Foi um privilégio muito especial, o ter passado a primeira semana de agosto a participar no COSPAR 2026, graças aos esforços do NUCLIO - Núcleo Interactivo de Astronomia para integrar professores e alunos num congresso internacional dedicado às ciências do espaço. Foi uma semana intensa, passada entre partilhas e workshops, a discutir, experimentar e refletir sobre educação, ciência e espaço (se vos parecer estranha esta combinação comigo, explica-se por o painel onde estava integrado ter como tema a educação na era da IA).
Ciência espacial na sala de aula, projetos desafiadores de astronautas análogos, papel criativo da ficção científica, importância da inclusividade e diversidade, o A das STEAM, olhar para o humanismo e o nosso lugar no vasto universo.
No rescaldo destes dias, há novas ideias que vieram comigo, a espantosa (e inesperada) experiência de trabalhar com professores de origens tão diversas como Filipinas, Irão, Líbano, Quénia ou Argélia. Só por este intercâmbio informal, já valeu a pena. Apesar da diversidade de origens, é interessante perceber que somos fundamentalmente iguais, temos os mesmos problemas e queixamo-nos das mesmas coisas. Mesmo que hajam variantes regionais, como colegas iranianos ou libaneses a sorrir ao falar-nos das bombas que interrompem as suas aulas (e perante, nem me atrevo a mencionar o descalabro do nosso sistema de exames, esse caos empalidece bastante quando ouço "where I was ten minutes ago became a crater").
Para além disto, estando integrados no COSPAR, podíamos assistir aos painéis científicos (de very, very hard science) e interagir com os cientistas nas pausas para café, embora na verdade esses momentos fossem mais passados a explorar os expositores da área expositiva, com instituições e empresas ligadas ao espaço. Especial destaque para o stand da ESA, que todos os dias tinha coisinhas novas e giras para nos oferecer (nem sei bem como é que me deixaram entrar no avião com o carregamento de posters).
Não vou mentir e afirmar que tive uma assiduidade total. Decorrendo em Florença, foi uma boa oportunidade para revisitar a cidade, rever a incrível riqueza do seu património artístico. Nalguns fins de tarde, tinha mesmo de me esquivar para rever Boticelli, mergulhar nos frescos de Giotto, visitar David e refugiar-me dos 40 graus da vaga de calor que assola Itália nas Feltrinelli e Libbracio (talvez tenha sido milagre que tenha tudo cabido na mala).
Um enorme agradecimento à indomitável Rosa Doran, mulher para quem o conceito de "impossível" não existe, bem como restante equipa do Nuclio, entre os desafios da Priscilla Doran e os anúncios do Gustavo Rojas. Obrigado pela oportunidade que estão a criar dentro do COSPAR para trazer professores e alunos de todo mundo a um evento que, por ser puramente científico, está a ganhar espaço para recordar que todos os brilhantes cientistas e investigadores que participam nestes encontros, já foram um dia crianças que se maravilharam nas salas de aula graças ao trabalho dos seus professores.
Agora, hora de pausa estival. Alla prossima!
