quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Instantes

Novidade para a sala LED, com regras e dicas de boa manutenção do espaço.



Voltar ao clube de robótica. Objectivo deste ano, ser exclusivo e não inclusivo. A lição dos anos anteriores ensinou-me que quando se quer abrir ao máximo mas as condições de tempo e as imposições de outras tarefas na escola se interpõem, deixa de haver condições para dar o acompanhamento potenciador que estes miúdos precisam



Outro regresso, formação de 3D. Enquanto reorganizava este moodle apercebi-me que não dava esta formação desde 2021. Muita coisa mudou, alguns essenciais mantém-se, e continua a ser aquela formação onde traumatizo professores de informática com Brunelleschi.


Podia usar slides... mas e porque não experimentar outras vertentes? Com ajuda da IA para programar, a criar recursos para as minhas aulas. Não são recursos para todos, fazem sentido para mim, para a minha forma de trabalhar os conteúdos da disciplina, seguem a minha linha de pensamento nas aulas. Sei que há soluções comerciais bem feitas, tal como os recursos criados por editoras, não é essa a questão, mas aprecio o lado artesanal digital de explorar a construção destes recursos. São os meus, refletem o meu método.

Dá imenso gosto explorar estas experiências em aula, dando com os inevitáveis bugs, corrigindo na hora, ou incorporando as sugestões dos alunos.


Ideia estranha: e porque não imprimir um biface em tamanho gigante? Os alunos adoraram!


Hmm. Se calhar, consigo fazer alguma coisa com  os alunos usando Arduino e Schematik.


Confesso, não resisti ao StackChan quando foi lançado - o meu veio diretamente dos primeiros lotes chineses (agora a Mauser vende-o por um preço bastante superior ao que paguei por este, incluindo os portes que custeei). Mas não consigo perceber bem para que pode servir. O lado de AI Agent é giro, dá um bom companheiro de secretária, mas a necessidade de ordens orais faz-me perder a paciência. Falador é coisa que não sou. Entretanto, a K10 também permite voos desses...


Eu tenho aquilo que mereço, a culpa é sempre minha. Estava com os alunos a explorar um jogo didático vibe coded, claro, e estava a estava a pedir-lhes uns pseudónimos para jogar o jogo. Uma vira-se, e diz "professor, porque não troll e net?" Comecei a pensar. Troll e net, um troll na trotinete. Não resisto a jogos de palavras, portanto tive o que mereci. Pedi ao gemini que me desenhasse exatamente isto, mas com um toque anos 70, só para contrariar os miúdos que me pediam anos 80, e saiu uma coisa como esta. Risada geral, mas depois deu para explorar vertentes inesperadas. Os miúdos foram rapidamente perceptivos, e disseram, "professor, isso não são os anos 70 como tinha pedido no prompt, porque os anos 70 em Portugal não foram assim". 

Miudos perceptivos para quinto ano não são?

Portanto começamos a brincar com a ideia e veio a trollinete na Lisboa dos anos setenta, claro, com uma falsa Lisboa criada pelo gemini. Como sabemos, a IA não é fiável nestas coisas. Quando um dos miúdos me diz, "ó professor, eu sou açoriano, portanto não sei como é Lisboa", claro que fomos testar como é que seria nos Açores. Gáudio geral, risos e sorrisos. No fundo, é isto.


A verificar se os kits para a atividade IA a Mexer ainda mexem.



Com a cada vez mais insuportável dificuldade de gestão de aulas no quadro de um programa Escola Digital em derrocada (suspeito que este seja o ano em que se desmorona), há que tirar partido dos recursos. Vamos aproveitar a fundo a Sala LED (que, diga-se, não tem exatamente filas de professores à porta para usar os seus equipamentos, como é natural neste tipo de projetos feitos à medida dos inovadores de gabinete que não se maculam com reais projetos no terreno). Há um elemento comum em quase todos estes computadores: são aproveitamento de refugo do programa Escola Digital, todos têm danos ou avarias que não impedem o seu uso, são demasiado caros de reparar e nunca entregaria máquinas com problemas a alunos. 


Dar aulas a usar IA para fazer aquilo que faria com apresentações, mas de forma mais divertida. E, também, o meu portátil das aulas é um excelente exemplo de "faz o que digo, não faças o que faço". No da escola, cuja melhor contribuição para a minha carreira foi avariar a meio do processo de gestão de provas e exames, por um triz (ou melhor, por uma política de backups regulares do trabalho no Eneb e Modeb) não perdi os dados de 600 alunos em prova, fiz pior: meti-lhe Ubuntu, e passou a funcionar decentemente. Autocolantes no portátil e ensinar TIC aos alunos sem usar windows. Se me apanham, ainda levo com um processo disciplinar.

sábado, 26 de setembro de 2026

Instantes

 

Então, a fazer o tpc antes da aula? Ao longo do dia, nas várias aulas, foi-se afinando o jogo para trabalhar algoritmos, a conjugar com jogos de cartas e uns robozitos para introduzir os pequenos do quinto ano ao pensamento computacional. A cada novo teste com os alunos havia sempre algo a melhorar. Ou os níveis eram previsíveis, ou podia incorporar ciclos, ou havia ajustes ao layout. Se calhar saia mais barato comprar já feito, mas não daria tanto gozo.






Primeiros passos a destrinçar essa coisa que é o algoritmo.

Experiências de aprendizagem multi-medias, ou dar os primeiros passos no pensamento computacional a cruzar jogos de tabuleiro, jogo digital vibe coded ao longo das aulas e um toque de robots só para passar as ideias para o espaço físico. Tenta-se que os alunos acabem a aula a sorrir. 

Os robots foram fruto do acaso - antes das aulas começarem a bibliotecária despachou o material maker e robótica que estava na biblioteca (durante uns anos, usei o espaço para clube de robótica) e deparei com clássico Doc, que pensava que estava avariado, mas com uma limpeza e pilhas novas, regressou à vida. 

Claro, o Alvik estaria ali a mais, se eu não tivesse dado com o código que replica os robots programáveis por botões simples.

Acabar a semana a ir espreitar a conferência Inferência, organizada pelo Sh/fter, a ouvir especialistas em tecnologia, direito e jornalismo a falar sobre IA. Aproveitar para mais um livro, e ir experimentando brincadeiras vibecoded para as aulas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Instantes

 








Ainda em modo de arranque de ano. Uma brincadeira de robótica para tentar encantar os meninos (com a K10 e o Schematik), e a decisão de colocar em arrumação as impressoras 3D BEEVERYCREATIVE - estão funcionais, e penso que está na hora de entrar em modo de preservação da memória tecnológica.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Workshop Criação com IA: construção de recursos pedagógicos colaborativos

O desafio de hoje: explorar as possibilidades democráticas da criatividade assistida por IA com programação descontraída (vibe coding). Workshop integrado no XII Encontro do CFAERC. 







Menti aos formandos, não lhes disse (deliberadamente) que iam para uma sessão sobre programação com IA, o nome da sessão era muito menos assustador. Graças a isso, um grupo de professores que ia deste educadores de infância a matemática e ciências do secundário experimentou programar pequenos recursos para a sua atividade, usando o Gemini. Em poucos minutos, apareceram coisas tão díspares como o jogo da cidadania ateniense,  super mario versão gramática, ou o jogo do acolhimento para o pré-escolar. É isto que me interessa no vibe coding, e IA em geral - a capacidade de nos permitir ir além de bases técnicas e criar as nossas soluções personalizadas. Sem pretender que sejam melhores que as profissionais, mas são as nossas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

ACD IA e 3D

 


Para iniciar bem o ano de 2026-2027, um momento de partilha sobre 3D e IA.

Experimentar o Hunyuan foi o grande tema da sessão, mas ainda deu para falar de gaussian splatting, lidar scanning, fotogrametria e a importância da preservação do património. Sessão concorrida, com mais de cinquenta participantes. 

sábado, 8 de agosto de 2026

COSPAR 2026


Foi um privilégio muito especial, o ter passado a primeira semana de agosto a participar no COSPAR 2026, graças aos esforços do NUCLIO - Núcleo Interactivo de Astronomia para integrar professores  e alunos num congresso internacional dedicado às ciências do espaço. Foi uma semana intensa, passada entre partilhas e workshops, a discutir, experimentar e refletir sobre educação, ciência e espaço (se vos parecer estranha esta combinação comigo, explica-se por o painel onde estava integrado ter como tema a educação na era da IA). 






Ciência espacial na sala de aula, projetos desafiadores de astronautas análogos, papel criativo da ficção científica, importância da inclusividade e diversidade, o A das STEAM, olhar para o humanismo e o nosso lugar no vasto universo. 

No rescaldo destes dias, há novas ideias que vieram comigo, a espantosa (e inesperada) experiência de trabalhar com professores de origens tão diversas como Filipinas, Irão, Líbano, Quénia ou Argélia. Só por este intercâmbio informal, já valeu a pena. Apesar da diversidade de origens, é interessante perceber que somos fundamentalmente iguais, temos os mesmos problemas e queixamo-nos das mesmas coisas. Mesmo que hajam variantes regionais, como colegas iranianos ou libaneses a sorrir ao falar-nos das bombas que interrompem as suas aulas (e perante, nem me atrevo a mencionar o descalabro do nosso sistema de exames, esse caos empalidece bastante quando ouço "where I was ten minutes ago became a crater").

Para além disto, estando integrados no COSPAR, podíamos assistir aos painéis científicos (de very, very hard science) e interagir com os cientistas nas pausas para café, embora na verdade esses momentos fossem mais passados a explorar os expositores da área expositiva, com instituições e empresas ligadas ao espaço. Especial destaque para o stand da ESA, que todos os dias tinha coisinhas novas e giras para nos oferecer (nem sei bem como é que me deixaram entrar no avião com o carregamento de posters).









Não vou mentir e afirmar que tive uma assiduidade total. Decorrendo em Florença, foi uma boa oportunidade para revisitar a cidade, rever a incrível riqueza do seu património artístico. Nalguns fins de tarde, tinha mesmo de me esquivar para rever Boticelli, mergulhar nos frescos de Giotto, visitar David e refugiar-me dos 40 graus da vaga de calor que assola Itália nas Feltrinelli e Libbracio (talvez tenha sido milagre que tenha tudo cabido na mala). 







Um enorme agradecimento à indomitável Rosa Doran, mulher para quem o conceito de "impossível" não existe, bem como restante equipa do Nuclio, entre os desafios da Priscilla Doran e os anúncios do Gustavo Rojas. Obrigado pela oportunidade que estão a criar dentro do COSPAR para trazer professores e alunos de todo mundo a um evento que, por ser puramente científico, está a ganhar espaço para recordar que todos os brilhantes cientistas e investigadores que participam nestes encontros, já foram um dia crianças que se maravilharam nas salas de aula graças ao trabalho dos seus professores.

Agora, hora de pausa estival. Alla prossima!