domingo, 19 de outubro de 2014

Pedagogia e Tecnologia Criativa


Participámos no primeiro encontro ArdRobotic. Para ver as fotos do evento visitem a galeria no G+.


A Escola Secundária D. João II em Setúbal acolheu o ArdRobotic, evento organizado pela Anpri que permitiu reunir no mesmo espaço diversos projectos de utilização das tecnologias na educação e entidades que trabalham na vanguarda da inovação. Por entre os muitos projectos de robótica e open hardware com Arduino estava este As TIC em 3D, mostrando o trabalho realizado pelos alunos do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro nos campos da modelação 3D, animação 3D e mundos virtuais. Projectos que se sentem um pouco perdidos no meio de tanta robótica, electrónica e programação mas que mostram uma outra vertente do uso criativo das tecnologias.



No espaço das TIC em 3D mostravam-se modelos de Sketchup criados na área curricular de TIC, mundos virtuais de turmas de 2.º ciclo criados em projectos interdisciplinares, e vídeos de animação 3D, 3D Scanning e realidade aumentada que têm vindo a ser criados ao longo dos anos pelos alunos do Agrupamento.

Porque, desculpem-me a especulação, o evento estava pensado como uma mostra de tecnologia nas escolas mas foi de facto uma mostra de pedagogia nas tecnologias criativas. Os projectos participantes distinguem-se por usarem tecnologia como um meio e não um fim. Interessa desenvolver ideias, criar, e não aprender conceitos. É talvez por isso que sejam tão intrigantes e despertem o interesse para tecnologia vista não como elemento de consumo mas como ferramenta ao serviço do engenho criativo.


Estavam presentes algumas empresas. A Nautilus com os seus projectores que permitem transformar qualquer superfície em ecrã interactivo, a Artica com os robots Farrusco  e a Printoo com os seus circuitos modulares flexíveis. Estes intrigaram-me, pela demo com um dirigível criado com motores, circuitos printoo e balões a hélio (tenho um fascínio pouco saudável por zeppelins e similares), e por dinamizarem actividades de AEC com alunos do primeiro ciclo que incluem electrónica e modelação 3D.


Outros espaços da escola estavam abertos aos visitantes. Na biblioteca recordavam-se gerações anteriores da tecnologia digital com uma pequena mostra de scanners portáteis, equipamnto diverso e dois Spectrums com ar de muito uso e que quase me levaram a perguntar se ainda funcionariam. Não é impossível, e aqueles que se interessam por retro computing devem saber como.


Talvez o mais encantador dos presentes no encontro foi o Robot Zeca e o seu criador, José Carlos Fernandes. Não confundir com o autor da fabulosa bandadesenhada A Pior Banda do Mundo, mas igualmente genial e cativante. Ver o ZECA em acção, e em especial a interacção das crianças com a máquina, é algo que espanta. Não resisti a uma experiência com o 123D que agradou ao criador do robot.

Foi muito interessante poder conversar com o seu criador, que veio ter comigo para perceber um bocadinho do que é a modelação 3D. Só tenho a quarta classe, disse-me o construtor de CNCs, robots e que por andar a experimentar com o dar relevo a fotografias para criar baixo e alto relevo na CNC quis descobrir um pouco sobre a modelação 3D. Eu tenhou um pouco mais que isso como formação, mas note-se que naquilo que trabalho com os alunos e vim mostrar e demonstrar no ArdRobotic sou autodidacta. Há aqui uma lição a retirar, e não, não é de alguma suposta inutilidade do ensino formal. Antes, é o poder da curiosidade, do interesse despertado, da vontade de aprender quando algo nos toca no coração, apaixona a mente e dá ideias. Do experimentar, não ter medo de estragar, e assim aprender, evoluir e criar. Nunca cessa de me fascinar esta que é a mais elementar das competências artísticas - é, na sua essência, o acto de desenhar, aplicada ao mundo da tecnologia. Notável, o robot ZECA, pela máquina que é e pela postura de inquietude cognitiva do seu criador.



Os projectos pedagógicos presentes incluíam modding por Rui Cabral; a criatividade desenfreada do Clube de Robótica da Escola Profissional de Almada (quase com um momento whoviano com o seu orgão a laser a tocar samples passando a mão pelos sensores); o Clube de Robótica do AE de S. Gonçalo, daqui mesmo ao lado em Torres Vedras, com resultados de excelência nos festivais de robótica nacionais e internacionais; o dinâmico Robotis, clube de robótica da AE D. Dinis; a diversidade do Projecto de Arduino da AE Augusto Cabrita, e O Robot Ajuda, projecto de robótica educativa de Paulo Torcato na Escola Secundária da Portela.


Este robot futebolista de S. Gonçalo dá toda uma nova dimensão à angústia do guarda redes antes do penalty. Todos os projectos em exposição têm em comum o abordar a tecnologia através da apropriação criativa dos meios. É por isso que este primeiro ArdRobotic, mais do que um encontro sobre robótica e arduino (com 3D infiltrado) se tornou um encontro sobre tecnologia criativa.


Um aspirante a doutoramento pela Universidade de Gallifrey demonstra os princípios da aerodinâmica pré-TARDIS. Ou melhor, um momento do workshop ABC da Animação 3D. Neste, os participantes puderam ter uma iniciação rápida ao Sketchup, potente e intuitivo modelador 3D, e sofreram um percurso pelas técnicas de trabalho que utilizo para trabalhar com os alunos. No Sketchup mostrou-se a modelação simples e alguns truques mais avançados (a modelação por revolução surpreende sempre quem a está a descobrir). Para a animação 3D fez-se o percurso de criar um objecto no Doga, criar um cenário em Bryce, importar o objecto e criar a animação, sempre com referências à geometria, matemática, perspectiva, artes, trabalho interdisciplinar. Porque, como gosto sempre de assustar os alunos nas primeiras aulas, 3D é matemática. São coordenadas de pontos no espaço cartesiano. São pontos que traçam segmentos que formam superfícies e geram formas. São os pontos de vista, a perspectiva e os alçados. E o trabalho no digital vem de uma longa continuidade histórica e estética. O workshop em si permitiu afinar estratégias para os que serão dinamizados em Novembro e Dezembro no Museu das Comunicações.

Á conversa sobre 3D veio à mente a obra de Giotto. Porque me recordei das aulas de Geometria Descritiva no liceu com o velho professor Luís Gonçalves, adepto de usar um pau de vassoura e as paredes para demonstrar as projecções das retas nos quadrantes. Recordei o que ouvi, décadas atrás, sobre Giotto ter sido um dos precursores da geometrização do corpo e do espaço. Ou seja, um dos primeiros a tentar descrever o corpo humano attavés de formas geométricas, conceito radical e inovador que fazia parte da perspectiva, essa nova tecnologia transformativa que revolucionou as formas de ver e representar o mundo nos velhos tempos do renascimento, há quinhentos anos atrás. Há uma linha de continuidade entre a geometria no espaço da sistematização perspéctica e as magias virtuais do 3D, descendentes directas dos frescos de Giotto e da experiência de Brunelleschi no baptistério florentino. Foi algo que me passou pela mente durante o workshop ABC da Animação 3D, inserido num dia de partilhas de projectos e experiências.

Só posso agradecer à Anpri o convite para estar presente neste evento de partilha. Num sábado, em Setúbal, nas instalações de uma escola, mas que mesmo assim teve muitos visitantes. Pela presença, pela oportunidade de partilha. Fez sentir um pouco menos sozinho. Tenho a consciência que o 3D é zona de nicho, entre as Artes, cujos professores olham mais naturalmente para os media tradicionais, vídeo e fotografia, e a Tecnologia, cujos professores entendem numa via mais... tecnológica, falhando-me agora le mot juste. Quando um grupo de alunos visitou o espaço das TIC em 3D e depois de uma discussão sobre técnicas, programas e ideias me deu os parabéns pelo trabalho dos meus alunos, ganhei emocionalmente o dia. Porque é isso. É o trabalho dos alunos, as suas aprendizagens espelhadas nas suas criações, o cerne deste projecto.


Em exposição estava este dispositivo de resposta electrónica, talvez um avô dos clickers de resposta tão admirados pela vertente mais instrutivista da tecnologia na escola, adepta de quadros interactivos, vídeos e aplicações de aprendizagem estruturada. São úteis, e importantes para alguns aspectos do acto de aprender, mas pode e deve-se ir mais longe,

Aprende e ensinar com tecnologia, hoje, já vai muito mais longe do que o aprender processos de trabalho em aplicações específicas. É isto o que o ArdRobotic sublinha. As tecnologias não são um fim pedagógico, são um instrumento potenciador da criatividade. Os projectos partilhados mostraram o poder dessa dimensão criativa, de tinkering, making, empreendedorismo, o que lhe quiserem chamar: o ter ideias, ir aprender mais, pegar nas ferramentas e experimentar, um processo evolutivo onde cada novo passo não nos aproxima do fim mas mostra outros caminhos a desbravar. Um evento deste mostra o que já hoje se faz nas nossas escolas, apesar das dificuldades do momento.


Termino com esta imagem, que mostra o poder da vontade de aprender, da criatividade e do conhecimento tecnológico aplicado. Agradeço ao Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro a abertura e apoio neste projeto das TIC em 3D, e à Anpri pela presença num evento que espero que se repita e ganhe maior dimensão. A organização está de parabéns por ter proporcionado este momento de partilha que pôs em contacto criadores e professores que apostam na criatividade tecnológica para potenciar os seus alunos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

3D_S3lfies


Um dos projectos deste ano é criar selfies em 3D utilizando o 123D Catch. E parece que foi lançado mesmo a tempo de aproveitar a nova app para android do serviço, que facilita muito o trabalho. Isso notou-se nesta primeira captura com o meu fiável galaxy tab. Saiu perfeitinha, logo à primeira. Até estranhei. Com um pequeno retoque no Meshlab para apagar vértices excessivos ficou logo pronto para aplicar numa animação. O passo está dado, o conceito provado como possível, e agora resta ter ideias de aplicação.


O passo seguinte foi entregar o tablet aos alunos. Aos de mais confiança, claro. Aqui os resultados não foram tão bons. E percebe-se porquê. Tem a ver com questões de proximidade e de neutralidade do espaço. O algoritmo de fotogrametria teve dificuldades em distinguir objectos e fundos, devolvendo estes resultados de figuras centradas num espaço atomizado. Pois, são estes surrealismos inesperados o que me intriga e atrai nesta técnica.


De qualquer forma correu melhor do que esta experiência com um telemóvel e a aplicação web. Se bem que para fãs de glitch/new aesthetic este tipo de resultados são uma incessante fonte de inspiração. Mas como os meus alunos não partilham a minha estética, por isso há que afinar a ténica e mostrar-lhes resultados visualmente mais conservadores. Entretanto, naquele lugar silencioso na minha mente que gosta de sonhar com passos mais ambiciosos, vai ressoando o e agora se houvesse aqui uma impressora 3D os alunos iriam adorar levar para casa bustos impressos.

E para que é que isto serve?


Com o 3D as coordenadas cartesianas ganham uma terceira dimensão. Precisamos de saber o X, o Y e o Z para descrever com rigor a posição de um ponto no espaço. E depois de aprender isso é começar a criar, não esquecendo a geometria dos métodos de representação e perspectivas.


E para que é que isto serve, professor? Bem, ao carregares neste botão ficas a ver como é que o jogo foi feito. Aaaaaaaaah! Mas pronunciem isto com um tom de deslumbre intrigado. Que é, talvez, o tom que melhor caracteriza as aulas com o Scratch. Ou, como reparei hoje, a expressão ah, afinal é assim é a mais comum nestes dias. Os alunos ainda estão em fases de iniciação, mas já há ideias. Uns tentam criar jogos de labirintos, outros estão a congeminar as suas versões do pacman. Mas todos estão a pensar, no momento, utilizando as suas capacidades cognitivas para progredir pensando no que fazem e procurando formas de fazer o que concebem na mente. E é esse o objectivo. Não ensinar linguagens de programação, mas estimular o pensamento e a flexibilidade na resolução de problemas que só se consegue com o learn by doing (devidamente contextualizado, mas suspeito que é óbvio dizer isso).

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Recortes


Não teria dado por isto se uma das senhoras da secretaria não me dissesse olhe, acho que li qualquer coisa sobre si no jornal. E, realmente, lá estava, o texto alinhado para a página e jornal da escola, e que o Director do Agrupamento enviou aos meios de comunicação locais. Apareceu no jornal mafrense O Carrilhão. É bom, Tem o seu quê de promoção, mas mostra o que se tenta fazer para lá dos limites curriculares e imposições externas no domínio da educação. Tinha prometido a mim próprio não voltar a abordar a MakerFaire por aqui, que isto do recordar os sucessos que já passaram não é coisa saudável. Mas suspeito que ninguém levará a mal o deixar aqui esta pequena alegria. Made my day, como não resisti a dizer com esta mania da anglicidade intrusiva.


(Mas a sentir-me um bocadinho azedo, hoje, com a notícia de mais um corte brutal previsto na educação, de acordo com a proposta do novo orçamento de estado. A pensar, mas ainda não lhes chega? Não chega o esmagar das escolas? As carreiras destruídas? A sobrecarga de alunos por turma? O clima de desilusão que se instalou na minha classe profissional? A pobreza que precariza o futuro de todos, mas principalmente do futuro destes alunos que tanto me surpreendem e motivam? E tantas, mas tantas outras injustiças, que outros sabem enumerar e criticar muito melhor do que eu, que fujo da realidade com estas virtualidades, pensando que o que se vai conseguindo progredir acontece apesar de e não por causa de. Não são os apoios, os governos e ministérios, as instituições que nos dão condições. Por cá vamos conseguindo evoluir apesar das pressões negativas daqueles que supostamente nos representam e deveriam trabalhar para o bem comum. E fazêmo-lo porque... não sei. Pelos com que me vou cruzando que também não desistem não posso falar. Eu sei porque o faço. É o meu espaço. A minha muralha. A minha forma de não ceder. A maneira como mostro à comunidade aquilo que, no fundo, sabem: que vale a pena investir num futuro melhor, e que o podemos fazer com liberdade, consciência e vontade de ir sempre mais além.)

(Não, não lhes chega.)

Europa Codeweek


Também fazemos parte da iniciativa EU Code Week, promovida pela Comissão Europeia e apoiada em Portugal pela ERTE. Esta iniciativa visa estimular a aprendizagem de programação nas escolas a união europeia, introduzindo conceitos, estimulando o interesse das crianças e jovens através de formas lúdicas de aprender, incentivando o pensamento computacional, diluindo os desníveis de género no domínio da tecnologia, entre outros objectivos a médio e longo prazo.

Por aqui somos um pouco mais modestos na iniciativa do que outros projectos aderentes, mas a participação obedece a uma estratégia de evolução neste domínio. Aproveitamos a iniciativa para fazer os alunos que estão a trabalhar com Scratch sentirem-se parte de algo que ultrapassa os limites locais. Neste ano o principal objectivo é consolidar a utilização de Scratch nas actividades pedagógicas. Para o ano queremos ser mais ambiciosos, até porque já haverá massa crítica de alunos que permitam dinamizar ideias para a comunidade. Também incluímos um pouco de 3D, porque há competências de pensamento específicas neste domínio comuns à programação. Modelar em 3D, tal como programar, envolve sequenciações, modularidade, compreensão de instruções e flexibilidade mental de estabelecimento de estratégias de resolução de problemas mediados com tecnologia.

Para saber o que andamos a fazer por aqui no domínio deste projecto, visitem os artigos com a etiqueta codeweek. E como gostamos de imagens bonitas, estamos no Instagram com as etiquetas #aevendapinheiro e #codeweek.


Ah, já nos íamos esquecendo. Mas claro. Há que pensar local, regional e global. Também aderimos à Hour of Code. Será que conseguimos desafiar o Centro de Recursos Poeta José Fanha para qualquer coisa de especial em Dezembro?

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Encontro ArdRoboTIC


O Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro estará presente no encontro ArdRoboTic. Organizado pela ANPRI, será um encontro e partilha de práticas de clubes escolares e projetos nos domínios da robótica, open hardware e outras experiências pedagógicas com tecnologias. Estaremos presentes com o projeto TIC em 3D, um workshop sobre Sketchup e se o nível de sanidade se mantiver duvidoso ainda haverá espaço para umas brincadeiras experimentais com 3D Scanning. Para saber mais visitem a página do encontro: ArdRoboTic.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Forja matemática


"The digital universe and the hydrogen bomb were brought into existence at the same time. "It is an irony of fate," observes Francoise Ulam, "that much of the high-tech world we live in today, the conquest of space, the extraordinary advances in biology and medicine, were spurred on by one man's monomania and the need to develop electronic computers to calculate whether an H-bomb could be built or not.""

O lado quase mitológico do mundo digital, forjado no fogo atómico pelos Vulcanos da era contemporânea, exímios praticantes da mais abstracta das artes. Do intrigante Turing's Cathedral: The Origins of the Digital Universe de George Dyson, uma história da gestação da computação digital às mãos de matemáticos e engenheiros que meticulosamente quebraram barreiras académicas, inventaram o inédito, aplicaram as exótias teorias matemáticas à engenharia electrónica, e com isso tornaram possível o admirável novo mundo digital em que hoje vivemos.

sábado, 11 de outubro de 2014

Storytelling em Vídeo: acção de formação.


plano de formação do Centro de Formação da Associação de Escolas Rómulo de Carvalho (o de Mafra, encurtando um nome longo) para este ano inclui uma acção sobre edição de vídeo destinada a professores de todas as áreas. O objectivo é experimentar edição de imagem direccionada para vídeo, captura audio e edição não linear de vídeo com recursos avançados. No final da ação de formação os formandos deverão conseguir: editar e corrigir imagens fotográficas; captar e melhorar a qualidade de som; compreender princípios elementares de edição não-linear de vídeo; efetuar montagem de clips de vídeo com edição; criar vídeos recorrendo a filmagens próprias, fotos e áudio capturado/narrado; elaborar uma narrativa em vídeo coerente sobre um tema, integrando os recursos multimédia necessários. Usar-se-ão o Gimp, Sony Vegas e Audacity como ferramentas de trabalho.

As ferramentas digitais possibilitam e potenciam novas formas de expressão com aplicabilidade em contextos pedagógicos. Destas, o vídeo pode ser utilizado como discurso por professores e alunos, recorrendo ao storytelling para apresentação de conteúdos, resultados de aprendizagem ou projetos específicos. Indo beber à gramática visual explorada pela tradição cinematográfica, a democratização dos meios de captura e edição de imagem em movimento coloca nas mãos dos interessados uma elevada gama de possibilidades estéticas e narrativas. A diversidade de aplicações que permitem explorar edição vídeo é grande, mas não é habitual encontrar processos de trabalho integrado que permitam aos utilizadores individuais aceder a fluxos procedimentais de nível semi-profissional. Propomos nesta acção um percurso de aprendizagem que incide na introdução à edição de imagem, edição áudio e edição de vídeo não-linear multipistas.

A formação é gratuita e as inscrições podem ser feitas na página do CFAERC.

O conceito e processo de trabalho da acção baseiam-se no que faço com os alunos de 8.º ano no campo da edição vídeo. Algumas experiências num contexto de formação para professores de história em que participei foram a inspiração para responder ao desafio que o CFAERC me lançou.

Piscicídio?


Professor.... NÃO MATE O PEIXE! O objectivo era mexer pela primeira vez no Scratch recorrendo aos Cartões Scratch, uma boa forma de introduzir com as crianças programação, especialmente para alguém que, como eu, tem sérias dificuldades em compreendê-la. Lá porque eu não perceba patavina da coisa, aliás, não consiga pensar nesse esquema, não quer dizer que não me atreva a levar isso aos meus alunos, até porque faz parte do programa. Com o meu background  nas artes visuais, é-me desapontadoramente fácil olhar para qualquer coisa em 3D, digital design, vídeo ou imagem digital e ter ideias em catadupa para criar pequenos e grandes projectos dentro e fora da sala de aula. Programação compreendo, percebo a lógica, mas não consigo ter qualquer faísca de criatividade. Há três formas de contornar a coisa. Encontrar maneira de me esquivar ("ambientes computacionais" é um conceito vago), arranjar receitas estanques e passo a passo para cumprir e ai do aluno que troque os passos ou ande mais depressa do que o planeado, ou soltar o Scratch na sala de aula, explicando aos alunos que boa parte das vezes a minha resposta às perguntas deles é não sei, mas que entre recursos partilhados e discussão de ideias se chega lá de melhor forma do que perguntando para que o professor responda. Prefiro a terceira. Aliás, o Scratch está pensado para que seja assim. E enquanto estimulo os alunos também aprendo. Confesso que sobre ideias de projecto não me estou a ver a conseguir. Olho para aquilo e nada me faísca para criar qualquer coisa. Mas estou a aprender o gosto e o estímulo à capacidade de resolver problemas que obrigam sempre a pensar. É, no fundo, o objectivo destas aulas. Não o ensinar programadores, mas dar um vislumbre do que se passa debaixo do capot do mundo digital, estimular o pensamento, aprender fazendo  (learn by doing). E fico sempre encantado com o fervilhar cerebral destas aulas.

Ah, o peixe. Já me ia esquecendo. Um dos exercícios é uma espécie de jogo automatizado onde um peixe grande se move aleatoriamente e ao tocar num peixe pequeno ganha pontos. Um grupo de alunas depressa percebeu que podia ir mais longe. E foi, Colocando hipóteses, experimentando, indo procurar fontes de informação para aprender mais sobre o Scratch. Mas naquela fase inicial o predador parecia-me tão inepto a dar caça à presa que não resisti a ir ajudá-lo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Workshops de introdução ao 3D


Vão decorrer em Lisboa dois workshops de introdução ao 3D com ferramentas simples. O primeiro abordará algumas possibilidades do Sketchup e no segundo uma introdução à animação 3D criando objectos em DogaL3 para animação simples no Bryce. O amável desafio partiu da ANPRI e os workshops irão decorrer nas instalações do Museu Fundação Portuguesa das Comunicações. O objectivo destes workshops é mostrar o que é possível fazer com ferramentas 3D e crianças no ensino básico, bem como dar uma pequena e divertida introdução a algumas ferramentas para despertar o potencial criativo dos participantes.

O workshop de Sketchup irá decorrer no dia 22 de novembro e incidirá sobre técnicas simples de extrusão e truques avançados com o follow me, mostrando como no processo de criação digital confluem a geometria, o uso de ferramentas TIC e a abstracção mental. Posto desta forma até assusta, mas é algo muito intuitivo e divertido.

Em dezembro experimenta-se algo um pouco mais complexo no domínio da animação. Os participantes serão desafiados a criar pequenos objectos utilizando o DogaL3, para exportação em DXF e incorporação no Bryce, onde irão aprender a texturizar, trabalhar com iluminação e animar. Terá que ser algo muito simples, é bastante para um workshop de curta duração, mas tal como no anterior o objectivo destas iniciativas é aguçar a curiosidade e não formar animadores.

Antes de mais, interessa mostrar que o 3D é divertido, que a sua complexidade é ultrapassada com ferramentas simples e que há muito potencial pedagógico nesta área. Para mais informações e inscrições visitem as ligações:

Workshop de Sketchup
Workshop de Animação 3D

(Para aguçar ainda mais as curiosidades a imagem mostra outras possibilidades do 3D em contextos pedagógicos. E sublinhe-se, aquilo que irá ser desenvolvido nestes momentos é o que os alunos que passam pelas TIC em 3D aprendem muito facilmente e sempre com resultados surpreendentes!)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

The Invent To Learn Guide to 3D Printing in the Classroom: Recipes for Success


David Thornburg, Norma Thornburg, Sara Armstrong (2014). The Invent To Learn Guide to 3D Printing in the Classroom: Recipes for Success. CMK Press.

Encontrarmo-nos sem saber o que fazer com uma impressora 3D chegada à sala de aula é, suspeito, um problema que durante muito tempo continuará a ser incomum nas escolas. E ainda bem que assim é. Se há algo que as recentes experiências de melhoria das competências tecnológicas em Portugal conseguidas através do dilúvio de equipamentos nas escolas nos ensinaram é que se o ter acesso aos meios é condição essencial, o não ter estratégias e objectivos concretos e adequados às realidades locais se traduz numa enxurrada de meios digitais de rápida obsolescência e uso limitado aos mais elementares potenciais. É o paradoxo das tecnologias. Sem ovos não há omoletes, mas sem frigideiras também não. E se algo falhou nos projectos PTE/Magalhães foi o desiquilíbrio do build it and they will come quando quem veio não sabia em grande parte muito bem o que fazer com tanta coisa nova. Projectos de abordagem ao estímulo das tecnologias na aprendizagem que sejam excessivamente uniformizadas e monolíticas não parecem ser as mais eficazes nem as que permitem resultados mais interessantes.

Este livro mostra um outro caminho possível. Não é uma obra complexa, cheia de especulações sobre o brilhante futuro da manufactura aditiva ou abordagens técnicas às suas diferentes vertentes tecnológicas. É o que é. Um guia, quase um livro de receitas que estrutura ideias muito concretas para tirar partido das impressoras 3D na sala de aula com o necessário enquadramento pedagógico. São projectos simples, que requerem poucos conhecimentos de modelação mas que integram saberes de diferentes áreas. O foco está centrado nas TIC e CTEM, com muitas actividades de concepção e impressão em 3D de objectos como jogos de lógica, módulos para pavimentações, elementos para construção de sólidos ou engrenagens funcionais. Já o lado mais artístico fica-se pela modelação de um templo grego (daqueles projectos que me deixou logo a pensar "mas bolas, isto faço regularmente com os meus alunos") e algumas sugestões finais.

Receitas simples, procedimentais e de objectivos enquadrados nas áreas curriculares americanas, mas suspeito que muito fácil de adaptar às nossas. Sugerem algum software curioso, como o MeshMixer ou o KnotPlot, que desconheciam, e integram muito bem o desenho vectorial 2D em Inkscape com a extrusão em 3D feita no OpenScad e melhorada no Meshlab. Isto é outro ponto de interesse, mostrando diferentes técnicas de trabalho. Seria mais simples centrar-se no Sketchup ou outra ferramenta, em vez de sugerir esta variedade. Quanto ao foco nas CTEM, é suavizado por uma visão conceptual abrangente. Os autores não compartimentalizma os saberes e conteúdos curriculares, mas mostram como diferentes conhecimentos interligados são necessários para criar, num processo que reforça aprendizagens recorrendo a conhecimentos adquiridos e à experiência prática de resolução de problemas. Ou, como referem de forma muito sintética, "Design is where the mathematical reasoning, artistic sensibility, and engineering processes come to the fore.". E, ponto fundamental tão óbvio que me ia passando despercebido, mostra como é possível às crianças utilizar esta tecnologia.

Chegar à sala de aula e ver lá uma impressora 3D não é um problema com que nos deparemos a curto, ou sequer a médio prazo. Caso isso aconteça, livros como este dão ideias sobre o que fazer. Pessoalmente, eu sei precisamente o que fazer com crianças do ensino básico e impressoras 3D. Ter uma na sala é só o passinho que falta ao ensinar-lhes a modelar em 3D.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Três érres.


Recomeçar. Para mim, recomeçar a ensinar os elementos do 3D. Para os alunos, iniciar. Começa-se pelo DogaL3 para pensar em termos de espaço, perspectiva e pontos de vista. E ficar a conhecer os três érres do 3D: redimensionar, rodar, reposicionar.

Eixos


Design is where the mathematical reasoning, artistic sensibility, and engineering processes come to the fore.

Pertinente, esta visão do processo de concepção como um somatório de competências. Requer sensibilidde artística, conhecimentos matemáticos (em especial na geometria), capacidades de abstracção espacial e procedimentos técnicos. Sublinha o porquê de investir no 3D, graças ao seu potencial de estímulo para estas áreas. Porque no acto de modelar estes saberes têm de convergir para se conseguir criar. A matemática das coordenadas cartesianas, a geometria da geração de superfícies, a abstracção mental necessária para se visualizar o que se quer criar, o conhecimento técnico quer das aplicações quer das características materiais dos objectos. Tudo coisas que dão trabalho ao cérebro. Do livro The Invent to Learn Guide to 3D Printing in the Classroom.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Notas

Projectos a curto prazo, a desenvolver nas semestrais:

Selfies em 3D: utilizar capturas 3D de fotogrametria (pelo menos vinte fotos para captar o rosto num percurso à volta da cabeça) no 123D Catch para gerar meshes texturizadas. Aplicar como modelo 3D, animação, realidade aumentada, render HD. Remeshing no Meshlab pode possibilitar gifs animados. (7.º ano)

Videos Segurança Digital: edição vídeo não linear multipistas (com animação) para criar clips de 90 segundos sobre o tema. Requer pesquisa, tratamento de informação e apresentação em vídeo. (8.º ano)

InstaSay: ensaios fotográficos recorrendo ao Instagram, partilhados no Sapo Campus. Melhores fotos com direito a prémio. (7.º/8.º anos)

Brinquedos Virtuais: modelação 3D com aplicação directa em realidade aumentada. Tira partido de smartphones/tablets dos alunos ligados à rede minedu. Possibilidades de animação. Escolher app de realidade aumentada: Augment? Aurasma? Outra?

A médio prazo (working title):

PrinterKids: Dependente de possibilidades de financiamento externo. Aquisição de impressora 3D bee ou prusa i3, projecto interdisciplinar de concepção visual de objectos, modelação em 3D e materialização dos melhores projectos através de impressão 3D.

Escol@ na Mão: adaptar e divulgar actividades Taccle e outras, para estimular o uso de tablets e smarphones em actividades pedagógicas. Principal objectivo é combater o desvio observado na avaliação interna entre a pecentagem de uso de computadores na sala de aula por professores (elevado) e alunos (muito baixo).

Desenvolvimento contínuo:

As TIC em 3D (antigo 3DAlpha, génese nos Pequenos Artistas no DeviantArt): divulgar trabalhos de alunos, reflectir sobre abordagens ao 3D, processos de aprendizagem, divulgar tutoriais e materiais de apoio. Complementa-se com o Sketchfab AEVP e Autodesk 123D.

Ideias soltas: instalar o MeshMixer para umas brincadeiras. Ver se há possibilidade de importar meshes criadas pelos alunos para este programa. Ah, e não esquecer o Yobi3D, motor de busca de ficheiros em formatos de 3D.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Don't embrace change


Não só de 3D vivem as TIC@AEVP. Scratch e multimédia também são importantes, quer pela aprendizagem prática do contar histórias (ou storytelling se quiserem a ideia mais pela introdução à lógica de programação, com esse termo agora em voga denominado de pensamento computacional. Ah, metáforas. Lembram-se dos tempos em que se comparava o homem a um intricado mecanismo de relógio? Agora comparamo-nos aos computadores que criamos (e eu nisso adoro o modelo conceptual de processamento de informação e memória que o divide o cérebro em memórias de curto e longo prazo a interagir com subsistemas. Mas adiante.) O 8.º ano está a ser desafiado com Scratch, e aproveitámos para participar na EuropeCodeWeek.


Ainda incipiente, a tentar perceber como tirar partido disto. Essencialmente a marcar território no Sapo Campus. Sei que tenho um moodle para estas coisas, mas como faço parte daquela imensa minoria silenciosa que detesta um lcms que apesar de poderoso foi certamente criado por programadores de sentido estético ausente, vou experimentar esta espécie de rede social pedagógica alojada no Sapo. Vamos ver o que sai daqui.



Mudar o nome, mudar a imagem. Não estou satisfeito com o logotipo, mas para já terá de servir. Certamente que irá surgir uma ideia mais inspirada. Como todas as ideias, amadurecem nos espaços ocultos do cérebro até irromperem na consciência e nos obrigarem a passá-las para o papel. A criatividade é daqueles processos mentais que resiste a automatizações e normalizações.

Em breve arrancam as aprendizagens de 3D com os alunos. Neste ano aplicadas a dois desafios: realidade aumentada e selfies em 3D, utilizando o 123D Catch que agora até está disponível para android e tudo. A aquecer em lume brando, dependentes de factores externos (leia-se disponibilidade financeira) e tempo ainda estão projectos de aplicação de tablets na sala de aula e 3D printing. Mas esses não serão a curto prazo. Há que ser paciente. Que é uma virtude, conta-se.

(Alguns neurónios andam há uns dias a pressionar-me para fazer qualquer coisa gráfica com palavras inspiradoras. Já acertaram nas palavras: don't embrace change. Create it. Mas, malandros, ficaram-se pelas palavrinhas, recolheram-se às suas volutas cerebrais de eleição e deixaram-me com a batata quente gráfica na mão. Uns celerados malandrins, estes neurónios.)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Chatices

O professor está sempre a meter-nos em projectos e coisas assim... dizia-me a aluna durante a aula. Pois, é uma chatice, eu sei. Não não, é fixe! Ainda bem!

São estas pequenas recompensas que nos enchem a alma.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

TIC Educa 2014

A boa notícia que recebi ontem foi que o artigo que submeti ao TIC Educa 2014 foi aceite. Mas melhor que a possibilidade de participar no maior encontro nacional sobre tecnologia na educação foi ler o comentário do revisor do congresso que analisou o artigo: "Li com toda a atenção o artigo submetido e considero de muita boa qualidade. É um texto descritivo do trabalho desenvolvido com estas ferramentas tendo como suporte ferramentas e aplicações inovadoras, em especial em contextos curriculares como os descritos. A exploração destes ambientes computacionais é muito promissora para  o desenvolvimento da criatividade e das capacidades de expressão das crianças e jovens. O aspecto a melhorar no futuro é a investigação educativa com a recolha e tratamento de dados que possam suportar os benefícios potenciais do uso destas tecnologias em sala de aula."

Devo dizer que sinto uma ponta de orgulho ao ler este comentário. Em particular na observação que explorar ambientes tridimensionais na vertente de criação e não de mero consumo pode ser promissor para o desenvolvimento da criatividade e capacidades de expressão, às quais se junta a percepção visuoespacial e o mais elementar domínio do computador. E o apontar da falha principal do trabalho, a falta de dados que comprovem algo que se intui como pertinente e estimulante, é precisamente um dos saltos qualitativos que sinto faltar dar neste projeto. Só que neste momento não disponho de condições académicas para o fazer. É algo que requer um conhecimento mais profundo de psicologia da aprendizagem e seria melhor desenvolvido com parcerias nessa área. O projeto TIC em 3D é desenvolvido na escola, em sala de aula de TIC ou em projecto interdisciplinar, recaindo sobre mim o esforço de o levar em frente. Note-se que desde que comecei a levar portáteis para as aulas de EVT até agora já seis anos se passaram, com uma tese de mestrado pelo meio que incidiu sobre o tema e abriu muitas das portas para vertentes de actuação que permitem resultados supreendentes. Como os mundos virtuais, ou o VRML, que apesar de ser uma tecnologia datada facilita muito este tipo de trabalho. Mas subscrevo. Uma coisa é perceber que algo tem um enorme potencial. Outra é provar, e isso é um trabalho imprescindível.

A estratégia de candidatura a colóquios e congressos insere-se na necessária vertente de divulgação deste projecto desenvolvido no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro. Por muito interessante que sejam projectos desenvolvidos na escola nada têm a ganhar se ficarem encerrados dentro da sala de aula ou dentro dos limites locais das escolas. Há que divulgar, e isso implica arriscar a participação em eventos que possibilitem divulgação. E confesso que dá gosto falar disto noutros contextos, quer a professores quer a outros. Neste ano foram conseguidas algumas vitórias neste esforço. Conseguiu-se apresentar as TIC em 3D no congresso da Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual, que permitiu fugir da área das TIC na Educação e falar do tema a docentes cujas preocupações se prendem mais com a estética, criatividade e expressão artística, despertando para as possibilidades do computador nestas áreas e sublinhando o transvasar dos limites da organização curricular em disciplinas sentidas como estanques apesar de formarem um todo coerente. Também estivemos presentes na Lisbon Mini Maker Faire, completamente fora dos contextos educativos tradicionais, o que permitiu falar e divulgar a públicos cujo contacto com o mundo da educação é reduzido. O feedback recebido foi estimulante e, curiosamente, vi nos comentários dos visitantes espelhadas as preocupações com a criatividade, incentivo vocacional e capacidades de abstracção visual. É muito importante, creio, sair dos recantos habituais e confrontar com a opinião daqueles que estão fora dos meios ou nichos educativos.

Infelizmente o TIC Educa calha nos mesmos dias do Fórum Fantástico, o que implica fazer escolhas, e as questões do imaginário ficcional também me são importantes. Por isso vou ser obrigado a deixar para trás o TIC Educa. Tenho pena, mas ubiquidade é uma competência que ainda não desenvolvi. Este ano foi de recompensadoras vitórias. Espero, francamente, que seja um prenúncio de continuidade e não um canto de cisne. Pela parte que me toca o trabalho continua e os braços não vão baixar. Nunca pretendi que isto fosse um projecto daqueles que teve o seu momento de glória e ao qual depois não foi dada continuidade. Sabem bem do que estou a falar. Quantos projectos não deparamos que nos são mostrados como tendo sido vencedores de concursos, elogiados por entidades ou premiados num determinado ano, mas que depois estagnaram, não evoluíram ou ficaram-se por aí?

Acho que o próximo TIC Educa é em 2016. E que tal concorrer com este projecto levado à impressão 3D? Boa ideia?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Planos

Professor, só vamos ter TIC no segundo semestre. Mas já estou a planear o trabalho que vou fazer para si. Coisas que sabem bem ouvir. Quem me disse isto foi o aluno que gosta de trabalhar com motion design e que já no ano passado me fez um trabalho inesperado e interessante. Bem, vou aguardar o resultado do planeamento criativo.

As TIC em 3D na Lisbon Mini Maker Faire


Ao passar pelo átrio... eis-nos projectados nas paredes do Ciência Viva! Uma foto que alegrou muito os alunos que estão aqui representados de forma necessáriamente anónima pelos seus projectos.

Encerramos a participação do projecto As TIC em 3D/3D Alpha na primeira Lisbon Mini Maker Faire, que de mini teve muito pouco. Cem participantes, cerca de dez mil visitantes, três dias muito intensos e recompensadores. Resta-nos fazer o balanço deste momento, reflectir nas possibilidades despertadas e agradecer àqueles que nos possibilitaram dar este passo. Podem ver aqui um apanhado fotográfico da nossa participação e visita à Lisbon Mini Maker Faire.


Este foi o nosso espaço durante dois dias. Protegido do vento e da chuva pela estrutura de um hackerspace lisboeta, ao pé do centro Ciência Viva de LagosDigital Fabrication Lab da Universidade do Porto, Mafralab, A Batuta é Tua e Fotão a Fotão Tenho a Ciência na Mão. Um espaço necessariamente simples, com vários computadores a demonstrar algumas das actividades já dinamizadas neste projecto.


Alguns dos nossos projectos em exposição. Fazia falta um kinect ou leap motion para possibilitar a manipulação dos objectos virtuais, mas temos de trabalhar com as ferramentas de que dispomos.

O primeiro objectivo era mostrar exemplos do que crianças e jovens têm desenvolvido no âmbito deste projecto. Expostos estavam trabalhos em Sketchup, modelos virtuais em VRML, mundos virtuais, animações 3D, registos de experiências com 3D scanning e realidade aumentada. Num evento dedicado ao espírito Maker, onde estavam em exposição os mais variados projectos de impressão em 3D, robótica, prototipagem, arduino, electrónica criativa e outros mirabolantes usos de electricidade, componentes e programação, o espaço das TIC em 3D no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro dependeu muito da interacção pessoal com os visitantes.

Com pouco que manipular e muito para mostrar, conversámos com quem nos visitou, explicando as vertentes do projecto. O primeiro passo foi sempre o de sublinhar que o exposto foi criado por crianças e jovens, e em seguida abordar as diferentes experiências já feitas do domínio da modelação 3D, mundos virtuais, animação 3D, realidade aumentada e 3D scanning. Referimos que a faixa etária dos alunos envolvidos vai dos 8 aos 15 anos, o que despertou comentários de incredulidade da assistência. Explicámos a metodologia de base, envolvendo uma componente de aprendizagem elementar de aplicações de modelação e animação 3D que depois é levada ao trabalho de projecto, podendo apostar na interdisciplinaridade, expressão pessoal ou abordagem directa às metas curriculares sempre enfatizando a utilização criativa e não passiva de meios digitais.

Neste aspecto o foco das nossas apresentações estava no potencial de trabalho interdisciplinar, observando que muitos dos trabalhos expostos reuniam aprendizagens de TIC, Ciências da Natureza e Português materializadas em produtos únicos. Outros abordam de forma diferenciada as metas curriculares de TIC, em particular do domínio do tratamento de informação e produção de documentos que aqui pode ser feito através de pesquisa, estruturação de metodologias de trabalho e recriação em 3D. Também referimos o potencial de estímulo ao desenvolvimento da percepção visuo-espacial, o incentivo á utilização das TIC sob uma perspectiva de criação e não de consumo, o despertar de vocações através da introdução precoce de tecnologias complexas que possibilitam às crianças que revelam aptidão para estas áreas começar mais cedo a desenvolver os seus interesses. Sendo mais específicos, observámos e demonstrámos a importância do pensamento e conhecimento geométrico aplicado de forma lúdica e criativa neste tipo de aprendizagem.


Mais do que expor, a oportunidade permitiu divulgar e falar com os visitantes. E, porque não, uma vez que este projecto ensina 3D a crianças e jovens, mostrar aos visitantes mais pequenos que afinal é fácil e divertido modelar em 3D? Sempre que possivel desafiámos os visitantes mais novos a mexer e aprender, de forma rápida, como utilizar aplicações 3D. Há algo de mágico no sorriso de crianças e adultos quando vêem a facilidade com que no Sketchup se criam formas tridimensionais a partir de superfícies. A partir daí foi incentivar a mexer, e chegámos a ter visitantes que vieram ter conosco nos dois dias para criar objectos em 3D.

Muitos dos visitantes tinham conhecimentos sobre este tipo de tecnologias. Por um lado ficaram surpresos com a possibilidade de crianças as poderem utilizar, por outro referiram a importância deste estímulo à aprendizagem para dotar os alunos de competências para o século XXI. Perguntaram-nos muitas vezes se éramos uma empresa, mas não, somos escola. Perguntaram se éramos um clube ou iniciativa de colégio, mas não, somos escola pública e este trabalho é desenvolvido em aula. Perguntaram se dávamos cursos ou desenvolvíamos software, mas não, trabalhamos com alunos do Agrupamento e utilizamos software já disponível com um largo espectro de aplicações do vasto domínio do 3D. Perguntaram se isto era comum em todas as escolas, e não, não é, mas aproveitamos o momento para falar de outros projectos e iniciativas pedagógicas nos domínios de robótica e programação para crianças que mexem com uma cada vez maior diversidade nas escolas portuguesas. Num momento em que a escola pública e a educação em geral navega por águas turbulentas, esta foi uma oportunidade para, fora do habitual contexto local ou ligado à educação, mostrar exemplos do que se faz na escola. Surpreender, divulgando.



Filhos e pais, intrigados e a descobrir. Até os adultos podem aprender a mexer um bocadinho no 3D.

O melhor deste tipo de eventos é colocar em contacto pessoas com diferentes experiências e com isso abrir espaço a novas ideias. Despertámos a atenção de elementos da beeverycreative, Coder Dojo Lx, FabLab Aldeias de Xisto, makerspace Maquijig, KitNaWeb, Inov-E, entre outros. Talvez daqui saiam possibilidades de colaboração que permitam dar novas dimensões às TIC em 3D. Porque nos falta o passo seguinte. Num evento dedicado ao making, ao fazer, mostrámos apenas o conceber, que é também um momento importante. Foi-nos referido por visitantes que por muito fascinantes que sejam as capacidades e resultados da impressão 3D, faltava-lhes o elemento estético que o nosso projecto trazia. Materializar as criações dos alunos é um passo lógico e necessário que queremos dar, e para o qual já estávamos à procura de meios para o fazer. Este momento de partilha potenciou mais estas possibilidades. Poderemos pensar em desafiar makerspaces para imprimir as criações em 3D dos alunos, convidar ao desenvolvimento de mostras e workshops locais, ou outro tipo de iniciativas que levem o criar em 3D às crianças e jovens.


Foram três dias intensos, cansativos mas recompensadores. Três dias a aprender muito, a divulgar uma experiência artística/pedagógica/digital que, nos momentos de reflexão enquanto se fala com as pessoas que nos vieram visitar, se percebe já acumula anos de trabalho. Três dias de explicações e discussões sobre as TIC na escola com todo o tipo de visitantes e em várias línguas. E ainda se arranjou tempo para por um sorriso e um brilhozinho nos olhos de crianças que pegaram no rato e perceberam que afinal ‪o 3D‬ é simples e divertido. E nos dos seus pais também. Terminou. Ponto final neste desafio e venham os próximos. Alguns já estão programados e em breve serão revelados, outros poderão surgir desta presença na MakerFaire.

Para terminar, deixo um agradecimento à ‪organização da Lisbon Mini Maker Faire‬‪‬, um abraço aos vizinhos ‪do Mafralab‬ (finalmente cruzámo-nos!) e Inov-E‬ (partilhamos a vontade de inovar na educação com recurso ao uso inteligente da tecnologia). Também agradeço à direcção do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro por todo o apoio que tem dado e aos professores que me têm desafiado ou sido desafiados ao longo destes anos nos projectos que saem da minha sala de aula. Mas o grande agradecimento vai para os alunos que me têm surpreendido consistentemente ao longo dos anos. Sem eles isto nem existiria ou faria sentido. É a criatividade, entusiasmo e vontade de aprender que noto ao trabalhar com eles aquilo que realmente me motiva. Não é por acaso que o projecto se intitulou TIC Tridimensional no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro. Isto posto desta forma faz parecer que o projecto encerrou, mas não. Longe disso. Iniciou um novo ano lectivo e já há ideias a explorar. Muito em breve os alunos de sétimo ano vão começar a aprender em 3D, e se a sorte favorecer poder-se-á começar a experimentar o materializar do virtual através da impressão 3D. Pelo menos extensão à realidade aumentada e 3D scanning estão assegurados.

A sensação final é boa. E agora as ‎Tic‬ em 3D no ‪Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro‬ fazem o signing off da primeira  +Lisbon Mini Maker Faire. Quase dez mil visitantes. Espantoso. Foi muito bom ter cá estado. A seguir iremos estar em Setúbal num encontro sobre clubes de informática, programação e arduino nas escolas (brevemente divulgaremos) e, claro, recomeçaram as actividades lectivas e já há novos projectos para iniciar. Até ao próximo desafio para as TIC em 3D!