulgados. Não foi uma tarefa fácil, dada a sua diversidade de vertentes e abordagens. Esperamos não ter enviesado muito a votação, os três projetos que foram distinguidos envolviam de alguma forma a impressão 3D: o jogo de tabuleiro sobre a região da Madeira, lithopanes a transferir para 3D quadros famosos, permitindo a crianças invisuais ficar a conhecer as obras pictóricas, e um projeto que sublinha o fluxo de trabalho da modelação à impressão. Cada projeto premiado recebeu um Robot Anprino, e esperamos que nos tenha calhado fazer a entrega de um Anprino Arthur... mas não abrimos a caixa para verificar.
À tarde, hora de partilha. Workshop de introdução à impressão 3D com um grupo de dezassete professores de informática.
Aproveitámos uma pequena pausa para café para registar a sessão. Estes workshops são intensos, e nunca dá para registar o que lá fazemos.
No dia 3, aquele que para nós foi o mais gratificante desafio deste ano, até agora: dinamizar um workshop de Impressão 3D para professores de EVT. As TIC em 3D nasceram em EVT, somos ex-professores desta área, e membros ativos da APEVT, mas ainda não tínhamos tido oportunidade para partilhar a experiência de impressão 3D neste âmbito. Foi, por isto, um momento muito gratificante, quase um regressar às nossas origens, e um cumprir dos objetivos que nos levaram à APEVT, o de mostrar a compatibilidade entre áreas artísticas e tecnológicas, atualizando conhecimentos, mostrando as ferramentas digitais como mais um meio válido de expressão ao serviço das aprendizagens dos alunos.
O desafio partiu da Fernanda Ledesma, sugerindo que uma vez que estaríamos no Funchal a dinamizar sessões no âmbito da ANPRI, poder-se-ia também organizar sessões em conjunto com a APEVT. João Baptista, presidente da APEVT-Madeira, aceitou o desafio e o resultado foi uma tarde de partilha inter-áreas, com dois workshops. Fernanda Ledesma dinamizou uma sessão de introdução ao Arduino com programação em Scratch for Arduino, e nós ficámos responsáveis pela impressão 3D.
Antes do início da sessão, nas instalações da escola Horácio Bento de Gouveia, Funchal, com os elementos da APEVT-Madeira.
Foi, como sempre, uma sessão intensa. Cobrimos a tecnologia de impressão 3D, uma introdução prática à modelação com o Tinkercad, demonstração de modelação com Sketchup Make, FormIt e 3DC.io, fluxo de trabalho de modelação - validação/correção e impressão, e implicações destas tecnologias na educação. Esperamos ter deixado a faísca do 3D nestes nossos colegas de EVT!
Não podemos deixar de agradecer à ANPRI pelo convite e desafio de partilha, à APEVT pelo acolhimento, e à BEEVERYCREATIVE pela ajuda na impressora. Passo a passo, partilha a partilha, faz-se crescer esta vertente da tecnologia na educação, desafiando cada vez mais professores para a colocar ao serviço das aprendizagens dos seus alunos.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Vontade de Continuar
Não é um projecto novo,é o segundo componente do Matéria Digital com que concorremos ao Ciência na Escola. Aqui o desafio é recriar brinquedos tradicionais com meios digitais, modelando e imprimindo bonecos articulados em 3D. A fase de projecto em Educação Visual terminou, e agora estão no Sketchup Make a modelar os seus desenhos.
Entretanto vão-se imprimindo os talheres da outra vertente do Matéria Digital. Os alunos ficam espantados quando pegam e tocam os objectos que criaram virtualmente. Esse deslumbramento anima e dá vontade de continuar.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Trabalhos em Progresso
Confesso que não esperava ter resultados tão rápidos deste projecto de modelação de talheres. É um crédito para a facilidade de trabalho com a beethefirst, mas também ao longo trabalho prévio da docente de Educação Visual que os conduziu pelo processo de pesquisa de forma, projecto gráfico e prototipagem por modelação em terracota. Comigo, em cerca de quarenta minutos, usaram o Sketchup para recriar os seus modelos em 3D. Há aqui atalhos, claro. Estes alunos foram meus no primeiro semestre, tendo aí aprendido a trabalhar em 3D. Tornou muito mais rápida esta fase do trabalho. O que me surpreendeu foi os alunos terem, na sua maior parte, acertado à primeira com a técnica para modelar de forma que o objecto seja sólido, algo que no Sketchup tem o seu quê de complicado.
Há aqui também outro atalho. Inspirado na professora de Educação Visual, que pediu aos alunos garfos e colhetes para depois aplicarem os cabos por eles concebidos, lembrei-me que pouparia tempo se os alunos se concentrassem nos cabos dos talheres, no fundo o seu trabalho, e usámos um modelo genérico dos dentes de garfo para aplicar aos projectos. Se a coisa ficar bem feita basta um rápido outer shell, conversão para STL e uns retoques no netfabb para ficar seguro que está tudo bem com o ficheiro. Ganha-se tempo para uma melhor modelação. Esta é a primeira fornada. Para a semana haverá novos projectos de talher a ser impressos. E amanhã, são alunos de 6.º ano a traçar os seus bonecos articulados no Sketchup para impressão em 3D. Estes dois mini-projectos em paralelo são a nossa contribuição para a iniciativa Ciência na Escola da Fundação Ilídio Pinho.
Entretanto, vou variando de cor de filamento. Gastei quase um rolo de branco com as experiências para aprender a trabalhar com a impressora, e stes projectos já pedem cores mais vivas.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Modelar o Físico e o Virtual
Estamos quase a concluir dois projectos que aliam Educação Visual e TIC na concepção de objectos para impressão 3D. Com alunos de sétimo ano o desafio é recriar talheres. Depois do projecto traçado, modelaram protótipos em terracota e estão agora a modelar os seus projectos em 3D usando o Sketchup Make.
A misturar o real e o virtual, explorando vertentes de concepção enquanto aprendem metodologias de representação e trabalho projectual, técnicas de modelação com materiais e recordam a modelação 3D.
Com alunos de 6.º ano o desafio é imprimir bonecos articulados. Em Educação Visual já estudaram as proporções do corpo humano, desenharam os seus projectos e irão concretizar com cartão, attaches e muita cor. Com ajuda das TIC vão traçar os seus desenhos no Sketchup e produzir modelos para imprimir. Um (pouco articulado, é certo) já está.
Estes projectos estão a ser desenvolvidos no âmbito da iniciativa Ciência na Escola.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Dia Aberto IST
Aproveitar o Dia Aberto do Instituto Superior Técnico para dar aquela aula que nos contextos habituais só se pode dar recorrendo a vídeos e imagens: mostrar aos alunos robots, drones e outras aplicações de engenhar e tecnologia. Incentivar as CTEM (Ciênca, Tecnologia, Engenharia, Matemática) através da interacção com objectos concretos. Desafiar à descoberta daquele mundo tecnológico que a muitos dos alunos apenas chega de vislumbre pelo ecrã de televisão.
No Dia Aberto do IST foi possivel a duas turmas do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro terem uma aula de TIC diferente, interagindo com estudantes do ensino superior que lhes mostraram algumas das potencialidades criativas da tecnologia. Algo que se constrói com criatividade e conhecimento, conforme se podia perceber pelos projectos ao dispor dos nossos alunos.
Só foi possível levar duas turmas. A actividade foi divulgada com muito pouco tempo disponível para organizar uma deslocação mais alargada. Foram selecciondas duas turmas, com alunos que curiosamente tenho vindo a acompanhar desde o quinto ano em EVT e TIC, e que têm revelado uma grande apetência por áreas complexas. De uma das turmas já nem sou professor, estão agora no nono ano, mas esta é a aula que eu lhes queria ter dado nos anos anteriores. Mas sublinhe-se, foram duas turmas agora. O IST é muito aberto a visitas de estudo aos seus espaços e laboratórios, o que significa que talvez seja possível repetir uma experiência destas com outras turmas. Mas desta vez com um pouco mais de tempo de preparação. Este post tem algumas fotos, mas a galeria (alojada na conta institucional do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro) tem muitas mais: Dia Aberto IST.
Perseguidos por drones: é quase mágico. Estarão pendurados no ar por fios? Ao longo da manhã drones controlados por estudantes de engenharia deliciaram os visitantes.
Os Lego Mindstorms são uma excelente, apesar de um pouco cara, forma de trabalhar robótica com crianças e jovens. Em exposição estavam alguns robots Lego da First Lego League, que em Portugal tem dinamizado campeonatos de robótica com robots Lego Mindstorms.
A robótica mais avançada: investigadores do INESC trouxeram este simpático robot, pensado para dar às pessoas que com ele interagam a sensação que este as reconhece. O robot reagia aos sons, virando-se para onde detectava o input sonoro das vozes dos jogadores, aparentando conversar com eles. Com este robot o desafio era jogar contra ele numa superfície multitoque. Três humanos contra um robot. Quem terá ganho? Deixo-vos uma pista: o robot não teve uma tarefa fácil.
O Núcleo de Engenharia propôs aos alunos um desafio estimulante: construir uma catapulta a partir de um conjunto de objectos díspares: esfregões, palitos, elásticos, fita-cola, lápis, pratos de plástico e palhinhas de sumos.
Cada grupo trabalhou com muito afinco em busca da melhor solução. Os alunos de engenharia andavam por entre os participantes, a dar algumas dicas de melhora. Os professores estavam proibidos de ajudar. Não é que este professor fosse capaz de o fazer, mas enfim. Foi interessante ver quase todos os alunos interessados a tentar montar a sua catapulta. Os que não estavam lá estavam a jogar jogos de computador contra robots ou a soldar circuitos.
Uma das catapultas criadas pelos nossos alunos. Diga-se que a ideia foi excelente. Ver robots, drones e outros equipamentos é interessante, mas é muito mais interessante fazer e com esta actividade lúdica (mas muito séria) os alunos puderam exercitar a sua criatividade na procura de soluções para problemas de engenharia. Ah, já vos disse que não havia instruções nem receitas para aplicar? Teve de ser tudo inventado pelos grupos, no momento. E os nossos alunos estavam a sentir-se em desvantagem. Os nossos grupos estavam a competir contra alunos mais velhos do secundário. O que não os impediu de construir catapultas funcionais.
Pode ser difícil conceber o acto de soldar como algo que interesse a adolescentes, mas quando os resultados são quase imediatos o entusiasmo ganha asas. É o caso destas alunas, muito interessadas e soldar uma placa com leds e resistências que, ligada a uma pilha, começava a piscar. Recusaram-se a sair enquanto não tivessem terminado a soldadura.
E cá está ela, gentilmente oferecida pelos estudantes do IST às alunas que a montaram e soldaram. Suspeito que depois de uma experiência destas o investimento em open hardware com Arduino é um passo lógico.
Confesso que comecei o dia a medo. Não sabia bem o que esperar desta iniciativa. Na pior das hipóteses, pensei, é um espaço em aberto com algumas tecnologias em exposição. E quando lá chegámos, era realmente um espaço aberto com tecnologias expostas. Que, sendo tecnologias, não aparentavam ser a coisa mais completa e perfeita para exposição. A princípio incertos, curiosos mas sem saber bem o que encontrar, os alunos depressa encontraram nos desafios a dinâmica necessária para se interessarem. Terminaram a manhã deslumbrados. Foi muito fixe, stor! Temos mesmo que ir embora? Isto é espectacular! Como é que se vem para aqui estudar? Esta tem uma reposta menos fácil.
Num toque pessoal, o melhor comentário que me fizeram foi o das duas alunas que ficaram encantadas pelo soldar de um circuito digital. Está orgulhoso de nós, stor? Estou. Pelo entusiasmo, pela descoberta, pela alegria, por descobrirem algo de novo. E porque soldaram o circuito com muito cuidado para que ele funcionasse. Especialmente, pelo sorriso que tinham estampado no rosto enquanto meticulosamente seguravam no ferro de soldar para fixar os leds e resistências na placa.
Termino com um agradecimento às directoras de turma do 9.º C e 8.º A, professoras Maria José Oliveira e Eulália Dias, à organização do evento no IST, mas em especial aos alunos. São eles que motivam, cujo entusiasmo dá vontade de tentar ir mais além. É difícil conceber uma forma mais agradável de estar numa manhã de aulas.
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