sexta-feira, 13 de outubro de 2023

IA Generativa @ Capacitação Digital das Escolas

 

Dia 11 de outubro, o desafio foi o partilhar experiências práticas de utilização de IA generativa no Evento Nacional - Capacitação Digital das Escolas: (Re)Configurar Espaços de Aprendizagem. O conceito era ter um espaço aberto de workshop para todos os que quisessem experimentar como criar com geração de texto e imagem. A participação neste evento foi a convite da DGE e decorreu no CNEMA.

Na verdade, acabou por ser mais espaço de demonstração e partilha com os visitantes, mostrando algumas das potencialidades criativas da IA Generativa, indo além do pedido, com muitas surpresas (para quem falou connosco) sobre 3D, NeRFs e vídeo generativo.


Um dia a vestir a camisola da minha escola, com aquele gosto de sempre. Mas o que  mais retiro do evento foram os encontros e reencontros com velhos amigos,  com muita malta conhecida que raramente vejo fora do mundo online (e nalguns casos, nem sequer nos tínhamos encontrado presencialmente). Um dia de muitas ideias trocadas, olhares e sorrisos,  e até (pasme-se!) alguns abraços. Com um enorme obrigado aos meus companheiros, a atreverem-se a fazer aquilo que fazemos melhor, partilhar conhecimento.  E, claro, a passagem infelizmente curta por uma cidade nostálgica de onde tenho uma vida de recordações.

sábado, 7 de outubro de 2023

Workshop Programar Pixel Art - Fórum Fantástico 2023

 


Dia 1 de outubro, no espaço da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras e integrado nas atividades do Fórum Fantástico 2023, dinamizámos um workshop de programação. O tema era a programação de pixel art em Python, recorrendo aos imagiCharms. Foi uma sessão descontraída, para pais e filhos que quiseram aparecer no espaço da biblioteca. Poderia ter tido mais participantes, mas era domingo, e durante o Fórum estava a decorrer um torneio de Pokémon Go, sem dúvida mais atrativo (não é lamúria nossa, que aproveitámos bem o torneio).





Confesso que fico sempre um pouco deprimido no final destes eventos abertos. Não por nostalgias, mas porque fico sempre à conversa com os participantes, e o que ouço, desanima-me. Por um lado, há uma certa incredulidade quando lhes digo que sim, sou professor numa escola pública. Não é preciso ser uma escola privada para se ter acesso a meios e tecnologias inovadoras, bem como espaço e tempo para as implementar.

Mas o que me deixa mais triste, e inquieto, é perceber o que os miúdos que os pais trazem a estas sessões realmente fazem na escola. A conversar com os pais de um, que ficaram depois da sessão para trocar ideias, percebi que estava no sétimo ano de escolaridade. Excelente, disse-lhes, é mesmo o meu ano favorito da disciplina de TIC, onde se aprende a trabalgar com 3D, imagem, som e vídeo. Olharam para mim, com ar confuso, e o rapaz lá me diz "bem, o meu professor falou connosco, e disse-nos que iamos trabalhar o excel..."

Tento sempre ter tacto nestas situações. Só sei um dos lados da história, e por princípio não teço considerações sobre o trabalho de um colega sem conhecer mais, não sei qual o contexto da escola, qual a sua formação, entre outras variáveis possíveis. Mas, pela descrição, parece-me mais um colega que, por incapacidade, desconhecimento ou conforto, não cumpre as aprendizagens essenciais da disciplina que lecciona. 

Os pais com falo nestes momentos nem sabem quais são as aprendizagens de TIC. Assumem que a disciplina serve para preparar as crianças em ferramentas office, e ficam sempre surpreendidos quando lhes mostro que não é isso o que se faz (ou o que se deve fazer). Que os que lhes trago de programação em ambientes visuais, 3D ou outras atividades, é algo que se enquadra na disciplina, e que muitos pelo país fora fazem. 

E é por isto que fico um pouco deprimido quando saio do meu casulo da escola ou dos colegas de informática, e contacto com pais e crianças fora destas bolhas. Ouço demasiadas vezes o "não sabia que se podia fazer isto", "mas faz parte das aulas?", ou "ah, na escola do meu filho não é assim". Não é, mas deveria ser. O porquê de não ser tem resposta complexa, que vai do conforto individual do professor face ao que tem de ensinar (e tantos, infelizmente, ainda consideram o antigo paradigma da disciplina, que era tão redutor que ficou conhecido como "currículo microsoft" como o essencial), à extrema sobrecarga de alunos (um professor de informática tem à vontade entre 200 alunos - os que tenho este ano, a 500/600, e isto não é exagero), ou à falta de professores, que tem trazido pessoas sem bases atualizadas para tapar os buracos no ensino.

Também suspeito que muitos dos pais dos meus alunos gostariam de ter um professor mais convencional que lhes ensinasse aquilo que consideram importante - o formatar documentos e usar ferramentas comuns, ao invés de explorar as dimensões do pensamento computacional. Que essa tendência é bem visível está patente nas provas de aferição de TIC, que não continham qualquer referência aos aspetos do currículo da disciplina (sem programação, 3D, robótica ou outras áreas que trabalhamos em sala de aula). Curiosamente, há uns anos, durante uma sessão da Academia Digital para Pais na minha escola, partilhei esta minha dúvida com os pais presentes. "Mas olhe, professor", diz-me logo uma das mães, "isso do word e powerpoint ensino-lhe eu, ainda bem que consigo ele aprende essas coisas da programação, que isso eu não lhe consigo ensinar". Sorri. Há quem perceba. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Inteligência Artificial e Criatividade - Fórum Fantástico 2023

No domingo, dia 1 de outubro, foi um desafio participar do painel sobre Inteligência Artificial e Criatividade no Fórum Fantástico 2023. Moderado pelo sempre arguto João Morales, o painel reuniu Rui Eduardo Paes, jornalista e músico experimental, cujos projetos já há alguns anos incluem trabalho com algoritmos generativos; Mário Freitas, desenhador, argumentista, editor da Kingpin Books e também livreiro. Ouvir Paes foi uma lição de humanismo e tecnologia aplicada à música. Freitas falou do processo de construção de um livro de banda desenhada que criou utilizando o Midjourney como ferramenta (uma experiência que não repetirá, observou em conversa pós-painel). Da minha parte, tentei mostrar um lado mais prático ligado à educação, em concordância com a ideia que a IA Generativa é uma ferramenta ao serviço da criatividade humana, embora deva ser bem usada para se chegar a este objetivo. Daí o desafio educativo, de mostrar que o simples promptismo é esteticamente estéril e intelectualmente desonesto; e, também, apontar o progressivo formalismo dos geradores de imagem, que nos mergulham num constante recriar de passados estéticos, e como isso também representa uma ameaça cultural.

Destacaria o curioso pormenor de numa plateia recheada de escritores, criadores de banda desenhada, e outra malta ligada às artes, um dos campos onde se propaga o medo dos efeitos da IA Generativa no mercado de trabalho, o nivel de preocupação era baixo. Não por desconhecimento, mas por já incorporarem estas ferramentas nos seus processos criativos.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

ACD 04 - Cenários de aprendizagem com Otto by HP

 

Nesta ação de curta duração, os participantes irão experimentar criar projetos de robótica utilizando o robot Otto by HP, testando e implementando vários cenários de aprendizagem.

Inscrições no Plano de Formação do CFAERC.

domingo, 24 de setembro de 2023

sábado, 23 de setembro de 2023

ACD 02: Atividades de Promoção de Pensamento Computacional - EU Codeweek

 


Dia 21 de outubro, no espaço do Centro de Recursos Poeta José Fanha, cruzamos a celebração da EU Codeweek com a experiência mãos na massa de atividades de promoção de pensamento computacional. 

Inscrições via plano de formação do CFAERC.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Demonstração 3D Generativo


Criaturas fofinhas? Estarei a adoecer? Bem, na verdade foi uma forma mais simpática (há que pensar nos participantes, que não partilham dos meus gostos) de introduzir o potencial da criação 3D assistida por IA Generativa. 

Deu para tirar coelhos, não da cartola, mas da impressora 3D. A ideia era demonstrar um processo de criação assistida, em que um chatbot (usei o Bard) ajuda a afinar prompts para geração de imagem ou modelos 3D. A geração texto para 3D pode ser feita diretamente no Luma AI Imagine, e a Common Sense Machines permite geração 3D a partir de imagem (no caso, optei pelo Clipdrop para gerar as imagens para os modelos 3D).

O objetivo não era o de mostrar que é fácil criar 3D com Inteligência Artificial, mas sim perceber como usar estas ferramentas para acelerar os nossos processos criativos. Gerar a partir de prompts básicos e ficar-se pelos resultados iniciais é intelecutalmente desonesto e culturalmente estéril. O real poder destas ferramentas não está naquilo que geram per se, mas na forma como as podemos incorporar nos nossos processos criativos.


Esta demonstração decorreu como parte do evento de encerramento do concurso 3Digital 2023, onde alguns dos alunos participantes mostraram os seus excelentes projetos. Como parte do programa, dinamizei esta amostra de IA Generativa, e o comparsa Ricardo Carvalho ensinou-nos a criar chatbots com IA. 

O evento fez parte da Festa do Software Livre, que decorreu entre os dias 15 e 17 de setembro na Universidade de Aveiro.


 





Workshop Programar Pixel Art com ImagiCharms

 


Dia 1 de outubro, pelas 15 horas, como parte do programa do festival Fórum Fantástico, será dinamizado um workshop aberto sobre programação de pixel art em Python com ImagiCharms. O desafio aos participantes será o de criar imagens com programação criativa.

Acesso livre.

sábado, 9 de setembro de 2023

Workshop Programar com Luz e Cor - CFAERC

 

Das melhores maneiras de arrancar o ano letivo. Dia 8 de setembro, no âmbito do IX Encontro de Docentes CFAERC, dinamizámos o workshop de programação com imagiCharms.



A sessão estava focada em desafios de programação, com os participantes a usar o telemóvel pela sua conveniencia. É sempre interessante ver o entusiasmo que esta abordagem provoca nos participantes, porque é mesmo esse o objetivo do projeto da ImagiLabs - despertar o interesse pela programaçao, desafiando de forma criativa e expressiva. Este foi o primeiro workshop de 2023-2024.

Ser Criativo na Era da IA Generativa

Apanhado pelo Marco Neves, no IX Encontro de Docentes do CFAERC, em Mafra. Ou seja, a jogar em casa. O desafio partiu do centro de formação, partilhar algumas ideias sobre Inteligência Artificial. Escolhi o campo que está agora mais quente, o da IA Generativa, com as suas implicações para a criatividade e educação. Sem certezas nem receitas, se algo aprendi a olhar, experimentar e refletir sobte IA é que é errado assumir posições binárias, absolutas. Não há certezas, mas sim desafios. Não há caminhos únicos, mas sim perspetivas.

Deixo aqui a apresentação, para quem estiver interessado:

As referências e outras leituras foram coligidas neste documento: Recursos de Apoio sobre IA Generativa.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Pika Labs: Texto para Vídeo

Outra das experiências destas férias foi experimentar a geração de vídeos a partir de textos. A Runway ML é mais poderosa, mas tem um sistema restrito de créditos. Entretanto, a Pika Labs libertou no Discord o seu bot de criação, para já gratuito. Não havia desculpas para não experimentar.

@archizer0 Fantasmagorias. #aivideo #pikalabs #surreal ♬ Béla Bartók - Music for Strings, Percussion and Celesta, III (Post Rock) - Kitchen

Os resultados são interessantes, nem sempre coerentes, mas prometedores. Deu para brincar um pouco com narrativas aleatórias. Preciso de aprofundar mais um pouco, especialmente na reutilização de seeds, o que garantiria uma maior coerência estética. Porque estamos em 2023 e o TikTok é preponderante, o formato de vídeo escolhiodo é 9:16.

@archizer0 Cenas silly. #aivideo #pikalabs ♬ The Robots (2009 Remaster) - Kraftwerk

Não é difícil ver aqui um desafio para alunos, talvez combinado com um chat de IA para ajudar a ter ideias de prompts.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Arte e Património 3D


Tenho andado a organizar as digitalizações e projetos 3D na minha galeria Sketchfab em coleções temáticas. A galeria Portuguese Art and Heritage colige digitalizações 3D que envolvem o nosso património cultural. Os modelos foram digitalizados em museus, locais históricos, jardins, monumentos e outras localizações onde consigo digitalizar com os meios de que disponho.

A coleção é ecĺética, inclui escultura, pintura, pormenores arquitetónicos e até imagens 360º. 

Um exemplo recente, capturado no núcleo Palácio Pimenta do Museu de Lisboa. 

Tenho regras para este tipo de trabalho, ser cuidadoso na captura e respeitoso das normas e orientações de pessoal de sala ou seguranças é o mais fundamental. O objetivo deste projeto (informal) é o de interagir com o património, e não danificá-lo. Quanto aos vigilantes, raramente me interpelam, hoje é aceitável que os visitantes dos museus fotografem ou filmem para seu uso pessoal, e para quem não sabe o que estou a fazer, parece uma filmagem (apesar de ângulos estranhos). Os cuidados são extensivos a outros visitantes, tento não ser intrusivo. Confesso que contorno um pouco as regras em caso de proibição de recolha de imagem, de vez em quando faço umas capturas discretas em modo guerrilha. Acredito que o património deve ser divulgado.

As capturas são feitas usando várias vertentes de digitalização 3D: fotogrametria com o Meshroom, lidar com iPhone e Scaniverse, ou NeRFs com Luma AI. 

Este é um projeto em constante crescimento, podem espreitar aqui: Portuguese Art and Heritage.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

CSM: Imagem para 3D


Outro dos serviços que ando a experimentar neste período de férias é o surpreendente Common Sense Machines, com os seus algoritmos de geração 3D a partir de uma imagem.  Basta fazer upload de uma imagem no site, ou via bot Discord, e o algoritmo gera uma planificação em quatro pontos de vista, utilizada para gerar um modelo 3D. 

Os resultados não são muito consistentes, tanto pode correr bem como correr mal, mas dado o recente e caráter experimental destas tecnologias, é de esperar. Por vezes, extrapolação das vistas pode não ser a mais rigorosa, a geração da mesh pode trazer más surpresas. A texturização final tem ainda muito que evoluir, as cores do modelo 3D raramente são fieis à imagem original. No entanto, a grande maioria dos resultados são muito interessantes.

Para agilizar a experiência, optei por um ritmo que cruza diferentes ferramentas. Um LLM para gerar descrições de elementos (ando numa onda pré-halloween, notoriamente, os prompts foram bastante dark) que pudessem ser usados como prompts em geradores de imagem, usei o Bard e o Perplexity para isso. Adobe Firefly ou Clipdrop para gerar imagens, e a ferramenta de remoção de fundos do Adobe Express (o CSM requer imagens com fundo branco ou transparente para que o algoritmo funcione. 

Nem sempre os resultados eram fieis às imagens, e os modelos tem algumas falhas e falta de detalhes, mas isso é de esperar, esta tecnologia está neste momento a dar os primeiros passos. De qualquer forma, ao regressar à escola, vou imprimir alguns destes modelos em 3D, para perceber os resultados.

A consistência do algoritmo também é estranha. Testei com fotos minhas, com resultados algo bizarros e anatomicamente aterrorizantes, até me calhar este, que me transformou numa segunda encarnação do Capitão Haddock. A ironia, é que foi usada uma foto e não um avatar ou caricatura como imagem de base. Os caminhos dos espaços latentes destes algoritmos são insondáveis.

O CSM está a crescer muito depressa, e a começar a ser pago. Congeminei uma possível atividade com alunos, mas dado os limites do serviço suspeito que terei de diminuir as ambições. De qualquer forma, é uma tecnologia prometedora, e brevemente haverá mais diversidade de serviços e aplicações.

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Luma AI Imagine : Texto para 3D


Consegui, finalmente, acesso à ferramenta texto para 3D da Luma AI (a vertente NeRF já uso intensamente. Fiquei surpreendido com a capacidade deste algoritmo em gerar modelos 3D de qualidade razoável, com aquela aleatoriedade que é tão deliciosa na IA Generativa.

O primeiro modelo que gerei foi dos mais interessantes, surpreendeu a qualidade do resultado.

Outros modelos tiveram output mais bizarro, caso desta assombração, que levou o prompt muito, mas mesmo muito à letra.


Onde os resultados foram menos satisfatórios foi ao pedir a geração de aeronaves. Depende dos dados usados para treino do algoritmo, claro, e tendo em conta que os geradores de imagem também se espalham ao comprido quando lhes pedimos aeronaves, suspeito que imagens de aviação não sejam abundantes dos dados para treino.

Para uma tecnologia que há poucos meses era um artigo, estes resultados são espantosos. Ainda por cima, são generalistas, o algoritmo interpreta e produz qualquer tipo de objeto. Há outros serviços que se restringem a categorias de objetos, o que lhes simplifica o trabalho. O caminho agora é de afinação contínua, e suspeito que dentro de poucos meses estes resultados nos pareçam rudimentares, face à contínua evolução e afinação.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

EU Codeweek Leading Teacher Awards


 Foi uma excelente surpresa, receber esta notícia. Tenho um enorme prazer em participar da EU Codeweek. Faço-o por gosto, não por prémios, mas sabe muito bem receber estas distinções. Sem hubris, apenas com um sorriso.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Lendas?


 Foi interessante reportar a última atividade Codeweek antes das férias de verão, e descobrir que atingi este patamar. No total, entre eventos, aulas especiais, workshops com colegas, sessões em erasmus, e outras brincadeiras, chegou-se a mais de vinte atividades. 

Certo. Preciso mesmo de descansar neste verão...

quinta-feira, 20 de julho de 2023

ACD Pensamento Computacional na Matemática - Venda do Pinheiro

 

Não é que perceba muito do tema,  o meu foco está mais nas artes, mas não quis deixar de dar um empurrãozinho, e uma ajuda, aos meus colegas de matemática. Esta ação de curta duração foi dividida em duas sessões, e o principal objetivo era desmisticar estas coisas que soam complicadas, programação, pensamento computacional. E fazê-lo de uma forma leve, informal, até porque no fundo, estava a jogar em casa.






Depois da necessária introdução aos conceitos base, explorando as origens da programação para crianças com Papert e Solomon, o surgir do conceito de Pensamento Computacional com Wing, e os seus conceitos nucleares, partiu-se para uma exploração de ambientes de programação visual. Esta centrou-se, necessariamente, no Scratch, mas os participantes ficaram a conhecer outras alternativas para computador, e dispositivos móveis.

Nestas coisas, o tempo para experimentar é fundamental, e foi esse o objetivo. Mais do que vir com receitas (até porque de matemática, percebo muito pouco, como "gajo das artes" que sou), foi dar a faísca, e deixar os meus colegas explorar. Alguns seguiram as suas ideias, outros exploraram atividades dos manuais de matemática. Mas, o importante, e isso percebi pelas reações, pelos sorrisos, pela boa disposição, que perderam o medo, perceberam que se é complexo, não é complicado, e está ao alcance de todos, professores e alunos. Ressalvando, claro, que não é por terem experimentado umas horas que ficarão experts. A faísca acendeu a chama, e isso é o fundamental, a razão pela qual doei o meu tempo e partilhei o que tenho aprendido com tantos que me inspiram.

Estas sessões contaram com o apoio do CFAERC.

domingo, 16 de julho de 2023

Workshops Arte e Programação com ImagiCharms - CCEMS

 


Dias 13 e 14 de julho, no âmbito do XXII Encontro das TIC na Educação, foram dinamizados dois workshops sobre programação criativa com imagiCharms, um presencial, outro online.









Na sessão presencial, os participantes experimentaram programar usando a plataforma ImagiLabs, que adapta Python para programar os Charms. Foi uma sessão calma, mas produtiva, com muito entusiasmo dos participantes. Parte eram docentes de artes visuais ou do primeiro ciclo, a querer aprender como abordar a programação como elemento criativo.

A sessão contou com o apoio da Imagi, que nos enviou um Charm para sortear pelos participantes. 



A sessão online decorreu sem o lado tangível, mas também com uma surpreendente adesão dos participantes. Ouvi, talvez, a melhor observação de sempre ao finalizar uma destas sessões: "Não percebo nada de programação e consegui fazer os exercícios todos", disse uma das participantes, professora de história de arte que acompanhou o workshop em Siena. São as vantagens do online. Do meu ponto de vista, é muito interessante que docentes de artes, e história de arte, sintam a tentação de mergulhar no mundo da programação, por perceberem que tem potencial estético. É esse um dos objetivos destas sessões.

sábado, 15 de julho de 2023

O Que Faria DaVinci - XXII Encontro das TIC na Educação


Entre os dias 12 e 14 de julho foi o tempo de regressar a Leiria, e participar num dos mais longevos e consistentes encontros sobre tecnologia e educação, organizado pelo Centro de Competências Entre Mar e Serra, liderado pelo veterano (que os deuses o protejam!) António Rodrigues. 

Nunca esquecerei o nosso primeiro encontro, quando eu era um bem mais jovem e muito mais tímido professor que acompanhou o então coordenador TIC do AE Venda do Pinheiro à Batalha, na altura a sede deste centro de competências. Ia-se falar de Moodles e Quadros Interativos, num ano em que o século XXI ainda só se contava com um dígito. Recordo que durante a conversa, muito técnica e política entre dois coordenadores bem conhecedores da coisa, com um eu muito verde e algo atarantado a tentar perceber o que estava lá a fazer. Estaquei quando o ouço citar escritores (Carlos Fuentes, que vergonhosamente ainda não li, para ser rigoroso). Fiquei logo cativado. Percebi que estava perante alguém que ultrapassa os limites expectáveis, de formas não convencionais. Mal sabia que ia ser o início de uma longa relação de respeito e desafios com alguém que conheço à décadas como um dos mais consistentes inovadores nos domínios da tecnologia educativa, mas também voz crítica que não cede a modas e deslumbres.

Aproveitando o seu convite para o encontro deste ano, apresentei algumas notas sobre o uso da tecnologia de forma mais criativa, explorando-a como meio de expressão por direito próprio, tentando ir mais além do uso das artes como elemento decorativo nas STEM. 

As comunicações e painéis podem ser revistas na íntegra no canal do CCEMS. Recomento particularmente esta sessão, com o próprio António Rodrigues, Nelson Zagalo e Vítor Teodoro a desmistificar o deslumbre primário com a IA Generativa, e a apontar-nos caminhos para compreender o seu potencial: XXII Encontro das TIC na Educação - Plenárias 2 - Dia 14/07/2023.