terça-feira, 25 de outubro de 2016

Codeweek: Imprime o Teu Brinquedo





Isto é o que acontece quando se soltam alguns tablets e o Thingmaker Design nos intervalos do Centro de Recursos Poeta José Fanha, se anuncia um concurso de modelação 3D, e se deixa qualquer um participar. A pré-selecção mostrou mais de vinte trabalhos, e de fora ficaram mais algumas dezenas por estarem incompletos. Agora resta seleccionar os três melhores, e imprimir. Os vinte e dois projectos a concurso podem ser vistos aqui: Codeweek - Imprime o Teu Brinquedo em 3D.

(Diga-se que os alunos de 5º. ano perguntam todos os dias se os deles já estão impressos...)

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Instantes


No arranque do LCD_AEVP, iniciando os alunos do Laboratório na impressão 3D.

Outra das vertentes do LCD_AEVP é a robótica. É desta que este velhinho RCX regressa à vida.

Esta semana, o makerspace  do Centro de Recursos iniciou actividade. A impressão 3D, numa óptica de promoção da literacia informacional.


Uma das nossas iniciativas Codeweek envolvia a modelação para impressão 3D utilizando tablets. Confesso que não me oriento no 123D Sculpt. Já os alunos não se queixam do mesmo.



O makerspace da Biblioteca não estaria completo sem bibliografia apropriada.


Impressão a impressão recupera-se o atraso. Mais um trabalho do ano passado a ficar pronto.


No âmbito da Codeweek, desenvolvemos actividades de introdução à programação com alunos do 8º. ano. E, porque não, de mais qualquer coisinha. Arduino parece-nos uma excelente nova aventura.

sábado, 22 de outubro de 2016

Dica F@b #03: Dizimar Malhas Poligonais


Socorro! Na imagem, o modelo 3D parecia perfeito. No computador, é muito pesado, e ao enviar para a impressora 3D o software demorou demasiado tempo para fazer o slicing, a impressão correu mal, ou crashou continuamente. O que é que se passa?

É um problema comum nos objectos 3D que encontramos online. Todos os modelos 3D são constituídos por uma superfície definida por triângulos, chamada malha poligonal (mesh, em inglês). Quanto maior o número de triângulos que define o objecto, melhor a sua perfeição. Ter modelos 3D com elevados números de polígonos é desejável, mas por vezes pode-se tornar problemático. Quanto maior for o número de triângulos, maior será o tamanho do ficheiro e as necessidades de memória RAM do computador para o processar (quer em rendering quer em slicing).

Existem técnicas que permite diminuir o número de polígonos de um modelo 3D, tornando-o mais leve e fácil de processar. Vamos mostrar uma, utilizando os recursos do Meshlab. Nesta dica F@b, utilizámos um modelo 3D de estatuária suméria digitalizado e disponibilizado pelo British Museum.


Primeiro, importamos o modelo 3D para o Meshlab com o comando Import Mesh do menu File


No painel do Meshlab podemos saber quantas faces tem a malha poligonal.

Se o modelo tiver textura associada, podemos visualizar a malha poligonal clicando em wireframe nas opções de visualização.


Para diminuir o número de polígonos do modelo, vamos aplicar o filtro Quadric Edge Collapse Decimation, disponível no submenu Remeshing, Simplification and Reconstruction do menu Filters (filtros). O Meshlab dispõe de uma enorme quantidade de recursos para processar modelos 3D.


O filtro define de forma automática a diminuição para metade do número de polígonos. Na opção Target Number Of Faces podemos definir para quantos polígonos queremos que a redução seja feita. A qualidade da malha poligonal pode ser controlada nas opções do filtro.


A diminiução da contagem de polígonos torna o modelo mais leve, mas retira-lhe realismo. Podemos ir executando gradualmente este processo, até atingir o resultado desejado.


Quanto menor o número de polígonos, mais facetado ficará o objecto.


Para finalizar esta dica F@b, reduzimos o número de polígonos do modelo para 25 000.


Exportamos o modelo com a opção Export Mesh As... do menu File. No formato, escolhemos ficheiro STL. Uma das melhores ferramentas do Meshlab é a facilidade com que converte entre formatos de ficheiros 3D.


Uma análise do STL no netfabb (procedimento que recomendamos para certificar que a impressão 3D vai ser bem sucedida) mostra que o modelo não tem problemas a corrigir.


Só falta imprimir, e levar para a sala de aula. Com esta técnica, podemos assegurar que a impressão de um modelo 3D pesado será bem sucedida.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Codeweek@AEVP


Ainda não foi este ano que conseguimos dinamizar um evento Codeweek mais abrangente. Ficámos por algumas iniciativas pontuais, mais a marcar simbolismo do que divulgação intensiva. As obras na escola, com os problemas de rede e infraestrutura que levantam, impediram o desenvolvimento de atividades mais ambiciosas. Gostaríamos, por exemplo, de desenvolver workshops de 3D e game design com Scratch no Centro de Recursos, mas não nos foi possível.

Não queríamos deixar de assinalar o evento. Já é normal fazer coincidir o arranque das atividades de introdução à programação com as turmas de TIC nesta data (no que toca à Programação 1CEB, ainda estamos a finalizar a organização). Foi também hora de iniciar percursos de aprendizagem com Arduino.






Aproveitámos também para iniciar o clube de programação e robótica do AE Venda do Pinheiro. Na primeira sessão do LCD_AEVP, um grupo de alunos do 5º. ao 9º. ano vieram descobrir o que poderão fazer no Laboratório. Impressão 3D, robótica com Legos e programação de drones são as vertentes por onde iremos iniciar. Os alunos participantes serão livres de escolher o que querem experimentar e desenvolver. O LCD não é mais uma aula, é um espaço de atelier tecnológico onde, dentro das condicionantes que lhe são inerentes, esperemos que os alunos desenvolvam a sua criatividade utilizando meios digitais.


Finalmente, iniciámos as actividades do Fab@rts, montando um espaço de impressão 3D no Centro de Recursos. Os tablets já estão a ser utilizados pelos alunos, quer no âmbito do projecto quer noutras vertentes, e sabemos que há muitos aderentes ao concurso de modelação 3D com o Thingmaker Design que lançámos durante esta Codeweek. Só faltava dar visibilidade à impressão 3D, e envolver directamente os alunos nos processos técnicos de impressão.

Não desenvolvemos actividades muito abrangentes, mas nesta Codeweek, o agrupamento ganhou um Laboratório de Criatividade Digital e abriu um makerspace na biblioteca escolar. Momentos simbólicos para novos passos destas aventuras entre a pedagogia, a criatividade e a tecnologia.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

E se ao entrar na Biblioteca...



... vir uma impressora 3D, sim, tranquilize-se. Está mesmo numa biblioteca.

Ainda não temos as condições desejáveis no espaço do Centro de Recursos, mas sentimos que não podíamos esperar mais. Iniciámos hoje a estruturação do nosso espaço Maker, criando para já um cantinho dedicado ao 3D. A impressora e o computador irão estar acessíveis, chegou ao CR bibliografia específica, e os tablets estão a ser utilizados pelos alunos, que estão a descobrir o 3D no Thingmaker Design. 


Estava na hora. Não houve inauguração nem cerimónia, simplesmente montámos o sistema e colocámos a imprimir. Agora é esperar que a curiosidade dos alunos faça o resto, gerando massa crítica de utilização. E a partir daí começar a crescer. O LCD_AEVP, Laboratório de Criatividade Digital que irá em breve arrancar no espaço, poderá dar uma ajuda...


Para já, temos no Centro de Recursos Poeta José Fanha um cantinho dedicado ao 3D. É o primeiro passo. Aproximar, possibilitar contacto, despertar a curiosidade. Sem grandes cerimoniais, mas quando a impressora iniciou o primeiro trabalho de impressão na biblioteca, havia um sentimento de a small step for a man...

domingo, 16 de outubro de 2016

LCD_AEVP


Iniciamos no próximo dia 21. Finalmente. Se as TIC em 3D têm desenvolvido as suas actividades em contextos estritamente de sala de aula, já sentíamos há algum tempo a necessidade de um espaço e de um tempo que permitisse aos alunos mais interessados desenvolver as suas capacidades e conhecimentos para além dos níveis introdutórios possíveis na aula. Sendo mais específico, o desafio partiu de alunos que aproveitam tempos livres para estar connosco, a querer aprender mais. Estava mais do que na hora de responder a esta necessidade.

A fasquia parece alta, mas o objectivo é simples. Queremos colocar estes alunos a brincar com tecnologia, naquele sentido que Papert lhe deu. Sabemos que alguns alunos irão preferir drones e robots, outros pediram expressamente para trabalhar com impressão 3D. Arduino é o desafio para o professor, que ao longo deste anos de atividades nas TIC já descobriu que a melhor maneira de aprender algo é perder o medo, levando-o para os alunos mesmo que não se domine a tecnologia. Funcionou com a linguagem Scratch...

Para já arrancaremos com cerca de dez alunos, que esperamos que se tornem um núcleo de crescimento, bem como de apoio e monitorização ao projecto Fab@rts (que, por causa do uso do espaço do Centro de Recursos como sala de aula temporária até ao final das obras na escola, está a meio gás).

Não lhe queremos chamar clube. Preferimos a metáfora do atelier, porque tentamos intervir na fronteira entre tecnologia e criatividade. Talvez se consiga estabelecer as bases de um makerspace criativo e educativo. Este laboratório de criatividade digital é uma nova e estimulante aventura deste projeto.

Workshop de Impressão 3D - Ílhavo.



"Interdisciplinaridade resume muito bem a utilidade deste tipo de ferramentas."
Este comentário, deixado por um dos formandos, resume bem uma das mensagens que tentamos transmitir nestas sessões. A tecnologia é uma linguagem transdisciplinar fantástica, que abre enormes possibilidades quando se conjugam diferentes áreas. Neste sábado, por Ílhavo, numa acção de curta duração promovida pela ANPRI com apoio da BEEVERYCREATIVE, que cedeu a impressora 3D BEEINSCHOL A para o workshop. Estavam presentes cerca de vinte participantes, professores de informática da zona norte e centro, que experimentaram em três curtas horas os processos de impressão 3D, desde a modelação à impressão, passando pela manutenção de impressora e validação de malhas poligonais. Este tipo de acções é muito intensiva, mesmo sendo num nível introdutório.


Workshop Ílhavo - Estrutura

Antes:
- montar espaço com objetos impressos em 3D dos alunos;
- colocar a imprimir recordações - pin steampunk.

Desenvolvimento:

1 - Tinkercad

- ligar ao wifi do espaço;
- aceder ao Tinkercad, criando conta;
- chrome://flags -> web GL (activar o WebGL no Chrome)
- demonstrar Tinkercad:
    - espaço de trabalho
    - controle do rato (órbita, zoom, pan)
    - workplane
    - primitivos e formas paramétricas
    - modificações 3R (rotate, resize, reposition)
    - duplicar com inferências
    - deformações (proporcional, não proporcional, simétrica)
    - operações booleanas (sólido/hole)
    - grupos
    - formatos de exportação (STL/OBJ/VRML-X3D, Minecraft, SGV)
    - partilha e licenciamento (uso em aula: aluno só partilha trabalho que deseja ver avaliado, privacidade garantida, abordagens à propriedade intelectual e remix culture).

- Desafio: modelar um porta-chaves.


2 - Do STL ao objeto impresso

- seleccionar um STL criado pelos participantes (partilhar projecto do Tinkercad e enviar url por email);
- abrir cópia no Tinkercad e descarregar STL;
- processar STL no netfabb
    - scale
    - mesh validation
    - deteção e correção de erros
    - export
- processar STL no Meshlab
    - mesh reduction
    - conversão entre formatos 3D

- imprimir no beesoft
    - espaço de trabalho e ferramentas
    - importar STL
    - opções de impressão (resolução, densidade, raft, suportes, estimar)
    - imprimir

3 - apresentação 3D printing.

Fotos do evento aqui: Wks_Ílhavo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Entre Espaços: a Escola e o Cinema


Uma visão diferente da Sala Félix Ribeiro, na Cinemateca. Estar lá não para ver filmes, apesar do dia ter terminado com uma sessão de cinema, mas a ouvir falar sobre cinema e educação. Foi a segunda conferência do Plano Nacional de Cinema, com o tema Entre Espaços: a Escola e o Cinema. Reunidos no espaço da Cinemateca estavam muitos dos professores que, nas escolas, desenvolvem actividades no âmbito deste projecto.

Ainda sinto como inquietante ver um representante do ministério da educação a falar a professores, e concordar com o que diz. Traumas dos últimos oito ou nove anos de dirigentes ministeriais. Registei o interesse reflectido nas palavras de João Costa no potencial das artes na educação, até agora tão desperdiçado e desconsiderado. Já o tinha registado em discursos similares que ouvi em encontros ligados às tecnologias na educação. Pessoalmente não tenho ilusões que, tão cedo, se consiga quebrar a pedagogia dos exames, com todas as consequências negativas que traz a um sistema de ensino que se foca nos resultados a curto prazo e deixa de ter tempo para pensar na formação alargada dos alunos. Pelo menos, o discurso oficial deixou de ser o da exigência e rigor de vista curta e está a abrir-se à diversidade de experiências, a uma visão integral da educação, e aos desafios da complexidade de preparar os alunos de hoje para um amanhã imprevisível.

A conferência de abertura foi um momento de prestígio, com Maria Emília Brederode e Guilherme d'Oliveira Martins a partilhar o seu amor pelo cinema, artes e educação. Ajudaram a mostrar a importância de alargar horizontes, de não reduzir a aprendizagem ao utilitarismo, mas, essencialmente, partilharam as suas paixões nestes domínios. É que realmente nos cativa.

No painel seguinte, os cineastas Luís Filipe Rocha, Margarida Cardoso e Pedro Serrazina, moderados por Jorge Leitão Ramos, discutiram a importância do Plano Nacional de Cinema na formação de novos públicos e estímulo à cultura. Preocupou-me o tom conservador do debate, muito centrado numa visão do que era o cinema e do que eram os alunos. Tom esse que, refira-se, já tinha sido aludido na sessão de abertura, com a directora do ICA, ao falar sobre o digital, a registar que devemos combater estes novos meios, porque o cinema deve ser visto em sala de cinema. Uma frase que me preocupou, dando a entender que os responsáveis pelos financiamentos e políticas culturais vêem os novos media como uma ameaça e não nova vertente de actuação. Fechar-se e combatê-los como ameaça não os fará desaparecer, mas pode colocar em causa o futuro das organizações que assim procederem.

Deste debate, saliento o tom questionador de Luís Filipe Rocha, que soube contrapor a um certo conservadorismo uma visão de mudança. Perante questões como o deficit de atenção dos alunos de hoje, a dispersão multi-plataformas, ou a promoção de públicos, falou da questão do interesse e do papel da escola na formação de gostos culturais. Sobre isto, algumas notas: a questão do défice de atenção parece-me demasiadas vezes ser levantada por saudosistas de bons velhos tempos em que as crianças podiam estar distraídas, mas mantinham-se num silencioso respeito interpretado como atenção. Se é que alguma vez isto foi assim. No que toca à formação de públicos, apontada no painel como desastrosa, pergunto-me exactamente que públicos pretendem. Tenho tido a experiência oposta, visitando festivais de cinema que esgotam as sessões, ou participando em festivais culturais que não só atraem público jovem como dependem em larga medida de núcleos culturais dinamizados por jovens. Talvez esta questão da formação de públicos tenha, de certa forma, com a formação de públicos para um certo tipo de cinema privilegiado pelos meios culturais portugueses, com a sua clássica rejeição de culturas de género ou produtos mediáticos que não se enquadrem numa visão erudita mas restrita. Poderia recordar o caso do cineasta António de Macedo, que se fizesse o tipo de filmes que caracterizou a obra de Manoel de Oliveira ainda hoje faria cinema, mas que por preferir temas desprezados pelos responsáveis pelos financiamentos estatais se viu forçado a deixar de filmar.

Os discursos conservadores costumam encontrar terreno fértil em agregados de professores. Fale-se em catástrofes porque os jovens de hoje não têm a cultura de antigamente, ou que são desatentos e inquietos, e logo se vê um coro de cabeças a acenar em concordância. Pessoalmente, não creio que estas questões sejam assim tão lineares. Vejo o entusiasmo dos meus alunos com literatura ou filmes, ou os dos grupos de cosplayers e jovens criadores que enchem eventos. Não é um entusiasmo com o gosto cultural tido como desejável, mas é entusiasmo gerador de cultura. Por outro lado, dietas mediáticas exclusivas em culturas de género não são saudáveis. Perde-se a riqueza do confronto de perspectivas, gostos e visões. Duas questões concordo inteiramente: o papel da escola como espaço de formação de gostos, não por imposição mas por exposição, e a inevitabilidade da sala de cinema enquanto espaço privilegiado para se perceber o real impacto desta forma de arte. Hoje, podemos ver filmes em múltiplas plataformas, momentos e dispositivos. Ainda bem. Democratiza, permitindo o acesso a obras esquecidas, raras, ou com pouco interesse comercial. Mas o acto de ver cinema tem muito de social, de isolamento do real num espaço físico concebido para fruir desta arte. É algo que não escapa aos estúdios nestes dias de fragmentação. Suspeito que o ressurgir dos filmes de Ficção Científica, ou os de aventura, com a sua promessa de grande espectáculo só verdadeiramente perceptível em grande ecrã, se deva a isto. Vertentes que o Plano Nacional de Cinema incentiva nas suas acções.

À tarde, coordenadores do PNC de três escolas participantes partilharam as suas iniciativas e metodologias. Este foi o momento mais proveitoso, de um ponto de vista utilitário, do congresso, permitindo analisar como outros implementam o projecto nas suas escolas, como conseguem a adesão dos professores e alunos, apoio das direcções e entidades locais, o que fazem efectivamente. Saí desse momento com algumas ideias e, mais importante, as colegas que me acompanham nesta aventura, para a qual tenho muito pouco tempo, saíram cheias de ideias (temos um acordo de cavalheiros, motivado pela gestão de tempo: elas desenvolvem actividades, eu assino, dou a cara, mas nunca me esqueço de as creditar e reforçar que quaisquer actividades desenvolvidas são possíveis graças ao seu empenho).


Um congresso sobre educação e cinema só poderia terminar com uma sessão de cinema. Aproveitando a iniciativa da Cinemateca das double bill ao sábado à tarde, assistimos aos filmes La France de Serge Bozon, e o clássico Casablanca de Michael Curtiz. Por razões eminentemente g33k, sempre que me falavam em double bill só me apetecia cantar o Science Fiction Double Feature, que arranca o Rocky Horror Picture Show (esse filme que mostra tão bem o como o cinema é enriquecido pela experiência social). Terminar o encontro com o mergulho na magistral textura cinematográfica de Casablanca foi o melhor encerramento possível, um que faz sentir a real razão de todos os que estão envolvidos no Plano Nacional de Cinema se dedicarem a este projecto. A paixão, difícil de colocar por palavras, pela sétima arte.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Europe Code Week 2016: Creative Techies.



As TIC em 3D/Fab@rts não podiam deixar de se juntar ao evento Europe Code Week. Não nos focamos na programação, exclusivamente, mas este evento também abrange outras utilizações criativas das tecnologias digitais. Este ano, participamos com desenvolvimento de introdução à programação em Scratch em TIC (por feliz coincidência, as datas da Codeweek integram-se na planificação), e com um concurso de modelação 3D para os frequentadores e utilizadores assíduos dos tablets do Centro de Recursos. Queríamos fazer mais, como uma aula aberta/demonstração de game design no Scratch, mas as afinações em falta nos nossos espaços intervencionados não o permitem. O nosso evento chama-se Creative Techies, porque as tecnologias são, acreditamos, uma nova linguagem de expressão criativa.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Codeweek 3D: Imprime o teu Brinquedo


Para comemorar a Codeweek 2016, semana europeia dedicada às novas tecnologias na educação, lançamos em conjunto com o Centro de Recursos Poeta José Fanha um concurso destinado a todos os alunos que visitam o Centro de Recursos e utilizam os tablets adquiridos no âmbito do Fab@rts. O desafio é criar um brinquedo no Thingmaker Design. Os três melhores serão impressos em 3D e entregues aos seus criadores.

O concurso faz parte da iniciativa Creative Techies, participação do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro na Europe Code Week 2016.

Como fazer para participar:

- Requisitar um tablet no atendimento do Centro de Recursos.


- Procurar a app Thingmaker Design.


- Escolher o tipo de objecto a modelar.

 
- Modelar em 3D, escolhendo as peças disponíveis.


- Enviar para impressão 3D (pedindo ajuda à Patrícia, Prof.ª Jacqueline ou Prof. Artur).


- Descarregar os ficheiros para impressão 3D (pedindo ajuda à Patrícia, Prof.ª Jacqueline ou Prof. Artur).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Workshop Impressão 3D - Ílhavo


Dia 15 de outubro, sábado, vamos estar em no Fórum da Juventude da Biblioteca Municipal de Ílhavo a partilhar o que aprendemos sobre impressão 3D em contextos educativos. O workshop é duplo. Após impressão 3D, seguir-se-á um de introdução ao arduino. Esta iniciativa tem o apoio da BEEVERYCREATIVE, que cede uma impressora para a acção. Mais informações e inscrições aqui: ANPRI - Workshops de Impressão 3D e Arduino.

sábado, 1 de outubro de 2016

Passos


O ano letivo arrancou e as TIC em 3D têm estado silenciosas? Sim, mas não paradas.

- A nossa prioridade tem estado na infraestrutura digital de uma escola a meio de intervenção. A ajuda dos alunos tem sido preciosa. Estamos quase a restaurar a área informática do Centro de Recursos. Ainda há muito por fazer e repor, mas passo a passo vai-se conseguindo.

- As impressoras 3D também não estão paradas. Queríamos estar a imprimir os projectos dos alunos do segundo semestre do ano passado, mas, novamente, estamos a dar prioridade à infraestrutura da escola. Terminou a renovação dos porta-chaves das salas de aula. Em seguida vamos imprimir suportes para leitores de cartões de proximidade, evitando a despesa extra de adquirir esses acessórios, e adaptando-os às nossas necessidades específicas. Não são tarefas tão divertidas como as da componente pedagógica, mas uma das grandes lições que aprendemos ao longo dos anos é que para que a pedagogia corra bem, tem de estar sustentada numa infraestrutura estável. Agora, a impressão 3D também ajuda nisso.

- Duas turmas estão a começar a preparar um tema de trabalho colaborativo em contexto eTwinning. O projecto reúne cerca de vinte professores de escolas de diferentes países europeus. Com o tema Rainbow Village, pretende-se que os alunos criem um país fictício, com a sua cidade, leis, sistema político, hino e bandeira. Imaginem qual será a nossa contribuição? Vamos focar-nos na arquitectura... e imprimir em 3D. Não resistimos a começar a mostrar aos alunos projectos de arquitectura utópica, ou o design de Norman Bel Geddes. No nosso lado, irão participar duas turmas de 7º. e 8º. ano, com ajuda dos professores de Inglês e de Educação Visual.

- Envolver mais os alunos nos processos de impressão 3D é um dos nossos objectivos deste ano. Já o estamos a fazer, desafiando alguns a executar os passos de preparação e iniciação de trabalhos de impressão.

- Os tablets adquiridos no âmbito do projecto Fab@rts já estão ao serviço dos alunos. Enquanto não estruturamos actividades específicas, uma vez que só quando as obras na escola terminarem é que poderemos avançar em força, os alunos que frequentam o CR estão a usar os tablets livremente. É divertido passar por lá, e ver alunos de quinto ano a divertirem-se montando robots e outras criaturas no Thingmaker. Temos de lançar um concurso desenha e imprime o teu brinquedo...

- As actividades do Programação 1CEB/Code2Fly estão suspensas de momento. Queremos, tal como no ano anterior, abranger todas as escolas do primeiro ciclo. Falta-nos um recurso humano, e estruturar os horários. Os drones em terra têm um ar triste.

- Também em preparação, o nosso clube de robótica e tecnologia criativa. Ainda não sabemos bem o que lhe chamar. Lab AEVP? LCD - Laboratório de Criatividade Digital? Estamos a apontar para uma hora semanal à sexta-feira, durante os tempos de almoço dos alunos. Em breve (sujeito ao normalizar das instalações escolares), lançaremos mais este projecto.

- Depois do workshop desenvolvido no Fórum Fantástico, estamos a estreitar parcerias com o LAB Aberto em Torres Vedras, e a responder a pedidos de apoio/consultadoria por parte de escolas cujos docentes se querem aventurar na impressão 3D.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Impressão 3D no Fórum Fantástico 2016


Workshops destinados a um público generalista são-nos mais exigentes do que aqueles focados em alunos e professores. A estrutura narrativa de um evento destes, que temos orientada para questões pedagógicas, criativas e técnicas, tem de ser alterada na hora de acordo com as questões colocadas pelos participantes. Todo o lado de possibilidades educacionais desta tecnologia tem de ser colocado de parte, o que nos é muito difícil. São elementos que tornam estes momentos mais desafiantes. Obrigam-nos a pensar fora das linhas estruturantes, a adaptar discursos, percebendo o que é que os não-professores querem saber sobre esta tecnologia. Outro pormenor, que quem está ligado ao ensino repara, é que os participantes não agem de acordo com a linearidade do público educacional, colocando questões e comentando activamente durante as demonstrações. Com professores ou alunos é o oposto, o que diz muito sobre a postura tradicionalista inerente aos processos de aprendizagem na escola. As questões foram mais que muitas, e a algumas não tivemos resposta. Não imaginávamos (nem de tal nos lembraríamos) que houvessem vários tipos de G-code.  A wikipedia regista que has many variants. Que bom.

Bem, qualquer workshop a que se sobreviva e ainda se aprenda algo de novo só pode ter funcionado bem...


O tempo foi outro factor limitativo. Reduzido a uma hora e meia, teve de ser com os participantes à volta da impressora. Durante o evento abordámos o conceito de manufactura aditiva e impressão 3D, alguns componentes do hardware da impressora, preparação e manutenção do equipamento, software de slicing, técnicas de impressão, preparação de uma peça da modelação (a parte que teve de ficar de fora deste workshop) à validação de mesh com deteção e correção de erros, sublinhando sempre a importância do saber modelar em 3D para libertar o potencial de personalização extrema de objectos desta tecnologia. Algo que até agora só era possível, e esperado, aos artesãos, fica ao alcance de todos os que sentirem a chama da criatividade. E, claro, muitas impressões. Arregimentámos voluntários entre o público para estas operações. É o hands on possível nestes momentos.


BEE aberta? Não, não tivemos encravamentos de filamento. A impressora está aberta porque no início mostrámos o seu interior, para que os participantes vissem o extrusor da BEEINSCHOOL, e com a intensidade do workshop esquecemo-nos de voltar a colocar as tampas. Foram, de facto, 90 minutos intensos e não tivemos tempo de fazer registos fotográficos. Felizmente, o escritor Joel Gomes fotografou, filmou, e partilhou alguns momentos do evento no Periscope.

Se o espaço de trabalho parecer estranho... é porque era um palco. Com a indisponibilidade de salas na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, o workshop teve de decorrer no palco do auditório. No passado sábado, a impressão 3D subiu ao palco...

O feedback do público foi muito positivo. Saímos de lá com um desafio para a Spring It, para partilhar esta tecnologia junto de cosplayers (e deveria ter ficado com o contacto de quem nos desafiou, porque a combinação de Pepakura e resinas tem coisas que precisamos de aprender para melhorar o resultado final dos processos de impressão), e demos ideias ao SciFi Lx que... bem, revelar poderá ser excesso de optimismo, mas os boardgames e a impressão 3D poderão dar conjugações interessantes. Para o ano, com apoios, o Fórum Fantástico poderá enquadrar uma iniciativa mais avançada deste género, nos moldes de um mini-curso de introdução à modelação e impressão 3D.


Normalmente, nestes eventos, continuamos as atividades num espaço tipo banca, ao longo dos dias. Não queríamos isso, neste Fórum Fantástico, por isso findo o workshop a impressora regressou e nós mantivemo-nos no festival. Ao passar pela banca do projecto Imaginauta, reparámos que os imaginautas que imprimimos em 3D para o Conversas Imaginárias de 2015 continuam a proteger a antologia Comandante Serralves.

domingo, 25 de setembro de 2016

Prémio Adamastor


Este foi um dos projectos que nos ocupou durante as férias de verão. Os Prémios Adamastor foram lançados pela organização do Fórum Fantástico para distinguir e incentivar a produção literária nos domínios da literatura e banda desenhada de Ficção Científica, Terror, Fantasia e Transreal de autores portugueses. Fizemos parte do júri que seleccionou as obras premiadas, um grupo que apenas o organizador do evento sabe quem são (bem, por "nós" entendam o humanóide por detrás das TIC em 3D).



Na sua primeira edição, em 2014, o primeiro prémio de carreira foi, consensualmente, sem discussão, porque claramente era a personalidade que mais o merecia, para o cineasta e escritor António de Macedo. A sua obra literária e cinematográfica é a grande referência do Fantástico português no século XX, estendendo-se ao XXI pela sua lucidez e pulsar futurista. O seu amor pela ficção fantástica custou-lhe, de certa forma, a carreira de cineasta, com constantes recusas de financiamento por parte dos organismos que tutelam os subsídios à produção de cinema por considerarem que os temas dos seus filmes, tão do agrado dos fãs, não se enquadrarem na sua visão institucional do que deveria ser o cinema português.


Não tínhamos, em 2014, mais do que diplomas para entregar aos autores distinguidos com os primeiros prémios Adamastor. Após uma pausa forçada em 2015, o regresso do evento neste ano não se traduziu numa nova edição dos prémios. A pouca produção de ficção literária nos domínios distinguidos não justifica, por enquanto, uma atribuição anual, prevendo-se que na próxima edição do Fórum Fantástico regressem estas distinções.

Algo que queríamos fazer nesta edição do Fórum era rectificar a não existência de um objecto simbólico do prémio, a entregar a António de Macedo. Infelizmente, as suas condições de saúde não permitiram que nos visitasse no espaço do Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro de Telheiras, onde decorre o evento. Este primeiro Prémio Adamastor está pronto, devidamente acondicionado numa caixa de filamento, esperando o rápido restabelecimento da saúde do realizador para que se possa entregar este merecido galardão.


O objecto em si parte da temática Adamastor, não como iconografia mas como elemento mítico,  representativo do fantástico português. Reproduzir em 3D a estátua clássica do monstrengo está para além das nossas capacidades de modelação. Como o foco do prémio incide quer no fantástico quer na ficção científica, os primeiros designs mesclavam tentáculos lovecraftianos (vindos do cartaz da edição deste ano) com foguetões que remetiam para a tradição dos prémios Hugo. Algo que não estava a funcionar, visualmente. A solução veio através de capas do pintor Lima de Freitas para a mítica colecção Argonauta de livros de ficção científica, cujas visões arquitectónicas inspiraram este misto de Padrão dos Descobrimentos e Caravela, intersectado por elementos abstractos criados a partir de placas de circuitos electrónicos.

O prémio não é muito grande, com 100 mm no eixo Z. Tem uma divisão, combinada por colagem, para dar mais volumetria e criar bases planas para assentar na mesa de impressão e evitar uma impressão dependentes de suportes. Foi modelado no Tinkercad (com ajuda do Inkscape para formas curvas e lettering), com tempo de impressão de cerca de seis horas no total, na qualidade 0.2mm com densidade de 5% numa impressora BEEINSCHOOL. Aproveitámos o tempo de arranque de ano lectivo, entre workshops, para imprimir o galardão. Gostaríamos de dizer que a escolha da cor do filamento também obedece a alguma simbologia, mas não, era a cor mais adequada de que dispúnhamos no momento da impressão.

É uma enorme honra para nós colaborar nesta distinção àquele que é um dos grandes nomes da cultura portuguesa. Por aqui, somos grandes fãs de FC e Fantástico, e a obra de António de Macedo é daquelas que nos encanta e inspira. Também gostaríamos de dar o salto para as actividades do Plano Nacional de Cinema na nossa escola, mas a dificuldade de encontrar os seus filmes de forma acessível (em DVD ou digital) não nos permite, por enquanto, essas aventuras.