sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Win Some, Lose Some


Hoje tomei a decisão de cancelar a acção de formação de impressão 3D que dinamizo para a Associação de Professores de Educação Visual e Tecnológica. Havia poucas inscrições, com problemas de divulgação e uma certa descredibilização da associação junto de um grupo de professores que se sente aniquilado com os acontecimentos do passado recente. Cancelar a acção abriu a agenda para outras similares nas datas previstas. Em breve partilho quais, e onde. Não deixa de ser um sentimento amargo ver-me forçado a cancelar uma iniciativa que visa partilhar o potencial estético e plástico da tecnologia junto dos professores de EVT. É esta a minha formação de base, e foi na sala de aula de EVT que este projecto nasceu e se desenvolveu, antes de passar às TIC, sempre mantendo o espírito de trabalho de projecto e ligação entre técnica e estética que é o grande legado de EVT.

Para além de contribuir com a minha experiência para a modernização desta área, o envolvimento com a APEVT é também uma tentativa de combater o alheamento que sinto das áreas artísticas face ao movimento pujante e interdisciplinar das TIC na Educação. Nos últimos anos, tenho descoberto inúmeros projetos e iniciativas que tiram partido e inovam práticas lectivas recorrendo às tecnologias digitais. A robótica educativa é hoje uma força nas escolas, multiplicam-se projectos e metodologias recorrendo a tablets e apps, com novas dinâmicas de aprendizem, a tendência das salas de aula do futuro é de crescer e multiplicar-se pelas escolas portuguesas. Vejo docentes de línguas, matemática, ciências sociais e humanas entusiasmados, mostrando como potenciaram práticas recorrendo a tecnologias digitais. Assisto (e participo) à explosão de criatividade das TIC com a robótica e programação. Não vejo professores de áreas artísticas envolvidos nestas dinâmicas. Nunca vi uma apresentação académica ou partilha de práticas onde professores de artes visuais, educação visual e tecnológica ou educação musical mostrassem o que fazem com ferramentas digitais. A própria dinâmica da Sala de Aula do Futuro, com as suas divisões em zonas de criação, pesquisa, apresentação e chill out, não parece levar em conta as especificidades das áreas artísticas. Entre tablets, quadros interativos e mesas multitoque, ficou de fora o espaço para estiradores.

Note-se que até já encontrei docentes de Educação Física envolvidos em projectos tecnológicos. A georeferenciação e os jogos com GPS permitem este tipo de práticas, com a vertente de descoberta de património à mistura. No que toca às artes, o único projecto que conheço que se atreve a desbravar o campo expressivo possibilitado pelas tecnologias é o Arte Transformer. As TIC em 3D são a minha contribuição para mostrar que outros caminhos são possíveis.

Há um certo perigo em deixar entregue a expressão criativa com meios digitais entregue aos bem intencionados e dinâmicos docentes de outras áreas, que percebem a forma, mas não o conteúdo específico. Há uma diferença enorme entre, por exemplo, o que apps e plataformas de criação de banda desenhada permitem e o que realmente é a banda desenhada enquanto linguagem expressiva. O mesmo pode ser observado em relação ao vídeo ou design gráfico, as áreas que tenho visto como representativas de uma visão de criatividade ao serviço da aquisição e processamento de informação. De fora fica o riquíssimo mundo da expressão, e pergunto-me porquê. Seremos nós, professores de áreas artísticas, assim tão arreigados a uma certa visão tradicionalista dos media de expressão, aceitando apenas os clássicos como fundamentais para o estímulo à expressão artística? Um conservadorismo que a arte contemporânea já rejeitou? Pessoalmente, sempre que me apontam a excelência de Picasso ou Matisse, pergunto mas e se fossem vivos hoje? pintariam a óleo ou fariam código interactivo de realidade mista?



Perdem-se umas (mas não se desiste), ganham-se outras. Horas depois de ter publicado uma nota amarga na página da APEVT anunciando a suspensão da formação de impressão 3D, descobri a partilha nas redes sociais do clube de robótica do AE de Vilela. É o primeiro Anprino que vejo in the wild, montado pelos alunos de um clube de robótica. E tinha logo que ser um modelo Arthur. Ganhei o dia, diria! Aquele projecto de sanidade duvidosa para o qual a Fernanda Ledesma me desafiou, que despertou alguma desconfiança e incredulidade nos meios da robótica educativa, está mesmo a chegar ao terreno, muito graças ao poder da impressão 3D. Tenho de me preparar para o comentário mas os (inserir aqui lego/mBot/bq/ardózia) são muito melhores. Notem que os Lego e similares são desenvolvidos por empresas, não por equipes de professores.

É impossível não sentir orgulho nestas imagens. As TIC em 3D também deram o seu contributo para que isto fosse possível.

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