sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

É o caminho, não o destino


E... funciona! Mostra que nas viagens da educação, o mais importante não é o destino, mas sim o caminho que se percorre.


Os trabalhos mais interessantes nem sempre são os mais vistosos. Este, para mim, é um excelente exemplo de criatividade, aprendizagem e persistência. O desafio lançado à aluna foi o de criar, de raiz, um modelo de Torre de Hanói. O projeto está enquadrado na nossa proposta para a edição deste ano do concurso de ideias Ciência na Escola da Fundação Ilídio Pinho: aproveitar os saberes dos alunos do clube de robótica para conceber materiais a usar pelos alunos nas atividades do Clube de Ciências.


Porque a aluna que pegou neste desafio demonstra elevadas capacidades gráficas e de conceção, escolheu usar o Onshape para poder desenvolver o projeto com rigor. Apesar da Torre ser um modelo simples, tem condicionantes a respeitar: a base tinha de caber no volume de impressão das nossas impressoras 3D, e os discos têm de ter um orifício com folga suficiente para poderem ser colocados nos pinos. Foi tudo modelado de raiz, com medidas exatas, pela aluna num tablet Android. O processo de trabalho obrigou a rigor e persistência. Especialmente quando a meio de uma primeira versão, percebemos que nos tínhamos esquecido de verificar as unidades de medida, e o projeto estava a ser desenvolvido em polegadas e não milímetros. Teve de se recomeçar do zero, e é admirável observar que a aluna não desistiu.


O primeiro teste foi feito no próprio Onshape. Criámos uma assembly para perceber se as rodelas encaixavam nos pinos, com largura suficiente para serem movidas. Com isto testado, foi passar à fase de impressão.


O primeiro protótipo foi para a aluna, claro!


Até porque, tendo o modelo 3D original, é fácil de replicar e imprimir os que necessitamos para o Clube de Ciências e outras atividades.

Não é um projeto vistoso. O resultado é um objeto simples. Mas estou a vê-lo em contexto, como trabalho de uma jovem adolescente que, no contexto informal do clube de robótica, desenvolveu as suas capacidades de modelação 3D, aprendendo a trabalhar com o rigor exigido por um complexo software de CAD. As capacidades desenvolvidas e competências mobilizadas pela aluna são o real objetivo destas atividades. Na educação, o importante não é o produto, é o processo. O que interessa é o desenvolvimento das capacidades da criança. E se o produto final for bonito, isso é um extra agradável.

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