quinta-feira, 16 de abril de 2015

MG2


Mais um projecto que está a terminar. Dar vida a um conjunto de computadores Magalhães MG2 do extinto programa eEscolinha, nunca reclamados pelos seus recipientes e, ao fim de bastante tempo em arrecadação, adstritos pela DGEEC para distribuição às escolas do primeiro ciclo. Bastaria fazer a distribuição, mas não é assim que faço gestão das coisas. Antes de os entregar decidi activá-los, identificá-los de acordo com as escolas onde irão ser postos a uso, actualizar o sistema e limpar o crapware obsoleto. Leia-se com isto, logo à cabeça, o irritante Parents Carefree, cujas configurações de fábrica impediam que os petizes acedessem a sítios web tão perigosos quanto o Google (já sites microsoft, tudo ok) ou, ainda mais irritante, impedia que o sistema actualizasse automaticamente hora e data.

Tudo despachado, agora. Quinze já estão entregues nas escolas, em breve irei lá levar os restantes. Mesmo a tempo de começar a pensar na iniciativa de Programação no 1.º Ciclo, na qual já nos inscrevemos.

Entretanto, porque gosto de perceber como se dão os utilizadores com o material de que dispõem, fiz questão de passar a recente rodada de reuniões de avaliação com um Magalhães MG2 que cooptei para testes. A experiência foi péssima. A usabilidade daquilo em Windows 7 é quase inexistente. Uma máquina já de si sem grandes recursos arrasta-se com as necessidades de processamento dos browsers contemporâneos e aplicações. Pensem tempos infindos para carregar uma página web ou, pior, uma hora para conseguir importar uma foto para edição no Gimp. Comecei a sentir-me culpado por ter despejado material novo mas com este nível de obsolescência nas escolas do primeiro ciclo.

Esta experiência sublinha uma das grandes falhas do projecto original. Material de baixa qualidade, pensado para utilização a curto prazo mas propenso a envelhecer mal. Poderia ter sido pensado para manter alguma fiabilidade ao fim de algum tempo, mas tal não aconteceu.

Há formas de tornear o problema. A melhor é mandar o Windows (e o companheiro Caixa Mágica) às urtigas e reformatar a máquina com outros sistemas operativos. Uma imagem iso de sistemas linux e o UNetBootin com uma pen de boa capacidade resolvem o problema de medias de instalação. A versão mais actual do Ubuntu também se arrasta no Magalhães. O sistema operativo que mais se adequou foi o Linux Mint, sistema leve mas capaz. Não faz milagres, nas torna o MG2 muito mais rápido e responsivo do que o era em Windows. Suficientemente capaz para umas partidas de Sauerbraten, jogo que nunca esperei ver a correr num Magalhães. Há melhor: o Scratch original, útil para quando não se tem fiabilidade no acesso à web, está acessível e instalável nos repositórios. Suspeito que tenha aqui máquina de trabalho, com o Libre Office e o Gedit a resolver as necessidades documentais, Gimp e Inkscape para imagem, Dropbox porque, enfim, acho que já não sei viver sem a cloud, e Firefox para web. E, claro, Scratch, para, espero, para o ano ir regularmente às escolas do primeiro ciclo trabalhar introdução à programação. Talvez até arrisque, lhe meta o beesoft para Linux e teste o controlar da impressora 3D...

A parte material do projecto está terminada. Mas para isto ser realmente útil, suspeito que terei de reformatar todas as máquinas para um sistema operativo que permita tirar partido delas. Nisto o meu receio é com os professores, que se não virem as janelinhas do Windows e o ícone do Word entram em pânico e reclamam que aquilo não lhes serve para nada. Enfim. Desafios.

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