terça-feira, 23 de setembro de 2014

As TIC em 3D na Lisbon Mini Maker Faire


Ao passar pelo átrio... eis-nos projectados nas paredes do Ciência Viva! Uma foto que alegrou muito os alunos que estão aqui representados de forma necessáriamente anónima pelos seus projectos.

Encerramos a participação do projecto As TIC em 3D/3D Alpha na primeira Lisbon Mini Maker Faire, que de mini teve muito pouco. Cem participantes, cerca de dez mil visitantes, três dias muito intensos e recompensadores. Resta-nos fazer o balanço deste momento, reflectir nas possibilidades despertadas e agradecer àqueles que nos possibilitaram dar este passo. Podem ver aqui um apanhado fotográfico da nossa participação e visita à Lisbon Mini Maker Faire.


Este foi o nosso espaço durante dois dias. Protegido do vento e da chuva pela estrutura de um hackerspace lisboeta, ao pé do centro Ciência Viva de LagosDigital Fabrication Lab da Universidade do Porto, Mafralab, A Batuta é Tua e Fotão a Fotão Tenho a Ciência na Mão. Um espaço necessariamente simples, com vários computadores a demonstrar algumas das actividades já dinamizadas neste projecto.


Alguns dos nossos projectos em exposição. Fazia falta um kinect ou leap motion para possibilitar a manipulação dos objectos virtuais, mas temos de trabalhar com as ferramentas de que dispomos.

O primeiro objectivo era mostrar exemplos do que crianças e jovens têm desenvolvido no âmbito deste projecto. Expostos estavam trabalhos em Sketchup, modelos virtuais em VRML, mundos virtuais, animações 3D, registos de experiências com 3D scanning e realidade aumentada. Num evento dedicado ao espírito Maker, onde estavam em exposição os mais variados projectos de impressão em 3D, robótica, prototipagem, arduino, electrónica criativa e outros mirabolantes usos de electricidade, componentes e programação, o espaço das TIC em 3D no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro dependeu muito da interacção pessoal com os visitantes.

Com pouco que manipular e muito para mostrar, conversámos com quem nos visitou, explicando as vertentes do projecto. O primeiro passo foi sempre o de sublinhar que o exposto foi criado por crianças e jovens, e em seguida abordar as diferentes experiências já feitas do domínio da modelação 3D, mundos virtuais, animação 3D, realidade aumentada e 3D scanning. Referimos que a faixa etária dos alunos envolvidos vai dos 8 aos 15 anos, o que despertou comentários de incredulidade da assistência. Explicámos a metodologia de base, envolvendo uma componente de aprendizagem elementar de aplicações de modelação e animação 3D que depois é levada ao trabalho de projecto, podendo apostar na interdisciplinaridade, expressão pessoal ou abordagem directa às metas curriculares sempre enfatizando a utilização criativa e não passiva de meios digitais.

Neste aspecto o foco das nossas apresentações estava no potencial de trabalho interdisciplinar, observando que muitos dos trabalhos expostos reuniam aprendizagens de TIC, Ciências da Natureza e Português materializadas em produtos únicos. Outros abordam de forma diferenciada as metas curriculares de TIC, em particular do domínio do tratamento de informação e produção de documentos que aqui pode ser feito através de pesquisa, estruturação de metodologias de trabalho e recriação em 3D. Também referimos o potencial de estímulo ao desenvolvimento da percepção visuo-espacial, o incentivo á utilização das TIC sob uma perspectiva de criação e não de consumo, o despertar de vocações através da introdução precoce de tecnologias complexas que possibilitam às crianças que revelam aptidão para estas áreas começar mais cedo a desenvolver os seus interesses. Sendo mais específicos, observámos e demonstrámos a importância do pensamento e conhecimento geométrico aplicado de forma lúdica e criativa neste tipo de aprendizagem.


Mais do que expor, a oportunidade permitiu divulgar e falar com os visitantes. E, porque não, uma vez que este projecto ensina 3D a crianças e jovens, mostrar aos visitantes mais pequenos que afinal é fácil e divertido modelar em 3D? Sempre que possivel desafiámos os visitantes mais novos a mexer e aprender, de forma rápida, como utilizar aplicações 3D. Há algo de mágico no sorriso de crianças e adultos quando vêem a facilidade com que no Sketchup se criam formas tridimensionais a partir de superfícies. A partir daí foi incentivar a mexer, e chegámos a ter visitantes que vieram ter conosco nos dois dias para criar objectos em 3D.

Muitos dos visitantes tinham conhecimentos sobre este tipo de tecnologias. Por um lado ficaram surpresos com a possibilidade de crianças as poderem utilizar, por outro referiram a importância deste estímulo à aprendizagem para dotar os alunos de competências para o século XXI. Perguntaram-nos muitas vezes se éramos uma empresa, mas não, somos escola. Perguntaram se éramos um clube ou iniciativa de colégio, mas não, somos escola pública e este trabalho é desenvolvido em aula. Perguntaram se dávamos cursos ou desenvolvíamos software, mas não, trabalhamos com alunos do Agrupamento e utilizamos software já disponível com um largo espectro de aplicações do vasto domínio do 3D. Perguntaram se isto era comum em todas as escolas, e não, não é, mas aproveitamos o momento para falar de outros projectos e iniciativas pedagógicas nos domínios de robótica e programação para crianças que mexem com uma cada vez maior diversidade nas escolas portuguesas. Num momento em que a escola pública e a educação em geral navega por águas turbulentas, esta foi uma oportunidade para, fora do habitual contexto local ou ligado à educação, mostrar exemplos do que se faz na escola. Surpreender, divulgando.



Filhos e pais, intrigados e a descobrir. Até os adultos podem aprender a mexer um bocadinho no 3D.

O melhor deste tipo de eventos é colocar em contacto pessoas com diferentes experiências e com isso abrir espaço a novas ideias. Despertámos a atenção de elementos da beeverycreative, Coder Dojo Lx, FabLab Aldeias de Xisto, makerspace Maquijig, KitNaWeb, Inov-E, entre outros. Talvez daqui saiam possibilidades de colaboração que permitam dar novas dimensões às TIC em 3D. Porque nos falta o passo seguinte. Num evento dedicado ao making, ao fazer, mostrámos apenas o conceber, que é também um momento importante. Foi-nos referido por visitantes que por muito fascinantes que sejam as capacidades e resultados da impressão 3D, faltava-lhes o elemento estético que o nosso projecto trazia. Materializar as criações dos alunos é um passo lógico e necessário que queremos dar, e para o qual já estávamos à procura de meios para o fazer. Este momento de partilha potenciou mais estas possibilidades. Poderemos pensar em desafiar makerspaces para imprimir as criações em 3D dos alunos, convidar ao desenvolvimento de mostras e workshops locais, ou outro tipo de iniciativas que levem o criar em 3D às crianças e jovens.


Foram três dias intensos, cansativos mas recompensadores. Três dias a aprender muito, a divulgar uma experiência artística/pedagógica/digital que, nos momentos de reflexão enquanto se fala com as pessoas que nos vieram visitar, se percebe já acumula anos de trabalho. Três dias de explicações e discussões sobre as TIC na escola com todo o tipo de visitantes e em várias línguas. E ainda se arranjou tempo para por um sorriso e um brilhozinho nos olhos de crianças que pegaram no rato e perceberam que afinal ‪o 3D‬ é simples e divertido. E nos dos seus pais também. Terminou. Ponto final neste desafio e venham os próximos. Alguns já estão programados e em breve serão revelados, outros poderão surgir desta presença na MakerFaire.

Para terminar, deixo um agradecimento à ‪organização da Lisbon Mini Maker Faire‬‪‬, um abraço aos vizinhos ‪do Mafralab‬ (finalmente cruzámo-nos!) e Inov-E‬ (partilhamos a vontade de inovar na educação com recurso ao uso inteligente da tecnologia). Também agradeço à direcção do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro por todo o apoio que tem dado e aos professores que me têm desafiado ou sido desafiados ao longo destes anos nos projectos que saem da minha sala de aula. Mas o grande agradecimento vai para os alunos que me têm surpreendido consistentemente ao longo dos anos. Sem eles isto nem existiria ou faria sentido. É a criatividade, entusiasmo e vontade de aprender que noto ao trabalhar com eles aquilo que realmente me motiva. Não é por acaso que o projecto se intitulou TIC Tridimensional no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro. Isto posto desta forma faz parecer que o projecto encerrou, mas não. Longe disso. Iniciou um novo ano lectivo e já há ideias a explorar. Muito em breve os alunos de sétimo ano vão começar a aprender em 3D, e se a sorte favorecer poder-se-á começar a experimentar o materializar do virtual através da impressão 3D. Pelo menos extensão à realidade aumentada e 3D scanning estão assegurados.

A sensação final é boa. E agora as ‎Tic‬ em 3D no ‪Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro‬ fazem o signing off da primeira  +Lisbon Mini Maker Faire. Quase dez mil visitantes. Espantoso. Foi muito bom ter cá estado. A seguir iremos estar em Setúbal num encontro sobre clubes de informática, programação e arduino nas escolas (brevemente divulgaremos) e, claro, recomeçaram as actividades lectivas e já há novos projectos para iniciar. Até ao próximo desafio para as TIC em 3D!

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