segunda-feira, 12 de setembro de 2022

VIII Encontro CFAERC

Começar o novo ano com um regresso aos desafios anteriores. No âmbito do VIII Encontro do CFAERC, dinamizámos um painel dedicado à capacitação digital. O painel "Ações de Capacitação Digital: partilha de práticas com tecnologias criativas", permitiu-nos dar voz aos formandos das formações que dinamizámos no CFAER (a de capacitação digital nível 3, e a muito divertida, pelo menos do meu ponto de vista, Tecnologias Criativas). Este momento de partilha iniciou-se com o diretor do centro de formação, Carlos Manique, e Marília Peres, a apresentar o livro digital sobre o impacto das ações de capacitação digital desenvolvidas em Mafra.

Para começar o painel, espaço à minha colega de longa data, Carla Farinha, que mostrou aos participantes uma experiência de uso de inteligência artificial na aula de Português. Desafiou os alunos a criar, usando a GauGAN da Nvidia, fotos de paisagens que nunca existiram, para em seguida construírem pequenos textos descritivos a partir dessas imagens. No rescaldo dessa partilha, permitiu mostrar o quanto a tecnologia de geração de imagens por inteligência artificial evoluiu, mostrando-se algoritmos como o DALL-E ou Stable Diffusion.

Seguiu-se a Maria João Marques, docente da secundária de Mafra, que partilhou uma experiência de animação com programação em ambientes visuais desenvolvida na formação Tecnologias Criativas. Um pequeno exercício de storytelling com programação tornou-se uma animação complexa.



Tinha pensado deixar para o final da sessão a minha intervenção, mas depressa percebi que a sessão deveria ser encerrada por outra experiência. Nestes momentos, gosto de ir fora da caixa e testar novas ideias e tecnologias. Tenho andado a experimentar fortemente com digitalização 3D (lidar e fotogrametria), e partilhei um pouco do que se pode fazer com essas tecnologias.

O foco principal está no telemóvel, pela sua portabilidade. No caso do iPhone, pelas capacidades dos sensores Lidar, e no caso dos Android, pelas várias apps que permitem fazer fotogrametria com facilidade (por pura sorte, a Polycam disponibilizou o seu modo fotogrametria alguns dias antes desta sessão). Levei telemóveis para se poder experimentar, mas optei por não o fazer, porque queria dar o máximo de espaço à última intervenção do painel.


Que foi divertida e muito bem sucedida. Dinamizada por Patrícia Castelhano, docente do 1º ciclo na Ericeira que partilha comigo o estatuto de exilada da antiga EVT, propôs um atelier de construção de robots desenhadores com Lego. Uma proposta enganadoramente simples, que surpreendeu e alegrou os participantes.


 Foi o melhor momento desta formação (sem demérito para as restantes partilhas), deixado para o final precisamente para gerar mais impacto. Porque era isto que se pretendia, desmistificar tecnologias, mostrar que as abordagens ao digital na sala de aula não têm de passar pelo formalismo da criação de documentos, apresentações ou padlets. Podem apostar na criatividade, no cruzamento de expressões artísticas com as potencialidades do digital.

domingo, 11 de setembro de 2022

Memórias do Passado Tecnológico


 Olha, queres ver uma antiga tecnologia pedagógica, que aposto que durante algum tempo foi super requisitada pelos professores aqui na escola? Se calhar até por ti, pergunto a uma colega enquanto lhe mostro este gravador (e reprodutor de cassetes em fita magnética, para os que acharem este objecto mais enigmático). "Ah", responde, já nem me lembrava disso!"

"Tenho aqui uma coisa que ia colocar na reciclagem eletrónica, mas quis mostrar-te, talvez tenha interesse...", disse-me aqui há dias uma colega, que logo a seguir tira um portátil antigo da sacola. Normalmente torço o nariz a doações bem intencionadas de material obsoleto para a escola, mas olhei com atenção. Isto é excelente para o eventual futuro museu da tecnologia aqui na escola, disse-lhe. Ao longo dos anos tenho vindo a agregar exemplares de tecnologias antigas, obsoletas ou caídas em desuso que vão chegando, entre doações e coisas esquecidas no fundo dos armários. Alguns ainda a funcionar. Talvez um dia consiga encontrar forma de os mostrar.

O computador dela deu entrada na colecção. Parece estranho,  mas estamos sempre tão deslumbrados com as novidades tecnológicas, que nos esquecemos da importância da memorialização. Quer como curiosidade, quer como recordação da história das tecnologias que usámos, que nos permitiram fazer coisas interessantes e diferentes, ou explorar diferentes formas de ensinar. 

Aposto que algures, nalgumas bibliotecas universitárias, estão esquecidos alguns artigos  e teses a analisar o impacto do uso do gravador de fita magnética na aprendizagem, ou a elencar estratégias inovadoras para o seu uso. 

O obsoleto de hoje já foi o inovador do passado, e há que saber valorizar essa memória histórica e tecnológica. Para não se cair no desvalorizar de passos fundamentais para se chegar onde chegaremos amanhã. Para contextualizar as inovações de hoje (não por acaso, nas formações de capacitação digital nível 3 que dou, incluo um texto de Quintiliano nas leituras sugeridas). E, também, porque recordar esta evolução ajuda a distinguir o trigo do joio nas correntes discussões e hypes sobre as tecnologias educativas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Digitalizações 3D

Verão é altura de pausa e descanso, mas também época para aproveitar e explorar aquilo que não temos tempo noutras alturas do ano. Este verão, aproveitei para explorar um pouco mais a digitalização 3D, cruzando o gosto pela viagem, pelo património, pela visita a espaços, com o treino e melhoria das minhas capacidades de captura.

As digitalizações foram feitas com um telemóvel iPhone 13 Pro Max, tirando partido do seu sensor de Lidar. Alternei entre as aplicações Scaniverse e Polycam. As capturas são interessantes, mas revelam as limitações da plataforma, os modelos visualmente são interessantes, mas uma análise mais profunda mostra que a malha poligonal não é tão detalhada quanto parece. Estas apps trabalham muito bem com a texturização, e é isso que nos dá a sensação de fidelidade na captura. É natural que assim seja, o Lidar no iPhone não foi concebido para digitalização. Mas usar um telemóvel para este tipo de capturas é muito mais acessível do que equipamentos dedicados.

Não posso encarar isto como digitalização de alto nível, para isso teria de enveredar pela fotogrametria pura ou usar scanners laser ou lidar (e para isso, não há orçamento...) dedicados. O scan 3D por telemóvel é um passo intermédio entre fotografia e 3D, permite captar o momento, a memória, de uma forma volumétrica. E, só por isso, já é interessante e abre caminhos estéticos.

Gruta da Pena by Artur Coelho on Sketchfab

De visita ao parque e palácio Biester, captura da gruta decorativa nos jardins.

Sacristia by Artur Coelho on Sketchfab

A basílica de S. Francisco el Grande foi uma inesperada surpresa do esplendor barroco. Era proibido recolher imagens no seu interior, mas não resisti a fazer algumas capturas à socapa. Aqui, uma das salas da sacristia da Basílica.

Trajes de Ópera Chinesa by Artur Coelho on Sketchfab


Não posso dizer que esta é uma boa captura, estava com distância, e condições de baixa luminosidade, através de vidros reflexivos. Mas deu um resultado esteticamente interessante. Museu do Oriente, exposição dedicada aos trajes da Ópera Chinesa.

Sem Casa, Sem Pão, 1919 by Artur Coelho on Sketchfab

O Museu de José Malhoa nas Caldas da Rainha tem uma assinalável coleção de arte figurativa portuguesa, do final do século XIX aos meados do século XX. Capturei lá esta escultura de José Rato, de 1019.

S Miguel Arcanjo (MASMO) by Artur Coelho on Sketchfab

Há que admirar o ar feliz do arcanjo ao esmagar a cabeça à serpente. Estátua quinhetista, no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.

Ponte Romana da Catribana by Artur Coelho on Sketchfab

Perto de uma das praias que frequento, a da Samarra, encontra-se a aldeia da Catribana, onde está preservada uma ponte romana e parte de estrada. Um scan ambicioso, a puxar os limites do que o iPhone consegue fazer em termos de distâncias.

Sala do Palácio de Queluz by Artur Coelho on Sketchfab

O scan 3D é uma boa forma de dar a noção do interior dos espaços. Aqui, uma sala dedicada à azulejaria no Palácio Nacional de Queluz.

Esfinge by Artur Coelho on Sketchfab

Nos jardins do Palácio de Queluz, uma esfinge com um simpático ar entre o barroco e o neoclássico.

Capela de S. Martinho, Óbidos by Artur Coelho on Sketchfab

Outra captura interior, com um pouco de exterior. A capela de S. Martinho, em Óbidos.

S. Miguel Arcanjo by Artur Coelho on Sketchfab

Também em Óbidos, na Igreja de S. Pedro, um belíssimo arcanjo barroco.

Asterix, Obelix e Ideafix by Artur Coelho on Sketchfab

Aproveitei uma estadia em Madrid para visitar a exposição Cómic: Sueños e Historia na CaixaForum (digamos que foi uma das razões para ir à capital espanhola). Uma das secções mais instagramáveis da exposição incluía estes modelos de Astérix e Óbelix.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Lab Aberto BootCamp 2022

 

Entre os dias 14 e 17 de julho decorreu no Lab Aberto, Torres Vedras, o Boot Camp 2022. Um ponto de encontro de makers, fablabs, empresas e professores, sob o tema competências para a sociedade 5.0. Os participantes puderam interagir com um vasto leque de destacados makers e académicos europeus e americanos, sempre em ambientes informais de partilha aberta.

Da garrafa ao filamento, um projeto de reciclagem de plástico PET para produção de filamento para impressão 3D.


Scanners 3D profissionais da Isicom.


Estátua colaborativa de Nelson Mandela em construção.


Projetos do fablab Oficinas d'Almada.


Algoritmo de inteligência artificial do Open Bot em pleno treino.


Um Open Bot original.


Fazer, reciclar, criar.


João Simões e Ricardo Pereira, a afinar a máquina de produção de filamento.


Um computador portátil criado a partir de um Raspberry Pi, à venda na Mauser.


Introdução à Modelação 3D e pensamento computacional. Aquele workshop de sempre...


Costuras e circuitos no workshop weaRables de Núria Miguélez, do FabLab Leon.


Um Mandela quase pronto.


Scanners melhores que iPhone, e também mais caros.


Um Open Bot especial.


A montagem da estátua impressa em 3D de Nelson Mandela. Um trabalho colaborativo entre fablabs, makers e escolas que imprimiram as peças necessárias, coordenado por Nuno Gomes (XYZ Labs) e que contou com a ajuda adicional do fablab italiano WeDo na montagem final.


António Gonçalves e João Simões, os líderes do Lab Aberto, e organizadores deste Bootcamp 2022. Já a prepararem-se para 2024.



É, certamente, a imagem mais emblemática deste encontro, representando criatividade, espírito colaborativo, sentimento comunitário, e alguma sanidade duvidosa.


Como disse o sempre brilhante Ricardo José Pereira, que junto com o António “são as pessoas” Gonçalves, é dos meus senseis, guiding spirits e grandes professores Makers, isto é recarregar a força maker que nos vai na alma. Onde mais se reúne um professor de informática, uma jovem professora (eles existem!) de matemática, um animador extraordinário, e uma trabalhadora da aviação, para conversar sobre 3D na educação, a importância do criar, e as ligações da modelação 3D ao pensamento computacional , com este ex-professor de artes que se apaixonou pelos caminhos da informática?  Este foi o "meu" momento no Lab Aberto Bootcamp 2022, mas estes dias por Torres Vedras foram um furacão de aprendizagens. Até enfiei os dedos em pastas à base de algas, e fiquei apaixonado por uma forma giríssima de combinar microbit, animação  e sensores vinda da Finlândia.

(Um momento de orgulho pessoal: conhecer, finalmente, em pessoa Megumi Iwata, professora finlandesa que se dedica a investigar as possibilidades do pensamento computacional, e a primeira coisa que me disse foi ter ficado mindblown por uma sessão sobre modelação 3D, telemóveis e pensamento computacional que dinamizei no ano passado na Fab 16, e incorporou essas ideias no seu trabalho. Confesso, soube bem ouvir...)

Workshop 3D e Pensamento Computacional - XXI Encontro CCEMS

 

É sempre um prazer regressar a Leiria, e ao encontro do Centro de Competências Entre Mar e Serra, sempre um dos mais dinâmicos e vanguardistas. Este ano, o desafio passava por dinamizar uma sessão sobre 3D. Infelizmente, porque o calendário deste encontro se sobrepunha ao Bootcamp do Lab Aberto, a visita foi mesmo de fugida.




O grupo de formandos era pequeno, e ainda bem. Em vez de uma longa e cansativa preleção sobre 3D, foi uma conversa intimista, cheia de curiosidades, e algum toque experimental. Apesar da informalidade, deu para falar sobre 3D, aplicações pedagógica, a importância cognitiva da modelação e  a sua ligação ao pensamento computacional, e alguns truques para sobreviver ao filamento derretido.

sábado, 2 de julho de 2022

Workshop 3D @ FTE Lab

 

O desafio partiu do Professor João Piedade, dinamizar uma sessão sobre 3D para os alunos da pós-graduação em Programação e Robótica no Ensino Básico. Um curso de que também já fui aluno, e me permitiu dar o salto para áreas criativas com algoritmos e robots. Uma aula mista, com um grupo presencial e outros online, dispersos por Portugal e Angola. Isto hoje já é banal, mas não cesso de me maravilhar com esta capacidade que a internet tem de derrubar barreiras temporais e geográficas.

Numa sessão de três horas, falou-se e experimentou-se sobre modelação e impressão 3D, truques de impressão, algumas técnicas mais avançadas, o potencial da fotogrametria, e a ligação entre criar em 3d e pensamento computacional. Sempre, espero, com o foco no potencial pedagógico, nas suas múltiplas possibilidades em sala de aula.

sexta-feira, 17 de junho de 2022

XXI Encontro TIC na Educação

Entre os dias 14 a 16 de julho, Leiria acolhe o XXI Encontro das TIC na Educação, um encontro já tradicional no panorama de partilha educacional em Portugal. O programa, e formas de inscrição, pode ser consultado aqui: Eventos CCEMS.


Como parte do programa de workshops, fomos desafiados a dinamizar uma sessão sobre impressão 3D. Na sessão Impressão 3D: Do Pensamento Computacional à Manufatura Aditiva, quer-se ir para além do deslumbre com a impressão 3D: olhar para esta tecnologia nas suas várias valências pedagógicas, compreender a importância do desenho e conceção, interligar os mecanismos mentais da criação com meios digitais e os conceitos de pensamento computacional, olhar para o telemóvel como um recurso criativo. E, claro, arregaçar as mangas, meter as mãos na massa e extrudir com controle numérico filamento termoplástico.

Requisitos: Formandos deverão levar um telemóvel/tablet (android/iOS).

Formato: Workshop presencial.

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Receção aos Alunos de 4º Ano

 

Finalmente! Em regresso ao presencial, a nossa escola recebeu novamente a visita dos seus futuros alunos - os meninos e meninas de 4º ano que, para o ano, estarão conosco no 5º. Tiveram uma longa manhã a descobrir os vários espaços da escola, entre o Centro de Recursos, salas de aula, laboratórios. E experiências tecnológicas com os alunos do Clube de Robótica, que dinamizaram um espaço onde os visitantes puderam interagir com robots, impressão 3D, programação criativa com leds e realidade virtual.





Como sempre, a dinamização fica a cargo dos nossos fantásticos alunos, um grupo com paixão naquilo que faz.


Diria que a fasquia ficou elevada, para o ano.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Festa no Parque e Maker Faire Galicia

 

Em deslumbre, pela Realidade Virtual.



Neste fim de semana, estivemos presentes na iniciativa Festa no Parque. Organizada pela Câmara Municipal de Mafra, comemora o Dia da Criança com dois dias cheios de atividades no Parque Desportivo de Mafra. Foi um dia de contacto com a comunidade local, representando a nossa escola no evento. 


Em evidência estiveram os projetos do Clube de Robótica, cujos alunos dinamizaram este espaço. Mostramos robots, arte luminosa com LEDs programáveis, e impressão 3D.


Aproveitámos para reavivar os projetos de Realidade Virtual na educação, que ficaram em suspenso durante os tempos pandémicos. Este foi o projeto mais concorrido pelos visitantes, que quiseram experimentar a imersão nos espaços virtuais com uma das muitas atividades que podiam experimentar nestes dias.





Cremos ser importante o estar presente em momentos destes. Fazemos parte desta comunidade, e assim damos um contributo para que o trabalho da escola saia de dentro do espaço escolar, para que as pessoas descubram o que se faz na escola. 

Um momento destes não seria possível sem os nossos alunos, que estiveram, como sempre, à altura do desafio. Temos um agradecimento muito especial aos seus pais e encarregados de educação, que se disponibilizaram para nos ajudar com os transportes. É um privilégio, podermos trabalhar com um grupo destes.


Mas os caminhos do Clube de Robótica, neste fim de semana, não passaram só por Mafra. Também estivemos presentes, virtualmente, em Santiago de Compostela, representando a nossa escola na Maker Faire Galicia. Infelizmente, não pudemos estar presentes na apresentação de projetos educativos, que decorreu na sexta-feira, ao mesmo tempo que por cá decorriam as provas de aferição. Mas nos restantes dias da Faire, ligamo-nos a Santiago via livestream, podendo os visitantes da Faire galega interagir com a nossa representação.


Fiquem a conhecer o nosso espaço virtual aqui:  Maker Faire Galicia - LCD AEVP, bem como o vídeo de apresentação. Este ano, com o regresso do presencial, a componente online foi menos concorrida, e daí o desafio que a organização do evento nos lançou: em 2023, estarmos presentes em Compostela. Tentaremos corresponder.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Maker Faire Galicia 2022


O Clube de Robótica do AE Venda do Pinheiro volta a marcar presença na Maker Faire Galicia 2022, mostrando alguns dos projetos que os alunos estão a desenvolver. Visitem o nosso espaço: Maker Faire Galicia - LCD AEVP.