segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Semear...


Há sempre aquele momento em que nos perguntamos se vale o esforço. As tecnologias são complexas e o nível introdutório. Valerá mesmo a pena estimular este tipo de trabalhos? Seria mais simples - e mais entediante, optar por uma abordagem mais clássica. Até porque nesta vertente colocam-se questões de expressão plástica e artística que se vão de encontro aos interesses e capacidades de alguns alunos deixam outros um pouco à parte. Daí o foco em diversas vertentes, tendo em comum o conceito de utilização do computador como ferramenta de expressão criativa, e o assumir de um processo de descoberta e alargamento de horizontes que mais do que formar meninos do 3D ou videógrafos pretende dotar os alunos de conhecimentos elementares que lhes permitam posteriormente fazer escolhas informadas. Cada um é como cada qual, todos se desenvolvem nos seus interesses próprios e ficam com uma pequena noção de outros horizontes para além do que lhes é dado no dia a dia. E se se conseguir contribuir para que aquele aluno particularmente dotado para este género de trabalhos acelere o seu necessário percurso de descoberta pessoal e chegue mais cedo ao longo processo de aprendizagem até se tornar proficiente, excelente. Talvez seja esse o desejo secreto de todos os professores no ensino básico. Sabendo que ensinam generalidades a uma imensa maioria, esperam contribuir para que aquela criança que se interessa por uma dada área descubra mais cedo o que consegue fazer e vá mais longe no seu percurso.


Mas por vezes desmoralizamos. Há sempre aquelas alturas em que o progresso é lento e nada parece estar a sair. Mas se calhar esses são os momentos do germinar, quando as sementes que se foram plantando nas explorações introdutórias começam a criar raiz e estão quase a dar frutos. E depois há aquele momento especial em que a curva se inclina com força na direcção de subida. Em que as sementes começam a revelar frutos e esses são excelentes surpresas. É o caso destas duas imagens, parte de algo maior que um dos alunos está a preparar como projecto final. Fui surpreendido esta manhã com quatro completíssimos modelos em sketchup que o aluno fez nos tempos livres porque queria ter bastantes elementos para o seu trabalho. Quer criar um pequeno mundo virtual. Objectos não vão faltar. E surpreendem pelo cuidado, atenção aos pormenores e sentido da forma.


Os magos do minecraft também revelaram que quando se trabalha por gosto os limites de espaços e tempos são secundários. É o que torna o trabalho criativo tão gratificante. Neste caso está a ser um processo colaborativo, com dois alunos a construir num mesmo mapa de jogo em computadores diferentes. Prometem ser épicos.


Desta vez não incorporo por aqui os modelos no Sketchfab, mas podem visualizar em 3D os modelos da catedral (sublime!) e do castelo (adorei o pormenor da varanda).


Mais imagens poderia aqui deixar. Mais trabalhos de modelação arquitectónica em sketchup, ou remixagem de vídeo no Vegas, ou criação de jogos em Scratch. Diversidade é o que se quer, reflectindo interesses individuais. Nem todos são excepcionais, os alunos não são igualmente dotados para todas as áreas, o interesse de uns não implica o interesse de todos. Daí o diversificar, partindo de uma base comum. Plantar sementes e esperar que dêem frutos. É todo aquele trabalho com alunos que não é metrificável em médias e variáveis, mas que na minha opinião é tão importante como a aprendizagem de saberes comuns por permitir esboçar os primeiros passos de caminhos individuais e mostrar que o gosto pela cultura vai mais longe do que a memorização de conhecimentos curriculares.

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