Espaço dos projetos TIC em 3D, Fab@rts - O 3D nas mãos da Educação!, Laboratório de Criatividade Digital - Clube de Robótica AEVP e outros projetos digitais desenvolvidos no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro.
sábado, 5 de novembro de 2016
Instantes
O projecto que tem ocupado a impressora das TIC em 3D ao longo da semana: imprimir três cópias desta recriação da fachada do convento de Mafra, criada no Tinkercad por dois alunos do sétimo ano, no segundo semestre do ano passado.
No LCD_AEVP, o grupo de robótica está a dar nova vida ao nosso velhinho RCX.
O grupo de impressão 3D do LCD_AEVP está a ser preparado para tomar conta do processo de impressão.
Drones e fitas métricas? Este grupo do LCD_AEVP andou a testar quantos metros por segundo voa o drone com diferentes potências de motor. Tudo programado no Tynker, claro.
Uma primeira vez para as TIC em 3D: imprimir um objecto articulado que sai da impressora pronto a utilizar. Não foi modelado por nós, é o primeiro objecto a ser impresso do concurso Codeweek 3D: Imprime o Teu Brinquedo. É uma das mais fantásticas possibilidades desta tecnologia, o imprimir objectos articulados directamente numa só impressão. A BEETHEFIRST do Centro de Recursos foi a responsável por esta primeira vez do nosso projecto.
Na aula de TIC, os alunos de oitavo ano iniciam-se na modelação 3D com o FormIt da Autodesk, em tablets. O objectivo é o de participar no projecto eTwinning Rainbow Village.
O projecto não se esgota nas aulas de TIC. Em Educação Visual, estão a projectar casas futuristas sustentáveis.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Sketchup como herramienta educativa
Adorei:
"¿Tienes un futuro arquitecto o ingeniero de 8 años? ¿Quieres potenciar sus habilidades técnicas? Te mostramos cómo usan en Portugal el modelado 3D con SketchUp para potenciar la creatividad en los colegios e institutos."
Aquele artigo de há dois anos atrás para a Sketchup Magazine, Teaching with Sketchup: using 3D to spark creativity in children, ganhou nova vida numa tradução espanhola. Entretanto, as aventuras na impressão 3D tornaram-se preponderantes mas o Sketchup não deixa de ser uma das ferramentas de trabalho nas TIC em 3D, apesar de ainda não ter conseguido desenvolver técnicas que facilitem a impressão 3D a partir de modelos do Sketchup.
Quando aos potenciais leitores espanhóis deste artigo traduzido como Sketchup como herramienta educativa (nem sabia que tal tinha acontecido, mas o trabalho desenvolvido e divulgado nesta página está devidamente creditado), como é que se diz em espanhol espero que aproveitem, e se inspirem!
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Workshop Introdução à Impressão 3D - Lisboa
No próximo dia 26 de novembro, sábado, estaremos no Museu das Comunicações para partilhar conhecimentos sobre impressão 3D. Três horas é pouco tempo, mas dará para mostrar como se modela em 3D, como se prepara uma impressão com validação de STL para garantir que o resultado final corra pelo melhor, e como podemos usar esta tecnologia ao serviço das aprendizagens.
Para mais informações e inscrições, visitem a página da ANPRI - Ação de Curta Duração: Introdução à impressão 3D, Lisboa.
Vencedores do Imprime o Teu Brinquedo
Depois de uma semana de votação, já sabemos os vencedores do concurso Codeweek 3D: Imprime o Teu Brinquedo.
Cá estão os resultados da votação do concurso Codeweek 3D:
Codeweek 3D 01 - 2 votosO primeiro classificado é o projeto 10, seguido dos projetos 09, 08 e 13. O próximo passo é aquecer as impressoras e tornar tangíveis as escolhas dos alunos que frequentam o Centro de Recursos.
Codeweek 3D 02 - 1 voto
Codeweek 3D 04 - 1 voto
Codeweek 3D 07 - 5 votos
Codeweek 3D 08 - 6 votos
Codeweek 3D 09 - 20 votos
Codeweek 3D 10 - 29 votos
Codeweek 3D 12 - 1 voto
Codeweek 3D 13 - 6 votos
Codeweek 3D 14 - 4 votos
Codeweek 3D 16 - 1 voto
Codeweek 3D 18 - 3 votos
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| Projecto 10 |
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| Projecto 09 |
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| Projecto 08 |
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| Projecto 13 |
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Codeweek: Imprime o Teu Brinquedo
Isto é o que acontece quando se soltam alguns tablets e o Thingmaker Design nos intervalos do Centro de Recursos Poeta José Fanha, se anuncia um concurso de modelação 3D, e se deixa qualquer um participar. A pré-selecção mostrou mais de vinte trabalhos, e de fora ficaram mais algumas dezenas por estarem incompletos. Agora resta seleccionar os três melhores, e imprimir. Os vinte e dois projectos a concurso podem ser vistos aqui: Codeweek - Imprime o Teu Brinquedo em 3D.
(Diga-se que os alunos de 5º. ano perguntam todos os dias se os deles já estão impressos...)
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Instantes
No arranque do LCD_AEVP, iniciando os alunos do Laboratório na impressão 3D.
Outra das vertentes do LCD_AEVP é a robótica. É desta que este velhinho RCX regressa à vida.
Esta semana, o makerspace do Centro de Recursos iniciou actividade. A impressão 3D, numa óptica de promoção da literacia informacional.
Uma das nossas iniciativas Codeweek envolvia a modelação para impressão 3D utilizando tablets. Confesso que não me oriento no 123D Sculpt. Já os alunos não se queixam do mesmo.
O makerspace da Biblioteca não estaria completo sem bibliografia apropriada.
Impressão a impressão recupera-se o atraso. Mais um trabalho do ano passado a ficar pronto.
No âmbito da Codeweek, desenvolvemos actividades de introdução à programação com alunos do 8º. ano. E, porque não, de mais qualquer coisinha. Arduino parece-nos uma excelente nova aventura.
sábado, 22 de outubro de 2016
Dica F@b #03: Dizimar Malhas Poligonais
Socorro! Na imagem, o modelo 3D parecia perfeito. No computador, é muito pesado, e ao enviar para a impressora 3D o software demorou demasiado tempo para fazer o slicing, a impressão correu mal, ou crashou continuamente. O que é que se passa?
É um problema comum nos objectos 3D que encontramos online. Todos os modelos 3D são constituídos por uma superfície definida por triângulos, chamada malha poligonal (mesh, em inglês). Quanto maior o número de triângulos que define o objecto, melhor a sua perfeição. Ter modelos 3D com elevados números de polígonos é desejável, mas por vezes pode-se tornar problemático. Quanto maior for o número de triângulos, maior será o tamanho do ficheiro e as necessidades de memória RAM do computador para o processar (quer em rendering quer em slicing).
Existem técnicas que permite diminuir o número de polígonos de um modelo 3D, tornando-o mais leve e fácil de processar. Vamos mostrar uma, utilizando os recursos do Meshlab. Nesta dica F@b, utilizámos um modelo 3D de estatuária suméria digitalizado e disponibilizado pelo British Museum.
Primeiro, importamos o modelo 3D para o Meshlab com o comando Import Mesh do menu File.
No painel do Meshlab podemos saber quantas faces tem a malha poligonal.
Se o modelo tiver textura associada, podemos visualizar a malha poligonal clicando em wireframe nas opções de visualização.
Para diminuir o número de polígonos do modelo, vamos aplicar o filtro Quadric Edge Collapse Decimation, disponível no submenu Remeshing, Simplification and Reconstruction do menu Filters (filtros). O Meshlab dispõe de uma enorme quantidade de recursos para processar modelos 3D.
O filtro define de forma automática a diminuição para metade do número de polígonos. Na opção Target Number Of Faces podemos definir para quantos polígonos queremos que a redução seja feita. A qualidade da malha poligonal pode ser controlada nas opções do filtro.
A diminiução da contagem de polígonos torna o modelo mais leve, mas retira-lhe realismo. Podemos ir executando gradualmente este processo, até atingir o resultado desejado.
Quanto menor o número de polígonos, mais facetado ficará o objecto.
Para finalizar esta dica F@b, reduzimos o número de polígonos do modelo para 25 000.
Exportamos o modelo com a opção Export Mesh As... do menu File. No formato, escolhemos ficheiro STL. Uma das melhores ferramentas do Meshlab é a facilidade com que converte entre formatos de ficheiros 3D.
Uma análise do STL no netfabb (procedimento que recomendamos para certificar que a impressão 3D vai ser bem sucedida) mostra que o modelo não tem problemas a corrigir.
Só falta imprimir, e levar para a sala de aula. Com esta técnica, podemos assegurar que a impressão de um modelo 3D pesado será bem sucedida.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Codeweek@AEVP
Ainda não foi este ano que conseguimos dinamizar um evento Codeweek mais abrangente. Ficámos por algumas iniciativas pontuais, mais a marcar simbolismo do que divulgação intensiva. As obras na escola, com os problemas de rede e infraestrutura que levantam, impediram o desenvolvimento de atividades mais ambiciosas. Gostaríamos, por exemplo, de desenvolver workshops de 3D e game design com Scratch no Centro de Recursos, mas não nos foi possível.
Não queríamos deixar de assinalar o evento. Já é normal fazer coincidir o arranque das atividades de introdução à programação com as turmas de TIC nesta data (no que toca à Programação 1CEB, ainda estamos a finalizar a organização). Foi também hora de iniciar percursos de aprendizagem com Arduino.
Aproveitámos também para iniciar o clube de programação e robótica do AE Venda do Pinheiro. Na primeira sessão do LCD_AEVP, um grupo de alunos do 5º. ao 9º. ano vieram descobrir o que poderão fazer no Laboratório. Impressão 3D, robótica com Legos e programação de drones são as vertentes por onde iremos iniciar. Os alunos participantes serão livres de escolher o que querem experimentar e desenvolver. O LCD não é mais uma aula, é um espaço de atelier tecnológico onde, dentro das condicionantes que lhe são inerentes, esperemos que os alunos desenvolvam a sua criatividade utilizando meios digitais.
Finalmente, iniciámos as actividades do Fab@rts, montando um espaço de impressão 3D no Centro de Recursos. Os tablets já estão a ser utilizados pelos alunos, quer no âmbito do projecto quer noutras vertentes, e sabemos que há muitos aderentes ao concurso de modelação 3D com o Thingmaker Design que lançámos durante esta Codeweek. Só faltava dar visibilidade à impressão 3D, e envolver directamente os alunos nos processos técnicos de impressão.
Não desenvolvemos actividades muito abrangentes, mas nesta Codeweek, o agrupamento ganhou um Laboratório de Criatividade Digital e abriu um makerspace na biblioteca escolar. Momentos simbólicos para novos passos destas aventuras entre a pedagogia, a criatividade e a tecnologia.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
E se ao entrar na Biblioteca...
... vir uma impressora 3D, sim, tranquilize-se. Está mesmo numa biblioteca.
Ainda não temos as condições desejáveis no espaço do Centro de Recursos, mas sentimos que não podíamos esperar mais. Iniciámos hoje a estruturação do nosso espaço Maker, criando para já um cantinho dedicado ao 3D. A impressora e o computador irão estar acessíveis, chegou ao CR bibliografia específica, e os tablets estão a ser utilizados pelos alunos, que estão a descobrir o 3D no Thingmaker Design.
Estava na hora. Não houve inauguração nem cerimónia, simplesmente montámos o sistema e colocámos a imprimir. Agora é esperar que a curiosidade dos alunos faça o resto, gerando massa crítica de utilização. E a partir daí começar a crescer. O LCD_AEVP, Laboratório de Criatividade Digital que irá em breve arrancar no espaço, poderá dar uma ajuda...
Para já, temos no Centro de Recursos Poeta José Fanha um cantinho dedicado ao 3D. É o primeiro passo. Aproximar, possibilitar contacto, despertar a curiosidade. Sem grandes cerimoniais, mas quando a impressora iniciou o primeiro trabalho de impressão na biblioteca, havia um sentimento de a small step for a man...
domingo, 16 de outubro de 2016
LCD_AEVP
Iniciamos no próximo dia 21. Finalmente. Se as TIC em 3D têm desenvolvido as suas actividades em contextos estritamente de sala de aula, já sentíamos há algum tempo a necessidade de um espaço e de um tempo que permitisse aos alunos mais interessados desenvolver as suas capacidades e conhecimentos para além dos níveis introdutórios possíveis na aula. Sendo mais específico, o desafio partiu de alunos que aproveitam tempos livres para estar connosco, a querer aprender mais. Estava mais do que na hora de responder a esta necessidade.
A fasquia parece alta, mas o objectivo é simples. Queremos colocar estes alunos a brincar com tecnologia, naquele sentido que Papert lhe deu. Sabemos que alguns alunos irão preferir drones e robots, outros pediram expressamente para trabalhar com impressão 3D. Arduino é o desafio para o professor, que ao longo deste anos de atividades nas TIC já descobriu que a melhor maneira de aprender algo é perder o medo, levando-o para os alunos mesmo que não se domine a tecnologia. Funcionou com a linguagem Scratch...
Para já arrancaremos com cerca de dez alunos, que esperamos que se tornem um núcleo de crescimento, bem como de apoio e monitorização ao projecto Fab@rts (que, por causa do uso do espaço do Centro de Recursos como sala de aula temporária até ao final das obras na escola, está a meio gás).
Não lhe queremos chamar clube. Preferimos a metáfora do atelier, porque tentamos intervir na fronteira entre tecnologia e criatividade. Talvez se consiga estabelecer as bases de um makerspace criativo e educativo. Este laboratório de criatividade digital é uma nova e estimulante aventura deste projeto.
Workshop de Impressão 3D - Ílhavo.
"Interdisciplinaridade resume muito bem a utilidade deste tipo de ferramentas."Este comentário, deixado por um dos formandos, resume bem uma das mensagens que tentamos transmitir nestas sessões. A tecnologia é uma linguagem transdisciplinar fantástica, que abre enormes possibilidades quando se conjugam diferentes áreas. Neste sábado, por Ílhavo, numa acção de curta duração promovida pela ANPRI com apoio da BEEVERYCREATIVE, que cedeu a impressora 3D BEEINSCHOL A para o workshop. Estavam presentes cerca de vinte participantes, professores de informática da zona norte e centro, que experimentaram em três curtas horas os processos de impressão 3D, desde a modelação à impressão, passando pela manutenção de impressora e validação de malhas poligonais. Este tipo de acções é muito intensiva, mesmo sendo num nível introdutório.
Antes:
- montar espaço com objetos impressos em 3D dos alunos;
- colocar a imprimir recordações - pin steampunk.
Desenvolvimento:
1 - Tinkercad
- ligar ao wifi do espaço;
- aceder ao Tinkercad, criando conta;
- chrome://flags -> web GL (activar o WebGL no Chrome)
- demonstrar Tinkercad:
- espaço de trabalho
- controle do rato (órbita, zoom, pan)
- workplane
- primitivos e formas paramétricas
- modificações 3R (rotate, resize, reposition)
- duplicar com inferências
- deformações (proporcional, não proporcional, simétrica)
- operações booleanas (sólido/hole)
- grupos
- formatos de exportação (STL/OBJ/VRML-X3D, Minecraft, SGV)
- partilha e licenciamento (uso em aula: aluno só partilha trabalho que deseja ver avaliado, privacidade garantida, abordagens à propriedade intelectual e remix culture).
- Desafio: modelar um porta-chaves.
2 - Do STL ao objeto impresso
- seleccionar um STL criado pelos participantes (partilhar projecto do Tinkercad e enviar url por email);
- abrir cópia no Tinkercad e descarregar STL;
- processar STL no netfabb
- scale
- mesh validation
- deteção e correção de erros
- export
- processar STL no Meshlab
- mesh reduction
- conversão entre formatos 3D
- imprimir no beesoft
- espaço de trabalho e ferramentas
- importar STL
- opções de impressão (resolução, densidade, raft, suportes, estimar)
- imprimir
3 - apresentação 3D printing.
Fotos do evento aqui: Wks_Ílhavo.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Entre Espaços: a Escola e o Cinema
Uma visão diferente da Sala Félix Ribeiro, na Cinemateca. Estar lá não para ver filmes, apesar do dia ter terminado com uma sessão de cinema, mas a ouvir falar sobre cinema e educação. Foi a segunda conferência do Plano Nacional de Cinema, com o tema Entre Espaços: a Escola e o Cinema. Reunidos no espaço da Cinemateca estavam muitos dos professores que, nas escolas, desenvolvem actividades no âmbito deste projecto.
Ainda sinto como inquietante ver um representante do ministério da educação a falar a professores, e concordar com o que diz. Traumas dos últimos oito ou nove anos de dirigentes ministeriais. Registei o interesse reflectido nas palavras de João Costa no potencial das artes na educação, até agora tão desperdiçado e desconsiderado. Já o tinha registado em discursos similares que ouvi em encontros ligados às tecnologias na educação. Pessoalmente não tenho ilusões que, tão cedo, se consiga quebrar a pedagogia dos exames, com todas as consequências negativas que traz a um sistema de ensino que se foca nos resultados a curto prazo e deixa de ter tempo para pensar na formação alargada dos alunos. Pelo menos, o discurso oficial deixou de ser o da exigência e rigor de vista curta e está a abrir-se à diversidade de experiências, a uma visão integral da educação, e aos desafios da complexidade de preparar os alunos de hoje para um amanhã imprevisível.
A conferência de abertura foi um momento de prestígio, com Maria Emília Brederode e Guilherme d'Oliveira Martins a partilhar o seu amor pelo cinema, artes e educação. Ajudaram a mostrar a importância de alargar horizontes, de não reduzir a aprendizagem ao utilitarismo, mas, essencialmente, partilharam as suas paixões nestes domínios. É que realmente nos cativa.
No painel seguinte, os cineastas Luís Filipe Rocha, Margarida Cardoso e Pedro Serrazina, moderados por Jorge Leitão Ramos, discutiram a importância do Plano Nacional de Cinema na formação de novos públicos e estímulo à cultura. Preocupou-me o tom conservador do debate, muito centrado numa visão do que era o cinema e do que eram os alunos. Tom esse que, refira-se, já tinha sido aludido na sessão de abertura, com a directora do ICA, ao falar sobre o digital, a registar que devemos combater estes novos meios, porque o cinema deve ser visto em sala de cinema. Uma frase que me preocupou, dando a entender que os responsáveis pelos financiamentos e políticas culturais vêem os novos media como uma ameaça e não nova vertente de actuação. Fechar-se e combatê-los como ameaça não os fará desaparecer, mas pode colocar em causa o futuro das organizações que assim procederem.
Deste debate, saliento o tom questionador de Luís Filipe Rocha, que soube contrapor a um certo conservadorismo uma visão de mudança. Perante questões como o deficit de atenção dos alunos de hoje, a dispersão multi-plataformas, ou a promoção de públicos, falou da questão do interesse e do papel da escola na formação de gostos culturais. Sobre isto, algumas notas: a questão do défice de atenção parece-me demasiadas vezes ser levantada por saudosistas de bons velhos tempos em que as crianças podiam estar distraídas, mas mantinham-se num silencioso respeito interpretado como atenção. Se é que alguma vez isto foi assim. No que toca à formação de públicos, apontada no painel como desastrosa, pergunto-me exactamente que públicos pretendem. Tenho tido a experiência oposta, visitando festivais de cinema que esgotam as sessões, ou participando em festivais culturais que não só atraem público jovem como dependem em larga medida de núcleos culturais dinamizados por jovens. Talvez esta questão da formação de públicos tenha, de certa forma, com a formação de públicos para um certo tipo de cinema privilegiado pelos meios culturais portugueses, com a sua clássica rejeição de culturas de género ou produtos mediáticos que não se enquadrem numa visão erudita mas restrita. Poderia recordar o caso do cineasta António de Macedo, que se fizesse o tipo de filmes que caracterizou a obra de Manoel de Oliveira ainda hoje faria cinema, mas que por preferir temas desprezados pelos responsáveis pelos financiamentos estatais se viu forçado a deixar de filmar.
Os discursos conservadores costumam encontrar terreno fértil em agregados de professores. Fale-se em catástrofes porque os jovens de hoje não têm a cultura de antigamente, ou que são desatentos e inquietos, e logo se vê um coro de cabeças a acenar em concordância. Pessoalmente, não creio que estas questões sejam assim tão lineares. Vejo o entusiasmo dos meus alunos com literatura ou filmes, ou os dos grupos de cosplayers e jovens criadores que enchem eventos. Não é um entusiasmo com o gosto cultural tido como desejável, mas é entusiasmo gerador de cultura. Por outro lado, dietas mediáticas exclusivas em culturas de género não são saudáveis. Perde-se a riqueza do confronto de perspectivas, gostos e visões. Duas questões concordo inteiramente: o papel da escola como espaço de formação de gostos, não por imposição mas por exposição, e a inevitabilidade da sala de cinema enquanto espaço privilegiado para se perceber o real impacto desta forma de arte. Hoje, podemos ver filmes em múltiplas plataformas, momentos e dispositivos. Ainda bem. Democratiza, permitindo o acesso a obras esquecidas, raras, ou com pouco interesse comercial. Mas o acto de ver cinema tem muito de social, de isolamento do real num espaço físico concebido para fruir desta arte. É algo que não escapa aos estúdios nestes dias de fragmentação. Suspeito que o ressurgir dos filmes de Ficção Científica, ou os de aventura, com a sua promessa de grande espectáculo só verdadeiramente perceptível em grande ecrã, se deva a isto. Vertentes que o Plano Nacional de Cinema incentiva nas suas acções.
À tarde, coordenadores do PNC de três escolas participantes partilharam as suas iniciativas e metodologias. Este foi o momento mais proveitoso, de um ponto de vista utilitário, do congresso, permitindo analisar como outros implementam o projecto nas suas escolas, como conseguem a adesão dos professores e alunos, apoio das direcções e entidades locais, o que fazem efectivamente. Saí desse momento com algumas ideias e, mais importante, as colegas que me acompanham nesta aventura, para a qual tenho muito pouco tempo, saíram cheias de ideias (temos um acordo de cavalheiros, motivado pela gestão de tempo: elas desenvolvem actividades, eu assino, dou a cara, mas nunca me esqueço de as creditar e reforçar que quaisquer actividades desenvolvidas são possíveis graças ao seu empenho).
Um congresso sobre educação e cinema só poderia terminar com uma sessão de cinema. Aproveitando a iniciativa da Cinemateca das double bill ao sábado à tarde, assistimos aos filmes La France de Serge Bozon, e o clássico Casablanca de Michael Curtiz. Por razões eminentemente g33k, sempre que me falavam em double bill só me apetecia cantar o Science Fiction Double Feature, que arranca o Rocky Horror Picture Show (esse filme que mostra tão bem o como o cinema é enriquecido pela experiência social). Terminar o encontro com o mergulho na magistral textura cinematográfica de Casablanca foi o melhor encerramento possível, um que faz sentir a real razão de todos os que estão envolvidos no Plano Nacional de Cinema se dedicarem a este projecto. A paixão, difícil de colocar por palavras, pela sétima arte.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Europe Code Week 2016: Creative Techies.
As TIC em 3D/Fab@rts não podiam deixar de se juntar ao evento Europe Code Week. Não nos focamos na programação, exclusivamente, mas este evento também abrange outras utilizações criativas das tecnologias digitais. Este ano, participamos com desenvolvimento de introdução à programação em Scratch em TIC (por feliz coincidência, as datas da Codeweek integram-se na planificação), e com um concurso de modelação 3D para os frequentadores e utilizadores assíduos dos tablets do Centro de Recursos. Queríamos fazer mais, como uma aula aberta/demonstração de game design no Scratch, mas as afinações em falta nos nossos espaços intervencionados não o permitem. O nosso evento chama-se Creative Techies, porque as tecnologias são, acreditamos, uma nova linguagem de expressão criativa.
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