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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Deleites


Não é uma boa foto, e é de ética discutível, nos dias que correm, os abusos do uso de imagens levantam preocupações legítimas, mas terão de me perdoar. O objetivo é captar este momento de interação criança - robot, fixar na película (ah, expressão antiquada que os mais novos não percebem) algo que tenho visto, repetidamente, em salas de aula, eventos, ou nos espaços do dia a dia: o intrigante fascínio das crianças por robots, misto de curiosidade, deleite e alegria. Mesmo perante um mero robot-aspirador/esfregona.

É por causa deste olhar que sou incapaz de me posicionar ao lado daqueles para quem o mais importante no estímulo das competências digitais é o ensinar a operar o computador e a manejar sistemas comuns. Não que este aspecto não tenha a sua importância, mas não é o basilar para a necessária compreensão do mundo digital em que vivemos.

Há tanto mais a descobrir e aprofundar, e tantas possibilidades que se abrem quando damos às crianças acesso ao lado mais profundo da computação, através da programação, robótica e outras tecnologias (3D, e até IA). Acima de tudo, tentar manter o olhar inquisitivo, sintoma exterior de uma mente cuja curiosidade foi aguçada.

Sendo bruto, detesto quando aquele olhar de deleite é soterrado sob uma avalanche de exercícios de formatação de texto. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Desafios


Já se começam a acumular as fotos dos alunos. E, de caminho, descobri uma forma elegante de abordar o lado prático do uso de ferramentas TIC, incentivando a utilização de email, cloud e formas de trabalho à distância. A seguir, o que fazer? Estou indeciso. Morphing é capaz de ser uma boa ideia. Mosaicos também, apesar de serem apenas vinte fotos por aluno. Vídeo... é uma possibilidade. Talvez hyperlapse? Timelaps? Sobreposição de layers? Estou indeciso. Ainda bem. Até porque a escolha da forma de finalizar este projecto de captura do momento fugaz com ferramentas digitais não tem de ser minha. Capacitar os alunos significa dar a conhecer e saber dar o passo atrás para que eles façam as suas escolhas. Mesmo que as nossas preferências não coincidam com as deles.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

3D_S3lfies


Um dos projectos deste ano é criar selfies em 3D utilizando o 123D Catch. E parece que foi lançado mesmo a tempo de aproveitar a nova app para android do serviço, que facilita muito o trabalho. Isso notou-se nesta primeira captura com o meu fiável galaxy tab. Saiu perfeitinha, logo à primeira. Até estranhei. Com um pequeno retoque no Meshlab para apagar vértices excessivos ficou logo pronto para aplicar numa animação. O passo está dado, o conceito provado como possível, e agora resta ter ideias de aplicação.


O passo seguinte foi entregar o tablet aos alunos. Aos de mais confiança, claro. Aqui os resultados não foram tão bons. E percebe-se porquê. Tem a ver com questões de proximidade e de neutralidade do espaço. O algoritmo de fotogrametria teve dificuldades em distinguir objectos e fundos, devolvendo estes resultados de figuras centradas num espaço atomizado. Pois, são estes surrealismos inesperados o que me intriga e atrai nesta técnica.


De qualquer forma correu melhor do que esta experiência com um telemóvel e a aplicação web. Se bem que para fãs de glitch/new aesthetic este tipo de resultados são uma incessante fonte de inspiração. Mas como os meus alunos não partilham a minha estética, por isso há que afinar a ténica e mostrar-lhes resultados visualmente mais conservadores. Entretanto, naquele lugar silencioso na minha mente que gosta de sonhar com passos mais ambiciosos, vai ressoando o e agora se houvesse aqui uma impressora 3D os alunos iriam adorar levar para casa bustos impressos.