Não é uma boa foto, e é de ética discutível, nos dias que correm, os abusos do uso de imagens levantam preocupações legítimas, mas terão de me perdoar. O objetivo é captar este momento de interação criança - robot, fixar na película (ah, expressão antiquada que os mais novos não percebem) algo que tenho visto, repetidamente, em salas de aula, eventos, ou nos espaços do dia a dia: o intrigante fascínio das crianças por robots, misto de curiosidade, deleite e alegria. Mesmo perante um mero robot-aspirador/esfregona.
É por causa deste olhar que sou incapaz de me posicionar ao lado daqueles para quem o mais importante no estímulo das competências digitais é o ensinar a operar o computador e a manejar sistemas comuns. Não que este aspecto não tenha a sua importância, mas não é o basilar para a necessária compreensão do mundo digital em que vivemos.
Há tanto mais a descobrir e aprofundar, e tantas possibilidades que se abrem quando damos às crianças acesso ao lado mais profundo da computação, através da programação, robótica e outras tecnologias (3D, e até IA). Acima de tudo, tentar manter o olhar inquisitivo, sintoma exterior de uma mente cuja curiosidade foi aguçada.
Sendo bruto, detesto quando aquele olhar de deleite é soterrado sob uma avalanche de exercícios de formatação de texto.


