terça-feira, 10 de outubro de 2017

ESA Autumn Teachers Workshop


Passámos o final da semana passada a ter uma experiência extraordinária: participar num dos workshops bi-anuais promovidos pelo departamento de educação da Agência Espacial Europeia. Decorreu na cidade holandesa de Leiden, durante quatro dias muito intensos, entre sessões de trabalho prático, palestras de especialistas, partilhas informais e uma visita ao ESTEC, o núcleo de pesquisa da ESA sediado em Noordwijk. Este evento reuniu cerca de cinquenta professores vindos dos vários países da União Europeia ou associados à Agência Espacial, escolhidos entre cerca de duzentas candidaturas vindas de toda a europa. Portugal esteve representado com a participação de cinco docentes. Pelo que nos disseram, fomos um dos países que mais candidaturas enviou, obrigando a um enorme cuidado na seleção dos participantes. Uma informação que eleva a fasquia sobre a nossa presença neste evento.


O encontro decorreu nos espaços do Hilton Garden Hill, nos arredores da cidade de Leiden, onde os participantes ficaram hospedados. Em três dias de sessões de trabalhos intensivas, foram explorados elementos do currículo Learning with Space desenvolvido pelos vários gabinetes de trabalho que compõem a ESA Education. Este conjunto de atividades, muito abrangente, procura estimular a aprendizagem científica com experiências práticas e divertidas, utilizando a exploração espacial como ponto de partida.


Todos os docentes receberam um livro de atividades, com projetos práticos para experimentar em sala de aula, e um kit Learning with Space, com materiais e componentes pensados para desenvolver um conjunto de experiências que tocam nos campos da física e da química. Com uma prenda especial: cada kit traz um cubo de alumínio 6061, uma liga metálica utilizada na construção de naves espaciais. Apenas um, porque como nos explicaram, mais do que isso tornaria proibitivo o custo do kit. Imaginem o quão espantoso é poder pegar num cubo de metal e dizer aos alunos bem, isto é o material de que os satélites são feitos.


As sessões de trabalho foram entrecortadas por palestras feitas por especialistas da ESA, que nos vieram falar dos sistemas de lançamento (os foguetões, traduzindo para os não iniciados nestas coisas), ciência dos materiais (a palestra que, para nós, foi a mais interessante, por ter tocado na linha da frente do desenvolvimento de materiais com impressão 3D), satélites e astronáutica. Estas complementavam o lado prático das atividades, expandido os conhecimentos dos participantes.


E que tal um pouco de espectrografia low cost com CD-Roms e uma câmara escura construída em papel? Este é um dos muitos exemplos de atividades desenvolvidas com estes kits educacionais. Apesar de intensos e numerosos, são uma amostra do que se pode fazer, um foco que teve como lema, nas palavras de Shamira Hartevelt, coordenadora deste programa, don't do ten things in a rush, focus on a few, do two, but do it well. É, diga-se, um bom princípio orientador para workshops.


Devo dizer que, apesar de ter adorado participar neste evento, não sou talvez o tipo de professor mais adequado para o frequentar. Estas atividades estão pensadas para docentes nas áreas das ciências, e são excelentes para desenvolver a cultura científica. No meu caso, como professor com um pé nas artes e outro na informática, não há uma aplicabilidade direta das atividades que experimentei e as minhas práticas em sala de aula. Não há, sequer, correspondência de matérias, tirando a exceção da experiência com programação em Python num Raspberry Pi, a que para mim foi a mais interessante de todas as experiências dos workshops. Outras, como as atividades com o kit Teaching with Space ou a construção de foguetões, permitem expandir a gama de atividades do clube de robótica.

Apesar desta falta de linearidade na aplicabilidade do que aprendi neste evento, senti todas as sessões como muito úteis. Ser professor, hoje, obriga a sair dos limites das área disciplinares de origem e perceber um pouco do que se passa nas restantes. A educação contemporânea, pensando numa preparação mais eficaz das crianças para os desafios de um futuro próximo dominado pela automação, robótica, algoritmia e uma economia em que o elemento fundamental é o conhecimento obriga-nos a pensar de forma multidisciplinar. É aqui que a diversidade de experiências e o afastamento das minhas áreas de trabalho no que toca aos conteúdos deste workshop é uma mais valia. Permite-me, por exemplo, perceber melhor como estruturar projectos interdisciplinares que cruzem TIC e ciências, quer no interesse específico da impressão 3D quer noutras ideias de trabalho em projecto. As partilhas deste Teachers Workshop são uma enorme mais valia para todos os participantes, independentemente da área a que pertençam.


No final dos workshops, dois professores portugueses muito exaustos e recompensados. Eu e Marco Neves, docente de informática no Agrupamento de Escolas da Batalha, com quem já desenvolvemos sessões de introdução à impressão 3D.


Não é todos os dias que se pode conhecer um astronauta. E, com um pouco de paciência, poderia ter ficado a conhecer quase todos os astronautas da ESA que não estão correntemente em missão. Na foto, Jean-Jacques Favier, que voou diversas missões nos Space Shuttles da NASA.


E, muito mais fantástico para quem trabalha em domínios onde o estímulo à diversidade de género é fundamental, conhecer Claudie Haignaré, veterana de missões Soyuz e dos primeiros tempos da Estação Espacial Internacional, primeira francesa no espaço e primeira europeia na ISS.

O momento mais absolutamente fantástico destes dias foi a visita ao ESTEC, centro de desenvolvimento tecnológico da ESA. Coincidiu com o seu dia aberto, única altura do ano em que todos os interessados o podem visitar. Como parte do programa de workshops da ESA, provavelmente poderíamos ter visitado a ESTEC em qualquer altura, mas no dia aberto pudemos explorar sem limitações os espaços do centro. A desvantagem foram as multidões que enchiam os espaços. Parece-nos estranho, vivendo num país onde se os eventos culturais e científicos atraem público que dificilmente qualificaríamos como enchente, ver filas enormes de pessoas à espera para um autógrafo de um astronauta. Fiquei com a sensação que lá, a cultura científica e a paixão pelo espaço, não são domínio de minorias mas uma paixão popular.


Os diferentes espaços do ESTEC estavam acessíveis aos visitantes (com restrições de segurança). Nos corredores, investigadores mostravam e explicavam os projetos de investigação em satélites, astronáutica ou materiais a todos os visitantes. Fiz paragem obrigatória na zona dos especialistas em impressão 3D, e o que lá vi e aprendi, fica para um post específico. Mas tive uma boa surpresa. Imaginem que os investigadores, habituados às máquinas mais avançadas, escolheram uma impressora da BEEVERYCREATIVE para mostrar impressoras 3D FFF. É impossível não sentir uma pontinha de orgulho.


Fisicamente, o impositivo vão do edifício de testes impressiona.


A maior surpresa do ESTEC é o Erasmus Centre, a zona de competência da exploração espacial. Zona que apoia as missões da ESA, onde são desenvolvidas experiências de robótica ou microgravidade, entre outras. O espaço onde há maquetes em escala real, e réplicas, de alguns dos ativos sob controle da ESA.


A família de lançadores da ESA, com destaque para o Ariane 5. O proton russo explica-se com a parceria com a Rússia no lançamento de astronautas para a ISS.


A maquete em escala 1:10 da Estação Espacial Internacional domina um espaço que conta com réplicas do Mars Lander, cápsulas Soyuz, maquetes das ATV e outras naves ou satélites construídos e lançados pela ESA.


Também em evidência, as réplicas dos rovers marcianos.


Noutra zona da ESTEC estava um pavilhão dedicado à indústria astronáutica holandesa, que reunia empresas ligadas à área e entusiastas, como este clube de construção de foguetões.


A 501st Legion, Dutch Outpost marcou presença na ESTEC. Aqui, estes stormtroopers guardam o astronauta alemão Ernst Messerschmid.




Mais alguns detalhes do Erasmus Centre, com o pára-quedas do Mars Lander, detalhe da ISS, e pormenor de um rover lunar autónomo.


O grande destaque estava na réplica do módulo Columbus da ISS, o primeiro módulo construído pela ESA. Estas réplicas e maquetes não são decorativas, são instrumentos de trabalho das equipas de acompanhamento de missão e cientistas que testam em terra as operações a desenvolver no espaço. Quer em órbita, quer na poeira marciana, o espaço é uma zona onde não há margem para erros.


Fim de missão, com três dos portugueses fisicamente cansados mas mentalmente enriquecidos, e com as malas tão pesadas com materiais recolhidos que tivemos de fazer alguma engenharia para não despertar atenções indevidas na companhia aérea, prontos para o voo de regresso em Schiphol. Uma aventura de aprendizagem intensa, que abre portas e dá ideias para novos projetos TIC em 3D/Fab@rts.

European Maker Week 2017


Voltamos a associar-nos à European Maker Week, que irá decorrer entre 23 a 29 de outubro. Este evento europeu, criado pela Maker Faire Rome com o patrocínio da Comissão Europeia, visa estimular a cultura tecnológica, conhecimento científico, criatividade e empreendedorismo tecnológico. A nossa contribuição será uma ação de formação de curta duração para professores, dentro do projeto Fab@rts: O 3D nas Mãos da Educação.

Mas como gostamos muito desta cultura, talvez consigamos propor mais alguma iniciativa.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

TIC em 3D @ Fórum Fantástico 2017


No domingo, fomos fortemente atacados pela lei de Murphy. Apesar do percalço, o saldo que trazemos dos dois workshops desenvolvidos no âmbito do Fórum Fantástico 2017 foi positivo. Este evento decorreu de 29 de setembro a 1 de outubro no espaço da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras.


Sábado ocupámos o espaço de uma das sala de leitura para uma sessão sobre Impressão 3D para Jogos de Tabuleiro. Estava previsto que a sessão decorresse a quatro mãos, em parceria com José Brito, especialista em pintura de miniaturas. Acabou por não acontecer, nas trocas de impressões que fizemos para preparar a sessão concluímos que para o nível de perfeição a que estava habituado, a impressão 3D FFF não era adequada. 


Tocando um pouco na temática do evento, esta acabou por ser uma sessão de conversa e partilha sobre as tecnologias de modelação e impressão 3D, que se estendem para lá do tempo previsto.


Domingo, o desafio era-nos mais próximo. Desenvolver uma sessão para crianças, no espaço infantil da biblioteca. Levámos um Anprino Arthur, que fez as delícias dos participantes.


Tínhamos como objetivo neste workshop testar outra forma de abordar a introdução à modelação 3D. Em vez de partir do zero, trabalhar a partir de um projeto modular, com componentes intercambiáveis, permitindo criar algo com apelo estético mais rapidamente do que com um exercício introdutório. Infelizmente, esta sessão não correu bem, e tivemos de a finalizar antes do previsto. A primeira dificuldade prendeu-se com os participantes, todos crianças com seis e sete anos de idade, publico que não é o nosso habitual, mas ao fim de pouco tempo adaptámo-nos. O que nos obrigou a parar a sessão foi um entupimento da impressora, provavelmente provocado pelo calor que se fazia sentir na sala, e a impossibilidade dos computadores disponíveis na biblioteca correrem o Tinkercad. As máquinas, antigas, congelavam com qualquer manipulação desta aplicação web de modelação 3D.

Se as boas experiências deixam memórias simpáticas, a menos boas são oportunidades de aprendizagem. Os percursos não têm de ser sempre lineares.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Instantes


A acelerar para atingir velocidade de cruzeiro neste ano letivo.


Em TIC, os alunos do primeiro semestre estão a ter a sua primeira experiência de modelação e impressão 3D, aprendendo a criar no Tinkercad.


A nova sala de TIC tem o gabinete de trabalho PTE mesmo ao lado. Agora é fácil integrar a impressora 3D nas aulas. Torna-se possível os alunos criarem um modelo 3D na sala de aula e ir imprimi-lo logo a seguir.


Entretanto, as atividades do Clube de Robótica estão a recomeçar. Reunimos os alunos participantes no ano passado para estruturar projetos e combinar horários. Agora abrimos a novos alunos.


Este ano, vamos apostar noutra dimensão: tabletop games. Talvez consigamos criar um jogo... com imaginação e impressão 3D.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Fórum Fantástico 2017 - Workshops TIC em 3D


De 29 de setembro a 1 de outubro, estaremos na edição de 2017 do Fórum Fantástico, que irá decorrer no espaço da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras. Com um programa muito abrangente, conta com uma grande diversidade de atividades que irá mexer com todos os espaços da biblioteca. A edição deste ano de uma das mais antigas e persistentes convenções dedicadas à Ficção Científica e Fantástico traz muitas novidades e uma aposta decisiva de crescimento. Para além do tradicional programa de painéis e apresentações, conta com um extenso programa de atividades paralelas, com workshops destinados ao público infantil ou aos participantes do Fórum, feira do livro dinamizada pela Leituria, com presença da Saída de Emergência, Dr. Kartoon e Editorial Divergência. A Liga Steampunk de Lisboa associou-se à organização deste evento, sendo responsável pela quarta edição da EuroSteamCon portugal, integrada na programação do Fórum.

 

As TIC em 3D também estão envolvidas. Ficámos encarregues de produzir os Prémios Adamastor de carreira, este ano entregues aos escritores João Barreiros e Luís Filipe Silva. Um projeto que já tínhamos criado em Tinkercad para distinguir o realizador António de Macedo, agora impresso em duplicado para os recipientes do prémio neste ano. Utilizámos filamento PLA Traffic Red e uma impressora 3D BEEINSCHOOL.

No sábado, em conjunto com José Brito, especialista em modelação de kits e dioramas, vamos dinamizar uma sessão de Impressão 3D para Jogos de Tabuleiro

Neste workshop os formadores irão abordar técnicas de modelação e impressão 3D, e técnicas de preparação de peças para jogos de tabuleiro. Para quem quiser construir os seus próprios elementos de jogo, a modelação e impressão 3D são hoje um recurso a considerar. Conhecedores de técnicas de modelação 3D poderão criar e personalizar os seus próprios modelos. Para os que não dominem técnicas de modelação, as comunidades e repositórios online disponibilizam gratuitamente modelos de personagens, veículos, elementos arquitetónicos e outros que podem ser utilizados na construção de dioramas ou tabuleiros de jogo. Tocaremos nos seguintes tópicos: Demonstração de modelação 3D; Técnicas de impressão 3D; Pesquisa em repositórios; Técnicas de preparação e pintura de peças.

No domingo, o público-alvo são as crianças, com o workshop Vamos Imprimir um Robot?

E que tal aprender a criar um robot? Neste workshop, vais aprender a utilizar um programa simples de modelação 3D onde podes criar tudo o que a imaginação te ditar. Em seguida, vais utilizar uma impressora 3D para transformar o teu desenho num objeto que vais segurar nas tuas mãos!

O workshop Vamos Imprimir um Robot desafia os participantes a descobrir o mundo da impressão 3D. Propomos uma atividade simples, modelar um robot, como forma de aprender a modelar em 3D utilizando aplicações simples (Tinkercad). Em seguida, ressalvando-se algumas condicionantes de tempo, os modelos 3D criados serão impressos nas impressoras 3D do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro, cedidas para esta atividade.


Nota biográfica do formador: Acometido por uma estranha epidemia, há alguns anos que Artur Coelho só consegue ver o mundo como conjuntos de formas, superfícies e vetores. Suspeita-se que seja efeito secundário do derretimento numericamente controlado de termoplásticos. Fica perplexo sempre que lhe recordam que vive no século XXI, mas não pode marcar férias na base lunar. Entretanto, leciona bits e átomos no AE Venda do Pinheiro, onde gere os sistemas digitais e coordena o projeto As TIC em 3D.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Tutoriais 3D em vídeo


Aproveitando o mooc Disciplina TIC: Aprendizagens Essenciais da ANPRI, no âmbito do qual dinamizaremos a sessão sobre edição de imagem, vídeo e 3D, estamos a organizar um conjunto de tutoriais vídeo sobre aplicações de modelação 3D.


Para já, Tinkercad e 3DC.io são as abordadas, mas com algum tempo poderemos colocar vídeos sobre outras. Estes tutoriais, procedimentais, replicam a abordagem introdutória que fazemos ao 3D quer em sala de aula quer em sessões de trabalho e formação, quer demonstrando as aplicações quer mostrando o passo a passo de pequenos projetos introdutórios.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Recomeçar.


Recomeçar. Em aceleração com dois workshops de impressão 3D, para públicos distintos.


Domingo, dia 10, estivemos presentes na Spring It Con 2017. Este evento reuniu no espaço do Instituto Superior Técnico fãs de mangá, cosplay, tabletop games e cultura geek em geral. Quem nos conhece sabe o quanto estes ambientes nos inspiram, e um convite da organização era irrecusável.


O desafio era mostrar a impressão 3D como ferramenta para cosplay. Foi uma sessão concorrida, que ultrapassou o número de participantes inscritos (cerca de dezasseis). Não nos centrámos muito na questão de partida, acabámos por fazer uma sessão mais generalista. Deste evento partiram mais alguns desafios, que a seu tempo revelaremos.


Nem houve tempo para retirar a impressora do beepack. Dia 12 rumámos a Vila Franca de Xira, para participar nas V Jornadas Pedagógicas de Vila Franca de Xira. Novamente, sala cheia para uma manhã de partilha dentro da estrutura de trabalho do projeto Fab@rts.


Os objetivos passavam por mostrar o potencial pedagógico desta tecnologia, com especial incidência na modelação, e as suas vertentes de interligação com as Bibliotecas Escolares, foco principal do projeto Fab@rts. Esta sessão foi conjunta com a coordenadora do Centro de Recursos Poeta José Fanha, com o qual desenvolvemos este projeto.


Se um workshop de impressão 3D já é por si exigente e intensivo, este foi-o ainda mais e senti que os objetivos não foram atingidos, embora os formandos não o tivessem notado. Os comentários pós-sessão incluíram muitos temos que nos meter nisto da impressão 3D. Entre o lado técnico, a modelação 3D, os impactos da manufatura aditiva, potencial pedagógico, papel das bibliotecas escolares e novas literacias (como os espaços maker), as habituais três horas de sessão tornam-se demasiado curtas e o workshop transforma-se uma longa palestra. Tenho de encontrar uma melhor estratégia para este tipo de sessões.

Neste arranque de ano, o esforço recaiu sobre a impressora Beeinschool. Depois de um mês parada, voltou à carga em força, com estas sessões de formação, impressão de peças para os robots Anprino, e testes de preparação dos workshops do Fórum Fantástico. A fiabilidade do equipamento dá-nos a confiança de saber que estes desafios correm bem.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Concurso Kit Pedagógico Anprino


O projeto Robot Anprino divulgou a lista de escolas contempladas no âmbito do Kit Pedagógico Robot Anprino. Foram selecionadas cinquenta, de entre mais de duzentas escolas que se candidataram. A concurso estiveram projetos de clubes de robótica, e atividades no domínio das disciplinas de TIC e Informática.

Não foi uma escolha fácil. A grande maioria dos projetos que se candidatou a receber um robot Anprino é promissor, revelando um enorme dinamismo nas escolas. Muitos são de implementação de clubes de robótica, outro sinal positivo no sentido da acessibilidade equalitária da informática criativa. Garantir a maior acessibilidade possível das tecnologias digitais aos alunos é tarefa fundamental na escola pública, não pode ficar a cargo das empresas que se movem na área da aprendizagem da programação ou venda de equipamentos. É um esforço que tem de partir de todos nós, que trabalhamos diretamente nas comunidades. Se as entidades privadas são excelentes parceiras, pela sua natureza não garantem a abrangência desejável, a necessária igualdade de oportunidades para os alunos. Não é por acaso que o lema do projeto Anprino é que nenhuma criança fique para trás.

O Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro é uma das entidades parceiras deste projeto de robótica de baixo custo, baseado em Arduino e Impressão 3D, apoiado pela Fundação Gulbenkian, tendo participado no júri de seleção dos projetos apoiados neste concurso.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Falhas no FormIt em Android 6.0


É sempre bom iniciar um novo ano letivo, cheio de desafios em 3D, descobrindo que deixámos de poder contar com uma das nossas principais ferramentas. A versão Android do Autodesk FormIt, uma das pouquíssimas apps de modelação 3D para tablets, tem um bug que a impede de funcionar devidamente. Após atualizar tablets para a versão 6.0 do sistema operativo, a app FormIt deixou de visualizar no seu interface linhas de grelha e arestas. Ao abrir projetos já elaborados, apenas vemos as formas em cor sólida, e tentar criar um novo projeto crasha o programa.

Coloquei esta questão nos fóruns da Autodesk, e para grande surpresa minha obtive resposta da empresa, que me informou que não tinham planos para atualizar a app Android. Não é uma boa notícia. O mundo da modelação 3D em Android é reduzidíssimo e perder mais uma app restringe o que se pode fazer. Os nossos alunos aderiram bem ao 3DC.io, mas a modelação por primitivos tem limites. O FormIt permitiria ir mais longe... se não tivesse deparado com este problema. Por enquanto, ficamos restritos ao 3DC.io para avançar o foco do projeto Fab@rts, que recorre aos tablets para estimular a modelação 3D.

Apesar destes percalços, ainda acreditamos que o futuro do 3D passa pelo mobile. A quantidade de apps de modelação disponível em iOS, as possibilidades da realidade virtual aumentada nas frameworks da Google mostram isso.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

3D: Imprimir el Mundo

b

Em pleno centro de Madrid, na Gran Vía, o edifício Fundación Telefonica alberga uma exposição dedicada à impressão 3D, 3D: Imprimir el Mundo. Entra-se por um espaço de instalação, onde o conjunto de impressoras mostra vários momentos da impressão de um busto. Fiquei com a sensação que as impressoras deveriam estar a imprimir, mas por questões técnicas ou logísticas foram desligadas. É esse o elemento que faltou na exposição, impressoras em funcionamento.


Apesar de pequena, a exposição contou com a colaboração de entidades como a Airbus e a Bq (inevitável, em Espanha) ou académicos como Hod Lipson e Melba Kurman, aos quais é dedicada toda uma área relativa aos seus princípios de impressão 3D.


O grosso da exposição é composto por objetos demonstrativos das capacidades desta tecnologia. Há um pouco de tudo, para todas as áreas, e alguns objetos inesperados. O busto de Nefertiti é paragem obrigatória.


Robots e mecanismos exemplificam o potencial do 3D na educação.


Há também muitos exemplos de próteses médicas, entre substitutos de osso, mãos e outros membros artificiais.


Um exemplo de impressão 3D de tecidos vivos, junto com um extrusor adaptado para este uso.


Estudos de novas possibilidades de resistência e leveza dos materiais.


Um conceito intrigante: um robot-impressora 3D, capaz de se deslocar e imprimir. Percursor dos futuros robots construtores de colónias lunares?


Uma das peças mais interessantes em exposição elemento de turbina impressa em 3D pela Siemens, mostrando como já hoje esta tecnologia tem aplicações industriais.



Peças estruturais impressas em 3D para as aeronaves C295 e Airbus A400M. Mostram como conseguir leveza, mantendo a resistência, em aplicações críticas como a aviação.




Utilizações criativas da impressão 3D, com várias das vertentes desta tecnologia.


Apesar de compacta, a exposição dá um bom panorama sobre a Impressão 3D, os seus potenciais e impactos. Uma boa surpresa, numa visita a Madrid em modo de detox de 3D printing. Não que precise, mas três grandes museus madrilenos são excelentes para carregar a mente de ideias. E, pelos vistos, o vírus da impressão 3D é tão inescapável que até no meio da rua mais movimentada de Madrid nos deparamos com ele.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

II CNPI: Submissões e Formação.



O II Congresso Nacional de Professores de Informática vai decorrer nos dias 6 e 7 de outubro, na Maia, e já estão a ser apresentados alguns elementos do programa. Estão abertas as submissões de comunicações, posters e boas práticas, com os critérios e datas importantes disponíveis aqui: Convite à submissão de Comunicações, Posters e Projetos.

Estão prevista no âmbito do congresso ações de formação de curta duração sobre robótica com o robot Anprino, game design, drones e realidade virtual. A lista de sessões, em atualização, está disponível aqui: Ações de curta duração.

Neste congresso irão ser entregues 50 kits pedagógicos Robot Anprino aos projetos selecionados no âmbito do concurso de atribuição destes kits. Pelo que sabemos, sem revelar demasiado, o processo de escolha vai ser complicado, dada a elevada adesão a esta iniciativa.

Infelizmente, não estaremos presentes neste momento de aprendizagem e partilha sobre o lado mais dinâmico das TIC na Educação. As suas datas colidiram com a nossa participação no Teacher's Workshop da ESA. No mês de setembro planeamos usar as nossas impressoras 3D para ajudar o projeto dos Kits Robot Anprino. Para quem puder estar na Maia nestes dias, recomenda-se vivamente o evento!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Last Hurrah


Tínhamos prometido que o Sci-Fi Lx marcaria o encerramento das atividades TIC em 3D/Fab@rts neste ano letivo de 2016-2017. Hora de dar descanso às impressoras, e permitir uma merecida pausa ao humanóide. Mas não conseguimos resistir a desafios, e fomos convidados para mais duas sessões antes da pausa estival. Para gerir melhor o tempo, optámos por duas no mesmo dia. 


 Primeiro, rumámos a Lisboa, onde alunos do curso profissional de Informática da Escola Comércio de Lisboa tiveram uma sessão de introdução à modelação e impressão 3D. Apesar de não estar nos nossos planos, a sessão acabou por ir para à modelação no Tinkercad. Já temos muitos porta-chaves em 3D na caixa de correio, resultantes desta sessão.


Terminada a sessão, atravessámos a Ponte Vasco da Gama e rumámos a Setúbal. O desafio era levar os projetos de Impressão 3D ao espaço E-tech Portugal na Feira de Santiago.


Não nos estávamos a sentir muito pedagógicos, por isso optámos por imprimir Daleks.


Lado a lado, a nossa impressora BEEINSCHOOL, ao lado de uma BEETHEFIRST cedida à E-tech. Do nosso lado, os visitantes a surpreenderem-se com o que se pode fazer hoje, nas escolas, com esta tecnologia. O geoide terrestre fascinou os visitantes. Diga-se que a nossa impressora portou-se à altura. Sai do carro para impressão contínua na Escola Comercial de Lisboa, regressa ao carro para chegar a Setúbal e fazer mais cinco horas de impressão. No dia seguinte, está de volta à escola a imprimir peças para os robots Anprino. Sem perder calibração, parafusos ou outras peças. Digamos que esta impressora começa a estar muito viajada.


O espaço E-tech reúne empresas ligadas a material educativo, escolas de código e a Associação de Professores de Informática, no âmbito da qual estivemos a mostrar a Impressão 3D na educação. Também estão lá kits pedagógicos Anprino, muito experimentados pelos visitantes, e diga-se que foi um mimo ver esta criança a brincar com um robot que se desvia de obstáculos. Made my day, diz o humanóide das TIC em 3D, co-criador deste projeto fantástico.


Deixámos a nossa marca em Setúbal. E agora, hora de uma pausa para carregar baterias. Setembro é um mês que promete ser desafiante.