Ah, a ironia, penso, ao tirar esta foto após terminar de participar num painel de partilhas onde falei em modo relâmpago (regras do evento) do que se faz com tecnologia, capacitação e tecnologias abertas em educação.
Claro que comecei a minha partilha com a piada de que deveria ter ido vestir uma destas t-shirts, como educador que sou (ainda por cima público e do sistema). Foi um desafio giro, pela desconferência (sim, isso existe) do festival Parallel Society. Amanhã dedicado à música eletronica, hoje, palestras, mostras de projetos e exposições de arte digital.
Deveria ter lido melhor o tema do evento. Esperava culturas alternativas, FOSS e arte digital, mas mal lá entrei vi-me rodeado de cryptobros, expats, nómadas digitais e libertários digitais (aquela malta que adora falar de se livrar das imposições opressivas do estado e das alegrias da cidadania soberana - exceto na hora da doença ou da ameaça de um qualquer meliante, que isto da gestão estatal de recursos comuns à sociedade faz imenso jeito nas horas de aperto). Ou seja, aquela malta que anda de aeroporto em aeroporto fazendo disparar os preços das casas nos sítios onde aterra e reformulando a cultura local para se passar a ter brunch em vez de pequeno almoço ou almond latte em vez de bica pingada.
Fiquei a saber mais do que queria sobre defi, por um entusiasta que parecia algo imune à ironia de nos querer converter à especulação avançada em crypto num momento em que eu abro a minha carteira e só vejo os valores das stablecoins a vermelho. Tive o gosto de partilhar espaço com pessoas da Wikimedia, docentes austríacas que mostraram uma ferramenta de gestão de informação que só consigo descrever como a encarnação século XXI do Xanadu de Ted Nelson. E fiquei a conhecer um dos criadores de uma das minhas aplicações essenciais- o maps.me, privado, rigoroso e totalmente offline. Mas já não open source, observou, enquanto mostrava o seu novo projeto descentralizado de mapas offline.
Os projetos artísticos, o que me levou ao evento, eram interessantes. E apesar de ter penetrado claramente numa bolha que não é de todo a minha, foi um gosto ter tido oportunidade de falar da nossa capacidade criativa na educação digital. Até deu para recordar o Anprino.
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