sábado, 31 de outubro de 2026

20 amigos, 10 minutos


Duas variantes, uma inócua e outra não, a mesma praga. Segunda pela manhã, com a mioleira ainda zonza por falta de café, sou assaltado por um grupo de alunas muito preocupadas com as mensagens horríveis que andam a receber. 

Façam uma captura de ecrã para eu ver, pedi-lhes. "Uma quê?" Screenshot. "Ah!", perceberam.

Quando me vieram mostrar, confirmei o que pensava. É uma modernização da velhinha carta em cadeia, que nos meus idos de infância e juventude nos caía dentro da caixa de correio - fisica, ameaçando -nos com as piores maldições se não a policopiassemos para meter num envelope e enviar a mais dez pessoas. 

Olhem que naqueles tempos fotocópias, envelopes e selos não eram trocos. 

O vírus mental mudou-se para o whatsapp, se bem que assinalo o texto deveras deselegante e atabalhoado. Dei os conselhos standard às alunas, bloquear remetentes desconhecidos, elogiei a capacidade de terem falado com um adulto, algo que os predadores digitais sabem bem explorar. 



Durante a conversa, recebo a mensagem da imagem seguinte.  Que nos deixa muito apoquentados, dado que o spoofing é perfeito, a mensagem fraudulenta engana o telemóvel que a inclui nas mensagens legítimas previamente enviadas pela organização.  É o que os vossos pais recebem para os assustar, digo-lhes, e expliquei porque é que era falsa. 

Não, não  estou a inventar para embelezar o relato, foi um daqueles bons acasos fortuitos. Se bem que suspeito que a pergunta que se estão a fazer é porque diabos crianças de dez anos têm acesso ao whatsapp em modo totalmente aberto. A resposta a isso remeto para os respetivos pais.

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