segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Above and Beyond


Um quinto lugar... que sabe a primeiro. Confesso que estou espantado pelo que foi conseguido nos dois dias do RobôOeste pela equipa do Laboratório de Criatividade Digital. Nenhum de nós esperava chegar tão longe. O nosso clube é incipiente, não estamos ainda muito desenvolvidos no que toca à programação, e a robótica, por enquanto, não passa de montar, desmontar e testar em infindas combinações um velhinho robot Lego RCX que já não conseguimos programar. Electrónica, tirando as nossas primeiras brincadeiras com os kits LittleBits, é inexistente. Apenas estamos a avançar no domínio da impressão 3D.

Partimos para este evento com o objectivo de ficar em último. Não queríamos competir, queríamos aprender, e dotar o clube de mais um robot para desenvolver competências. Não sabíamos o que esperar, e eu, como professor, fiz a escolha consciente de não os treinar. Poderia ter feito mais atividades de programação com drones, por exemplo, mas honestamente não sabia por onde começar. Foi a primeira vez que participámos num destes eventos, com tecnologias que desconhecíamos. Como o LCD tem de ser antes de tudo um espaço de liberdade criativa, fizeram o que sempre fizeram... montar circuitos improváveis com LittleBits, recombinar Legos, treinar o uso da impressora 3D. Uma conversa com Jaime Rei, o brilhante mentor do premiado e fantástico clube de robótica de S. Gonçalo, durante o CodeMove PT, tranquilizou-me. O objectivo do evento, frisou, não era a competição mas a aprendizagem, e equipas como a nossa eram precisamente as que ele queria: jovens sem experiência prévia, a iniciar-se. A parte de competição era apenas um estímulo, o essencial era descobrir, experimentar e aprender.

Por isso fomos, apostados em ficar em último lugar. Sempre com muitas dúvidas minhas. Sou, fundamentalmente, um professor de artes a trabalhar nas TIC, a tentar ir mais além do que é esperado na disciplina com o que sei e aprendi por mim ou formalmente no mestrado, mas também muito consciente do que não sei, especialmente das minhas lacunas tremendas nos domínios da programação e electrónica. Paticipar num evento desta natureza, um campeonato de robótica que parte da soldadura e montagem de componentes e programação dura para construir um robot com um grupo de alunos pareceu-me um desafio demasiado além das minhas capacidades, mas essencial para dar resposta às necessidades dos alunos. Sabia que são excelentes, sei o que lhes ensinei, mas também o que não lhes ensinei. Tudo o que precisam para sobreviver a um evento destes, como noções de electrónica, soldadura, ou programação além do interface amigável do Scratch, cai no vasto campo do que não lhes ensinei. Excepto, talvez, uma sensação que lhe tento transmitir: que a tecnologia pode ser encarada como divertida e criativa, uma ferramenta ao serviço da nossa imaginação, que o não saber não pode ser uma barreira que nos limite. Experimentamos, arriscamos, aprendemos.

Ao longo destes dois dias, foi espantoso e incrivelmente estimulante vê-los a superar todos os desafios. Soldar os componentes electrónicos de uma placa controladora. Montar a mecânica de um robot. Programar as suas funções. sempre com um enorme sorriso, entusiasmados, tão absorvidos que nem deram pelo tempo passar. a superar todos os desafios, ao seu ritmo, concentrados, sempre preocupados em ir mais além, e a conseguir. Passámos de um saco cheio de componentes eletrónicos a um robot funcional programado para seguir uma linha num percurso. Ajudou a qualidade do kit pedagógico RobôOeste, sem facilitismos mas a reflectir a larga experiência de S. Gonçalo no estímulo a estas aprendizagens.

Não foi fácil. Foram muitos os momentos que obrigaram a uma enorme perseverança da parte deles. O primeiro dia correu melhor do que o esperado, com o robot a funcionar a meio do dia, e os testes de programação a parecer promissores. No segundo dia, a perceber que tínhamos hipótese de ir a competição, tudo parecia correr mal. Recomeçou-se a programação do zero. A solda dos componentes cedia. Eu lia a preocupação e a frustração no olhar dos alunos, e via-os imparáveis. O fio soltou-se? Nem pestanejavam. Iam logo buscar o ferro de soldar e corrigiam. O código não fazia o robot funcionar como esperado? Experimentavam, testavam, corrigiam. Pediam ajuda aos alunos do clube de S. Gonçalo, que os ajudavam a fazer troubleshooting e a melhorar o código. O momento em que o robot fez com sucesso o percurso de teste foi, para todos nós, incrível.


A quinze minutos da primeira prova, estavam a soldar cabos soltos e a afinar programação. Mas conseguiram, com um sucesso inesperado. O nosso robot estava imparável. Literalmente: um bug que nem a equipa LCD nem os monitores perceberam como resolver impedia que o programa corresse bem a rotina de parar o robot no final do percurso...

O progresso destes alunos, sem preparação, do zero ao objecto foi fascinante. Estou incrivelmente orgulhoso destes alunos, pelo que conseguiram, pela felicidade que sempre irradiam, pela dedicação e perseverança. A parte chata é que não consegui aprender nada. Tirando uma ajuda nalguns momentos de solda ou encaixe de componentes, foi tudo feito por eles É assim que deve ser, creio. dar-lhes espaço, intervir apenas no limite, dar-lhes o tempo para questionarem e superarem-se nos desafios. Aprender, no século XXI, é isto. Sempre o foi, claro, mas o foco exclusivo da escola como lugar de aprendizagens formais, inflexíveis no espaço e tempo, focalizadas para resultados metrificáveis, impede o desenvolvimento deste tipo de competências humanistas, onde os saberes se cruzam com o fazer e a colaboração. Talvez a lição que eu, como professor, tenha retirado é a importância de me afastar, de não ceder à tentação de meter as mãos e fazer certo.

Nem poderia ser de outra forma. Por estranho que pareça, as minhas lacunas de formação foram aqui uma vantagem. Tudo o que foi conseguido, foi-o por eles. Estiveram à altura, entre equipas de alunos de cursos profissionais, e outras onde se via os alunos a ver vídeos enquanto o professor responsável programava e testava o robot. O meu papel resumiu-se a estimular, dar-lhes a oportunidade de participar, registar, apoiá-los com encorajamento e obrigá-los a parar para comer e beber.

Partimos a sorrir, com o objetivo expresso de ficar em último lugar. Tínhamos objetivos mais específicos, claro. Participar pela primeira vez num evento destes, dotar os alunos participantes de competências em programação e hardware para depois replicar no clube, trazer um equipamento específico com várias funcionalidades para usar nas atividades do clube (escolhemos o mais complexo, um segue linhas/detecta obstáculos com módulo Bluetooth oferecido). Tudo o resto que fosse conseguido seria um extra, e estes alunos foram, de facto, extraordinários. Above and beyond!


Ferramentas, componentes e tutoriais? Mas o robot tem de ser montado...?


Trabalho de equipa, e sem medo de ferros de soldar.


Trabalho de equipa flexível: uns assemblam e soldam, outros aprendem os meandros da programação.


Até o professor metia as mãos no ferro de soldar...


O primeiro momento da verdade: tudo montado e soldado, será que liga? Ligou.


Se funciona, é hora de programar. Direções, velocidades do motor... fazer andar em linha reta é uma tarefa complexa.


Programa, testa, reprograma, testa, repara, programa, testa... 


Quase, quase... sempre sem pensar em desistir.


De saco de peças a robot funcional. Estou incrivelmente orgulhoso destes alunos. Superaram-se em todas as expectativas. Terminámos estes dois dias fatigados mas felizes, com uma tremenda sensação de realização.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Instantes


Semana de transição em TIC, com despedida das turmas do primeiro semestre e primeira aula das do segundo.  Despedidas, com elegância. E drones.


A testar a versão 3.15 do Beesoft ainda em beta. Integra suporte para filamentos de nylon, PETG e TPU-Flex. Antes de modificar a impressora, testámos o software apenas com PLA. Observámos que o tempo de impressão está muito mais rápido. Esta peça, um suporte para bobine, demoraria oito horas com o Beesoft 3.12. Com o 3.15, ficou pronta em quatro horas... 






Apesar de nos focarmos na modelação 3D, exploramos outras vertentes, que poderão ser pertinentes para projectos interdisciplinares. Esta semana aproveitámos para testar modelos criados a partir de digitalizações 3D de património artístico.





A grande impressão da semana: o geoide, que mostra a Terra sem atmosfera nem oceanos. A primeira impressão para o projecto Ciência na Escola, este ano.





Esta foi a semana em que demos por terminado o projeto eTwinning Rainbow Village. Todas as casas modeladas pelos alunos estão impressas.


O LCD esta semana esteve dividido. Um grupo começou a fazer experiências de animação em stop motion utilizando elementos impressos em 3D.


O outro grupo ajudou na tarefa de fazer o upgrade ao extrusor da BEETHEFIRST para o adaptar à impressão de outros materiais para além de PLA e ABS. Um processo simples, e não sobraram parafusos...


O momento em que estreamos a bobine de TPU-Flex cedida pela BEEVERYCREATIVE com parte do programa de beta testing.


Impressora montada, suporte de bobine inserido, nozzle de 0.6 mm colocado, e os alunos dão a ordem para a nossa primeira impressão em material flexível.


Cá está! Uma nova experiência para as TIC em 3D. Os alunos do clube levaram como trabalho de casa magicar algo que queiram imprimir em material flexível...

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Terrain2STL




Um dos projectos que gostaria de fazer era imprimir mapas de relevo em 3D. Quer para aplicar em projetos concretos com os alunos, ou para explorar ligações interdisciplinares à história e geografia, ou para auxiliar de aprendizagem para alunos com dificuldades de visão.

Há várias técnicas para criar modelos 3D a partir de mapas, com vários graus de complexidade, desde as que envolvem scripts à criação de 3D a partir de imagens 2D em escala cinzenta. As mais complexas não consegui testar, e a conversão de imagem para 3D com apps online, técnica do lithopane ou usar extrusões a partir de escalas cinza (um velho truque do Bryce) nunca me deu os resultados que queria. Gerava modelos 3D, mas com muito ruído, pouca fiabilidade, ou elevações demasiado trianguladas, sem suavidade.

O Terrain2STL tem melhores resultados. Com uma interface simples, basta escolher a área desejada, ajustar alguns parâmetros de captura, exagerar um pouco a escala no eixo Z (para dar ênfase à tridimensionalidade), e descarregar.



Os resultados são animadores. A mesh é densa, mas podemos sempre utilizar o Meshlab para diminuir a contagem de polígonos. O STL pode ter alguns erros, mas o Netfabb dá facilmente conta deles. A única limitação que encontrei é no criar de mapas de zonas grandes. Não na app, mas no meu computador. Tentei um mapa de Portugal Continental, e se  a app o gerou sem problemas, o resultado é um ficheiro muito pesado, que o Meshlab processa, mas o Netfabb engasga-se. 

Como pormenor space g33k, o mapa de referência desta aplicação é o SRTM3, criado pela NASA na missão STS-99, no shuttle Endeavour em 2000. A precisão do mapeamento é de 90 m e os dados daquele que é considerado o mais detalhado mapeamento da Terra feito em órbita foram libertados para domínio público pelo JPL em 2015.

Dar Tempo, Explorar Vertentes


Um dia divertido, ontem, no Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento. Depois de um workshop de introdução à impressão 3D, foi lançado o desafio de desenvolver momentos de formação sobre modelação 3D. 


Ontem foi o primeiro. Seis horas de formação, dedicadas à modelação 3D com o Tinkercad. 


Levámos alguma bibliografia adicional, cedida pelo Centro de Recursos Poeta José Fanha, e um modelo criado no Thingmaker para mostrar as possibilidades desta aplicação.


Tinkercad foi o ponto de partida do workshop, mas não o tema dominante. Tentámos, para além da modelação, mostrar todo o fluxo de trabalho da concepção à impressão. Começámos por rever o essencial do hardware, as operações de carregar/descarregar e executar uma impressão utilizando a impressora BEEINSCHOOL da escola. Em seguida, passámos a uma sequência de exercícios práticos concebidos para aprender a modelar no Tinkercad, e expandir essa aprendizagem. Iniciámos com o clássico exercício de modelação de um porta-chaves personalizado, exercício simples que permite passar por todas as ferramentas da aplicação e iniciar a modelação. Seguiu-se um exercício de validação e correcção de mesh no Netfabb, a partir dos modelos criados no primeiro exercício.

Após o almoço, a sequência envolveu mais três exercícios: pesquisar conteúdo no Thingiverse, corrigir no Netfabb e aplicar no Tinkercad; traçar um desenho no Inkscape, criando um caminho SVG para importar para o Tinkercad, e um exercício livre de modelação tendo como tema criar uma casa. Ainda houve tempo para experimentar a criação de modelos 3D a partir de mapas (fica prometido um tutorial para breve).

O objectivo desta sequência, num público de dezoito formandos vindos de diversas áreas disciplinares, é o de mostrar várias vertentes de trabalho em 3D. Se a modelação é o nosso foco principal, nem todos os docentes têm de ser proficientes no desenho 3D para tirar partido das impressoras. Podem desenvolver projetos mais simples, a partir de desenhos, ou descarregar conteúdo de repositórios online. O importante, do nosso ponto de vista, é fazer com que os formandos experimentem as várias vertentes, para que possam fazer escolhas informadas nas suas práticas.


O interessante na impressão 3D é que estamos sempre a aprender. Nunca tínhamos experimentado as funções de pausa e carregar/descarregar durante um processo de impressão do Beesoft. Neste workshop, pediram-nos para testar isso... e porque não? Também aprendemos que um bug na versão do Beesoft que temos instalada (já corrigido nas versões mais recentes) causa conflito com o modo de pausa. Está na hora de actualizar o nosso computador...


É gratificante ver grupos de formandos a não dar pelo tempo passar, entretidos a criar no computador. Um dos nossos princípios de formação é precisamente este: mais do que demonstrar ferramentas e falar dos seus potenciais educativos, é, de forma estruturada para suportar a curva de aprendizagem, dar tempo aos formandos de experimentar,criar, rabiscar. Sabemos que fora destes momentos específicos, os professores não se sentem com tempo para o necessário processo de auto-formação que o desenvolvimento de proficiência numa nova competência exige. 


Durante o workshop, iam-se imprimindo os objectos criados pelos formandos. Aqui, o sub-diretor do AECE imprime o seu porta-chaves, que já está a usar com as chaves da escola...

Em março haverá mais um momento de formação, dedicado ao Sketchup Make. Estes workshops estão inseridos na estratégia deste Agrupamento de Escolas, que está a criar a sua Sala de Aula do Futuro. Após o investimento nos equipamentos, estão na fase crucial de montar a sala, mas não estão a esquecer o mais essencial: estimular os seus docentes, desafiando-os a experimentar e descobrir novas tecnologias e metodologias de trabalho. Daí o elevado número de participantes nestes momentos de formação. É um bom caminho. Sem ideias nem projectos, não há tecnologias que aproximem a Educação dos desafios da contemporaneidade.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Instantes






Semana dedicada ao final do semestre de TIC, com finalização de trabalhos e avaliações. Com muitas boas surpresas nos projetos dos alunos.






Terminar a semana instalando a versão beta mais recente do BEESOFT, para poder começar a imprimir em TPU-FLEX. Agora só falta fazer o upgrade ao extrusor.






Fim à vista na impressão das casas do projeto Rainbow Village. Finalmente. A cidade está quase completa.


Sessão do Laboratório de Criatividade Digital dedicada ao treino do uso de impressoras 3D. O objetivo era aprenderem a carregar e descarregar filamento, tentando várias vezes até se tornar uma operação rotineira. O extrusor da Beethefirst sofreu um bocado com tantos load/unload, mas foi por uma boa causa.


O LCD é um espaço aberto, e enquanto alguns treinavam o uso da impressora, outros fazem experiências com os LittleBits.


O melhor momento da sessão? Quando viro costas intencionalmente durante uns minutos, e ao regressar um dos alunos do clube, do quinto ano, aponta para o colega e me diz "stor, já fiz três vezes, ensinei-o, e ele já fez duas vezes!". É esse o espírito. Estou apostado em preparar impressores 3D  de topo!


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Tutorial: Validação e Correcção de STL com Netfabb


Este programa é uma ferramenta valiosa para garantir que a impressão 3D dos modelos corra sem problemas. Recomenda-se que antes de importar um ficheiro STL para o software de impressão 3D, este seja previamente verificado, validado e corrigido pelo Netfabb.

Com as operações de correção automatizada, podemos corrigir facilmente problemas que não detetámos e que provocariam impressões 3D falhadas, com os custos de tempo e material associados. Com os cortes, podemos visualizar o interior da peça. Se a peça ultrapassar o volume de impressão da impressora 3D, pode ser dividida em várias partes utilizando os cortes. Podemos alterar as medidas de uma peça com rigor.

A validação de um ficheiro STL pelo Netfabb garante que a impressão 3D da peça decorra sem problemas, ajudando a poupar tempo e filamento.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Instantes


Em TIC, estamos na reta final dos projectos. Há trabalhos muito awesome a surgir!


Some assembly required. Recebemos de volta o extrusor da nossa BEEINSCHOOL, bem como um tubo PTFE, com os problemas de entupimento resolvido. Mas veio mais na caixa: o kit de upgrade e uma bobine de TPU-Flex, para testarmos a impressão com outros materiais. Fomos convidados a ser beta testers dos novos filamentos da BEEVERYCREATIVE. Como queremos envolver o clube LCD, ainda não montámos o upgrade.


Ainda estamos a imprimir marcadores...


Faltava-nos algo para mostrar o que se pode fazer com o Thingmaker Design nas formações. Agora já não falta.


Segunda-feira, foi dia de inaugurar os novos espaços da nossa escola. A secretária de estado da Educação apreciou os nossos projectos.


 Voltar a montar o extrusor da BEEINSCHOOL depois da intervenção correu impecavelmente. E nem precisámos de calibrar a impressora.



Com as duas impressoras a funcionar em conjunto, pudemos acelerar a impressão dos elementos do projecto eTwinning Rainbow Village. Uma turma está quase despachada.


A semana também foi dedicada à formação. Encerrámos, com duas sessões, a formação de Sketchup no CFAERC, e dinamizámos um workshop no AE Cidade do Entroncamento.


Finalmente, conseguimos um tempo livre para estruturar o projecto A Terra Treme mas a Ponte Segura-se!. Isto é o que acontece quando um professor de Ciências e outro de TIC juntam as ideias. O projecto original evoluiu num caminho inesperado. Vai envolver mapas 3D. E adorámos o olhar de compreensão quando o nosso colega percebeu as competências cognitivas colocadas em marcha quando modelamos em 3D por primitivos: os miúdos têm que raciocinar muito para conseguir fazer isto... e conseguem!

Win Some, Lose Some


Hoje tomei a decisão de cancelar a acção de formação de impressão 3D que dinamizo para a Associação de Professores de Educação Visual e Tecnológica. Havia poucas inscrições, com problemas de divulgação e uma certa descredibilização da associação junto de um grupo de professores que se sente aniquilado com os acontecimentos do passado recente. Cancelar a acção abriu a agenda para outras similares nas datas previstas. Em breve partilho quais, e onde. Não deixa de ser um sentimento amargo ver-me forçado a cancelar uma iniciativa que visa partilhar o potencial estético e plástico da tecnologia junto dos professores de EVT. É esta a minha formação de base, e foi na sala de aula de EVT que este projecto nasceu e se desenvolveu, antes de passar às TIC, sempre mantendo o espírito de trabalho de projecto e ligação entre técnica e estética que é o grande legado de EVT.

Para além de contribuir com a minha experiência para a modernização desta área, o envolvimento com a APEVT é também uma tentativa de combater o alheamento que sinto das áreas artísticas face ao movimento pujante e interdisciplinar das TIC na Educação. Nos últimos anos, tenho descoberto inúmeros projetos e iniciativas que tiram partido e inovam práticas lectivas recorrendo às tecnologias digitais. A robótica educativa é hoje uma força nas escolas, multiplicam-se projectos e metodologias recorrendo a tablets e apps, com novas dinâmicas de aprendizem, a tendência das salas de aula do futuro é de crescer e multiplicar-se pelas escolas portuguesas. Vejo docentes de línguas, matemática, ciências sociais e humanas entusiasmados, mostrando como potenciaram práticas recorrendo a tecnologias digitais. Assisto (e participo) à explosão de criatividade das TIC com a robótica e programação. Não vejo professores de áreas artísticas envolvidos nestas dinâmicas. Nunca vi uma apresentação académica ou partilha de práticas onde professores de artes visuais, educação visual e tecnológica ou educação musical mostrassem o que fazem com ferramentas digitais. A própria dinâmica da Sala de Aula do Futuro, com as suas divisões em zonas de criação, pesquisa, apresentação e chill out, não parece levar em conta as especificidades das áreas artísticas. Entre tablets, quadros interativos e mesas multitoque, ficou de fora o espaço para estiradores.

Note-se que até já encontrei docentes de Educação Física envolvidos em projectos tecnológicos. A georeferenciação e os jogos com GPS permitem este tipo de práticas, com a vertente de descoberta de património à mistura. No que toca às artes, o único projecto que conheço que se atreve a desbravar o campo expressivo possibilitado pelas tecnologias é o Arte Transformer. As TIC em 3D são a minha contribuição para mostrar que outros caminhos são possíveis.

Há um certo perigo em deixar entregue a expressão criativa com meios digitais entregue aos bem intencionados e dinâmicos docentes de outras áreas, que percebem a forma, mas não o conteúdo específico. Há uma diferença enorme entre, por exemplo, o que apps e plataformas de criação de banda desenhada permitem e o que realmente é a banda desenhada enquanto linguagem expressiva. O mesmo pode ser observado em relação ao vídeo ou design gráfico, as áreas que tenho visto como representativas de uma visão de criatividade ao serviço da aquisição e processamento de informação. De fora fica o riquíssimo mundo da expressão, e pergunto-me porquê. Seremos nós, professores de áreas artísticas, assim tão arreigados a uma certa visão tradicionalista dos media de expressão, aceitando apenas os clássicos como fundamentais para o estímulo à expressão artística? Um conservadorismo que a arte contemporânea já rejeitou? Pessoalmente, sempre que me apontam a excelência de Picasso ou Matisse, pergunto mas e se fossem vivos hoje? pintariam a óleo ou fariam código interactivo de realidade mista?



Perdem-se umas (mas não se desiste), ganham-se outras. Horas depois de ter publicado uma nota amarga na página da APEVT anunciando a suspensão da formação de impressão 3D, descobri a partilha nas redes sociais do clube de robótica do AE de Vilela. É o primeiro Anprino que vejo in the wild, montado pelos alunos de um clube de robótica. E tinha logo que ser um modelo Arthur. Ganhei o dia, diria! Aquele projecto de sanidade duvidosa para o qual a Fernanda Ledesma me desafiou, que despertou alguma desconfiança e incredulidade nos meios da robótica educativa, está mesmo a chegar ao terreno, muito graças ao poder da impressão 3D. Tenho de me preparar para o comentário mas os (inserir aqui lego/mBot/bq/ardózia) são muito melhores. Notem que os Lego e similares são desenvolvidos por empresas, não por equipes de professores.

É impossível não sentir orgulho nestas imagens. As TIC em 3D também deram o seu contributo para que isto fosse possível.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Workshop Introdução à Impressão 3D - Entroncamento


Aquele cansaço recompensador. Ontem, no Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento, perdemos a conta ao número de formandos presentes no workshop de introdução à impressão 3D. O convite partiu do sub-diretor do Agrupamento, e prende-se com o seu projecto de criar um espaço sala de aula do futuro na sua escola. Nesse foco, pediu-nos aconselhamento no tipo de impressora a adquirir para o espaço, e um workshop de introdução.

Apesar de terem uma estrutura elementar, não há dois workshops iguais. Este teve uma novidade: estreámos a impressora 3D do AECE. A sessão começou pelo unboxing e primeira impressão da impressora, um logotipo que criámos com o Inkscape e Tinkercad. O resto foi o expectável: falar da tecnologia e seu potencial, mostrar exemplos de uso, mostrar repositórios online de conteúdo 3D, demonstrar o fluxo de trabalho da concepção em Tinkercad e Sketchup à impressão, passando pelas fases de correcção e validação com o netfabb e o Meshlab. As duas horas e meia prevista para a sessão estenderam-se para quatro.

O objectivo era despertar um grupo alargado de docentes para esta tecnologia, e pôr a funcionar a impressora BEEINSCHOOL do AECE. O segundo foi logo cumprido no início da sessão, o primeiro, percebemos pelas perguntas, pela presença de um número elevado de participantes (auditório cheio), boa parte dos quais ficaram connosco a conversar bem para lá do final da sessão, que também o atingimos.


O que se segue? Mais sessões de formação, direccionadas para a modelação 3D. Como colocou, muito bem, um dos formandos, olhe, precisamos mesmo é de formação nisto do desenho em 3D, que a parte técnica da impressão já se percebeu que é fácil. Temos é que aprender a modelar!

Em breve, mais duas sessões, sobre Tinkercad, Sketchup e validação/correcção de STL.

Rede de Clubes de Programação e Robótica


 O Laboratório de Criatividade Digital, clube de programação e robótica do Agrupamento, encontra-se referenciado com um dos 188 clubes deste género existentes nas escolas, e um dos dois a nível concelhio. A lista georeferenciada pode ser consultada aqui: Rede de Clubes de Programação e Robótica (2017).