Projectos a curto prazo, a desenvolver nas semestrais:
Selfies em 3D: utilizar capturas 3D de fotogrametria (pelo menos vinte fotos para captar o rosto num percurso à volta da cabeça) no 123D Catch para gerar meshes texturizadas. Aplicar como modelo 3D, animação, realidade aumentada, render HD. Remeshing no Meshlab pode possibilitar gifs animados. (7.º ano)
Videos Segurança Digital: edição vídeo não linear multipistas (com animação) para criar clips de 90 segundos sobre o tema. Requer pesquisa, tratamento de informação e apresentação em vídeo. (8.º ano)
InstaSay: ensaios fotográficos recorrendo ao Instagram, partilhados no Sapo Campus. Melhores fotos com direito a prémio. (7.º/8.º anos)
Brinquedos Virtuais: modelação 3D com aplicação directa em realidade aumentada. Tira partido de smartphones/tablets dos alunos ligados à rede minedu. Possibilidades de animação. Escolher app de realidade aumentada: Augment? Aurasma? Outra?
A médio prazo (working title):
PrinterKids: Dependente de possibilidades de financiamento externo. Aquisição de impressora 3D bee ou prusa i3, projecto interdisciplinar de concepção visual de objectos, modelação em 3D e materialização dos melhores projectos através de impressão 3D.
Escol@ na Mão: adaptar e divulgar actividades Taccle e outras, para estimular o uso de tablets e smarphones em actividades pedagógicas. Principal objectivo é combater o desvio observado na avaliação interna entre a pecentagem de uso de computadores na sala de aula por professores (elevado) e alunos (muito baixo).
Desenvolvimento contínuo:
As TIC em 3D (antigo 3DAlpha, génese nos Pequenos Artistas no DeviantArt): divulgar trabalhos de alunos, reflectir sobre abordagens ao 3D, processos de aprendizagem, divulgar tutoriais e materiais de apoio. Complementa-se com o Sketchfab AEVP e Autodesk 123D.
Ideias soltas: instalar o MeshMixer para umas brincadeiras. Ver se há possibilidade de importar meshes criadas pelos alunos para este programa. Ah, e não esquecer o Yobi3D, motor de busca de ficheiros em formatos de 3D.
Espaço dos projetos TIC em 3D, Fab@rts - O 3D nas mãos da Educação!, Laboratório de Criatividade Digital - Clube de Robótica AEVP e outros projetos digitais desenvolvidos no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Don't embrace change
Não só de 3D vivem as TIC@AEVP. Scratch e multimédia também são importantes, quer pela aprendizagem prática do contar histórias (ou storytelling se quiserem a ideia mais pela introdução à lógica de programação, com esse termo agora em voga denominado de pensamento computacional. Ah, metáforas. Lembram-se dos tempos em que se comparava o homem a um intricado mecanismo de relógio? Agora comparamo-nos aos computadores que criamos (e eu nisso adoro o modelo conceptual de processamento de informação e memória que o divide o cérebro em memórias de curto e longo prazo a interagir com subsistemas. Mas adiante.) O 8.º ano está a ser desafiado com Scratch, e aproveitámos para participar na EuropeCodeWeek.
Ainda incipiente, a tentar perceber como tirar partido disto. Essencialmente a marcar território no Sapo Campus. Sei que tenho um moodle para estas coisas, mas como faço parte daquela imensa minoria silenciosa que detesta um lcms que apesar de poderoso foi certamente criado por programadores de sentido estético ausente, vou experimentar esta espécie de rede social pedagógica alojada no Sapo. Vamos ver o que sai daqui.
Mudar o nome, mudar a imagem. Não estou satisfeito com o logotipo, mas para já terá de servir. Certamente que irá surgir uma ideia mais inspirada. Como todas as ideias, amadurecem nos espaços ocultos do cérebro até irromperem na consciência e nos obrigarem a passá-las para o papel. A criatividade é daqueles processos mentais que resiste a automatizações e normalizações.
Em breve arrancam as aprendizagens de 3D com os alunos. Neste ano aplicadas a dois desafios: realidade aumentada e selfies em 3D, utilizando o 123D Catch que agora até está disponível para android e tudo. A aquecer em lume brando, dependentes de factores externos (leia-se disponibilidade financeira) e tempo ainda estão projectos de aplicação de tablets na sala de aula e 3D printing. Mas esses não serão a curto prazo. Há que ser paciente. Que é uma virtude, conta-se.
(Alguns neurónios andam há uns dias a pressionar-me para fazer qualquer coisa gráfica com palavras inspiradoras. Já acertaram nas palavras: don't embrace change. Create it. Mas, malandros, ficaram-se pelas palavrinhas, recolheram-se às suas volutas cerebrais de eleição e deixaram-me com a batata quente gráfica na mão. Uns celerados malandrins, estes neurónios.)
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Chatices
O professor está sempre a meter-nos em projectos e coisas assim... dizia-me a aluna durante a aula. Pois, é uma chatice, eu sei. Não não, é fixe! Ainda bem!
São estas pequenas recompensas que nos enchem a alma.
São estas pequenas recompensas que nos enchem a alma.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
TIC Educa 2014
A boa notícia que recebi ontem foi que o artigo que submeti ao TIC Educa 2014 foi aceite. Mas melhor que a possibilidade de participar no maior encontro nacional sobre tecnologia na educação foi ler o comentário do revisor do congresso que analisou o artigo: "Li com toda a atenção o artigo submetido e considero de muita boa qualidade. É um texto descritivo do trabalho desenvolvido com estas ferramentas tendo como suporte ferramentas e aplicações inovadoras, em especial em contextos curriculares como os descritos. A exploração destes ambientes computacionais é muito promissora para o desenvolvimento da criatividade e das capacidades de expressão das crianças e jovens. O aspecto a melhorar no futuro é a investigação educativa com a recolha e tratamento de dados que possam suportar os benefícios potenciais do uso destas tecnologias em sala de aula."
Devo dizer que sinto uma ponta de orgulho ao ler este comentário. Em particular na observação que explorar ambientes tridimensionais na vertente de criação e não de mero consumo pode ser promissor para o desenvolvimento da criatividade e capacidades de expressão, às quais se junta a percepção visuoespacial e o mais elementar domínio do computador. E o apontar da falha principal do trabalho, a falta de dados que comprovem algo que se intui como pertinente e estimulante, é precisamente um dos saltos qualitativos que sinto faltar dar neste projeto. Só que neste momento não disponho de condições académicas para o fazer. É algo que requer um conhecimento mais profundo de psicologia da aprendizagem e seria melhor desenvolvido com parcerias nessa área. O projeto TIC em 3D é desenvolvido na escola, em sala de aula de TIC ou em projecto interdisciplinar, recaindo sobre mim o esforço de o levar em frente. Note-se que desde que comecei a levar portáteis para as aulas de EVT até agora já seis anos se passaram, com uma tese de mestrado pelo meio que incidiu sobre o tema e abriu muitas das portas para vertentes de actuação que permitem resultados supreendentes. Como os mundos virtuais, ou o VRML, que apesar de ser uma tecnologia datada facilita muito este tipo de trabalho. Mas subscrevo. Uma coisa é perceber que algo tem um enorme potencial. Outra é provar, e isso é um trabalho imprescindível.
A estratégia de candidatura a colóquios e congressos insere-se na necessária vertente de divulgação deste projecto desenvolvido no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro. Por muito interessante que sejam projectos desenvolvidos na escola nada têm a ganhar se ficarem encerrados dentro da sala de aula ou dentro dos limites locais das escolas. Há que divulgar, e isso implica arriscar a participação em eventos que possibilitem divulgação. E confesso que dá gosto falar disto noutros contextos, quer a professores quer a outros. Neste ano foram conseguidas algumas vitórias neste esforço. Conseguiu-se apresentar as TIC em 3D no congresso da Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual, que permitiu fugir da área das TIC na Educação e falar do tema a docentes cujas preocupações se prendem mais com a estética, criatividade e expressão artística, despertando para as possibilidades do computador nestas áreas e sublinhando o transvasar dos limites da organização curricular em disciplinas sentidas como estanques apesar de formarem um todo coerente. Também estivemos presentes na Lisbon Mini Maker Faire, completamente fora dos contextos educativos tradicionais, o que permitiu falar e divulgar a públicos cujo contacto com o mundo da educação é reduzido. O feedback recebido foi estimulante e, curiosamente, vi nos comentários dos visitantes espelhadas as preocupações com a criatividade, incentivo vocacional e capacidades de abstracção visual. É muito importante, creio, sair dos recantos habituais e confrontar com a opinião daqueles que estão fora dos meios ou nichos educativos.
Infelizmente o TIC Educa calha nos mesmos dias do Fórum Fantástico, o que implica fazer escolhas, e as questões do imaginário ficcional também me são importantes. Por isso vou ser obrigado a deixar para trás o TIC Educa. Tenho pena, mas ubiquidade é uma competência que ainda não desenvolvi. Este ano foi de recompensadoras vitórias. Espero, francamente, que seja um prenúncio de continuidade e não um canto de cisne. Pela parte que me toca o trabalho continua e os braços não vão baixar. Nunca pretendi que isto fosse um projecto daqueles que teve o seu momento de glória e ao qual depois não foi dada continuidade. Sabem bem do que estou a falar. Quantos projectos não deparamos que nos são mostrados como tendo sido vencedores de concursos, elogiados por entidades ou premiados num determinado ano, mas que depois estagnaram, não evoluíram ou ficaram-se por aí?
Acho que o próximo TIC Educa é em 2016. E que tal concorrer com este projecto levado à impressão 3D? Boa ideia?
Devo dizer que sinto uma ponta de orgulho ao ler este comentário. Em particular na observação que explorar ambientes tridimensionais na vertente de criação e não de mero consumo pode ser promissor para o desenvolvimento da criatividade e capacidades de expressão, às quais se junta a percepção visuoespacial e o mais elementar domínio do computador. E o apontar da falha principal do trabalho, a falta de dados que comprovem algo que se intui como pertinente e estimulante, é precisamente um dos saltos qualitativos que sinto faltar dar neste projeto. Só que neste momento não disponho de condições académicas para o fazer. É algo que requer um conhecimento mais profundo de psicologia da aprendizagem e seria melhor desenvolvido com parcerias nessa área. O projeto TIC em 3D é desenvolvido na escola, em sala de aula de TIC ou em projecto interdisciplinar, recaindo sobre mim o esforço de o levar em frente. Note-se que desde que comecei a levar portáteis para as aulas de EVT até agora já seis anos se passaram, com uma tese de mestrado pelo meio que incidiu sobre o tema e abriu muitas das portas para vertentes de actuação que permitem resultados supreendentes. Como os mundos virtuais, ou o VRML, que apesar de ser uma tecnologia datada facilita muito este tipo de trabalho. Mas subscrevo. Uma coisa é perceber que algo tem um enorme potencial. Outra é provar, e isso é um trabalho imprescindível.
A estratégia de candidatura a colóquios e congressos insere-se na necessária vertente de divulgação deste projecto desenvolvido no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro. Por muito interessante que sejam projectos desenvolvidos na escola nada têm a ganhar se ficarem encerrados dentro da sala de aula ou dentro dos limites locais das escolas. Há que divulgar, e isso implica arriscar a participação em eventos que possibilitem divulgação. E confesso que dá gosto falar disto noutros contextos, quer a professores quer a outros. Neste ano foram conseguidas algumas vitórias neste esforço. Conseguiu-se apresentar as TIC em 3D no congresso da Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual, que permitiu fugir da área das TIC na Educação e falar do tema a docentes cujas preocupações se prendem mais com a estética, criatividade e expressão artística, despertando para as possibilidades do computador nestas áreas e sublinhando o transvasar dos limites da organização curricular em disciplinas sentidas como estanques apesar de formarem um todo coerente. Também estivemos presentes na Lisbon Mini Maker Faire, completamente fora dos contextos educativos tradicionais, o que permitiu falar e divulgar a públicos cujo contacto com o mundo da educação é reduzido. O feedback recebido foi estimulante e, curiosamente, vi nos comentários dos visitantes espelhadas as preocupações com a criatividade, incentivo vocacional e capacidades de abstracção visual. É muito importante, creio, sair dos recantos habituais e confrontar com a opinião daqueles que estão fora dos meios ou nichos educativos.
Infelizmente o TIC Educa calha nos mesmos dias do Fórum Fantástico, o que implica fazer escolhas, e as questões do imaginário ficcional também me são importantes. Por isso vou ser obrigado a deixar para trás o TIC Educa. Tenho pena, mas ubiquidade é uma competência que ainda não desenvolvi. Este ano foi de recompensadoras vitórias. Espero, francamente, que seja um prenúncio de continuidade e não um canto de cisne. Pela parte que me toca o trabalho continua e os braços não vão baixar. Nunca pretendi que isto fosse um projecto daqueles que teve o seu momento de glória e ao qual depois não foi dada continuidade. Sabem bem do que estou a falar. Quantos projectos não deparamos que nos são mostrados como tendo sido vencedores de concursos, elogiados por entidades ou premiados num determinado ano, mas que depois estagnaram, não evoluíram ou ficaram-se por aí?
Acho que o próximo TIC Educa é em 2016. E que tal concorrer com este projecto levado à impressão 3D? Boa ideia?
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Planos
Professor, só vamos ter TIC no segundo semestre. Mas já estou a planear o trabalho que vou fazer para si. Coisas que sabem bem ouvir. Quem me disse isto foi o aluno que gosta de trabalhar com motion design e que já no ano passado me fez um trabalho inesperado e interessante. Bem, vou aguardar o resultado do planeamento criativo.
As TIC em 3D na Lisbon Mini Maker Faire
Ao passar pelo átrio... eis-nos projectados nas paredes do Ciência Viva! Uma foto que alegrou muito os alunos que estão aqui representados de forma necessáriamente anónima pelos seus projectos.
Encerramos a participação do projecto As TIC em 3D/3D Alpha na primeira Lisbon Mini Maker Faire, que de mini teve muito pouco. Cem participantes, cerca de dez mil visitantes, três dias muito intensos e recompensadores. Resta-nos fazer o balanço deste momento, reflectir nas possibilidades despertadas e agradecer àqueles que nos possibilitaram dar este passo. Podem ver aqui um apanhado fotográfico da nossa participação e visita à Lisbon Mini Maker Faire.
Este foi o nosso espaço durante dois dias. Protegido do vento e da chuva pela estrutura de um hackerspace lisboeta, ao pé do centro Ciência Viva de Lagos, Digital Fabrication Lab da Universidade do Porto, Mafralab, A Batuta é Tua e Fotão a Fotão Tenho a Ciência na Mão. Um espaço necessariamente simples, com vários computadores a demonstrar algumas das actividades já dinamizadas neste projecto.
Alguns dos nossos projectos em exposição. Fazia falta um kinect ou leap motion para possibilitar a manipulação dos objectos virtuais, mas temos de trabalhar com as ferramentas de que dispomos.
O primeiro objectivo era mostrar exemplos do que crianças e jovens têm desenvolvido no âmbito deste projecto. Expostos estavam trabalhos em Sketchup, modelos virtuais em VRML, mundos virtuais, animações 3D, registos de experiências com 3D scanning e realidade aumentada. Num evento dedicado ao espírito Maker, onde estavam em exposição os mais variados projectos de impressão em 3D, robótica, prototipagem, arduino, electrónica criativa e outros mirabolantes usos de electricidade, componentes e programação, o espaço das TIC em 3D no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro dependeu muito da interacção pessoal com os visitantes.
Com pouco que manipular e muito para mostrar, conversámos com quem nos visitou, explicando as vertentes do projecto. O primeiro passo foi sempre o de sublinhar que o exposto foi criado por crianças e jovens, e em seguida abordar as diferentes experiências já feitas do domínio da modelação 3D, mundos virtuais, animação 3D, realidade aumentada e 3D scanning. Referimos que a faixa etária dos alunos envolvidos vai dos 8 aos 15 anos, o que despertou comentários de incredulidade da assistência. Explicámos a metodologia de base, envolvendo uma componente de aprendizagem elementar de aplicações de modelação e animação 3D que depois é levada ao trabalho de projecto, podendo apostar na interdisciplinaridade, expressão pessoal ou abordagem directa às metas curriculares sempre enfatizando a utilização criativa e não passiva de meios digitais.
Neste aspecto o foco das nossas apresentações estava no potencial de trabalho interdisciplinar, observando que muitos dos trabalhos expostos reuniam aprendizagens de TIC, Ciências da Natureza e Português materializadas em produtos únicos. Outros abordam de forma diferenciada as metas curriculares de TIC, em particular do domínio do tratamento de informação e produção de documentos que aqui pode ser feito através de pesquisa, estruturação de metodologias de trabalho e recriação em 3D. Também referimos o potencial de estímulo ao desenvolvimento da percepção visuo-espacial, o incentivo á utilização das TIC sob uma perspectiva de criação e não de consumo, o despertar de vocações através da introdução precoce de tecnologias complexas que possibilitam às crianças que revelam aptidão para estas áreas começar mais cedo a desenvolver os seus interesses. Sendo mais específicos, observámos e demonstrámos a importância do pensamento e conhecimento geométrico aplicado de forma lúdica e criativa neste tipo de aprendizagem.
Mais do que expor, a oportunidade permitiu divulgar e falar com os visitantes. E, porque não, uma vez que este projecto ensina 3D a crianças e jovens, mostrar aos visitantes mais pequenos que afinal é fácil e divertido modelar em 3D? Sempre que possivel desafiámos os visitantes mais novos a mexer e aprender, de forma rápida, como utilizar aplicações 3D. Há algo de mágico no sorriso de crianças e adultos quando vêem a facilidade com que no Sketchup se criam formas tridimensionais a partir de superfícies. A partir daí foi incentivar a mexer, e chegámos a ter visitantes que vieram ter conosco nos dois dias para criar objectos em 3D.
Muitos dos visitantes tinham conhecimentos sobre este tipo de tecnologias. Por um lado ficaram surpresos com a possibilidade de crianças as poderem utilizar, por outro referiram a importância deste estímulo à aprendizagem para dotar os alunos de competências para o século XXI. Perguntaram-nos muitas vezes se éramos uma empresa, mas não, somos escola. Perguntaram se éramos um clube ou iniciativa de colégio, mas não, somos escola pública e este trabalho é desenvolvido em aula. Perguntaram se dávamos cursos ou desenvolvíamos software, mas não, trabalhamos com alunos do Agrupamento e utilizamos software já disponível com um largo espectro de aplicações do vasto domínio do 3D. Perguntaram se isto era comum em todas as escolas, e não, não é, mas aproveitamos o momento para falar de outros projectos e iniciativas pedagógicas nos domínios de robótica e programação para crianças que mexem com uma cada vez maior diversidade nas escolas portuguesas. Num momento em que a escola pública e a educação em geral navega por águas turbulentas, esta foi uma oportunidade para, fora do habitual contexto local ou ligado à educação, mostrar exemplos do que se faz na escola. Surpreender, divulgando.
Filhos e pais, intrigados e a descobrir. Até os adultos podem aprender a mexer um bocadinho no 3D.
O melhor deste tipo de eventos é colocar em contacto pessoas com diferentes experiências e com isso abrir espaço a novas ideias. Despertámos a atenção de elementos da beeverycreative, Coder Dojo Lx, FabLab Aldeias de Xisto, makerspace Maquijig, KitNaWeb, Inov-E, entre outros. Talvez daqui saiam possibilidades de colaboração que permitam dar novas dimensões às TIC em 3D. Porque nos falta o passo seguinte. Num evento dedicado ao making, ao fazer, mostrámos apenas o conceber, que é também um momento importante. Foi-nos referido por visitantes que por muito fascinantes que sejam as capacidades e resultados da impressão 3D, faltava-lhes o elemento estético que o nosso projecto trazia. Materializar as criações dos alunos é um passo lógico e necessário que queremos dar, e para o qual já estávamos à procura de meios para o fazer. Este momento de partilha potenciou mais estas possibilidades. Poderemos pensar em desafiar makerspaces para imprimir as criações em 3D dos alunos, convidar ao desenvolvimento de mostras e workshops locais, ou outro tipo de iniciativas que levem o criar em 3D às crianças e jovens.
Foram três dias intensos, cansativos mas recompensadores. Três dias a aprender muito, a divulgar uma experiência artística/pedagógica/digital que, nos momentos de reflexão enquanto se fala com as pessoas que nos vieram visitar, se percebe já acumula anos de trabalho. Três dias de explicações e discussões sobre as TIC na escola com todo o tipo de visitantes e em várias línguas. E ainda se arranjou tempo para por um sorriso e um brilhozinho nos olhos de crianças que pegaram no rato e perceberam que afinal o 3D é simples e divertido. E nos dos seus pais também. Terminou. Ponto final neste desafio e venham os próximos. Alguns já estão programados e em breve serão revelados, outros poderão surgir desta presença na MakerFaire.
Para terminar, deixo um agradecimento à organização da Lisbon Mini Maker Faire, um abraço aos vizinhos do Mafralab (finalmente cruzámo-nos!) e Inov-E (partilhamos a vontade de inovar na educação com recurso ao uso inteligente da tecnologia). Também agradeço à direcção do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro por todo o apoio que tem dado e aos professores que me têm desafiado ou sido desafiados ao longo destes anos nos projectos que saem da minha sala de aula. Mas o grande agradecimento vai para os alunos que me têm surpreendido consistentemente ao longo dos anos. Sem eles isto nem existiria ou faria sentido. É a criatividade, entusiasmo e vontade de aprender que noto ao trabalhar com eles aquilo que realmente me motiva. Não é por acaso que o projecto se intitulou TIC Tridimensional no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro. Isto posto desta forma faz parecer que o projecto encerrou, mas não. Longe disso. Iniciou um novo ano lectivo e já há ideias a explorar. Muito em breve os alunos de sétimo ano vão começar a aprender em 3D, e se a sorte favorecer poder-se-á começar a experimentar o materializar do virtual através da impressão 3D. Pelo menos extensão à realidade aumentada e 3D scanning estão assegurados.
A sensação final é boa. E agora as Tic em 3D no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro fazem o signing off da primeira +Lisbon Mini Maker Faire. Quase dez mil visitantes. Espantoso. Foi muito bom ter cá estado. A seguir iremos estar em Setúbal num encontro sobre clubes de informática, programação e arduino nas escolas (brevemente divulgaremos) e, claro, recomeçaram as actividades lectivas e já há novos projectos para iniciar. Até ao próximo desafio para as TIC em 3D!
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Lisbon Mini Maker Faire: dias 2 e 3.
Robot Zeco quer ser amigo?
Quando o Theremin inventou este instrumento musical estaria longe de imaginar as insanidades de hardware do AltLab.
A Prusa Hephaestus da bq imprime com uma belíssima resolução. O extrusor deve ser muito preciso e a calibração cuidada para sair uma impressão 3D destas.
Teste ao Oculos Rift, cortesia do Mafralab. Primeiro impacto: wow! Segundo impacto: estou a ficar com tonturas. A demos era simples, a partir do Google StreetView estávamos no centro de Mafra, a olhar para o Convento, mas ao virar a cabeça a percepção era a que teríamos se estívessemos no local real. Foi tão requisitado que o hackerspace teve de fingir uma avaria para acalmar os visitantes.
Esculturas generativas misturando 3D capture em Kinect, algoritmos de swarm e 3D printing. Uma intersecção entre arte, tecnologia e matemática.
Alguns detalhes de uma enorme vastidão de projectos expostos que mostram que a tecnologia criativa ganhou ímpeto por cá. Algo que já notei no mundo da educação de forma incipiente mas cuja explosão noutras áreas esteve patente nesta mostra. A quantidade de talento e inventividade era estrondosa e a diversidade extraordinária, apesar do forte pendor para a impressão em 3D. Estando dentro, a apresentar uma pequena contribuição, não pude visitar com calma os vários expositores. Fiquei reduzido a umas fugas nos raros momentos em que a zona onde estava ficava mais calma. Mas ficou assente que há muitos a fazer muita coisa, A desenvolver, investigar, experimentar, modificar, recriar. É um misto de invenção com reapropriação e expressão artística.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Lisbon Mini Maker Faire: Dia 1
Bom dia, humanos insignificantes. Hoje o dia foi de testes, montagens e palestras mas já deu para ver muita coisa. Robots e impressoras 3D abundam, e o espaço do Pavilhão do Conhecimento está a encher-se de projectos muito criativos que têm em comum o uso experimental da tecnologia.
Um pequeno detalhe de uma grande impressora 3D da Leds & Chips. Suspeito que tenha um metro cúbico de volume. Cabe lá dentro um humano.
Máquinas féericas de Pietro Proserpio, que leva à Faire uma máquina do tempo e uma máquina de fazer sons aleatórios. A fazer lembrar Tinguely pela deliciosa magia mecânica.
Coelhos a reproduzirem-se. Se bem que o paradigma da impressora que imprime peças de impressora é mais da RepRap do que da Makerbot, mas enfim. Coelhos a reproduzirem-se. O low poly é um mimo.
Bicharocos montados a correr parede fora. Uma ideia de estética interessante do FabLab Aldeias de Xisto.
E sim, os velhinhos mindstorms de primeira geração ainda mexem.
Teste de montagem ao espaço do 3D Alpha na MakerFaire. Não se preocupem, vai haver mais do que isto. Mas já percebi que levei monitores a mais para o espaço de que realmente disponho, o que quer dizer que não vou poder mostrar tanto quando poderia.
Do Mafralab estão a vir coisas muito giras. Como estes tricos g33k. Um barrete com leds e um pacman tricotado.
Quando os elementos da beeverycreative estavam a começar a montar o seu espaço suspeitei que estariam a construir um forte de caixas de cartão. O resultado final anda lá perto, mas é uma solução com um design interessante e de baixo custo para criar um espaço diferente e atraente.
Awww. Sad robot is sad. Digamos que os robots Infante ficaram com um ar de frágeis criaturinhas.
Pequenos apanhados do primeiro dia da primeira maker faire portuguesa. Os níveis de criatividade e talento são espantosos. Amanhã será o dia do grande embate com o público. O fim de semana promete. E eu não consigo deixar de me sentir pequenino, com o trabalho de introdução ao 3D desenvolvido com alunos que todos os anos me deixam surpreso, ao pé de projectos tão avançados e espantosos como os que estão para partilha na maker faire.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
... or bust!
Pronto para as tic em 3D na +Lisbon Mini Maker Faire. Projectos seleccionados, método de apresentação resolvido, sinalética criada e impressa, tudo a caber discretamente na mala do carro. Apetece tirar uma selfie makerfaire or bust e publicar no instagram, mas ainda não é o momento. Até porque amanhã não levo todo o material, uma vez que a montagem para o público só será durante o fim de semana.
Como apresentar os projetos em 3D dos alunos? Um dia haverei de ter um kinect, um oculus rift ou uma prusa (ou, sonhando mais alto, uma bee), mas até lá valem os veteranos netbooks comprados com o prémio atribuído ao Sistema Solar Virtual (pelos deuses, já se passaram quatro anos?) ligados a monitores para permitir visualizar mundos virtuais, modelos 3D e animações 3D. Vou precisar de muitas tomadas. Como bom sobrevivente da gestão de recursos informáticos na escola, vou bem precavido.
Para além dos identificadores definidos pela organização ainda houve que identificar equipamentos e criar alguns cartazes que expliquem um pouco o que se tem feito neste projecto.
Espalhar a mensagem aos alunos nesta primeira semana de aulas revelou-se mais difícil do que pensava, Mas hoje tive muito por acaso a belíssima experiência de conversar com uma das turmas que me tem acompanhado ao longo destes anos, quer em EVT quer em TIC, e vê-los orgulhosos, curiosos e entusiasmados com este evento. Levar um grupo de alunos em visita de estudo seria o desejável, e chegou a estar pensado, mas sendo os dias principais da Makerfaire durante o fim de semana a ideia acabou posta de parte. Há que divulgar, e fico com a sensação que nestes últimos dias tenho sido um chato. Makerfaire deve ser para aí a palavra mais recorrente no meu vocabulário.
Sinto-me pequenino. Honrado e deslumbrado por poder mostrar uma forma de aprendizagem criativa cujos resultados são surpreendentes pela inventividade e capacidade das crianças no dominar ferramentas complexas, mas estar ao lado de hackers e makers que constroem máquinas de fabricação, robots, drones, arcades de realidade virtual e tantas outras experiências criativas com hardware e software utilizados de formas impensáveis deixa-me esmagado. Ter as criações virtuais de crianças ao lado de tanta coisa espantosa é uma experiência... espantosa.
Yep, pois, fico sem palavras. Amanhã começa. Se passarem por lá durante o fim de semana, tragam-me um café. Suspeito que vou precisar, nem que seja como pausa da previsível intensidade da Lisbon Mini Maker Faire.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Lisbon Mini Maker Faire
A Lisbon Mini Maker Faire é o primeiro evento do género a ser realizado em Portugal. Reúne makers das mais variadas áreas, da robótica à impressão 3D e outras tecnologias experimentais. O Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro também estará presente, divulgando o trabalho dos nossos alunos do domínio da modelação e animação 3D. Venha visitar-nos!
Para além dos trabalhos dos nossos alunos poderá ainda ver e experimentar riftcycles de realidade virtual, drones, aplicações de tecnologia de ponta, robótica, picosatélites e espectáculos de bobines Tesla, entre outras aplicações que misturam tecnologia com arte, investigação e criatividade. O evento irá decorrer no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva de 19 a 21 de setembro, sendo que os melhores dias para o grande público são 20 e 21. A entrada na Maker Faire requer bilhete/registo gratuito, que pode ser feito antecipadamente online no EventBrite-Lisbon Mini Maker Faire ou no local. Para saber mais, visite: Lisbon Mini Maker Faire, EventBrite - Lisbon Mini Maker Faire, Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, 3D Alpha.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
TIC em 3D @ Lisbon Mini Maker Faire
O 3DAlpha está em destaque na página da Lisbon Mini Maker Faire! Quase não ia dando por isto, culpa da letargia estival em tom literário. E confesso que ainda me custa a acreditar que este projecto e as criações dos meus alunos vão fazer parte da primeira Maker Faire de Lisboa. Isto é um projecto de sala de aula, e por muito interessantes que sejam os resultados são trabalhos de crianças. Mas talvez seja isto o que lhe dá valor. São incipientes, mas mostram que é possível estimular formas criativas de usar tecnologia sem ter medo de ferramentas complexas, abrindo desde cedo os horizontes do mundo digital pervasivo.
Ok, deixemo-nos de teorizações. É fantástico poder estar presente a divulgar um trabalho que já acumula alguns anos de experiência mas que todos os anos possibilita magicar coisas novas. Para o ano, se tudo correr bem, talvez se chegue ao 3D printing... entretanto, cá fica o nosso espacinho virtual na página da Maker Faire: TIC Tridimensional.
Outra que também ainda não sabia. Foi através dos logs de acesso que descobri. Também vamos estar na Europe Code Week com o Code Week AEVP, inserindo as actividades com Scratch com os alunos de oitavo ano. Ok, o arranque do próximo ano lectivo vai ser hit the ground runnnig. Para não variar...
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Lisbon Maker Faire
Acho que ainda estamos a pensar que o despertador vai tocar e descobrimos que foi um sonho. Mas não, o 3D Alpha foi um dos projectos seleccionados para participar desta primeira edição da Lisbon Mini Maker Faire. Para quem vai acompanhado estes eventos na Make:, BoingBoing e Wired.it (via Bruce Sterling, sempre disposto a divulgar as maker faire italianas) é uma alegria enorme poder estar presente, em especial porque se irá mostrar aos presentes o que se pode fazer com modelação 3D e alunos do ensino básico. A pedagogia, o dar acesso igualitário (e não equitativo, porque igualdade e equidade são coisas muito diferentes) a crianças e jovens a tecnologias relativamente complexas mas que lhes permitem despertar a criatividade, perceber como são criados alguns dos produtos mediáticos que consumem, e essencialmente dar-lhes ferramentas para perceberem que podem ser criadores e produtores de conteúdos, ao invés de meros consumidores passivos. Se serão bons ou maus, isso depois são questões de talento, substracto cultural e empenho na melhoria das capacidades, mas o importante é aprender a não ser consumidor passivo. Essencialmente, um pouco do espírito maker.
Isto não seria possível sem o entusiasmo e gosto pelo trabalho em projectos dos nosso hiper-criativos alunos (e também dos apenas criativos; o experimentar é abrangente), e trabalhar numa escola cuja direcção apoia e incentiva projectos inovadores. A todos, o nosso sincero e sorridente muito obrigado! Esta presença na Maker Faire não é um projecto pessoal de quem dinamiza este projecto, nem um isolamento do 3D Alpha, mas sim uma presença representativa de um espírito de escola. Isto não seria possível sem os alunos, sem outros professores que alinham em desafios, e sem o apoio dos orgãos executivos da instituição. Vai o 3D Alpha, mas vai como TIC Tridimensional no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro, representando esta escola pública.
Por enquanto fica só a notícia, em breve colocaremos mais informação. Esperamos poder lá encontrar o Mafralab. Entretanto visitem a página da Lisbon Mini Maker Faire, que irá reunir no Pavilhão do Conhecimento Makers de todos os quadrantes... e um professor de TIC com raízes em EVT muito, muito babado.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
3D printing @ fablab Lisboa
No fablab Lisboa, a aproveitar o encontro 3D Hubs para aprofundar a investigação naquele que será o passo lógico para este projecto 3D Alpha: impressão 3D. Se os alunos já lidam com modelação, porque não avançar e mergulhar nesta tecnologia que está agora a implementar-se em força? Há factores financeiros a ter em conta mas suspeito que haja aqui muita mais valia pedagógica, em especial se integrada em projectos interdisciplinares. Não que eu seja de desdenhar a criatividade por si só, mas é quase magia quando ideias e conhecimentos de diferentes áreas se conjugam no acto criativo. O que nas vertentes de aprendizagem é algo de fundamental. As horas lectivas separam as áreas, e há que mostrar que os pontos comuns são mais que muitos. Isso, apostar na criatividade e na capacidade de resolução de problemas.
Ver a prusa pelas traseiras, controlada por um thinkpad a correr linux. Open source rulez!
O espaço do fablab, que desconhecia, é um mimo para quem gosta de criar. Nem só de impressoras 3D vive o espaço. Há por lá muita ferramenta e zonas de trabalho que vão da marcenaria tradicional às CNC que cortam materiais a partir de CAD. Tenho de arranjar forma de ir lá mais vezes.
Hello makerbot replicator!
O objectivo deste encontro 3D hubs era o de colocar pessoas em contacto com o 3D Printing e a conversa entre aqueles que estão mais avançados nas utilizações desta tecnologia foi uma experiência de aprendizagem fantástica. Ouvi-los permitiu-me perceber que certas escolhas que ando a fazer estão na direcção certa, despertou dúvidas, esclareceu outras, e aprofundou potencialidades desta tecnologia. Elas são bem conhecidas, e a ideia de que têm um impacto sobre o conceito de indústria tal como a conhecemos é repetido como um mantra. Pessoalmente creio que não será tanto assim. É verdade que quem tem acesso a esta tecnologia tanto pode imprimir um como mil objetos. Mas os custos e economias de escala não se aplicam. E ficam de fora as questões ligadas ao design, à criação enquanto acto mental. Por giro que seja descarregar um modelo em stl de um repositório e imprimir é muito mais interessante conceber, representar, criar e... materializar. Um processo que pouco tem de novo, é algo de elementar desde que há artistas e artesãos. O 3D printing apenas traz para os meios digitais esses processos tão normais em pintura, escultura, enfim, em qualquer expressão criativa que solidifique num material o imaginário do criador. O que intriga é esta nova forma de ser artesão com ferramentas digitais. Percebi que muitos dos presentes olham para a impressão 3D pelo desafio técnico de montar e refinar a impressora e só depois percebem que o processo criativo tem tudo a ver com o objectivo desta nova tecnologia.
As beethefirst como objectos de design.
Em exposição, ou melhor, a imprimir furiosamente, impregnando o ar com o aroma do plástico pla derretido, estavam vários modelos de impressoras trazidos pelos participantes. Interpretem o furiosamente da frase anterior muito ao ralenti. Imprimir objectos não é um processo rápido. O aspecto rude e diy da makerbot impressionava, e o cuidado estético no design das bee nunca cessa de me surpreender. Mas claramente aquela que melhor se adequa aos objectivos do que ando a preparar é a Prusa. A makerbot é bastante cara, algo que também se aplica à bee. Nestas, o conceito de 3D printing doméstico é uma excelente ideia que temo estar um pouco avançada no tempo. Talvez, e espero que assim seja, consigam fatia de mercado com designers e outros criativos que se querem concentrar no conceber e fazer e não nos aspectos técnicos de montar e calibrar equipamentos. As impressoras que vendem são um equipamento muito apetecível.
Mas para objectivos pedagógicos, que é por aí que estou a avançar, a ideia de ter um equipamento semi-fechado faz perder uma das vertentes de abordagem educativa possível com esta tecnologia: o mexer nela, abrir e perceber como funciona, conseguir resolver problemas advindos do seu uso. Em suma, conhecer o que está debaixo do capot, resistindo à tendência de obsolescência programada e restrição do uso do hardware que vamos adquirindo. O Cory Doctorow explica isto muito melhor do que eu, que estou cansado e ainda tenho um relatório de avaliação interna de cem páginas para rever.
Percebi que estou correcto na minha intuição informada sobre a Prusa em termos de equilíbrio entre preço, complexidade de montagem, e comunidade de apoio. Entretanto mostraram-me as OneUp, com preços mais convidativos, mas suspeito que para neófitos pouco à vontade com electrónica é melhor apostar num equipamento que tem uma fortíssima comunidade de utilizadores. Na inevitável hora do SOS é um factor que é capaz de fazer jeito.
Em suma, entrei nervoso sem saber o que esperava. Cheguei lá com muitas ideias. E saí de lá a planar, com muito mais ideias e vontade de levar para a frente esta minha ideia pedagógica de sanidade duvidosa para os mais conservadores. Saí direitinho para um jantar com pessoas ligadas à ficção científica portuguesa e brasileira, e cheguei lá a dizer meus caros, acabei de vir do futuro. Efeitos da exposição ao fablab,
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Sistema Solar Virtual
Arrumar a casa antes da pausa estival. Faltava encerrar este projecto de criação de mundo virtual temático com uma turma de 5.º ano. Ficou pronto a tempo dos orgulhosos alunos o mostrarem aos seus pais no dia das matrículas, mas ainda faltava alojá-lo no Babel X3D.
O balanço que retiro deste trabalho é o que talvez seja o mais importante. O sorriso dos alunos que participaram. O orgulho daqueles encarregues das criações mais complexas ao ver o resultado do seu trabalho. Ver, mexer e interagira virtualmente. Os gritos quase histéricos de uma das alunas, responsável por elementos complexos, ao visualizar o mundo em diferentes modos de apresentação, a repetir isto é matemática! isto é geometria!
E também foi um bocadinho de ciências, um bocadinho de educação visual, um bocadinho de tic, um bocadinho de pesquisa, um bocadinho de criatividade. Um bocadinho de Sketchup, um bocadinho de Doga, um bocadinho de Bryce, um bocadinho de Vivaty Studio, um bocadinho de Word e Powerpoint, um bocadinho de Gimp. Peças que se encaixam como legos, tendo o VRML como agente aglomerador.
O mundo virtual pode ser visitado aqui: Sistema Solar 5.º A. Requer o BS Contact para ser visualizado.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Tecnologias 3D nas TIC
Apresentação/Partilha de práticas com ferramentas digitais no encontro TIC@Portugal 2014.
slide 1 - Marshall McLuhan, teórico dos media e guru da sociedade da informação, disse numa das suas célebres frases que o computador é uma extensão do cérebro humano. Aqui é uma extensão da mão, da mente criativa. Apresentamos neste relato uma breve visão das experiências multidisciplinares efectuadas em escolas do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro com alunos dos três ciclos do domínio do 3D digital.
slide 2 - Porquê em 3D? Porquê escolher esta vertente de abrodagem às TIC, e não outros? Procuramos aqui uma interligação de três vertentes: aprender a utilizar aplicações, com ênfase na produção pelos alunos, interligada com competências e conteúdos curriculares. Subjacente a este projecto está uma visão de colocar nas mãos dos alunos ferramentas que os iniciem na produção de conteúdos digitais, ultrapassando paradigmas de consumo. E porque não? A génese deste projecto parte de uma descoberta pessoal do 3D, que se reflectiu experimentalmente na sala de aula. E porque não? Hoje, ao chegar à minha sala, é usual ver os alunos no computador a jogar no minecraft – construção de espaços virtuais tridimensionais, ou a trocar cromos dos invisimals – essencialmente, cartões com ilustrações e marcadores de realidade aumentada que os que tiverem uma psp com o jogo podem ver em 3D sobreposta ao ambiente real e combinar em lutas. Junte-se a isso todos os produtos da cultura popular consumidos pelos alunos que recorrem a estas tecnologias. Porque não abordar? Porque não experimentar e dar-lhes uma noção de como são criados os jogos e animações 3d de que gostam, e, talvez, despertar alguma vocação?
Sentimos no nosso dia a dia o poder transformativo das TIC, que modificaram profundamente as formas de trabalhar. comunicar. Potenciaram redes de interligação (castells) e ampliaram o espectro do que se pode fazer. Em meios artísticos assumiram-se como um novo media de expressão. No entanto, apesar de esforços em contrário, a sua penetração nas escolas é reduzida, e mantida ao nível da pesquisa e produção documental, apesar de haver experiências em contrário. O que toca à questão de meios tradicionais vs digitais, os meios tradicionais de expressão. Não os desvalorizamos, mas cremos que a introdução de novos meios é uma forte mais-valia.
slide 3 - Estas são as aplicações utilizadas neste projecto. É uma quantidade considerável para desenvolver ao longo de um curto período de tempo. A primeira questão que se levanta é porquê estas e não outras, mais abrangenres.
Porque não optar por uma aplicação mais completa e polivalente, como um Blender, 3DS Max, Maya ou similares? Queremos com este projecto dar uma iniciação ao mundo do 3d, incentivando a sua aprendizagem. O nível etário dos alunos, carácter introdutório das actividades e a complexidade das soluções de modelação e animação 3D não se coadunam com as exigências do software de nível profissional. Interessa despertar e motivar, não profissionalizar.
Cada uma tem o seu papel; aumenta o leque de abrangência da exposição dos alunos a estas tecnologias. O sketchup é a que tem maior preferência, por permitir criações complexas com um pouco esforço, uma curva de aprendizagem acessível e possibilitar desafios de criação intrigantes. A utilidade do Bryce prende-se com a fácil obtenção de renders de estética agradável, e é posteriormente utilizado pelos alunos que pretendem desenvolver animações. O doga l3 é utilizado como introdução ao 3D, possibilitando abordar conceitos como eixos cartesianos, multiplicidade de pontos de vista, projecções, posicionamento de objectos no espaço tridimensional, wireframe e operações elementares de posicionamento, redimensionamento e rotação. Avatar Studio possibilita introduzir a modelação de personagens humanóides. O vivaty studio é uma aplicação específica para mundos virtuais em vrml com capacidades de modelação que, devido ao curto espaço de tempo dedicado na área curricular, é utilizado pontualmente pelos alunos que pretendem desenvolver espaços virtuais. O jogo minecraft possibilita elaboradas construções que podem ser exportadas utilizando o mineways, utilitário para 3D printing, e o meshlab é utiizado como conversor ou em projectos de 3D scanning como editor avançado de mesh.
Que hardware utilizar? Normalmente as aplicações 3D requerem requisitos elevados, mas as escolhidas correm sem problemas de maior em computadores portáteis de gama média e netbooks. Nestes trabalhos foram utilizados computadores magalhães, netbooks asus, portáteis trazidos pelos alunos e portáteis hp “sobreviventes” da iniciativa escolas e computadores portáteis.
VRML/X3D é a tecnologia que utilizamos: linguagem de realidade virtual imersiva/não imersiva, de fonte aberta, transversal a aplicações 3D, utilizada em investigação e mundos virtuais de chat. Podendo ser utilizadas outras (clientes second life/open sim, aplicações high end), optámos pelo vrml pela sua transversalidade, carácter aberto, disponibilidade da comunidade de desenvolvimento e baixos requisitos de hardware.
slide 4 - Da exploração dos softwares produzem-se objectos 3D modelados em diferentes aplicações utilizados para criar em animação 3D ou como elementos de espaços virtuais ou como objectos virtuais standalone.
slide 5 - Tentamos equilibrar as necessidades advindas das metas curriculares com exploração criativa do computador. Definimos um percurso de aprendizagem que envolve aprender a utilizar aplicações para, com base em projectos de criação individuais ou em grupo, criar os elementos necessários a um trabalho final. Fases: aprender 3D; conceber um projecto; definir ideias, pesquisar; elaborar; integrar e apresentar como produto final.
Utilizar a tecnologia para criar novas experiências estéticas é outro dos nossos objectivos. Os media digitais têm as suas estéticas intrísecas e ao explorar formas de trabalho podemos encontrar formas de ver que nos surpreendem. É o caso do 3d scanning, que mescla multiplicidade de pontos de vista fotográficos para gerar uma mesh – objecto 3D.
O património artístico e arquitectónico pode também ser objecto de trabalho pelos alunos. Um dos temas que estimulamos é o recriar em 3D monumentos e referências arquitectónicas, dentro das limitações de tempo, faixa etária e desempenho dos alunos.
Exploração de ambientes computacionais 1. Criar um produto original de forma colaborativa e com uma temática definida, com recurso a
ferramentas e ambientes computacionais apropriados à idade e ao estádio de desenvolvimento
cognitivo dos alunos3, instalados localmente ou disponíveis na Internet, que desenvolvam um modo de
pensamento computacional, centrado na descrição e resolução de problemas e na organização lógica
das ideias.
1. Identificar um problema a resolver ou conceber um projeto desenvolvendo perspetivas
interdisciplinares e contribuindo para a aplicação do conhecimento e pensamento computacional
em outras áreas disciplinares (línguas, ciências, história, matemática, etc.);
2. Analisar o problema e decompô-lo em partes;
3. Explorar componentes estruturais de programação (variáveis, estruturas de decisão e de
repetição, ou outros que respondam às necessidades do projeto) disponíveis no ambiente de
programação;
4. Implementar uma sequência lógica de resolução do problema, com base nos fundamentos
associados à lógica da programação e utilizando componentes estruturais da programação;
5. Efetuar a integração de conteúdos (texto, imagem, som e vídeo) com base nos objetivos
estabelecidos no projeto, estimulando a criatividade dos alunos na criação dos produtos (jogos,
animações, histórias interativas, simulações, etc.).
6. Respeitar os direitos de autor e a propriedade intelectual da informação utilizada;
7. Analisar e refletir sobre a solução encontrada e a sua aplicabilidade e se necessário, reformular
a sequência lógica de resolução do problema, de forma colaborativa;
8. Partilhar o produto produzido na Internet.
slide 6 - A colaboração entre os alunos é um factor muito importante para o seu sucesso. No que respeita às formas de exploração, a direccionada é necessária para introduzir as aplicações, tendo os alunos mais gosto e sucesso se a partir daí lhes for dada liberdade criativa.
O que aprendem efetivamente:
A não ter medo do computador
iniciação ao domínio avançado (para lá do usar para jogar, pesquisar, consumir conteúdos e produzir texto) como ferramenta criativa
possibilidade de aplicação de conhecimentos de outras áreas curriculares
conteúdos específicos de áreas artísticas – luz/cor, rosto, perspectiva, geometria.
slide 7 - exemplos: um mundo virtual tridimensional, que recria, não à escala, o sistema solar. envolve pesquisa, modelação, e foi concebido por um grupo de alunos de 5.º ano; um exemplo de introdução à animação 3D, necessariamente simples pelo curto espaço de tempo disponível; um exemplo de 3d scanning utilizado aplicações web e telemóveis, desenvolvido para um projecto de metrologia; modelação de objectos complexos utilizando módulos; um dos muitos exemplos das experiências dos alunos na modelação arquitectónica que sublinha o esforço meticuloso na modelação de raiz de detalhes.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Projecto Final Multimédia - 7.º C (VRML)
Para terminar os trabalhos desta turma, dois projectos de mundos virtuais em VRML. A imagem é estática e não consegue mostrar a animação dos veículos.
Apesar da aparência simples, estes trabalhos são dos que mais esforços requerem por obrigar à utilização de diferentes programas para criar os modelos necessários aos projectos.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Projecto Final Multimédia - 7.º C (Animação 3D)
Vai algo épico? O conceito da animação vai por esse caminho, mas o processo de criação da animação, esse sim foi épico. O melhor momento deste grupo foi ter passado uma hora a animar a lua a orbitar a terra para chegar ao fim e... perceber que se enganaram no ponto de vista . A lua não orbitava a terra. Mas descrevia um belíssimo percurso circular paralelo à terra. Com muito esforço e bom humor foram vencendo as agruras das linhas de tempo e percursos de movimento. Sem se esquecerem de uma banda sonora a jeito. O resultado pode não ser perfeito, mas para introdução, é um bom princípio.
Um trabalho simples, dificultado por problemas em perceber como movimentar a câmara.
E, para terminar, outra animação simples. Mas o que conta é experimentar, e assim aprender.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Projectos Finais de TIC - 7.º E (Bryce)
Os trabalhos aparentemente simples ocultam a complexidade. Esta é, à primeira vista, uma imagem concebida em Bryce, mas não é tão simples quanto parece. Posicionar o cenário obriga a perceber o espaço. Os animais não aparecem por si e têm de ser criados noutras aplicações. Tal como o personagem criado no Avatar Studio e convertido de VRML para obj. Simples, não é? Cá por mim estou rendido ao carácter encantador desta imagem.
Suspeito que se tivesse havido tempo teria saído daqui uma animação. Porque estes objectos estão mesmo a pedir movimento.
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