Espaço dos projetos TIC em 3D, Fab@rts - O 3D nas mãos da Educação!, Laboratório de Criatividade Digital - Clube de Robótica AEVP e outros projetos digitais desenvolvidos no Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Vector
Dá-se aos alunos de uma turma de sétimo ano uma aula de introdução ao desenho vectorial com Inkscape e no final saem-se com coisas destas.
O objectivo da sessão era aprenderem a dominar as curvas de Bézier para traçar desenhos com rigor. Gravados como SVG, vão servir para criar modelos 3D no Tinkercad para imprimir a tempo (espero) do Halloween. Confesso que a rapidez com que a generalidade dos alunos apanharam o conceito e dominaram de forma elementar o trabalho com curvas me surpreendeu.
Falta limar algumas arestas, e treinar. Algo que não me apercebi quando propus o desafio é que tinha sido importante ensinar-lhes a decompor uma forma, olhando e tentando perceber em que formas elementares podem dividir uma forma complexa. Algo que só planeava abordar com a modelação por primitivos no Tinkercad ou no trabalho com o Sketchup, mas que aqui fez falta aos alunos. Lição que levo já para a próxima turma. Próximo passo? Vectorizar uma figura alusiva ao tema, desenho deles ou imagem pesquisada, para transformar em objecto no Tinkercad. Será o desafio da próxima aula.
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
3D Gets Real?
A Tech & Learning dedicou a edição deste mês à impressão 3D. Fantástico, certo? Nem por isso. Apesar do destaque de capa, não passa de um comparativo técnico elementar entre impressoras 3D, que exclui as RepRaps (construir impressoras quando se pode comprá-las e dar lucro aos anunciantes? Credo! Péssima ideia!) mas inclui equipamentos industriais, seguido de um artigo decalcado de um qualquer press release sobre o HP Sprout. Não passou das generalidades, de forma muito superficial, e não dedica qualquer espaço ao porquê de utilizar impressão 3D na sala de aula. Nada sobre ideias, actividades, experiências, integração com os currículos, aprender a modelar em 3D. Se bem que isso é típico nesta revista, que pretende ser sobre tecnologias na educação, mas raramente passa do catálogo de apps e equipamentos vendidos com fotografias de crianças sorridentes de tablet em punho ou jovens professoras felizes com a sua nova aplicação ou equipamento.A Tech & Learning sempre foi o melhor exemplo de um certo deslumbre com gadgets na sala de aula, com potenciais educativos duvidosos mas lucrativos para quem os vende.
Nem tudo se perde neste artigo. Pelo menos fiquei a saber que a Stratasys tem um currículo sobre impressão 3D (são alguns gigabytes de material), gratuito. Mais em linha com a linha editorial da revista, descobri que pela módica quantia de $395 compro um currículo completo de impressão 3D.
Não é este o caminho que defendo para a tecnologia educativa. O lado empresarial é importante, mas temos de nos centrar nas metodologias de trabalho e nos projectos com alunos, e não na aquisição de equipamentos só porque queremos mostrar que estamos a apanhar o comboio da tecnologia. Despejar tecnologia nas escolas não garante nem a sua utilização nem que revele o seu potencial pedagógico. Um erro comum deste tipo de projectos é centrar-se apenas no equipamento e deixar a parte que realmente interessa, a das ideias e projectos de aplicação, fique por resolver. Posto isto, devo fazer justiça à Tech & Learning, Publicaram em 2014 um artigo muito certeiro sobre impressão 3D e educação. Esse sim, vale a pena ler: The Next Dimension: 3D Printers.
domingo, 11 de outubro de 2015
Tutorial: Impressão 3D com Inkscape e Tinkercad
Novo tutorial: como criar objectos para Impressão 3D com Inkscape e Tinkercad. O objectivo é começar com um desenho no Inkscape e terminar com um objecto impresso. Imprimir em 3D obriga a saber modelar em 3D para criar objectos. Mas há uma técnica simples, que nos permite criar modelos 3D a partir de desenhos. Neste tutorial vamos aprender a criar um objecto para ser impresso em 3D, utilizando Inkscape para o desenho-base e Tinkercad para modelação 3D. Inkscape é um programa de desenho vectorial que nos permite criar desenhos rigorosos e escaláveis em 2D. Tinkercad é uma aplicação web para modelação 3D com formas primitivas, que reconhece o formato SVG (Scalable Vector Graphics) com que o Inkscape trabalha. Disponível também na nossa página de Recursos e Tutoriais.
Então, e os alunos?
Mas, e os alunos? Ultimamente esta página tem estado muito concentrada em apresentações, congressos e desafios que embora de alguma forma envolvam a escola não o fazem com os alunos. Divulgar, investigar e experimentar também são vertentes importantes, mas o objectivo desta iniciativa anda longe do falar sobre impressão 3D com crianças e jovens sem que estes a utilizem directamente. É algo que não pode ser implementado com imediatismos. Antes de estimular os alunos a imprimir, há que os ensinar a modelar. É esse o caminho que iniciámos nas aulas de TIC. Espero que lá para dezembro consigamos produzir os primeiros resultados impressos. Quanto aos projectos interdisciplinares, os processos aí alongam-se. O foco no objectivo não está perdido, e assume-se que o caminho para lá chegar não é imediato e depende de um longo esforço de aprendizagens. Imprimo muitos bonecos, é certo, mas o que quero perceber é como é que a concepção desses bonecos pode ser uma experiência de aprendizagem multi-disciplinar significativa, que se socorra do saber e do saber-fazer. A vertente mais artística explica-se pelas raízes de EVT. Podia ser mais utilitarista, mas o apelo artístico é mais forte, e o entusiasmo com os alunos reflecte isso.
Posto isto, que ideias temos para colocar a impressão 3D nas mãos dos alunos? A curtíssimo prazo, aproveitando a boleia das actividades comemorativas do Halloween, espero que três turmas de sétimo ano consigam modelar e imprimir decorações a partir do Inkscape e Tinkercad. O projecto dos talheres é para fazer, já me disse a professora de Educação Visual. Gostei da forma como simplesmente assumiu que o projecto se voltaria a repetir. Outra ideia-desafio, que irei colocar aos alunos que se mostrarem mais aptos na modelação 3D, é criar um jogo de xadrez criado no Sketchup. Eu sei, tal como vós, que este é um típico projecto introdutório no 3D. Similar ao hello world da programação, ou o jogo de labirintos no Scratch. Mas os alunos não sabem, e vai ser interessante doar ao Centro de Recursos um tabuleiro de xadrez com peças impressas em 3D. Três ideias chegam, creio. Certamente que ao longo do ano outras irão surgir.
Esta imagem demonstra muito bem a evolução da aprendizagem e descoberta da impressão 3D. O robot branco foi um dos primeiros objectos impressos. Criado no Vivaty Studio com primitivos e referências, foi um dos meus projectos para afinar capacidades de modelação 3D e estimular o trabalho dos alunos quando as TIC em 3D se ficavam pelo 3Dalpha e estavam a trabalhar no domínio dos mundos virtuais em VRML. Algo que não está totalmente posto de parte, com a ideia de a médio prazo migrar este tipo de trabalho para o Unity. As imperfeições mostram as agruras da iniciação à impressão 3D. O objecto teve de ser refeito no Vivaty, porque as conversões para STL eliminavam as referências, e tornado sólido com operações booleanas para que a impressora imprimisse correctamente e não gerasse buracos na intersecção de elementos. Impresso em modo rápido, com suportes. Ao lado, alguns meses depois, o resultado do desafio da Vânia Ramos, da DGE, para tridimensionalizar a mascote do projecto de introdução da programação no 1.º ciclo do ensino básico. Modelado de raiz no Tinkercad, pensado de acordo com as condicionantes da impressora, impresso em qualidade média com suportes facilmente eliminados com um x-acto. São estes processos de aprendizagem que permitem levar esta tecnologia aos alunos. A impressão 3D, como já li algures, é um processo que tem mais de artesanal e artístico do que de industrial. Não é, de longe, ligar ao computador e imprimir objectos. É isso que a torna interessante.
E neste ano estou apostado em conseguir que alunos controlem todo o processo de impressão 3D, da modelação, passando pela validação e preparação, ao controle físico da impressora. Iremos conseguir?
3D Printing: The Next Industrial Revolution
Christopher Barnatt (2013). 3D Printing: The Next Industrial Revolution. Explaining The Future.
Suspeito que entre 2013 e 2015 o panorama global da impressão 3D não se tenha alterado assim tanto, embora seja provável que o directório global de empresas ligadas a esta indústria emergente teria de reflectir a explosão na impressão 3D. Apesar do título bombástico, Barnatt assenta o livro numa longa e detalhada explanação das diferentes tecnologias de impressão 3D e suas potencialidades, ancorado nas condicionantes técnicas que lhe são inerentes. Não esperem daqui previsões bombásticas e ocas sobre o futuro brilhante da impressão 3D na casas de todos. Para além de um detalhar didáctico das várias vertentes da tecnologia, o ancorar das análises de potencial na condições técnicas, sociais e económicas é um dos grandes pontos de interesse deste livro. A visão de longo prazo de Barnatt é algo deprimente, postulado um futuro próximo onde a impressão 3D pode ser a resposta aos desafios do fim de uma globalização trazida pelo esgotamento de recursos energéticos.
sábado, 10 de outubro de 2015
Apresentações e comunicações do 1.º CNPI
A ANPRI disponibilizou os textos e apresentações do 1.º Congresso Nacional de Professores de Informática nesta ligação: ANPRI - Eventos.
Drive forward
Não é, de facto, um investimento leve para as escolas. Os kits para montar mitigam os preços, mas as soluções desktop consumer que se adequam mais aos níveis de ensino elementares são bastante caras, tendo em conta o pouco que se sabe sobre o potencial da impressão 3D na sala de aula. Potencial que se intui, que se sente como importante e mais valia no processo de ensino e aprendizagem, mas que está ainda muito por estudar. Antes de adquirir, há que pensar e reflectir sobre valências, usos e integração curricular. E mesmo depois de se ter a impressora a imprimir na sala de aula essa reflexão continua e reforça-se.
De Barnatt, C. (2013). 3D Printing: The Next Industrial Revolution. Explaining The Future.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Sneak Preview
O objecto final vai ser impresso no encontro Dia da Programação e da Robótica, inserido nos eventos dinamizados no âmbito da Europa Codeweek. É uma visualização em 3D da mascote do projecto de introdução da programação no 1.º ciclo.
Ainda não está pronto, creio. Tive de adaptar o desenho original às exigências da impressão 3D, eliminando detalhes que sabia que ficariam demasiado pequenos para a resolução da impressora, e rectificar ângulos cuja amplitude ultrapassa o recomendável na impressão 3D FFF. Mesmo assim, a ideia de usar uma forma parabolóide para a antena foi má ideia, como se nota pela finalização menos bem conseguida. Hora de ir corrigir. Este foi um bom exercício para me orientar nas metodologias de trabalho do Tinkercad.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
COIED 2015
Próximo desafio: levar as TIC em 3D à Conferência Online de Informática Educacional. Será uma sessão vídeo no dia 14 de outubro, à noite. Não será fundamentalmente diferente da apresentação da 1.ª CNPI. O objectivo é divulgar, mostrar as experiências e dar a conhecer as potencialidades da impressão 3D. Com este esforço talvez se consiga despertar o interesse e abrir a discussão. Porque, pelo que se vai sabendo por ai, são cada vez mais as escolas que estão a investir em impressoras 3D para clubes, cursos profissionais ou de secundário. Nós estamos um pouco mais abaixo, à procura de metodologias e estratégias com alunos mais jovens. E estamos muito bem acompanhados na conferência, com Paulo Torcato, de O Robot Ajuda, a dinamizar um workshop sobre robótica mesmo antes de falarmos sobre impressão 3D.
domingo, 4 de outubro de 2015
Congresso Nacional de Professores de Informática - Impressão 3D: Experiência Introdutória
Slide 1: Estando aqui, à vossa frente, olho e aposto que sei no que estão a pensar: bolas, ainda falta mais um! Ainda por cima, no final deste longo e interessante dia levam com este storzinho (é assim que as minhas alunas me apelidam, nem com barba me respeitam, talvez vingança por as apelidar de queridas) babado, que teve uma sorte inacreditável. Que ainda hoje por vezes não acredita que a teve. Com isso, abriu uma porta, e deu primeiros passos com os seus alunos. Que são o que são. Não esperem algo de fabulosamente fantástico e espectacular. São primeiros passos que procuram perceber se e como é possível utilizar a impressão 3D com as crianças do ensino básico. Ah, e trouxe coisinhas giras. Bem, para mim são giras. São objectos modelados e impressos pelos meus alunos. Normalmente nestes eventos há uma grande distância daqui para aí, mas não resisto a passar-vos para as mãos. Toquem.
Slide 2: Apesar de bem conhecida, ainda não chegámos ao momento em que os pressupostos técnicos do 3D printing sejam dados adquiridos. Começamos, por isso, por falar um pouco desta tecnologia. E começamos por isto: o hype cycle da Gartner para a impressão 3D em 2015. Creio que estas curvas dos hype cycles descrevem muito bem a nossa percepção sobre as tecnologias de ponta. Desde o momento em que saem dos laboratórios e nos deslumbram, em que pensamos que fixe, que fantástico, quero ter aquilo, até ao ponto máximo de interesse em que nos apercebemos que não sabemos bem o que fazer com o que tanto nos deslumbra. É aí que cai, a pique. Mas quem tem ideias, quem se apercebe dos usos, mantém-se no terreno e desenvolve as tecnologias. Quando nos voltamos a aperceber delas, estão integradas no nosso dia a dia. Creio que todos conhecem um exemplo muito recente. Lembram-se de quando os tablets surgiram? Recordam-se de pouco depois terem perdido o interesse? E agora, quantos de vós não os têm integrados no vosso dia a dia, quase sem se aperceberem?
Slide 3: Se queremos imprimir, temos que ter... uma impressora. Duh, diria La Palice. Que tecnologias de impressão 3D utilizar? Não me vou alongar sobre os diferentes métodos disponíveis. Só isso seria uma longa discussão, e este dia já está longo. Digamos que aquela que nos é mais acessível, por questões de preço e disponibilidade de equipamentos, é a FFF, fused filament fabrication. Como é que funciona? De forma muito elegante. Qualquer um de vós que já tenha trabalhado com uma pistola de cola quente ou uma bisnaga de pasteleiro percebe o seu princípio. Essencialmente, temos um material termoplástico derretido que é forçado a passar pelo bico de um extrusor e depositado sobre uma superfície. Esse processo é controlado por motores passo a passo que descrevem uma trajectória sobre uma superfície. Quando termina, a superfície desloca-se um passo, e repete-se o processo. E repete-se, repete-se, repete-se, até o objecto ficar impresso. É um processo que se mede em... horas. A impressão 3D não é para os impacientes.
Que impressoras utilizar? Disponíveis no mercado temos essencialmente dois tipos. No slide estão três, eu sei. Num extremo temos as impressoras totalmente open source, que no limitem pode ser construídas indo à web descarregar planos, às vossas arrecadações de material para canibalizar cablagens e motores, serrando madeira ou metal para as estruturas, utilizando boards Arduino para controlar. No outro extremo temos impressoras consumer grade, desenhadas para minimizar a interacção técnica com o utilizador. Parecem forninhos, dos quais saem as peças prontas. Num ponto intermédio temos a que utilizamos, uma beethefirst, de base open source mas pensada como consumer.
Porque é que a escolhemos? Essencialmente porque não sei soldar e programar arduinos... mas isso seria torneável, claro. Tendo em conta o nível de ensino em que trabalhamos, interessava-nos um equipamento que possibilitasse introdução rápida na escola. E foi o que aconteceu. A impressora chegou-nos numa quinta-feira, no dia seguinte estava a imprimir na sala de aula. Nunca tive a turma de CEF tão atenta e silenciosa como nesse dia. Se fosse professor de um curso secundário ou profissional, creio que uma Prusa seria a melhor solução porque daria aos alunos a experiência de a montar. Não sendo, preferimos algo que dê para ligar e trabalhar. Apenas funcione.
Houve outros critérios de escolha. Preço, claro, mas também proximidade com o fabricante para nos resolver problemas. E apostar numa empresa portuguesa que desenvolve tecnologia de qualidade. Afinal, somos escola pública, gerimos dinheiros públicos, porque não o investir em tecnologia desenvolvida por portugueses?
Slide 4: Temos uma impressora 3D, e agora fazemos o quê? Imprimimos, claro. Mas que objectos? É muito fácil pesquisar na web ou aceder a repositórios como o Thingiverse para descarregar modelos para imprimir. Mas... somos professores. Queremos estimular o uso do computador como ferramenta criativa, e não a sua utilização passiva de consumo de conteúdos. Aqui, creio que partilhamos todos deste mesmo objectivo. Por isso, há que aprender a modelar em 3D. Em que software? Estão a ver ali muitos. Seria um professor muito frustrado, talvez com marcas e equimoses, caso levasse um Blender para a sala de aula. Por isso optamos por programas simples, que facilitam a aprendizagem da modelação 3D. Podem ir do mais complexo, como o Sketchup, que apesar de fácil de usar tem recursos avançados, a aplicações para tablet que funcionam quase como jogo.
Slide 5: Pronto, temos os nossos modelos. Já podemos imprimir? Hã... não. Agora é preciso fazer um trabalho fundamental que, confesso, ainda não encontrei forma de inserir na aula. Modelar e imprimir é fácil, os alunos modelam enquanto a impressora imprime. Mas para este passo não há receitas, é um processo com muito de artesanal.
Em primeiro lugar, o objecto que criamos pode vir num de muitos formatos de programas 3D. OBJ, VRML, 3DS, collada... e a impressora apenas reconhece STL. Como fazer? Utilizamos software de conversão para converter para impressão. Preferimos o Meshlab, que foi desenvolvido para arqueologia. Depois, há que validar o ficheiro. As impressoras 3D são exigentes. Qualquer modelo a imprimir tem de ser estanque e ter as normais da malha poligonal todas orientadas na mesma direcção. Ou seja, não pode ter buracos, porque senão ao imprimir dá... buraco. No seu sentido mais literal. O que não quer dizer que o modelo não possa ter orifícios. Mas a sua casca tem de ser contínua, sem rasgos, ou polígonos alinhados de forma inversa que serão interpretados como buracos pela impressora. Nisso, programas como o Mesmixer podem ajudar, corrigindo problemas ou gerando uma casta exterior, outer shell, para imprimir. Mas não fazem milagres, e muitas vezes é preciso regressar ao modelo 3D original. A validação da mesh com uma aplicação como o netfabb é um passo fundamental. Resta fazer o slicing, fatiamento, que irá gerar o código que controlará a impressora no processo de impressão.
Slide 6: E pronto, já estamos a imprimir! Aqui, há dois níveis. Este, que vêem na imagem, é o de introdução. De colocar os alunos a criar modelos para imprimir. Na sala de aula, nas TIC, levando para o átrio. O que estão a ver são alunos do primeiro ciclo que vieram à nossa escola. Não é por acaso que a impressora está aberta, é mesmo para verem como funciona. Ainda não conseguimos ir às escolas do primeiro ciclo, mas as minhas colegas coordenadoras de estabelecimento estão sempre a perguntar-me quando é que lá vais para vermos imprimir? Despertar a curiosidade, aproximar, desmistificar, mostrar às crianças que afinal aquela tecnologia fantástica que viram na televisão está ali ao pé deles e a podem utilizar são, creio, primeiros passos fundamentais.
Slide 7: O segundo nível é o que nos parece mais importante, porque integra a impressão 3D noutros contextos que não a sua mera introdução. O que estão a ver é um caso de trabalho interdisciplinar, onde os alunos aplicaram processos de redesign em Educação Visual, utilizaram métodos de representação rigorosa e prototipagem em argila. Sim, essa coisa que nos suja as mãos. Em seguida, comigo, modelaram em 3D e imprimiram os seus objectos. A interdisciplinaridade, este cruzar de diferentes áreas e conhecimentos potenciada por ferramentas digitais, é uma característica que creio ser a mais importante no trabalho com as TIC. Quer seja com impressão 3D, com Web 2.0, robótica, o que quiserem. Onde as coisas se tornam realmente interessantes e as tecnologias geradoras de conhecimento e aprendizagem é no cruzamento possibilitado por trabalhos interdisciplinares.
Slide 8: Porque o que precisamos são de ideias. Se todos começarmos a trazer impressoras 3D para a escola só porque parece fixe e moderno, isto vai falhar. Temos que pensar e saber o que queremos delas na educação. Quais as suas valências, onde podem melhor potenciar aprendizagens. E isso faz-se experimentando, mas também partilhando experiências. Afinal, como até foi observado esta manhã por David Justino, a criatividade por si só não existe. É como digo aos meus alunos: quanto mais livros lerem, exposições visitarem, música ouvirem, filmes, passearem nas ruas de olhos bem abertos, mais criativos ficam. Ideias geram mais ideias.
Tanto quanto sei, mas como sou independente não tenho acesso aos repositórios pagos de artigos, não há ainda muita investigação sobre a introdução da impressão 3D na educação. O que há é muita partilha. Em fóruns, redes sociais, livros. Aí há ideias. Não é por acaso que vos trago estas imagens. Algumas são trabalhos de alunos de um professor do primeiro ciclo canadiano, da zona de Toronto, creio. São coisas como cidades modeladas, lá está, estudo do meio, ou insectos, em ciências. Ou tornar concretas ideias abstractas ligadas à geometria.
Ideias não faltam, temos que perceber como integrar, que metodologias, abordagens, estratégias, vantagens e desvantagens. Mas como disse, este é um primeiro passo. É por isso que o partilhamos, para contribuir para a discussão e despertar ideias.
Slide 9: E é isto. Aquele sorriso que estão a ver, que nalguns casos são gritos de incredulidade de alunos que não acreditam que seguram nas mãos o que criaram no computador, é o que mais nos alegra. Se estiverem interessados e quiserem saber mais sobre o lado técnico, ou ter acesso ao que falei com o necessário rigor académico, visitem o nosso site ou contactem-me. Obrigado pela vossa paciência!
Registo da partilha de práticas, no dia 2, no auditório da Microsoft. Optei por um estilo de apresentação mais informal e coloquial. Fui o último a falar num dia recheado de keynotes e apresentações que iniciaram às nove da manhã. Achei que pelas seis da tarde já ninguém teria paciência para um discurso cinzentão. Creio que é uma forma de apresentar que faz cada vez mais sentido. Sacrifica-se algum rigor científico mas ganha-se no transmitir da paixão que se sente pelo objecto de estudo. Note-se que falar e apresentar algo de forma informal não significa falta de seriedade. O lado mais técnico, descrito de forma sóbria, anotado com bibliografia referenciada de acordo com os normativos APA irá em breve ser aqui disponibilizado. Espero ter cativado a audiência, e pelo que me foram dizendo no dia seguinte gostaram do que viram. E da abordagem. Um colega perguntou-me se era assim que dava aulas. De facto, é. Descomplicar, desmistificar, sorrir. Ser sério não obriga a ser sisudo, ou obriga?
(Nestas coisas, como ando sempre a alta velocidade, esqueço-me sempre de agradecimentos. O maior dos quais vai sempre para os alunos. Sem eles isto não seria possível. Mas também para os meus colegas e direcção, cujo apoio e paciência para me aturarem tem sido fundamental. É por isso que ao falar e escrever oscilo tanto entre um eu e um nós. Porque se realizo um trabalho, ele não seria possível sem o contexto onde estou inserido. Também não posso deixar de agradecer à ANPRI pelos desafios, não só deste congresso (aprendi imenso sobre o que não devo fazer em impressão 3D com os logotipos da associação) mas noutros contexto. E, em especial, porque foi graças à força que a associação que representa os professores de TIC e Informática exerceu sobre a Rede TIC e Sociedade para que incluíssem projectos de escolas nos prémios Inclusão e Literacia Digital que estamos, hoje, felizes com uma impressora 3D que deslumbra e potencia a nossa comunidade educativa. Lá está, binómio eu/nós. Não é bipolaridade, é reconhecimento da interacção de factores que permitem ir mais longe.)
sábado, 3 de outubro de 2015
Conexão de rede
O tema era Build the Network e era a isso que se destinava este primeiro congresso dos professores de informática. Organizado pela ANPRI, reuniu em Lisboa nos dias 2 e 3 de outubro um número assinalável de docentes da área que assistiram a apresentações informativas, keynotes que deram alimento ao pensamento e momentos de partilha. A grande virtude foi o ter reunido num mesmo local uma comunidade de docentes dispersa pelo país, cada qual com a sua experiência e contexto, permitindo partilhas e o encontro real de muitos que se vão cruzando na vida virtual.
O programa foi extenso e ambicioso, contando com a participação de muitas entidades parceiras da ANPRI. Poderão não ter sido as apresentações mais cativantes, mas sublinharam um lado fundamental da nossa tarefa enquanto docentes: estar atento ao que está para lá de nós. Às oportunidades de formação, necessidades e condicionantes do mercado de trabalho. É um lado mais cinzento, certamente não tão divertido como falar de robótica ou comparar sistemas operativos aplicados no parque de servidores, mas é a infraestrutura que nos apoia e justifica o esforço que colocamos nos alunos. Noutras apresentações sublinharam-se possibilidades de parcerias institucionais que podem apoiar e potenciar o nosso trabalho no terreno.
No que toca aos keynotes, David Justino deixou-nos, como é habitual, a pensar no que queremos dizer quando falamos de tecnologia na educação. Miguel Zapata-Ros aprofundou questões ligadas ao pensamento computacional. Confesso que tenho uma relação ambígua com esta ideia. Vejo-a muito falada, mas pouco citada em contextos de artigo. Talvez por ser muito recente, ou por como independente que sou não ter acesso aos repositórios internacionais pagos. Mas é sem dúvida um conceito intrigante, que consegue descrever a flexibilidade mental que nos é trazida pelo digital. Se bem que sempre que se entra em detalhes sobre as suas componentes apetece-me perguntar se os proponentes do pensamento computacional já pensaram em ir falar com as pessoas de belas-artes. Quando falam em iterações, tentativa-erro, pensamento divergente, colaboração, decomposição de problemas em partes, fico sempre com a intuição que é este o tipo de pensamento que quem trabalha em artes utiliza. Misturando pensamento computacional com extensões lógicas da incipente introdução à programação no primeiro ciclo, José Ramos encerrou o congresso.
As TIC em 3D também estiveram presentes. Infelizmente não a imprimir em 3D como gostaria, mas falou-se um pouco desta incipiente utilização de impressão 3D com crianças do ensino básico. Pelo que me constou, parece que a audiência gostou.
Muito poderia, e sê-lo-á, certamente, ser escrito sobre este primeiro congresso. A sua grande mais valia, a que senti como tal, foi poder conversar e trocar impressões com colegas interessantíssimos com que apenas me cruzo na vida digital. A equipe organizadora está de merecidos parabéns, especialmente a presidente da ANPRI, Fernanda Ledesma, cujo incansável esforço (muito do qual pouco visível mas fundamental) tem criado condições excepcionais para as TIC na Educação por cá. Fatigado mas inspirado depois destes dois intensos dias, resta-me dizer um... até ao 2.º congresso dos professores de informática?
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Aquele momento...
(Aquele momento em que vais ao site do CNPI e pensas bolas, naquele dia devia ter trazido a minha t-shirt do Doctor Who.) Yep, é uma imagem da acção de formação de introdução à modelação 3D em Sketchup.
Codeweek EU
Não podíamos deixar passar a Codeweek EU. Este ano aproveitamos para introduzir a programação com as turmas de oitavo ano e com as de sétimo, modelação e impressão 3D (aproveitando o Halloween como tema). Também contamos estar a fazer um live printing no dia 17 de outubro no evento Codeweek da DGE.
Congresso Nacional de Professores de Informática
Amanhã estaremos no 1.º Congresso Nacional de Professores de Informática, a aprender, partilhar conhecimento e falar um pouco sobre experiências de trabalho com impressão 3D. Em colaboração com a ANPRI também imprimimos o logotipo do congresso para oferta aos convidados e oradores. Disponibilizar à comunidade um serviço de impressão 3D é um dos objectos do nosso projecto, que ainda não implementámos por perceber que ainda temos muito que aprender sobre 3D e impressão para o poder fazer com qualidade. Este desafio da ANPRI foi uma experiência de aprendizagem que ajudou a perceber como implementar este serviço. Esperemos que os convidados gostem da surpresa... colorida (essa foi uma das lições: adquirir atempadamente o filamento da cor escolhida).
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Sneak Preview
Sneak preview da versão 1.0 uma missão impossível. Com alguma liberdade artística deu-se a volta. Prova de conceito efectuada, agora é refazer com mais rigor para optimizar a impressão 3D. É também a primeira boa experiência com o Tinkercad.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
1.º CNPI
Sob o tema build the network vai decorrer nos dias 2 e 3 de outubro o 1.º Congresso Nacional de Professores de Informática. Iniciativa da ANPRI, irá abrir espaços de debate sobre as TIC e educação que se prevêem interessantes. Também lá estaremos, a partilhar e aprender. E já que se está por Lisboa aproveita-se e revê-se dia 2 o clássico Os Emissários de Khalôm na Cinemateca e a 3 haverá música nas praças lisboetas entre o Carmo e o largo do município.
domingo, 27 de setembro de 2015
Destaques na Imprensa Local
Ó professor, já viu que aparece no jornal? diz-me, entusiasmada, a simpática Dona Clara que tanto gosta de vir espreitar a impressora a imprimir.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Ordenar
Desafio do dia: meter ordem no gabinete de trabalho. Gabinete é um eufemismo. Este é um espaço que alberga o parque de servidores e routers principais do Agrupamento e que se tem vindo a tornar um espaço de trabalho. Confesso que prefiro ver a bee na sala de aula, mas nem sempre se está a dar aulas nem a sua duração se adequa ao tempo médio de impressão de um objecto. Para dar vazão aos projectos, geralmente trabalha nesta sala que estava algo atravancada com material informático obsoleto ou a aguardar reparação. Hoje, com a preciosa ajuda das funcionárias (coitadas, logo de manhã), renovou-se o espaço e criou-se uma zona dedicada para a impressão 3D. A porta, essa, continua aberta como sempre esteve. Quando estou a trabalhar neste espaço, não há portas fechadas e todos os que quiserem podem entrar e espreitar o que se anda a fazer. Porque este projecto é para a nossa comunidade.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Caminhos
Hoje, no 1.º Congresso da Rede TIC e Sociedade. Para além das partilhas interessantes e de rever alguns rostos conhecidos, foi também um momento onde se desenharam alguns desafios futuros para as TIC em 3D.
De caminho recordámos que o nosso pequenino projecto foi distinguido como de mérito pela organização. Uma pequena distinção que nos permitiu dar um grande salto, e conceber desenvolvimentos futuros mais ambiciosos. Mas não para já. Agora o desafio é o de procurar formas concretas de integrar a impressão 3D no currículo, com actividades significativas onde aprendizagens de diferentes áreas recorram a esta tecnologia como meio de criação. Por muito que nos fascinem os movimentos precisos do extrusor a depositar filamento, não concebemos a impressão 3D como algo por si só. Queremos contribuir para a discussão das suas valências e utilizações. E isso faz-se na sala de aula, com as crianças.
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