domingo, 15 de fevereiro de 2026

Tiros ao Lado

Confesso que sou defensor de restrições ao corrente modelo de redes sociais. Já percebemos o quão elevados são os custos sociais, culturais e individuais da rédea livre dada à algoritmização das redes, com o aliar do privilegiar dos discursos mais danosos aos sistemas que provocam adição nos utilizadores com o único objetivo de maximizar o rendimento das empresas. A proposta do PSD recentemente aprovada no parlamento é uma das piores maneiras de lidar com este assunto, fortemente reveladora do desconhecimento dos deputados de como funciona o mundo digital (mesmo para os níveis intelectuais de um psd, ou, como bem diz um bom amigo, somos governados por infonabos). 

Esta proposta de restrição tout court é errada e mal pensada. Há imenso a apontar. A proposta de integração com a CMD é, no mínimo, questionável em termos de privacidade, e queremos mesmo as Metas e Bytedance deste mundo a ter acesso a este sistema? A forma como definem rede social está tão mal feita que praticamente qualquer site cai dentro dessa definição. As propostas de coimas sobre incumprimentos são irrealistas, correndo-se o risco de prejudicar redes sociais independentes que se afastaram do danoso modelo comercial. 

Que redes independentes, perguntam-se? Sabem, caros habitantes do continuum facebook/instagram/tiktok/whatsapp (se estiverem no X não merecem qualquer respeito, isso é uma lixeira para fachos e pedófilos), existem iniciativas independentes que constroem redes sociais abertas e sem algoritmos, coletivamente conhecidas como fediverso. Por cá, temos algumas instâncias portuguesas que se têm mostrado espaços de discussão aberta e refúgio da algoritmização, que ao cair dentro das definições da futura lei não terão forma de implementar sistemas ou fazer frente a eventuais coimas, dado que são mantidas por indivíduos ou pequenas organizações sem fins lucrativos. 

Talvez o maior erro desta legislação é ignorar a importância social das redes sociais, que são espaços a que as crianças e jovens têm o direito de aceder em segurança como parte do tecido da vida digital. Nalguns casos, como no caso das comunidades LGBT, neurodivergentes ou interesses culturais específicos, são mesmo uma linha de vida para um tipo de socialização positiva entre pares que muitas não é possível nos espaços físicos. Proibir é idiota, e revelador de ignorância face ao digital. Proteger os públicos mais frágeis (nos dias que correm, praticamente todos) e regular para cercear um modelo de negócio que beneficia um punhado de bilionários sociopatas em detrimento de toda a sociedade é a resposta correta. Há passos institucionais nesse sentido, e como cidadãos, devemos exigir a sua intensificação, porque o corrente estado das coisas é insustentável.

Andamos a discutir proibições de uso, para evitar falar do real problema por detrás da adição aos telemóveis: são os mecanismos viciantes implementados por praticamente todos os produtores de sistemas e aplicações, desde os algoritmos tendenciosos e manipulativos das redes sociais aos mecanismos de notificação e recompensa dos jogos e aplicações. Mas discutir isso implica ir contra o consenso da grandeza dos bilionários que financiam e enriquecem com esta pandemia de adição.

Nisto, um dos argumentos falaciosos que impede uma eficaz regulação das redes sociais é a ideia que as regular é uma forma de censura. Note-se que se formos para a rua berrar impropérios, obscenidades e insultar as pessoas que nos rodeiam, a coisa acaba mal e ninguém diz que isso é censura. Idem, se andarmos por aí a querer vigarizar o próximo. Mas logo se levantam os gritos de "censura" se se sequer se observa que as redes sociais, que não só permitem como estimulam discursos de ódio, insultuosos, vigarices puras (aka modelo de negócio dos influencers), incitam a visões distorcidas do corpo feminino ou da masculinidade (e qualquer um que contacte com crianças e jovens no seu dia a dia vê o efeito arrasador que essas influências estão a ter nas atitudes e autoimagem dos rapazes e raparigas). Regular não é censurar, é enquadrar e responsabilizar. 

Queremos mesmo ter este estado de coisas em que um punhado de sites estimula a pior verborreia, amplifica o ódio, racismo e misoginia, distorcendo a sociedade, tudo para que um punhado de bilionários sociopatas fique ainda mais bilionário sociopata? Não, isso está a tornar-se óbvio, e as repostas legislativas de restrições de acesso são uma manifestação dessa sensação generalizada. Infelizmente, a atirar muito ao lado, deixando o cerne do problema intocado.

O Sh/fter e a D3 demonstram a patetice do que foi aprovado em parlamento, analisando tudo o que está errado com a proposta pateta de proibição de acesso às redes sociais por menores de 16 anos., em muito melhor forma do que isto que acabaram de ler: 

ShifterPedir o cartão à porta das redes sociais não vai acabar com o que nos preocupa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Instantes

@archizer0 Instantes, em modo vibe coding. #aevendadopinheiro #ticem3d ♬ Instant Eternity - Fawn Brooks


Semana mais dedicada a TIC, o clube teve de ter uma pequena pausa organizativa.








O desafio foi o de criar experiências audiovisuais e jogos com vibe coding, usando o livro Alice no País das Maravilhas como tema aglutinador. É surpreendente ver como o vibe coding desperta a imaginação criativa dos alunos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Robótica 1C: IA a Mexer

@archizer0 Manhãs de inteligência artificial no primeiro ciclo. #aevendadopinheiro #ticem3d ♬ оригінальний звук - Classical Music


Manhã a meter as crianças a mexer na IA. Não,  a mexer com IA. Ou a IA a mexer com as crianças. E robots. As prompts aqui ficam à porta.






Hoje, na EB1 da Venda do Pinheiro, a desafiar um grupo de alunos do 3º ano a descobrir Inteligência Artificial, machine learning e outras ideias.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Na Descontra

Quarta feira, sete e picos da manhã, estou a responder a algumas mensagens antes de arrancar para uma EB1 onde irei sujeitar os petizes ao suplício de descobrir como fazer desenhos com programação (obviamente, Scratch). Passa-me pela cabeça a ideia de experimentar com o Gemini algo interativo às voltas com as poliespirais, o meu projeto favorito para encantar os alunos com o potencial da programação. Poucos minutos depois tinha a primeira versão disto a funcionar. Uma hora depois, na sala do primeiro ciclo, ajudou a fazer pontes entre matemática, arte e programação. 

Mais tarde, estou no espaço LED acompanhado por alunos que por terem furo, vão até lá fazer experiências (há uma vertente emergente da sala LED como centro de recursos para nerds que agrada). Aproveito e afino o projecto para que se torne interativo e responsivo aos gestos. 

É por estas que estou rendido ao vibe coding (ou, como gosto de traduzir a ver se pega, "programar na descontra"). Permite-me experimentar ideias para as quais não só não tenho a capacidade técnica, como não tenho tempo de aprender como fazer. Felizmente fui abençoado com instinto para o inútil (malta, dedico partes do meu dia à literatura, só isso mostra como sou desajustado à realidade do país), e usar a IA para programação está a dar-me um espaço de criatividade divertido e intrigante. Só pelo gosto de experimentar ideias, sem a veleidade de as achar impactantes ou relevantes, 

Não tenho ilusões de que o vibe coding me transforma num programador. Tenho algumas luzes, e isso ajuda-me a afinar prompts para chegar onde quero, ou a perceber quando corre mal. Olho para esta tendência da IA com sentido crítico, por perceber o quão sedutor é achar que se sabe quando de facto foi a IA que fez um trabalho pesado que mal se compreende. Comparo isto ao photoshop (o quê, pensavam que ia usar a metáfora da calculadora?), como meio digital que coloca uma camada entre o nível técnico e a criatividade do utilizador, permitindo explorar e brincar com ideias em processos de experimentação iterativa. 

(Quanto à falta de tempo, pois, mea culpa. Quando era mais jovem cometi o erro de não me deixar ser um professor que apenas dá as suas aulas e a seguir vai à sua vida, algo de que hoje me arrependo vivamente, não por temer responsabilidades mas por perceber que um estado de contínua resolução de problemas me rouba tempo , e mais do que isso, espaço mental para desenvolver capacidades e projectos que me são mais interessantes. Ah, se na altura soubesse o que sei hoje...)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Jogos das Matérias

 


"Ah, é assim, eu uso o gemini para estudar. Peço jogos das matérias, para me ajudar a aprender, e depois jogo". 

Espreito a lista de projetos no Gemini do aluno, à espera que me mostrasse os expectáveis jogos que eles adoram criar e afinar no chatbot. Começo a ver títulos como "o jogo dos reis de Portugal" ou "jogo das ciências". Mostra me lá isso, pedi, curioso.

Ou seja, este miúdo de dez anos gera jogos didácticos com ajuda da IA para lhe facilitar o estudo e memorização. Claro que lhe fiz a ressalva das questões de fiabilidade da informação, mas é de admirar esta postura criativa. 

Confesso que nestas semanas tenho tido pouco tempo para acompanhar os alunos que diariamente enchem o espaço da sala LED, e o vibe coding tem sido uma bênção para mim, eles continuam motivados, criativos e contentes. Eu nem por isso, porque não estamos a explorar robótica ou placas, mas voltaremos a ter tempo (espero) para isso. Para ter a maior abertura possível aos alunos, já são praticamente oito horas semanais para isto, que saem de créditos horários, te ou das horas de almoço, que para demasiados alunos são o único tempo possível para poderem experimentar e criar com tecnologia no espaço LED. Em momentos como o da preparação de provas digitais tenho que dar prioridade a questões administrativas que me sendo desagradáveis, faço com a consciência de serem fundamentais para garantir condições de igualdade e equidade para todos os alunos. O giro é que as dezenas de alunos que frequentam as atividades do clube de robótica percebem isso, e não desmotivam.

Não resisto a uma charge (expressão antiga que significa picadela satírica): estão a ver todos aqueles exercícios de marketing empresarial que prometem tutores de ia ou plataformas de ensino personalizado? Se prestarem atenção às ferramentas que já temos ao nosso dispor, vão reparar que não precisam de um intermediário pago (ou gratuito, com o preço dos vossos dados pessoais), como bem mostra este exemplo criativo do meu aluno, que vou aprofundar. Já se sabe: a IA é uma excelente ferramenta para quem exerce a sua inteligência natural.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Instantes

@archizer0 Instantes. #aevendadopinheiro #ticem3d ♬ Aurora Boreal - Nesa Motta


Instantes da semana.








Acabar a última aula a experimentar o brinquedo sonoro concebido por um aluno, testar os jogos temáticos das turmas de quinto ano, refúgios nerd porque it's dangerous to go alone. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Robótica no 1C: Animação com Micro:bits.

@archizer0 Manhãs recompensadoras. #aevendadopinheiro #ticem3d ♬ George Gershwin-Summertime - 中国爱乐乐团

Hoje foi dia de rumar à EB João Dias Agudo, para uma sessão animada com uma turma do segundo ano.





Animação, aqui, tem duplo sentido. Não só a animação dos alunos, como a atividade implicava usar a programação para criar pequenas animações que corriam nas placas micro:bit. Dado o tema da sessão, foi uma excelente oportunidade para trazer o nosso cão-robot a passear, o que fez as delícias da pequenada.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Programar na descontra

@archizer0 #ticem3d ♬ Orient Occident - Iannis Xenakis

A brincar com vibe coding, poliespirais e interação gestual.


Daquelas ideias de cinco minutos. Antes de iniciar uma sessão de programação deste tipo de desenho com Scratch, perguntei-me o que é que o Gemini conseguiria fazer com isto, gostei do resultado, e afinei para incluir interação por gestos.

Tudo em vibe coding. Não tenho a ilusão de me ter tornado um programador, mas adoro que esta modalidade da Inteligência Artificial me permita experimentar ideias cuja técnica está muito acima do que sou capaz de fazer por mim próprio.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Robótica no 1C: Programar Arte Generativa.

@archizer0 #aevendadopinheiro #ticem3d ♬ The flower garden - ଘ (੭ˊ ꒳ ˋ) ੭✧* ੈ✩‧₊˚


Manhã dedicada a uma sessão de programação de desenho generativo, e, também, a estrear os kits escola digital destes meninos do segundo ano. 






Vá lá, só havia um cuco. 

Confesso que tinha alguma apreensão com esta sessão, afinal são crianças de sete anos sem experiência prévia, mas passo a passo, e brincando com os robots, chegaram lá, com um entusiasmo impressionante.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Instantes

@archizer0 Instantes. #aevendadopinheiro #ticem3d ♬ Green Onions - Booker T. & The MG's

 

Instantes da semana, mais a focar as dinâmicas do clube de robótica, uma vez que em TIC o corrente projeto está na abordagem a softwares comuns.






O vibe coding tem sido a grande tendência, com os alunos em frenesi, criando, experimentando e afinando jogos. Mas alguns já começam a querer experimentar outras vertentes, regressando à robótica e dado passos iniciais no Arduino.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Robótica no 1C: Mexer com IA

@archizer0

Levar IA ao segundo ano.

♬ A Book Is A Film Without Pictures - Jazzical Beach


Desta vez, logo ao lado da escola-sede. O desafio veio de uma turma de segundo ano da EB1 da Venda do Pinheiro.






Chegámos num dia intensamente chuvoso, e depressa se colocou os alunos a experimentar com diversas vertentes de machine learning: câmaras que reconhecem emoções, robots que detetam pessoas, mas também robots que não precisam de IA para conhecer o seu ambiente. Acabámos a desenhar com o nariz, usando reconhecimento facial no Scratch para controlar pequenos algoritmos.