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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

TIC em 3D @ Maker Faire Galicia 2020


Infelizmente, apenas virtual. Fomos aceites para participar na Maker Faire Galicia 2020, este ano a decorrer apenas online. Se por um lado se perde a componente de partilha presencial, por outro ganha-se a oportunidade dos alunos do clube estarem presentes e interagirem com colegas, projetos e público de outros países. 


No primeiro dia educativo da Faire, um excelente e inesperado momento. A organização selecionou dez dos projetos educativos participantes que considerou mais inovadores, e fomos incluídos nessa lista. Os nossos alunos do clube de robótica tiveram de fazer uma rápida apresentação dos nossos projetos, em três minutos. Problema: apenas alguns são alunos de espanhol, e só tiveram dois meses de aulas. Como resolver?


É por estas atitudes que temos orgulho nos nossos alunos, e nos esforçamos por manter viva a possibilidade de fazerem algo fora dos currículos escolares. Entre eles, organizaram os tópicos, e com ajuda da professora de espanhol, prepararam aquilo que cada um ia dizer. Notem que isto foi preparado numa semana, nos tempos livres de alunos que só estão na escola durante o horário letivo, sujeitos às restrições pandémicas. E, no momento da apresentação, muito nervosos mas entusiasmados, representaram muito bem o clube de robótica e a nossa escola, 

Foi um momento especialmente emotivo. Este ano, o clube está a funcionar em modo virtual, e o espaço Maker que os nossos alunos tanto adoram está sem uso. Os alunos apresentaram o clube no espaço do Centro de Recursos Poeta José Fanha. Este momento Maker Faire foi um regresso, pontual, onde eram notórias as saudades que os nossos alunos têm do espaço, das suas valências, e da convivência com os seus pares.

Foi também muito interessante ver os projetos que os alunos galegos apresentaram. Suspeito que os nossos tiraram ideias...


Nos dias seguintes, tínhamos agendadas sessões de apresentação abertas. À distância não tem tanto o sentimento de partilha do que estando lá, mas a riqueza desse espírito mantém-se. O segundo dia de Maker Faire Galicia, foi com o possível. Nenhum de nós estava na escola (foi fim de semana de recolher obrigatório a partir das 1300), e partir de casa, dinamizámos uma sessão de apresentação que, felizmente, decorreu em conversa e troca de ideias entre nós e os visitantes. Foi fundamental a ajuda preciosa de um dos nossos alunos, que dominou a sessão. Ainda bem, é esse o objetivo, a vantagem deste tipo de Maker Faire online é que se torna possível algo que de outra forma seria muito difícil: colocar os nossos alunos em contacto com realidades estrangeiras. Representámos bem a nossa escola, e o nosso país, creio. Quanto à barreira linguística, entre portugueses e espanhóis, se houver boa vontade, há compreensão. 


Estar presente na Maker Faire já nos deixou imensamente contentes, é um privilégio ser aceite nestes eventos, partilhando e aprendendo. Termos sido incluídos num conjunto de projetos inovadores, foi algo que nos deixou ainda mais contentes. Mas a Faire ainda nos reservava uma surpresa: numa votação aberta ao público, que assinalava os projetos que os visitantes consideraram mais interessantes, ficámos em segundo lugar. Mais uma excelente surpresa, que nos dá ânimo para continuar, manter o espírito e a chama da criatividade na tecnologia. E, essencialmente, continuar a apostar nos nossos alunos, que de forma informal aprendem, desenvolvem os seus conhecimentos e capacidades, graças ao clube de robótica.

Entretanto, podem espreitam um pouco do que foi a Maker Faire Galicia aqui: Maker Faire Galicia 2020: Projetos em Destaque. Terminámos esta participação com alegria, e um sorriso algo triste por não termos regressado em pessoa. Faz falta um crepúsculo em Gaiás naqueles gelados fins de tarde da Galiza em novembro, com a cidade de Santiago a iluminar-se.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

É o caminho, não o destino


E... funciona! Mostra que nas viagens da educação, o mais importante não é o destino, mas sim o caminho que se percorre.


Os trabalhos mais interessantes nem sempre são os mais vistosos. Este, para mim, é um excelente exemplo de criatividade, aprendizagem e persistência. O desafio lançado à aluna foi o de criar, de raiz, um modelo de Torre de Hanói. O projeto está enquadrado na nossa proposta para a edição deste ano do concurso de ideias Ciência na Escola da Fundação Ilídio Pinho: aproveitar os saberes dos alunos do clube de robótica para conceber materiais a usar pelos alunos nas atividades do Clube de Ciências.


Porque a aluna que pegou neste desafio demonstra elevadas capacidades gráficas e de conceção, escolheu usar o Onshape para poder desenvolver o projeto com rigor. Apesar da Torre ser um modelo simples, tem condicionantes a respeitar: a base tinha de caber no volume de impressão das nossas impressoras 3D, e os discos têm de ter um orifício com folga suficiente para poderem ser colocados nos pinos. Foi tudo modelado de raiz, com medidas exatas, pela aluna num tablet Android. O processo de trabalho obrigou a rigor e persistência. Especialmente quando a meio de uma primeira versão, percebemos que nos tínhamos esquecido de verificar as unidades de medida, e o projeto estava a ser desenvolvido em polegadas e não milímetros. Teve de se recomeçar do zero, e é admirável observar que a aluna não desistiu.


O primeiro teste foi feito no próprio Onshape. Criámos uma assembly para perceber se as rodelas encaixavam nos pinos, com largura suficiente para serem movidas. Com isto testado, foi passar à fase de impressão.


O primeiro protótipo foi para a aluna, claro!


Até porque, tendo o modelo 3D original, é fácil de replicar e imprimir os que necessitamos para o Clube de Ciências e outras atividades.

Não é um projeto vistoso. O resultado é um objeto simples. Mas estou a vê-lo em contexto, como trabalho de uma jovem adolescente que, no contexto informal do clube de robótica, desenvolveu as suas capacidades de modelação 3D, aprendendo a trabalhar com o rigor exigido por um complexo software de CAD. As capacidades desenvolvidas e competências mobilizadas pela aluna são o real objetivo destas atividades. Na educação, o importante não é o produto, é o processo. O que interessa é o desenvolvimento das capacidades da criança. E se o produto final for bonito, isso é um extra agradável.