quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Maker Spotlight


Cenas que me acontecem. Fui contatado pela organização da Maker Faire Rome para fazer uma pequena apresentação sobre mim e os meus projetos. Algo que devem ter feito com mais algumas centenas de makers, mas não deixa de se sentir uma ponta de orgulho em aparecer destacado na Make:.

Mais mais importante que o destaque, é reconhecer que se estou aqui (ou, mais específico, se estarei lá, em Roma, na maior Maker Faire europeia), devo-o a todos os que me rodeiam. O que faço é standing on the shoulders of giants. Não o conseguiria sem a minha companheira, que atura um workaholic andarilho. Sem os meus alunos, afinal, tudo o que faço é por pensar como é que consigo tornar as aulas menos secantes? Sem os meus colegas da escola, entre a direção que me apoia, os serviços administrativos que me acarinham, e os professores que ou me desencaminham, ou são desencaminhados por mim. Sem a Fernanda Ledesma e restante equipa da ANPRI, que me têm lançado tantos desafios divertidos e recompensadores. E, claro, o Luís Dourado, ele sim, que é o teimoso gerador do Anprino. O António Gonçalves e equipa do Lab Aberto, com quem tenho aprendido tanto sobre o mundo dos fablabs.

Tenho também dívidas intelectuais, nesta minha pretensão (esperemos que não seja pretensiosismo) de tentar abordar artes com tecnologias digitais. O cenário de aprendizagem Anprino Pintor deve muito ao trabalho dos algorists, com os quais descobri que a ideia de colocar máquinas a fazer desenhos não mecanizados data praticamente dos primeiros anos da computação, e ao trabalho marcante de Leonel Moura com os seus robots pintores (porque se vamos trabalhar artes com as crianças, porque não abordar a obra de um artista contemporâneo português? É uma pet peeve minha dos tempos em que dava EVT, tinha os meus colegas a discutir que nas aulas se deveriam abordar artistas como Matisse ou Picasso em projetos gráficos com os alunos, e eu perguntava, tipo, não se arranja algo mais recente, contemporâneo, que estes nomes são importantes mas já têm quase cem anos e entretanto muita coisa aconteceu no mundo artístico, o que geralmente causava olhares furiosos dos meus colegas), uma das inspirações para pegar no Anprino e colocá-lo a fazer algo diferente de seguir linhas ou desviar-se de obstáculos.

Entretanto, assumi o meu primeiro princípio pedagógico/de projeto: do it for the lols. As in, one of the cardinal rules of any project is that it should be fun.

Na Make: está o Maker Spotlight. Vale o que vale. O que vale mesmo é recordar que estas coisas não são possíveis sozinho, das dívidas intelectuais ao apoio dos que me rodeiam. E será que me atrevo a sonhar mais alto? Será que um dia conseguirei levar os meus alunos extraordinários do clube de robótica a Roma?

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