sábado, 7 de novembro de 2026

Anotações

 

Um dos meus vícios bibliófilos está no gosto do acaso em encontrar livros que do passado, nos falam de futuros. Parece quase pueril, hoje, ter no bolso um livro com uma súmula do conhecimento científico e tendências tecnológicas de futuro próximo, mas lá está, os anos 80 foram outros tempos.

Obviamente. 


Não li o livro todo, saltei para a parte da IA, que nos recorda os primórdios de uma tecnologia que hoje domina o nosso pensamento (leiam nisto o que quiserem, para uns representa o perigo de parar de pensar). Não há pronunciamentos sobre máquinas inteligentes - esse era mais o campo da FC, mas uma visão clara dos caminhos de desenvolvimento. 

Se se estão a perguntar porque é que o livro não especula sobre computadores conscientes, estão a atirar ao lado, a confundir a hipérbole advinda do marketing de hoje com análise de tendências estruturais.

Como mimo, anda é destacada a Logo, e o incipiente movimento de dar às crianças a capacidade de programar. Ajuda a recordar que as tendências de hoje não são exclusivas do momento contemporâneo. 

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Ele há acasos, penso. Como cheguei cedo à atividade e não quis incomodar o colega a meio da aula, meti a mão ao bolso e aproveitei para ler. Dei por mim num corredor do primeiro ciclo, a ouvir os professores a instar os seus alunos a fazer as fichas de trabalho, enquanto chegava às observações sobre educação de Marshall Mcluhan no esplendor de livro desenhado por Quentin Fiore, finalmente traduzido para português. 

Que ironia, pensei, estar a ouvir o tipo de aula clássico de sempre, a ler Mcluhan a falar da necessidade de reinventar a educação para tempos modernos - no caso, dos media hoje tradicionais, da televisão e da rádio, mas uma visão que ainda assenta como uma luva na era das redes e ecrãs de bolso: 

"É da maior urgência que as nossas instituições educativas reconheçam que temos agora uma guerra civil entre estes ambientes criados pelos meios de comunicação distintos da palavra impressa. A sala de aula encontra-se agora numa luta vital pela sobrevivência contra o mundo «exterior», imensamente persuasivo, criado pelos novos média informacionais. A educação tem de passar da instrução, da imposição de stencils, para a descoberta - a investigação, a exploração e o reconhecimento da linguagem das formas."

Soa familiar, não soa? Se não vos dissesse que isto foi escrito nos anos 60, achariam que vem de algum texto nosso contemporâneo.

No dia seguinte ouço Nóvoa a recordar-nós que da escola dos tempos dele aos de hoje, tudo mudou... menos o método pedagógico. Será o inconsciente coletivo a tentar dizer-me alguma coisa?

Não entendam isto como uma admoestação deselegante aos meus colegas. E eu,  também não sou assim tão diferente deles. 

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Soa familiar?

"A máquina governa. A vida humana está rigorosamente acorrentada por ela, sujeita às vontades terrivelmente exatas dos mecanismos. Estas criaturas dos homens são exigentes. Reagem agora sobre os seus criadores e moldam-nos à sua imagem. Precisam de humanos bem adestrados; apagam-lhes pouco a pouco as diferenças e tornam-nos adequados ao seu funcionamento regular, à uniformidade dos seus regimes. Constroem, pois, uma humanidade para seu uso, quase à sua imagem.

Há uma espécie de pacto entre a máquina e nós próprios, pacto comparável a esses terríveis compromissos que o sistema nervoso contrai com os demónios subtis da classe dos tóxicos. Quanto mais a máquina nos parece útil, mais ela se torna; quanto mais se torna, mais nos tornamos incompletos, incapazes de passar sem ela."

Parece saído de um qualquer texto dos dias de hoje, daqueles preocupados com os impactos da IA na sociedade, não parece? 

Veio de 1925 (já centenário, portanto), da pena de Paul Valéry, que eu nunca associaria a estas questões. Estamos sempre a aprender. E a recordar que há questões que nos parecem específicas e novidade dos tempos em que vivemos, mas já são há muito discutidas.

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Durante uma daquelas conversas hiper interessantes que desbravam ideias, mencionou-se en passant que, bem, isto se calhar a IA ja gera código para o Scratch, talvez até o .sb3.

Fiquei com a orelha atrás da pulga e tive de tentar. Dei a clássica poliespiral de 122 graus ao Claude, interpretou o prompt, descreveu em pseudocódigo, e gerou um ficheiro que funciona sem erros no Scratch. Deu uma resposta à IA - essencialmente certa, mas com alguns pormenores desnecessários, bastava uma variável para este algoritmo funcionar. De qualquer forma, bem, a coisa funciona.  

Não há aqui nenhum objetivo para além de testar uma ideia de sanidade dúvidosa. Nem de clamar o enterro de paradigmas estruturais das TIC na educação sob uma enxurrada de IA. Foi mesmo só o concretizar de um "e se". 

Porquê poliespirais? Porque 20 things to do with a computer, eis porquê.

Porquê o Claude? Tinha acabado de estourar os tokens do Argon a experimentar outra ideia mencionada na conversa, também en passant, mas essa preciso de pedir ajuda ao pessoal de ensino especial para perceber se funciona devidamente.

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Instantes

 

Passos no 3D.

Cousas complexas tomam forma.

A pensar no vibe coding.

Se não há sala, há chão.

Espreitar o que a colega de TIC anda a fazer com os seus alunos.

Com a IA, o computador retrata.

Interagir com autómatos celulares.

Fazes assim, e assim, e vais aqui, e clicas, e... funciona!

Autómatos celulares condicionados pela presença humana.

Com o Gemini Argon, a dar uma terceira dimensão a um jogo.

Pensar, programar.

Alguma arte interativa durante a aula.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Robots Artistas - EB1 da Póvoa da Galega

















 Nunca tinha feito esta atividade com meninos tão pequenos. Hoje, o desafio foi colocar os meninos das turmas de primeiro ano da EB JDA a meter robots a desenhar. Construir foi mais difícil... mas muitos conseguiram, para minha surpresa. Uma manhã recompensadora, com arte, robótica e imensa alegria.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Linhas

 








Às voltas com o Argon no Gemini, saiu uma experiência de desenho computacional. Ainda ando de volta dela (como qualquer projeto vibe coded, nunca está realmente finalizado), mas os alunos toparam... e quiseram experimentar.

sábado, 31 de outubro de 2026

20 amigos, 10 minutos


Duas variantes, uma inócua e outra não, a mesma praga. Segunda pela manhã, com a mioleira ainda zonza por falta de café, sou assaltado por um grupo de alunas muito preocupadas com as mensagens horríveis que andam a receber. 

Façam uma captura de ecrã para eu ver, pedi-lhes. "Uma quê?" Screenshot. "Ah!", perceberam.

Quando me vieram mostrar, confirmei o que pensava. É uma modernização da velhinha carta em cadeia, que nos meus idos de infância e juventude nos caía dentro da caixa de correio - fisica, ameaçando -nos com as piores maldições se não a policopiassemos para meter num envelope e enviar a mais dez pessoas. 

Olhem que naqueles tempos fotocópias, envelopes e selos não eram trocos. 

O vírus mental mudou-se para o whatsapp, se bem que assinalo o texto deveras deselegante e atabalhoado. Dei os conselhos standard às alunas, bloquear remetentes desconhecidos, elogiei a capacidade de terem falado com um adulto, algo que os predadores digitais sabem bem explorar. 



Durante a conversa, recebo a mensagem da imagem seguinte.  Que nos deixa muito apoquentados, dado que o spoofing é perfeito, a mensagem fraudulenta engana o telemóvel que a inclui nas mensagens legítimas previamente enviadas pela organização.  É o que os vossos pais recebem para os assustar, digo-lhes, e expliquei porque é que era falsa. 

Não, não  estou a inventar para embelezar o relato, foi um daqueles bons acasos fortuitos. Se bem que suspeito que a pergunta que se estão a fazer é porque diabos crianças de dez anos têm acesso ao whatsapp em modo totalmente aberto. A resposta a isso remeto para os respetivos pais.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Instantes





O primeiro algoritmo a funcionar, e afinal o computador consegue desenhar.




Programar, no clube de robótica, jogos na descontra, mas também a meter robots a cumprir ordens (some assembly required).

A nerdar com IA chinesa, lidar da maçã e 3D na formação LED.

Experimentar carapaças para uma esp32. 

Pedir à IA um retrato em código, pedir-lhe um retrato a partir desse código.

Um miminho para os meninos do quinto ano.


Estou a tentar reduzir o tempo de ecrã. 

Não estou a ser bem sucedido.