Em modo de reflexão. Aqui no nosso mundo da educação, debate-se imenso a IA, entre o deslumbre com ferramentas generativas, temores da alienação no conhecimento delegado ao chatbot, e a proliferação de imagens feias geradas para ilustração de conteúdos ou cartazes (não se se prestaram atenção às imagens da MoDA de inglês de hoje, vi algumas de relance e eram típico ai slop). Fala-se, discute-se, mas o pouco que se usa é de uma forma muito linear, o que é natural, andamos todos a perceber para que tipo de pregos o martelo da IA serve.
Sair da educação e ver o que se passa noutros campos ajuda a perceber melhor os reais impactos desta tecnologia, olhando para criadores que acima de tudo, praticam e aplicam. Os encontros Lisbon Loras têm sido interessantes na forma como criadores mostram não como integraram a IA, mas sim como esta se tornou uma ferramenta elementar nos seus processos de trabalho.
Não se trata, ao contrário do que tanto se fala por ai, de clicar no botão para a IA fazer todo o trabalho. Estes criadores olham para a automação inteligente de processos rotineiros, cruzam técnicas tradicionais com IA, e têm todos em comum um esforço consciente de ir além da geração, condicionando e trabalhando a imagem e o vídeo para ultrapassar as condicionantes da IA generativa.
Não são criadores de topo, conhecidos fora dos seus nichos de mercado, culturalmente relevantes (no sentido clássico da ideia). São, de certa forma, os proletários das indústrias culturais, os que concebem campanhas e iconografiaa para o que se vende nas lojas, logótipos para os pequenos negócios, imagens de marca para aquelas marcas que não são de luxo. Em suma, são os trabalhadores que produzem aquelas imagens que nos enchem o dia a dia, desde as partilhas fugazes nas redes sociais aos cartazes publicitários nas ruas.
Sim, perceberam. Enquanto na educação (e sociedade em geral) discutimos os temores éticos da IA, o ambiente ao nosso redor já é caracterizado por imagética generativa, bem trabalhada para não ser mero AI slop.
Há também que referir que as pizzas encomendadas pelas Loras são deliciosas. Caem mesmo bem com uma cervejinha depois de ouvir as intrigantes partilhas dos criadoras.
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