Quarta feira, sete e picos da manhã, estou a responder a algumas mensagens antes de arrancar para uma EB1 onde irei sujeitar os petizes ao suplício de descobrir como fazer desenhos com programação (obviamente, Scratch). Passa-me pela cabeça a ideia de experimentar com o Gemini algo interativo às voltas com as poliespirais, o meu projeto favorito para encantar os alunos com o potencial da programação. Poucos minutos depois tinha a primeira versão disto a funcionar. Uma hora depois, na sala do primeiro ciclo, ajudou a fazer pontes entre matemática, arte e programação.
Mais tarde, estou no espaço LED acompanhado por alunos que por terem furo, vão até lá fazer experiências (há uma vertente emergente da sala LED como centro de recursos para nerds que agrada). Aproveito e afino o projecto para que se torne interativo e responsivo aos gestos.
É por estas que estou rendido ao vibe coding (ou, como gosto de traduzir a ver se pega, "programar na descontra"). Permite-me experimentar ideias para as quais não só não tenho a capacidade técnica, como não tenho tempo de aprender como fazer. Felizmente fui abençoado com instinto para o inútil (malta, dedico partes do meu dia à literatura, só isso mostra como sou desajustado à realidade do país), e usar a IA para programação está a dar-me um espaço de criatividade divertido e intrigante. Só pelo gosto de experimentar ideias, sem a veleidade de as achar impactantes ou relevantes,
Não tenho ilusões de que o vibe coding me transforma num programador. Tenho algumas luzes, e isso ajuda-me a afinar prompts para chegar onde quero, ou a perceber quando corre mal. Olho para esta tendência da IA com sentido crítico, por perceber o quão sedutor é achar que se sabe quando de facto foi a IA que fez um trabalho pesado que mal se compreende. Comparo isto ao photoshop (o quê, pensavam que ia usar a metáfora da calculadora?), como meio digital que coloca uma camada entre o nível técnico e a criatividade do utilizador, permitindo explorar e brincar com ideias em processos de experimentação iterativa.
(Quanto à falta de tempo, pois, mea culpa. Quando era mais jovem cometi o erro de não me deixar ser um professor que apenas dá as suas aulas e a seguir vai à sua vida, algo de que hoje me arrependo vivamente, não por temer responsabilidades mas por perceber que um estado de contínua resolução de problemas me rouba tempo , e mais do que isso, espaço mental para desenvolver capacidades e projectos que me são mais interessantes. Ah, se na altura soubesse o que sei hoje...)
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